
Dois irmãos viajam juntos para a casa da avó, um deles sem estar ciente do verdadeiro motivo da jornada.
O único defeito a apontar deste curta-metragem do diretor Larry Cohen é a fotografia utilizada para a cena final, que poderia ter sido melhor estudada para melhor retratar a expressão facial dos atores, já que trata-se justamente da cena mais importante desde pequeno vídeo de pouco mais de dez minutos. De resto, é um filme muito bem realizado, equilibrando drama e humor, retratando com apuro as eternas confusões e receios entre membros de uma família. O destaque fica para a competente dupla de atores que protagoniza o curta: ambos conseguem exprimir de modo muito convincente o misto de implicância, amor e apoio incondicional que costumam alternar-se o tempo todo e sem qualquer aviso na relação entre irmãos. Apesar da história simples, o final bastante emocionante guarda uma surpresa inimaginável. A canção-título usada ao final, dos britânicos do Hot Chip, casa perfeitamente com o misto de drama e humor sutil do curta.
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“Bottle”, de Kirsten Lepore. [download: video]
Tirando proveito do tão conhecido recurso narrativo da mensagem na garrafa, a diretora e animadora Kirsten Lepore recupera o velho brilho das animações stop-motion infanto-juvenis que não apresentavam falas dos personagens – como a famosa Pingu, entre muitas outras produzidas nos anos 80 e 90 -, mas que conseguiam entreter ao transmitir idéias simples para o seu público-alvo. Em “Bottle”, a diretora conta a história de duas criaturas separadas por um oceano, uma feita de areia e outra de neve, que certo dia conseguem estabelecer comunicação trocando itens de seus respectivos habitats através de uma garrafa atirada no mar. Econômico em recursos, já que utiliza sonorização e ambientes naturais como cenários e itens que podem certamente ser encontrados perdidos e deixados pelo chão de quaisquer lugares como estes, o curta-metragem construído pela diretora difere um pouco de boa parte das inocentes produções que o inspiraram por conta do seu final, um tanto quando melancólico e shakespereano demais para gente de pouca idade. A universalidade do argumento simples, porém, preserva o teor infalível de diversão e encantamento dessas belos curtas que certamente ainda cai no gosto de boa parcela de crianças de hoje, bem como da maioria daqueles que já passaram há muito tempo desta fase.
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ifile.it/nef2tug/bottle_-_kristen-lepore.mp4
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“Between Bears”, de Eran Hilleli. [download: video]
Eran Hilleli, que vive atualmente em Tel Aviv, é daqueles estudantes de artes gráficas que fazem jus ao termo “arte” em sua produção. Prova disso é “Between Bears”, o vídeo que o jovem criou como seu trabalho de conclusão de seu curso de graduação: com um visual estilizadíssimo, exibindo uma ambientação etérea e distante e cujos desenhos são todos feitos partindo de formas geométricas de ângulos fortes, o curta-metragem brevíssimo traz como personagens ursos melancólicos e peregrinos silenciosos em uma história com inequívocas reminescências metafísicas. A trilha utilizada, composições do amigo músico Ori Avni com algumas vocalizações da cantora Daniela Spector, reforça a delicadeza que transpira no visual sofisticado criado pelo artista. É uma tremenda viagem minha, mas vale comentar que o idílico encontro entre os dois ursos da trama no final do vídeo me trouxe à mente algo de “A Dupla Vida de Véronique”, obra-prima inquestionável do mestre do cinema Krzysztof Kie?lowski. A criação de Hilleli é tão tocante e intensamente poética que seu único defeito é durar tão pouco – terminei o vídeo querendo ver muito mais deste jovem artista. Confira o vídeo em streaming ou faça download pelo link abaixo.
download: ifile.it/uzrx76m/between-bears.mp4
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“Drift Away”, de Jean-Julien Pous. [download: video]

Em meio a uma Hong Kong que alterna entre a explosão de suas cores saturadas e a obscuridade fria de sua urbanidade caótica, uma garota (Teresa Sheung Yan) vagueia com visível displicência, eventualmente observando com melancolia detalhes da vida que se desdobra em cada canto da cidade. Só no fim, quando se contempla a garota afastada da pluralidade incessante do ambiente da metrópole, é que se acaba entendendo que as sensações anestesiadas não eram fruto de um comportamento fleumático, e sim de um conflito subjacente. Esbanjando talento na combinação do trabalho de fotografia, montagem, edição e demonstrando enorme sensibilidade na uso esplêndido da trilha sonora, o diretor Jean-Julien Pous criou neste curta-metragem uma sucinta e precisa biografia do eclipsamento do indivíduo em meio a coletividade, que os torna incapazes de perceber o perigo iminente que se esconde por trás de uma expressão aparentemente plácida.
“Drift Away”, de Jean-Julien Pous: Vimeo (assista) – download
“Vincent”, de Tim Burton. [download: vídeo]
Vincent é um garoto de 7 anos como qualquer outro, a não ser pelo fato de que, ao invés de adorar contos-de-fadas ele tem fascinação por Edgar Allan Poe e no lugar de fantasias sobre soldados e super-heróis, nelas ele imagina ser Vincent Price, o ator famoso por conta de seus filmes clássicos de terror. Este curta-metragem, produzido em 1982, em apenas 6 minutos faz um compêndio do tudo o que inspira e define o estilo gótico de seu criador, Tim Burton: a técnica utilizada é a stop-motion, que foi adotada por ele em dois outros longa-metragens; ao invés de cores, a cenografia é em um preto e branco que realça o estilo dark da animação, como feito mais tarde em “Ed Wood”; Edgar Allan Poe, obsessão do garoto que protagoniza o filme, é também um dos escritores com o qual o estilo do diretor mais se assemelha e, finalmente, Vincent Price não apenas é o narrador do poema que acompanha a animação, mas o ídolo confesso de Burton, a quem ele convidaria para participar de um de seus filmes mais emblemáticos, “Edward Mãos de Tesoura”. Assista ao divertido curta-metragem neste link do YouTube, com legendas em português, e baixe o arquivo dele em vídeo de alta-qualidade utilizando este outro link.
JC Penney – “Magic” (dir. Nicolai Fuglsig). [download: vídeo + mp3]
O prestigiado diretor Nicolai Fuglsig dá mais um show de inventividade na peça publicitária encomendada para a rede de lojas norte-americanas JC Penney: usando efeitos especiais e trucagens tradicionais, que nada de digital teriam, o diretor dinamarquês fez um clipe divertidíssimo, onde as coisas mais cotidianas ganham um toque fora do comum. A canção escolhida para servir de trilha, “Music Box”, da cantora e compositora Regina Spektor, é mais um sinal da apurada sensibilidade pop de Fuglsig, famoso por unir seus delírios visuais com a música ideal. Assista via este link do YouTube ou baixe o vídeo, com qualidade muito superior, usando este outro link. Se gostou da música, use o link abaixo para obtê-la.
Regina Spektor – “Music Box”:
http://www.badongo.com/file/5600201