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“Anticristo”, de Lars Von Trier. [download: filme]

AntichristPsicólogo tenta fazer a esposa superar a perda do filho de três anos, morto por cair da janela do apartamento enquanto os dois faziam sexo. Para tanto, ambos se isolam na cabana de uma floresta chamada por eles de “Éden”. Uma vez lá, a relação entre os dois torna-se estranhamente perigosa.
“Anticristo”, mais recente filme do diretor dinamarquês Lars Von Trier, é o mais perfeito exercício de todas as suas idiossincrasias, tanto em estilo, quanto em conteúdo e também no efeito pretendido sobre o espectador e a crítica. Isso, porém, não quer dizer que este seja o seu melhor trabalho: é justamente pelo diretor ter se aplicado tanto em derramar suas obsessões cinematográficas que cada um destes componentes foi subvertido em um empreendimento marcado por falhas.
Primeiramente, no que tange ao estilo, “Anticristo” é um apanhado das técnicas experimentadas por Von Trier em sua carreira. A direção de fotografia de Anthony Dod Mantle e a condução das cenas do próprio diretor combina e contrasta o apuro visual de filmes como “Europa” com o naturalismo à la Dogma 95 de “Os Idiotas”, a filmagem ao mesmo tempo intimista e livre oriunda de “Ondas do Destino” com aquela cuidadosamente planejada, presente em sequências de “Dogville”, a montagem e edição abrupta e seca vista nos diálogos de “Dançando no Escuro” com a cautelosamente estudada e adornada, exposta novamente em “Europa”. Apesar de eu não poder afirmar que o resultado não seja homogêneo, muitas vezes o esmero é tão grande que subjuga a cena à técnica, o que potencializa a sensação de artificialidade. As sequências estilizadíssimas que abrem e fecham o filme, por exemplo, buscam conjugar uma atmosfera poética com tanto afinco que a beleza que ali se busca torna-se em boa medida intoleravelmente irritante. A cena que se segue pouco depois, com o passeio de Charlotte Gainsbourg pelo “Éden” retratado por uma fotografia que ressalta o obscuro da floresta e uma câmera lentíssima que objetiva ampliar a surrealidade e a sensação de suspense, é plasticamente fascinante e lembra muito o visual oniricamente perverso e sombrio do game e do filme “Silent Hill”, por exemplo, mas não obtém o efeito aterrorizante nem de um nem do outro.
Com referência ao conteúdo, muito se tem analisado e dissecado os vários elementos presentes nos diálogos e na narrativa de “Anticristo” para se chegar as possíveis significações do filme. Há quem veja uma alegoria que remete ao Gênesis bíblico, há os que enxergam o longa-metragem como uma expiação das próprias compulsões e crenças do diretor, apontando elementos que vertem misoginia, descrédito religioso e masoquismo físico e não-físico, outros já encontram uma representação moderna da perseguição secular às mulheres, há aqueles ainda que fundamentam-se na psicologia para encontrar ali um tratado da loucura, seus embricamentos e extensões enquanto mais alguns procuram no filme elementos de puro horror sobrenatural, apontando a natureza como personificação e também influência do mal. E existem até mesmo os que consideram que o filme congrega muitas destas interpretações conjuntamente. Pessoalmente, eu acredito que de fato há muitos destes diferentes significados sendo trabalhados de forma combinada em “Anticristo”. Observe-se, por exemplo, que o uso do símbolo do feminino na grafia do título do filme aponta a personagem de Gainsbourg como representação do mal, mas isso tanto pode fazer refêrencia ao contexto que interpreta o mal como derivado do mundo natural e presente nas mulheres por serem os seres mais intimamente relacionados à demanda natural, como à interpretação mais psicológica e realista, apontando-a como portadora de uma forma extremamente nociva e traçoeira de insanidade. O sobrenatural e surreal também não pode ser desprezado, já que ele é simbolizado no comportamento bizarro dos animais da floresta, mas eles se manifestam na interação que o personagem de Willem Dafoe tem com o mundo natural ao seu redor, o que dá espaço para interpretá-lo tanto no contexto de vítima como no de agente de toda esta perturbação, seja ela sobrenatural ou efeito de delírio. Pode-se até mesmo enxergar à ambos, ele e sua mulher, como portadores deste mal (sobre)natural, visto que ela comenta também conhecer algumas destas manifestações. No entanto, apesar de intrigante, a polissemia semântica não consegue atingir nível suficiente de densidade e de sustentação, diferentemente do que acontece no enredo metafórico de “Dogville” e “Manderlay”, as duas partes até agora produzidas da trilogia “Terra de Oportunidades”, fazendo o espectador de “Anticristo” sair da sala com a sensação de que faltou alguma coisa. Fosse incrementada uma das possíveis instâncias de significado, ou mesmo removida alguma delas, e talvez o filme ganhasse mais impacto no seu caráter semântico.
Quanto as reações obtidas pelo filme, muito se tem falado, para o bem e para o mal de “Anticristo”, e isso não é novidade alguma. Deixar espectadores chocados, irritados ou mesmo enojados também é notícia velha em se tratando de Lars Von Trier. Não é de hoje que os filmes do diretor despertam tais reações na platéia – e muito disso é vontade confessa de Von Trier, é bom dizer. Muitos dos seus filmes anteriores também levantaram, em considerável medida, o mesmo tipo de reação onde quer que fossem exibidos. Por isso, alguns podem pensar que “Anticristo” seja o mais violento e cruel dos filmes de Lars Von Trier, e de certa forma, realmente é. Porém, penso que a questão não é simplesmente o fato do filme ser provavelmente o mais explicitamente violento, mas se era necessário que ele fosse explicitamente violento. Aliás, é preciso entender do que se trata o termo “explícito” neste filme antes. Ao contrário do que se possa pensar, o explícito aqui é bastante pontual: algumas cenas são realmente gráficas, mas diferentemente da impressão deixada elas são muito poucas, bastante breves e não tem qualquer paralelo com o espetáculo de carnificina do chamado cinema “torture porn”, o que faz as poucas vozes que declararam o parentesco de “Anticristo” com este gênero repulsivo serem fruto de um julgamento equivocado. Apesar disso tudo, confesso não entender a necessidade de sua presença. Por qual razão Von Trier fez questão de focar sua câmera na mutilação e em atos sexuais explícitos simulados e, diga-se, também não simulados, este, por sinal, exibido em close, com requintes de estilização e embelezamento em pouco mais de um minuto de filme? Chocar a platéia parece ser a única motivação. Mas o efeito teria sido muito mais profundo e indelével pela sugestão destes atos – nem preciso citar exemplos, os grandes marcos da história do cinema se encarregam disso. Como estão, por mais breves e poucas que sejam as cenas de violência e sexo desnecessariamente explícito, seu efeito me parece o exato oposto do que se tentou obter. Elas destoam, deixando um estigma um tanto barato no longa-metragem. Por mais que se discuta, se fale, se debata sobre a polêmica do conteúdo, são estes artifícios visuais supérfluos a primeira coisa que qualquer pessoa vai lembrar ou comentar.
“Anticristo” fica assim como o maior deslize até esta altura da filmografia de Lars Von Trier. Como os demais filmes do dinamarquês, há elementos intrigantes e fascinantes no longa-metragem, porém, o esmero excessivo que se converte em puro maneirismo visual produz um ruído na narrativa que só faz tumultuar e diluir o seu efeito, ironicamente desperdiçando a riqueza dos recursos técnicos e não-técnicos ali aplicados. Um exemplo é o belo trabalho de interpretação dos dois únicos atores de seu elenco, que perde grande parte de sua força ao sofrer constantes interferências dos excessos que o subjugam. Esta falta de limite e de considerável foco do longa-metragem é provável que seja fruto do estado perturbado em que ainda se encontrava o cineasta, recém-saído de uma de suas intensas crises depressivas. Penso que o mais sensato seria o diretor ter aguardado o completo reestabelecimento de sua capacidade criativa, algo que ele mesmo confessou não possuir suficientemente durante a produção do filme – só assim ele teria o discernimento necessário para notar que suas obsessões pessoais e artísticas encontravam-se num ponto por demais incensado.

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legendas (português):
http://legendas.tv/info.php?d=a0012bcdaf0620f0483bf7dc2e807e26&c=1

3 Comments

  1. Jorge Jorge

    Tenho a impressão de que “Anticristo” é só um exercício de (neo)paganismo de Lars Von Trier, e que temas semelhantes ainda serão muito explorados em sua filmografia, por vir. “Caos reina”.

  2. Amauri Amauri

    Se você se prendesse a apenas analisar o filme — sua temática, seus significados, sua estética — em vez de ficar pontuando sua opinião a todo momento, essa crítica seria melhor.
    Não quero ser chato (aliás, nem conhecia seu blog, apenas digitei “Anticristo” no Google e encontrei essa página), mas essas críticas que buscam ressaltar “imperfeições”, “equívocos” ou até mesmo “falhas” nos filmes me irritam um pouco. Os críticos de cinema, que hoje são uma febre no Brasil, pouco se importam em fazer uma análise profunda e dedicada a uma obra — como fazem os críticos literários ou de música erudita — e por isso se perdem em apontamentos desnecessários e que pouco trazem de conteúdo.
    Um crítico precisa entender que um filme é uma realização de anos, de muito esforço, pensado. Principalmente se formos considerar diretores como Trier, e por isso merece uma crítica um pouco menos sensacionalista— onde o importante é criticar negativamente para parecer um conhecedor maior de cinema — e mais racional. Seria como analisar “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoiévski, num texto feito em 30 minutos: é necessário entender a obra, compreender o que o diretor quis passar, o que ele quis dizer, como ele realiza esse feito, qual é o seu estilo, se há exercícios de linguagem, onde a obra se encaixa, sofre influência de quem, exerce influência em quem etc. Há muito a ser falado, não um simples “O diretor erra a mão e faz uma obra desnecessária”.
    Desculpe-me pela sinceridade, mas eu realmente não consigo entender o porquê de haver tantos críticos desinteressados no cinema.

    • Vamos por partes.
      Primeiro, toda análise parte da sua própria subjetividade, então o prender-se ao artefato cultural em questão sempre vai estar imerso em algum nível de subjetividade, sendo a única variação o seu teor. Portanto, desculpe, mas eu creio que sempre procura analisar a sua “temática, seus significados, sua estética”, no entanto, e diretamente relacionado à segunda questão, se você se deu ao trabalho de vasculhar o histórico deste blog, deve ter visto que ele não se propõe a tecer análises excessivamente aprofundadas dos artefatos culturais à que se dispõe resenhar – há uma varidade de estilos de blogs de resenha na internet: que vão das resenha-drops, que não passam de algumas linhas e se resumem ao “gostei” ou “não gostei” que você mesmo se refere, até os que se propõe em uma análise longa e detalhada. Eu nunca me propus a ser nem um nem o outro, prefiro o meio-termo, nem tão breve e superficial como uma notinha de rodapé, nem tão detalhista e preocupado em tecer argumentações de uma tese de doutorado. Se este último é o estilo que lhe agrada, basta procurar, há um bom número destes blogs na internet. No entanto, o fato de você gostar mais de um do que de outro não deslegitima os outros estilos – são propostas diferentes, e o público vai procurar e apreciar aquele que mais lhe agrade. Terceiro, entendo o que você quer dizer “crítica um pouco menos sensacionalista— onde o importante é criticar negativamente para parecer um conhecedor maior de cinema”. Eu já cheguei a pensar do mesmo modo, porém, há muito, muito tempo não vejo isso mais como um argumento válido, ao menos não para o que eu faço – novamente, se você deu uma espiada no histórico do seteventos.com, deve ter visto que resumir resenhas como as minhas à isto seria por demais uma análise tão superficial e simplista quanto as críticas que você diz não apreciar e acredita ser exatamente isto. Eu elogio o que acho por bem elogiar, aquilo que apreciei, e critico o que acho por bem criticar, aquilo que não apreciei – isso sim é simples de se entender. O que não quer dizer que um filme pode ser apenas adorado ou odiado, há toda uma gama de elementos em um longa-metragem, como você mesmo declarou, e algumas vezes algo pode agradar muito enquanto outras – ou muitas outras – podem desagradar igualmente e, sendo assim, nestes casos a consideração final da resenha do artefato cultural em questão depende muito desta equação. Agora, me desculpe, não vou ficar fazendo exercícios de análise sempre tentando pinçar algo de bom em um longa-metragem que não apreciei apenas porque você – e muito mais gente ainda – pensa que as pessoas elaboram críticas “negativamente para parecer um conhecedor maior de cinema”.

      É isso.

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