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Tag: curtas

“The Hungry Corpse”, de Gergely Wootsch [video, curta]

O curta-metragem de animação do húngaro Gergely Wootsch, que conta com as vozes dos atores Bill Nighy e Stephen Mangan, não é a história feliz de um velhinho e um pássaro – a começar pelos personagens, que são, na verdade, um cadáver ambulante e um pombo rejeitado -, mas tem suas pitadas de humor em alguns instantes dos seus pouco mais de oito minutos. O estilo da animação, que remete aos primeiros experimentos de Tim Burton no gênero e aos clássicos filmes de terror em preto-e-branco, casa perfeitamente com a tonalidade da história que, se tem muito de melancólico, devo dizer que também é concluída com um soluço de esperança e conforto.

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“Desert Affair”, de Sou Matsumoto [video, curta]

É difícil uma animação criada por um oriental que não tenha suas raízes bem fincadas na forte identidade das produções daquela parte do mundo, em particular dos “animes”. “Desert Affair”, pequeno curta-metragem de Sou Matsumoto, certamente não foge desta influência tanto na dinâmica do argumento simples de sua história, quanto em sua atmosfera e personagens (o monstro que persegue a jovem com um bebê se sentiria em casa em um episódio de Pokémon), porém, curiosamente, é justamente no estilo da animação que a criação de Matsumoto descartou preservar muito da afinidade com as produções de sua terra, preferindo um traço mais simples, quase ocidental – e junto com o desfecho cômico da história, este é o seu maior charme.

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“Brothers”, de Larry Cohen [curta-metragem]

Brothers from Larry Cohen on Vimeo.

Dois irmãos viajam juntos para a casa da avó, um deles sem estar ciente do verdadeiro motivo da jornada.
Este curta-metragem bem realizado tem como destaque a competente dupla de atores, que consegue exprimir de modo muito convincente o misto de implicância, amor e apoio incondicional que costumam alternar-se o tempo todo e sem qualquer aviso na relação entre irmãos. Apesar da história simples, o final bastante emocionante guarda uma surpresa inimaginável. A canção-título usada ao final, dos britânicos do Hot Chip, casa perfeitamente com o misto de drama e humor sutil do curta.

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“Bottle”, de Kirsten Lepore. [download: video]

Bottle, de Kirsten Lepore

Tirando proveito do tão conhecido recurso narrativo da mensagem na garrafa, a diretora e animadora Kirsten Lepore recupera o velho brilho das animações stop-motion infanto-juvenis que não apresentavam falas dos personagens – como a famosa Pingu, entre muitas outras produzidas nos anos 80 e 90 -, mas que conseguiam entreter ao transmitir idéias simples para o seu público-alvo. Em “Bottle”, a diretora conta a história de duas criaturas separadas por um oceano, uma feita de areia e outra de neve, que certo dia conseguem estabelecer comunicação trocando itens de seus respectivos habitats através de uma garrafa atirada no mar. Econômico em recursos, já que utiliza sonorização e ambientes naturais como cenários e itens que podem certamente ser encontrados perdidos e deixados pelo chão de quaisquer lugares como estes, o curta-metragem construído pela diretora difere um pouco de boa parte das inocentes produções que o inspiraram por conta do seu final, um tanto quando melancólico e shakespereano demais para gente de pouca idade. A universalidade do argumento simples, porém, preserva o teor infalível de diversão e encantamento dessas belos curtas que certamente ainda cai no gosto de boa parcela de crianças de hoje, bem como da maioria daqueles que já passaram há muito tempo desta fase.

download:
ifile.it/nef2tug/bottle_-_kristen-lepore.mp4

assista:

Bottle from Kirsten Lepore on Vimeo.

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“Between Bears”, de Eran Hilleli. [download: video]

Eran Hilleli, que vive atualmente em Tel Aviv, é daqueles estudantes de artes gráficas que fazem jus ao termo “arte” em sua produção. Prova disso é “Between Bears”, o vídeo que o jovem criou como seu trabalho de conclusão de seu curso de graduação: com um visual estilizadíssimo, exibindo uma ambientação etérea e distante e cujos desenhos são todos feitos partindo de formas geométricas de ângulos fortes, o curta-metragem brevíssimo traz como personagens ursos melancólicos e peregrinos silenciosos em uma história com inequívocas reminescências metafísicas. A trilha utilizada, composições do amigo músico Ori Avni com algumas vocalizações da cantora Daniela Spector, reforça a delicadeza que transpira no visual sofisticado criado pelo artista. É uma tremenda viagem minha, mas vale comentar que o idílico encontro entre os dois ursos da trama no final do vídeo me trouxe à mente algo de “A Dupla Vida de Véronique”, obra-prima inquestionável do mestre do cinema Krzysztof Kie?lowski. A criação de Hilleli é tão tocante e intensamente poética que seu único defeito é durar tão pouco – terminei o vídeo querendo ver muito mais deste jovem artista. Confira o vídeo em streaming ou faça download pelo link abaixo.

download: ifile.it/uzrx76m/between-bears.mp4

assista:

Between Bears from Eran Hilleli on Vimeo.

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“Drift Away”, de Jean-Julien Pous. [download: video]

Drift Away - Jean-Julien Pous
Em meio a uma Hong Kong que alterna entre a explosão de suas cores saturadas e a obscuridade fria de sua urbanidade caótica, uma garota (Teresa Sheung Yan) vagueia com visível displicência, eventualmente observando com melancolia detalhes da vida que se desdobra em cada canto da cidade. Só no fim, quando se contempla a garota afastada da pluralidade incessante do ambiente da metrópole, é que se acaba entendendo que as sensações anestesiadas não eram fruto de um comportamento fleumático, e sim de um conflito subjacente. Esbanjando talento na combinação do trabalho de fotografia, montagem, edição e demonstrando enorme sensibilidade na uso esplêndido da trilha sonora, o diretor Jean-Julien Pous criou neste curta-metragem uma sucinta e precisa biografia do eclipsamento do indivíduo em meio a coletividade, que os torna incapazes de perceber o perigo iminente que se esconde por trás de uma expressão aparentemente plácida.

“Drift Away”, de Jean-Julien Pous: Vimeo (assista)download

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“Vincent”, de Tim Burton. [download: vídeo]

VincentVincent é um garoto de 7 anos como qualquer outro, a não ser pelo fato de que, ao invés de adorar contos-de-fadas ele tem fascinação por Edgar Allan Poe e no lugar de fantasias sobre soldados e super-heróis, nelas ele imagina ser Vincent Price, o ator famoso por conta de seus filmes clássicos de terror. Este curta-metragem, produzido em 1982, em apenas 6 minutos faz um compêndio do tudo o que inspira e define o estilo gótico de seu criador, Tim Burton: a técnica utilizada é a stop-motion, que foi adotada por ele em dois outros longa-metragens; ao invés de cores, a cenografia é em um preto e branco que realça o estilo dark da animação, como feito mais tarde em “Ed Wood”; Edgar Allan Poe, obsessão do garoto que protagoniza o filme, é também um dos escritores com o qual o estilo do diretor mais se assemelha e, finalmente, Vincent Price não apenas é o narrador do poema que acompanha a animação, mas o ídolo confesso de Burton, a quem ele convidaria para participar de um de seus filmes mais emblemáticos, “Edward Mãos de Tesoura”. Assista ao divertido curta-metragem neste link do YouTube, com legendas em português, e baixe o arquivo dele em vídeo de alta-qualidade utilizando este outro link.

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JC Penney – “Magic” (dir. Nicolai Fuglsig). [download: vídeo + mp3]

JC Penney - MagicO prestigiado diretor Nicolai Fuglsig dá mais um show de inventividade na peça publicitária encomendada para a rede de lojas norte-americanas JC Penney: usando efeitos especiais e trucagens tradicionais, que nada de digital teriam, o diretor dinamarquês fez um clipe divertidíssimo, onde as coisas mais cotidianas ganham um toque fora do comum. A canção escolhida para servir de trilha, “Music Box”, da cantora e compositora Regina Spektor, é mais um sinal da apurada sensibilidade pop de Fuglsig, famoso por unir seus delírios visuais com a música ideal. Assista via este link do YouTube ou baixe o vídeo, com qualidade muito superior, usando este outro link. Se gostou da música, use o link abaixo para obtê-la.

Regina Spektor – “Music Box”:
http://www.badongo.com/file/5600201

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“Tir Nan Og”, de Fursy Teyssier. [download: vídeo]

Tir Nan OgO curta-metragem “Tir Nan Og” faz, de modo poético e extramente emocionante, uma metáfora sobre a morte e o adeus aqueles que amamos. O filme, com visual arrojado que faz uma mistura primorosa de animação tradicional e digital, foi o trabalho de conclusão dos estudos do diretor francês Fursy Teyssier, e demonstra que o seu enorme talento poderia ser aproveitado em aventuras ainda mais ambiciosas. A trilha sonora merece destaque à parte: a canção utilizada com trilha do filme é a espetacularmente bela e delicada de “The Slow Wait”, da dupla de música experimental americana The American Dollar. Infelizmente, não consegui encontrá-la disponível em mp3. Mas fica aqui o filme, via este link do YouTube ou neste outro ainda, para download em qualidade de imagem maior.

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“Terminus”, de Trevor Cawood. [download: vídeo]

TerminusUm homem, inerte em sua rotina algo insípida, é um dia surpreendido pela companhia de um ser estranho, de feições humanóides, mas composto de cilindros de concreto. A partir de então, onde quer que esteja, aquela entidade o acompanha incansável e inexpressivamente. Logo ele descobre que não parece ser o único a carregar esse “fantasma” – outras pessoas igualmente carregam os seus, todas entidades diferentes entre si.
Com a ajuda do irmão Jason no roteiro, o diretor Trevor Cawood produziu este curta-metragem perturbador, não apenas com uma idéia muito original e aterradora, que intensifica pouco a pouco no espectador a idéia de claustrofobia, esquizofrenia e paranóia, mas com uma inteligência espetacular ao explorar a frieza obscura e quase insana dos ambientes típicos de uma metrópole, bem como fazendo proveito dos elementos deste cenário urbano para o desenho de cada uma das estranhas entidades que, como anjos da guarda que não causam bem algum, prostram-se silenciosas ao lado de seus escolhidos, observando-os contínua e ininterruptamente – é um dos melhores curta-metragens que já tive a oportunidade de obter pela internet, chegando a lembrar-me, na breve sequência em que o protagonista perambula desnorteado nos soturnos corredores do metrô, quase ao final do curta, a extraordinária cena de Isabelle Adjani no filme “Possessão”, de Andrzej Zulawski. Assista logo via este link do YouTube ou – o que eu recomendo muito mais, devido ao visual arrojado do vídeo – baixe-o utilizando este link para o tamanho grande ou este link para o vídeo no tamanho médio.

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