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“O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti. [download: filme]

LaGiovanni, psicólogo que tem consultório em sua casa, vive uma vida pacata com seus dois filhos, Andrea e Irene, e sua esposa, Paola. Certo dia, seu filho é acusado de, na companhia de um outro amigo, ter roubado um artefato do museu de sua escola. Giovanni quer acreditar na inocência do filho, mas sente que ele pode ter realmente feito o roubo. Apesar disso, Giovanni lida com tranquilidade com a situação, e fica a espera de que o filho lhe conte a verdade, por bem e por confiança. Contudo, uma tragédia impede que isso aconteça.
Nani Moretti trata, neste filme, do sofrimento de uma família pela perda de um dos seus membros. Apesar de não parecer, a primeira vista, este é um tema difiícil de ser explorado: dependendo da abordagem da diretor, da concepção do roteiro sobre o tema e do estilo adotado pelos atores, o resultado pode ser um filme que descamba para o sentimentalismo mais fácil e ordinário, a pieguice mais insuportável e cafona. Para nossa sorte, este não é um destes casos: Nani Moretti, que é responsável não apenas pela direção, mas compôs o roteiro com a ajuda de Linda Ferri e Heidrun Schleef e ainda encarna o protagonista, consegue guiar o tema com delicadeza e cautela, explorando emoções genuínas e naturais nos seus personagens que nunca soam “over” – mesmo quando o sofrimento transborda nos personagens, em atitudes destemperadas mas inteiramente compreensíveis diante dos acontecimentos, ele sempre é crível e comedido, o que espelha diretamente a personalidade desta família tranquila, organizada, serena e cúmplice. Inteligente também é o olhar de Moretti sobre a dinâmica do comportamento das pessoas ao enfrentarem uma perda como esta: algumas pessoas podem se expressar melhor em confissões verbais de dor e agonia, outras só o conseguem fazer através de gestos gentis e sutis, outras ainda aliviam seu afobamento em momentos de rebelião e protesto – isso depende muito da natureza de cada pessoa e de seu estado, mas a comunicação e a exteriorização deste sofrimento, mostra ele, é o passo primeiro para lidar com isso.
O diretor italiano também consegue, sem a necessidade de extender a duração do filme, mostrar como as pessoas precisam, na impossibilidade de reestabelecer internamente o equilíbrio familiar, do contato de alguém externo à ela, que os lembre e os conforte na recordação de quem se foi, ajudando todos a selar este período dramático e a retomar suas vidas.
Contudo, o maior mérito do filme, a meu ver, é o modo perspicaz com que Moretti e seus colegas roteiristas desenham as consequências posteriores à um trauma familiar deste tipo: apesar de que, passado o período de luto e dor, muitas vezes, a vida segue adiante para os que ficaram, exatamente da maneira como era, em outras isso não é mais possível, e algo muda dali em diante – e, dentro desta família, agora com apenas três pessoas, esse é o modo do psícologo encarar a vida após a morte de alguém que tanto ama.
Como vocês poderão se dar o prazer de observar, “O Quarto do Filho” é um dos filmes mais tocantes e equilibrados ao lidar com o tema da morte dentro do seio familiar. Apesar dos depoimentos que tive sobre a qualidade do filme, não deixei de me surpreender com a beleza e o bom gosto com que o tema é tratado e com a condução confiante do cineasta. Provavelmente, este longa-metragem permanecerá insuperável como o momento mais brilhante de toda a carreira de Moretti, um filme que, com economia de recursos e tempo, consegue delinear com precisão a dificuldade humana em ter consciência plena de seu mais pesado fardo.
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4 Comentários

  1. B B

    Adoro este filme. Excelente escolha como sempre. Tenho andado meio desligado dos The Boys ultimamente mas hei-de voltar a eles.

    Um abraço

    B

  2. Alessandro Alessandro

    Estava procurando este belo filme. Irei comentar ele junto a outros colegas da “area” e como este estava um tanto raro em locadoras, me serviu como uma luva. Agradecido.

  3. edd edd

    É um filme bonito sim, mas sóbrio até demais eu diria. Ao não querer exagerar emoções em nenhum aspecto, o filme soa algo artificial. Ao menos foi a sensação que eu tive.

    Não sei se é possível perder alguém tão próximo e ter uma atitude tão blasé.

    A minha impressão é que aqui exageraram pra menos. rs

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