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Tag: pop frances

Woodkid – I Love You (Quintet Version – Live Acoustic) [vídeo, download: mp3]

WOODKID – I Love You (Quintet Version)

Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente devido o lançamento do seu debut The Golden Age, o talentoso artista francês Woodkid disse que seu disco de estréia não é um album pop, já que não há nas canções instrumentos comumente utulizados em composições do tipo, como guitarras, baixo e bateria, mas que qualquer destas músicas poderia muito bem ser convertida em algo do gênero em versões alternativas. E no dia de hoje, em uma participação na rádio France Inter, o cantor francês provou que está certo ao apresentar uma versão acústica de “I Love You” a qual utiliza-se apenas de piano e cordas – e apesar da simplicidade, devo dizer que esta versão, que conta com um andamento mais lento e melancólico, rivaliza em emoção com a original de estúdio.
Clique no link para fazer o download da canção em mp3.

http://www.mediafire.com/file/fq79j1tato4yrca/wood-i-love-you-live-acoustic-quintet-version.zip

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Woodkid – “I Love You” [video]

Woodkid – I Love You (Official Video)

E finalmente teve sua estréia o tão esperado terceiro (e provavelmente último) vídeo a ser liberado pelo músico, compositor e diretor francês Woodkid antes do lançamento de The Golden Age, seu álbum de estréia. Após uma brevíssima referência ao personagem do garoto que foi introduzido no vídeo de “Iron” e que protagonizou o vídeo de “Run, Boy, Run”, somos apresentados à um personagem também retratado em “Iron”, o homem jovem que parece ser um sacerdote cristão, que neste vídeo chega para realizar seu culto em uma capela de um vilarejo de camponeses russos. Ao mesmo tempo que ele toca o órgão da igreja para os seus fiéis, nos é apresentado este jovem como um outro personagem em uma jornada através de um imponente e vasto deserto gelado e rochoso até chegar ao litoral, onde acaba por atirar-se no fundo do oceano. Esta história paralela, na verdade, é também contada pelo jovem sacerdote aos seus fiéis, já que ele introduz em russo o conto para eles como sendo sobre um homem que morre duas vezes: ao perder seu amor e ao se afogar nas águas geladas do oceano.
Inevitavelmente bem encenado, impecavelmente fotografado e espetacularmente elaborado, este novo vídeo Inicialmente aparenta ser mais simples do que os dois lançados por Woodkid, mas à medida que o curta se desenvolve vai sendo revelado o destino do desesperado jovem e a história torna-se mais imponente e espetacular, sendo fechada com um final misterioso e intrigante. Enquanto “Iron” e “Run, Boy, Run” tinham temáticas mais juvenis e apoteóticas, o vídeo de “I Love You” é um trabalho mais maduro e emocionante, deixando claro que Woodkid pode ir muito além das belas aventuras juvenis e épicas pelas quais ficou inicialmente conhecido – e confesso: de todos até o momento, este é o meu vídeo preferido.

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Woodkid – The Golden Age (+ 3 faixas bônus) [download: mp3]

Desde seu despontar na internet, com o lançamento em 2011 do videoclipe e do single “Iron”, venho acompanhando com ansiedade a tão aguardada estréia de Woodkid, pseudônimo do diretor, artista gráfico, compositor e cantor francês Yoann Lemoine. Como já se percebia desde o surgimento do vídeo, o artista europeu não faria sua estréia de modo simples: além dos obrigatórios lançamentos em formato digital e CD de áudio e do lançamento em vinil para agradar os alternativos de plantão, Woodkid preparou uma edição especial primorosa na qual o CD figura como brinde de luxo de um livro que mistura memórias e ficção, escrito em conjunto com sua prima polonesa Katarzyna Jerzak, e que acompanha também ilustrações do elogiado ilustrador de graphic novels Jillian Tamaki. Contudo, pra não fugir à tradição dos lançamentos musicais na era pós-moderna, poucos dias antes do lançamento oficial o álbum em sua totalidade já começou a se alastrar pela internet. E finalmente Woodkid pode ser posto à prova nos ouvidos dos fãs que já tinha arrebanhado sem nem mesmo ter um álbum lançado.
The Golden Age é, como já se esperava, um trabalho grandioso de um estreante singular, que começou sua carreira por trás das câmeras, migrou para os palcos e arrebanhou fãs mesmo antes de seu lançamento oficial, assumidamente, em suas próprias palavras, um “músico frustrado que é diretor de vídeos”. Essa auto-avaliação tem um fundo de verdade: sua faceta de cantor realmente não tem a perfeição de um crooner, já que é difícil não notar a limitação de sua voz, que quase chega a titubear em alguns volteios, mas o artista conhece a si próprio e, inteligente, escolheu apresentar-se ao público com as faixas “Iron”, “Run, Boy, Run” e “I Love You”, músicas extremamente bem produzidas e arranjadas que se adaptam ao seu vocal e o encorpam simultaneamente. Isso se repete em outras faixas que permeiam o álbum, como a que o abre e lhe dá nome, que surge com harmonia reflexiva ao piano seguida de um turbilhão percussivo e orquestral que afoga os sentidos em uma epopéia sonora que só encontra paralelo em épicos do cinema de ficção científica e da fantasia, mas que lembra também melodias compostas por Björk nos últimos anos, em particular no disco Volta. A referência vem novamente à tona no compasso melódico de “Ghost Lights”, onde o órgão, os metais e a percussão soam taciturnos e amargurados. “Stabat Mater”, composta e produzida pelo amigo de Woodkid, o DJ e músico francês SebastiAn, não tem medo de soar redundante ao adicionar um coro de inspiração religiosa para acompanhar a percussão já retumbante e os metais e cordas em resplandecente psicose – uma melodia que soa como o hino de uma cruzada messiânica. “Conquest Of Spaces” promove a união da influência sacra presente no trabalho do francês com o seu apreço pelo cinema de ficção científica ao associar um órgão futurista à um sintetizador de sonoridade caleidoscópica. Fechando o disco, em “The Other Side” acordes de piano e sinos entoam um belo lamento, que partilhado pelo coro e pelos arranjos de metais e cordas, acaba por se submeter ao ritmo marcial da percussão – uma analogia melódica perfeita às letras da canção.
Apesar da apoteose cinematográfica ser uma constante, há momentos nos quais o artista francês procura outras experiências sonoras, como em duas músicas de atmosferas opostas, “The Great Escape” e “The Shore”: a primeira, que não deixa de lado a percussão frenética e incansável, é uma música mais despretensiosa e alegre, com arranjos orquestrais mais simples que se limitam a complementar a música, enquanto a segunda, conduzida por um piano aristocrático, vai ganhando colorações ainda mais formais e clássicas à medida que levantam-se metais e cordas que reforçam suas pretensões algo operísticas. Além disso, há também instantes mais introspectivos nos quais Woodkid consegue em grande parte dominar e balancear seu vocal, como em “Boat Song”, onde sintetizações que remetem à produção setentista de Brian Eno evitam, inutilmente, a tristeza compassiva dos trompetes e do piano, e também “Where I Live”, uma balada onde os floreios de metais concedem algum conforto à voz e ao piano que compartilham desmedida dose de doçura e pesar.
The Golden Age é um debut impetuoso e impecável que certamente vai ser rejeitado por muitos por beirar o excessivo e o megalômano, por querer ser incondicionalmente muito ou tudo ao mesmo tempo: romântico, épico, delicado, fascinante, sensível, apoteótico. No entanto, é inegavelmente uma obra emocionante, fruto da dedicação de um artista imbuído de uma sincera vontade de trazer à realidade seus sonhos e ideais mais caros, inspirado pela inocência e inconsequência da infância, a era dourada que ficou no passado e dá nome ao disco, e pela inevitabilidade da vida adulta, realidade que passamos a viver para o resto de nossa existência e que por vezes é fria e dura demais para poder ser tolerada. Portanto, por baixo de toda a esplendorosa grandiloquência, por baixo da pompa percussiva e da avalanche de arranjos orquestrais que arrebata muitos e irrita tantos outros, há situações e sentimentos tão verdadeiros e simples quanto a daquela banda indie que foi apontada como a mais nova sensação por aquele coletivo online ou blog hypadíssimo que adora posar de humilde e apontar o dedo para a “mídia oficial”, mas que, na verdade, é um veículo de comunicação tão super produzido quanto este último. O exato oposto de Woodkid, um artista que em momento algum finge ser o que não é.

O arquivo para download inclui 3 faixas bônus: a instrumentais “The Deer” e “The Golden Age” (Intro), e “The Golden Age” (feat. Max Richter ‘Embers’), a versão do vídeo da canção, de mais de 10 minutos, com várias inserções melódicas alternativas, que conta inclusive com a participação do compositor erudito alemão Max Richter.

http://www.mediafire.com/file/h6kpbu4hobvv57f/wood-age-3-bonus-tracks.zip

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Woodkid – “I Love You” (single)

E hoje foi liberada “I Love You”, mais uma faixa de The Golden Age, um dos discos mais esperados dos últimos meses pelos alternativos de plantão (me incluo aqui). Um projeto sendo gestado com todo o cuidado e sem pressa pelo francês Yoann Lemoine, mais conhecido pelo pseudônimo Woodkid, o ambiciosíssimo disco está sendo acompanhado de videoclipes esplendorosos e uma pré-turne cabulosa onde o artista está conquistando seu público sem nem mesmo ter lançado seu debut. É tudo um tanto pretensioso, mas nesse caso isso é feito com toda a propriedade, já que tudo o que o seu ouviu (e viu) até agora é de uma qualidade acachapante. “I Love You” prossegue mantendo o nível na estratosfera: com uma base percussiva forte, badalar apoteótico de sinos, órgãos e violinos dramáticos, Woodkid solta sua voz grave e macia para tornar completo e inevitável o transe sonoro.

Woodkid – I Love You

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Camille – “Que je t’aime” (single) [download: mp3]

Camille - Que je taime

Lançada no final da década de 60 pelo cantor Johnny Hallyday, um dos maiores astros da música francesa, “Que je t’aime” foi selecionada por uma das maiores estrelas da França contemporânea, a cantora e compositora Camille, para ser lançada no dia de hoje como seu mais novo single, diferindo bastante da versão originalmente gravada pelo ícone francês. Em sua regravação, a cantora adequa o clássico às vestes mais recentes do seu estilo musical: ainda incorporando o despojamento sonoro de Ilo Veyou, disco de contornos acústicos lançado no ano passado, o seu cover explora assim a delicadeza de seu vocal acompanhado por não mais do que um arranjo de cordas delicado, uma percussão sutilíssima e um contrabaixo elegante, resultando em uma faixa que encanta e enleva, insistentemente permanecendo nos ouvidos o dia inteiro.

Camille – “Que je t’aime” (do single Que je t’aime)

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Já a primeira versão, em cujas letras Hallyday confessa de modo dramático toda a vastidão do seu amor, indo do romantismo mais pleno, passando pelo desespero de perda com a morte até o ardor do sexo, tem a marca indelével dos grandes cantores da chanson française: inicialmente introduzida por um órgão discreto, é tomada já na primeira passagem do refrão por uma sússia instrumental, na qual pode-se discernir um dramático arranjo de metais, baixo e bateria muito bem marcados. O vocal sai ao sabor da melodia e condiz com uma grande lenda da música, alternando repentinamente o tom contido e amargurado para um brado destemperado e sofrido.

Johnny Hallyday – “Que je t’aime” (do single Que je t’aime)

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Woodkid – “Run Boy Run” [vídeo + single] e “Iron” [vídeo + single]

Atendendo no seu projeto pessoal pelo pseudônimo Woodkid, o francês Yoann Lemoine está aplicando todo o aprendizado de um artista contemporâneo em sua relação com a mídia dos novos tempos: usando a internet como aliada, o cantor, compositor, diretor e artista visual europeu está lançando pouco a pouco músicas muitíssimo bem produzidas e clipes de cair o queixo por conta de seu requinte estético, o que gera todo um burburinho tanto nas redes sociais quanto na crítica especializada da web. Inteligente, o rapaz francês, que nem bem 30 anos tem, faz uso desta abordagem homeopática para incutir um sentimento de ansiedade e antecipação nos seus futuros e pretensos fãs, construindo assim uma reputação excelente sem nem mesmo ter lançado o seu álbum de estréia. Indiretamente conhecido no mundinho pop por ter dirigido clipes de algumas das figuras mais populares da atualidade (que não merecem menção) e no mundinho alternativo por trabalhar em clipes de Lana Del Rey e campanhas publicitárias bastante criativas, seu primeiro álbum, The Golde Age, está previsto para setembro deste ano, mas neste seu processo cuidadoso de construção de sua persona artística na web, duas das faixas já são conhecidas do público, tendo sendo lançadas como singles devidamente acompanhadas de clipes caprichadíssimos.

Woodkid- Iron EP

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senha: seteventos

“Iron”, o primeiro lançado, é introduzido por um arranjo de metais cuja tonalidade épica denuncia que as pretensões do artista não são poucas. O tema é repetido diversas vezes durante a melodia, que conta ainda com uma percussão que amplifica a atmosfera algo bélica e tribal da canção, cujo vocal grave de crooner do compositor laceia elegantemente. O vídeo reflete a sonoridade da canção: impecavelmente fotografado em preto e branco, completamente filmado dentro de um estúdio e quase completamente captado em câmera lentíssima, o curta apresenta figuras saídas de um mundo aparentemente medieval que se preparam para entrar em uma batalha quando são repentinamente surpreendidos por uma chuva de detritos fumegantes. Ao final do vídeo, de modo muito breve, surge a imagem do que parece ser um templo, pálido e frio em meio à um ambiente gelado e tempestuoso. Outras canções que fazem parte do single são “Brooklyn”, um ode plácida ao violão, piano e discretos trombones ao bairro nova-iorquino, “Baltimore’s Fireflies”, onde um piano de harmonia cíclica ao modo Philip Glass, um baixo que remete ao tema composto por Angelo Badalamenti para o clássico seriado cult Twin Peaks e mais algumas cintilações introduzem a base melódica acompanhada ao final por arranjo de metais e percussão em ritmo marcial para sonorizar a confissão de um homem que, aparentemente, acaba de abandonar o corpo do seu amor nas águas baía de Baltimore, e “Wasteland”, delicada faixa cujos versos tratam de um saudosimos indefinível e em cuja melodia temos um piano singelo sobre um arranjo de cordas e metais de sutil tecitura circense.

Woodkid – Iron (Official Video)

Woodkid - Run Boy Run - Remixes EP

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“Run Boy Run”, o último single lançado pelo artista francês, tem melodia tão intensa e apoteótica quando a do primeiro lançamento: com percussão e arranjo de cordas e metais em perfeita comunhão, a canção é galgada em um crescendo espetacular até alçar vôo em um final arrebatador. O videoclipe não deve nada em qualidade ao anterior e recupera em seus instantes inicias a imagem do templo que fechou o vídeo de “Iron”. É dele que foge correndo o garoto que também participou brevemente do primeiro curta: alternando com cenas de uma cidade com edifícios de arquitetura imponente com fachadas em mármore, o garoto, em trajes aparentemente escolares, corre acompanhado por corvos e auxiliado por criaturas que erguem-se do chão e são uma mistura de gnus com o corpo encoberto elementos arbóreos. No fantástico epílogo, juntam-se uma imensa caravela e uma criatura gigante para contemplar a misteriosa cidade. As faixas que acompanham o single são remixes da canção, sendo que o melhor é o do também francês SebastiAn. Agora é esperar o futuro álbum do cantor e compositor, torcendo para que o artista frânces tanto reserve outra canções tão imponentes para o lançamento quanto dê continuidade à trama instigante iniciada em seus dois vídeos.

Woodkid – Run Boy Run (Official HD Video)

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Camille – Ilo Veyou (+ 1 faixas bônus e 4 versões alternativas) [download: mp3]

Camille - Ilo Veyou

Fãs da musa do experimentalismo pop francofônico, celebrem: saiu hoje Ilo Veyou, o novo disco da francesa Camille Dalmais, mais conhecida apenas por Camille. Depois de estrear com um belo disco pop, Les Sac des Filles, de ganhar os olhos do público mais antenado e da crítica especializada com o impressionante Le Fil e se aventurar em versos em inglês, em percussionismo corporal e no pop mais escrachado em Music Hole, o que se deve esperar de seu quarto trabalho? A própria Camille, em entrevista ao jornal The Guardian, responde que buscou uma maior simplicidade sonora, com elementos mais acústicos servindo como base à sua voz. Deste modo, Ilo Veyou volta a priorizar, como aconteceu no brilhante Le Fil, a clareza, destreza e versatilidade do vocal da artista francesa. E assim começa o novo disco como terminou o seu famoso segundo trabalho, com a captação em ambiente natural da voz da cantora em uma repetição de frases com sucessiva incorporação de palavras que ela, claro, não resiste em rapidamente transformar em uma pequena música chamada “Aujourd’hui”. E seguindo o preceito de simplicidade assumido como meta para o álbum, temos o primeiro single, “L’étourderie”, trazendo violão e violinos em harmonias simples suaves que ondulam em adornamento ao vocal doce da cantora francesa. O artifício de captar o vocal da cantora fora do estúdio, em take único em ambientes naturais, é utilizado ainda em outras faixas e se em “Bubble Lady” serve apenas para a cantora farta-se livremente com jogo de aliteração ao cantar com variações silábicas com a letra “B” sobre um sutil beatbox de apoio, o recurso pode produzir tanto flagras inesperados – como na canção “Pleasure”, que se escutada com a devida atenção, fica fácil flagar a breve participação inesperada, ao fundo do vocal e da batida seca, provavelmente produzida no próprio corpo da cantora, de uma espontânea buzina de carro -, quanto momentos de uma beleza esplendorosa – como em “Tout Dit”, que pela sua tecitura simples a cappella deixa transparecer os ruídos mais mínimos do ambiente onde foi gravada, como o cantar de grilos e pássaros.
À exceção destas faixas, Camille limita-se ao estúdio para a produção de suas composições que não escaparam à sua tradição lúdica, como é belo exemplo “Allez Allez Allez”: introduzida com violinos em arranjo sublime para fazer frente aos múltiplos vocais de Camille, em tom altivo e determinado, bradando o mote da canção sobre violão, percussão, contrabaixo e violinos que adentram aos poucos a melodia, Camille insere um entreato onde, usando os vários vocais, conversa consigo mesma. A brincadeira segue à frente em “Mars Is No Fun”, de melodia feita de percussão de palmas, contrabaixo volumoso e algumas iluminuras em piano e violinos, quando a cantora repete nas letras o frescor brincalhão da música ao trazer impressões cômicas de como a vida no nosso planeta vizinho é chata e limitada por suas óbvias características atmosféricas, em “Ilo Veyou”, onde a cantora exibe com sua habitual competência as várias gradações de seu vocal, alternando graves e agudos sobre violinos em pizzicato, e em “Message”, que o que tem de pequena em duração – pouco mais de 40 segundos – transborda em meiguice com seu piano que simula toda a ternura daquelas antigas caixinhas de música de bailarina. Contudo, os momentos mais divertidos estão mesmo nas canções “My Man Is Married But Not To Me”, onde sobre piano e violinos de harmonias virtuosas, a cantora desfila trejeito vocais ao lamentar sobre o tema, brincando com o estereótipo romântico mais batido ao afirmar “bad of course, so he wil come and pick me up on his horse, white horse”, e em “La France”, onde Camille emula a tradição da chanson française de Edith Piaf e tantas outros monumentos francesces para, depois de apontar a excelência de outras nações, declarar no refrão, sem medo de soar polêmica e angariar todo o ódio de seus conterrâneos, “la France, la France…des photocopies”.
Mas se Camille preservou toda sua galhofa, ela não abandonou igualmente a sua faceta mais melancólia, capaz de produzir composições extremamente emocionantes. Enquanto a faixa “Wet Boy”, cantada em inglês fazendo uso da famosa dupla voz e violão, desfila uma doçura e amargor sutis, “She Was” cala fundo com a beleza imensurável de seu crescendo melódico, onde violinos em pulso ondulado sobre violão quase surdo acompanham a avolumamento do vocal da cantora, que vai ampliando o desatar sofrido dos versos em uma intepretação esplêndida que faz referência ao nascimento recente de seu primeiro filho: “sometimes I wonder/ GO!/ if my child/ GO!/ will have yes/ GO!/ go away, go away/ to see through me/ GO!/ when I die/ GO! and born again! GO!/ go away, go away, go away!”. Assim, Camille, ao deixar de ter como meta primeira a ambição de tornar-se popular entre o público de língua inglesa – particularmente o americano-, fato que ocasionou os excessos que com o tempo fizeram o seu último álbum parecer um pouco forçado e um tantinho embaçado, foca-se no explorar do que tem de melhor: o fulgor de sua emoção e sensibilidade musical.

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ifile.it/osx9gwn/camille_-_veyou.zip

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AaRON – Birds in the Storm. [download: mp3]

Aaron - Birds in the Storm

Simon Buret e seu fiel comparsa musical, Olivier Coursier, que forma com ele a dupla AaRON, voltaram ao mercado este mês com o sucessor de Artificial Animals Riding On Neverland, o disco Birds in the Storm. Como aconteceu no primeiro trabalho, os dois músicos põe seu bom gosto à serviço do pop e do eletrônico da França, criando mais um álbum recheado de melodias esplêndidas, crivadas de beats elegantes, uma programação irreprimível e vocais irresistíveis de Simon. “Ludlow”, faixa inspirada em um passeio pela rua homônima em New York, já abre o disco matadora com sua melodia contruída aos poucos em uma marcha onde os instrumentos e elementos da programação vão se sucedendo uns aos outros até formarem uma melodia pop homogênea e incandescente. “Rise”, apesar do nome, é levada em um pulso de peso mais melancólico, com guitarras e bateria de toques conformados e vocal sôfrego e consternado. “Seeds of Gold”, porém, encaminha-se para uma trilha liricamente mais esperançosa e melodicamente menos triste, sendo conduzida por acordes de piano singelos, uma batida firme, riffs de guitarra ondulantes e vocais doces e delicados que unidos finalizam um pop simples e eficiente. “Inner Streets” também convoca o piano para dar guia à melodia, que tem como base um beat moderadamente agitado, feito de loops e sintetizações que marcam a melodia dramaticamente em conjunto com o piano – a canção ganha uma versão alternativa no final do disco, “Inner Streets (3rd Street)”, que remove o piano e intensifica a base eletrônica com loops e sintetizações mais sujas, o que confere um caráter mais dançante à canção, porém também imprimindo uma indentidade mais soturna. Também partilham o caráter electronic-heavy e dark da versão alternativa de “Inner Streets” a faixa-título de Birds in the Storm, exibindo traços melódicos mais polidos, com reversões sonoras e solos de piano que inserem lirismo na canção, e “Passengers”, que é introduzida por uma guitarra com sombreado grunge que, ao longo da música, vai aos poucos sendo encoberta por uma programação eletrônica densa e múltiplas harmonias e riffs mais intensos do próprio instrumento, exalando vapores sutis das guitarras que os britânicos do Portishead tanto adoram. De concepção semelhante à esta última, na triste “Arm Your Eyes”, a dupla conduz a melodia com harmonias melancólicas de piano e guitarra, inserindo aos poucos, em um crescendo discreto, a base eletrônica e os próprios acordes de guitarra e piano, que intensificam-se em um todo tão melancólico quando o vocal de Simon.
Mas o traço melancólico, bem como as feições sombrias de algumas composições da dupla, que já existiam no primeiro disco, são ressaltadas quando os franceses se livram do apoio de elementos eletrônicos, atendo-se apenas à acústica de violões ou piano, como ocorre na última faixa do disco, “Embers”, onde os acordes etéreos e difusos do piano, bem como o vocal entre o amargor e o lamento, soam tão estranhamente fantasmagóricos quanto as composições de PJ Harvey em White Chalk, deixando em quem ouve uma enorme curiosidade sobre como seria se a dupla produzisse um disco que se resumisse apenas à este folk tão peculiar. Curiosidades à parte, porém, Birds in the Storm é a confirmação do talento desta dupla francesa, que foge da pasmaceira muitas vezes enjoativa e um tanto rotineira produzida por parte das duplas do electro-pop ao injetar uma dinâmica e calor melódicos que dificilmente são encontrados no trabalho destes músicos, tudo ainda coroado pelos traços sombrios e tristes que emanam de algumas faixas, o que dá todo sentido ao título deste segundo disco, já que, como os pássaros marinhos, a dupla prefere se arriscar nas rajadas traiçoeiras de uma intempérie do que repousar na segurança previsível da brisa de climas mais amenos – e em nome da beleza da música, eu espero que isso seja sempre assim.

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Camille – Music Hole (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

Camille - Music HoleCom o que fez no álbum Le Fil, seu segundo disco solo, Camille Dalmais chamou tanto a atenção de crítica e público do mundinho da música alternativa que, não é exagero afirmar, alavancou para si o posto de maior sensação da música francesa nos últimos anos. Por esse motivo, o seu álbum subsequente vinha sendo aguardado ansiosamente pelos fãs que não sabiam o que esperar da francesa depois do experimentalismo pop de Le Fil. Com o lançamento de Music Hole nesta segunda-feira a curiosidade foi saciada: no seu novo projeto, Camille dá continuidade à exploração da musicalidade desenvolvida no disco anterior, que esquadrinhou, com temperança, as possibilidades da voz humana como instrumento melódico. Na canção “Cats and Dogs”, Camille mostra isso de forma deliciosa, povoando a segunda metade da faixa, até então constituída apenas de um piano de acordes doces e uma “tuba vocal”, com um almanaque de vozes que mimetizam festivamente toda uma variedade de grunhidos, gritos e urros do mundo animal: pássaros, porcos, elefantes, macacos, cabras, sem esquecer, claro, dos personagens que são a tônica da música – cães e gatos. Mas, além de retomar a pesquisa musical produzida até Le Fil, a cantora e compositora francesa adiciona ao seu repertório experimental a percussão corporal, um novo elemento melódico que incrementa ainda mais a experimentação desenvolvida por ela em suas composições. A utilização deste novo elemento na construção das melodias pode ser conferida em toda sua glória na faixa “Canards Sauvages”: para emular um samba frenético, Camille contou com a ajuda de participantes do grupo brasileiro Barbatuques, que tamborilaram no próprio corpo para produzir a sonoridade percussiva acelerada que faz a base da melodia, composta ainda de ruídos de água nervosamente agitada e de múltiplas camadas da voz de Camille – capaz até de simular uma impagável cuíca vocal.
E já que estamos falando de voz – e como não falar disso, quando tratamos de Camille? -, vamos falar de uma consequência sua: a língua. Ao contrário dos discos anteriores, Music Hole privilegia o inglês. Porém, as letras contam sempre com algumas boas rajadas da língua pátria da cantora quando a idéia é imprimir uma fluidez ao ritmo – algo fácil de notar no vocal de suporte que introduz a faixa de abertura “Gospel With No Lord”, cheia da já conhecida vitalidade sonora da francesa, que joga jovialidade na música com boas doses de estalar de dedos, palmas e, na sequência final, um piano discreto e uma percussão seca encorpando a melodia.
No entanto, quem conhece Camille sabe que a garota não sabe fazer só festa: sua capacidade de emocionar com composições tristes é também algo notável. Neste caráter, destacam-se a faixa “Winter’s Child” – que explora vocais melancólicos em trama algo arábica, sustentada na base por um vocal grave a la Le Fil, e no primeiro plano por uma combinação de versos em inglês e francês, com os quais a cantora abusa da sensibilidade espetacular de sua voz – e as baladas “Waves” – com um piano de acordes esparsamente dramáticos acompanhado por um arranjo vocal encantador que simula em sua rítmica a ondulação oceânica – e “Home Is Where It Hurts” – que é introduzida com um conjunto cativante de acordes de piano e baixo beat-box, que logo ganha a companhia de uma programação com cadência densa e vocais de apoio envolventes.
Ao invés de mudar de curso sem respeitar a coerência do que já produziu, tentando reinventar a si própria, em Music Hole, Camille mostra porque é considerada uma das artistas mais importantes da música pop contemporênea mundial ao, de modo perspicaz, dar um passo a frente com prudência, brincando com o seu vibrante vanguardismo pop ao mesmo tempo que cuida não ultrapassar os limites que estabeleceu para tornar seu trabalho sempre deliciosamente acessível. Deste modo, Music Hole é, ao mesmo tempo, um disco arrojado e simples, cujas texturas melódicas soam inovadoras sem nunca perder a sensatez e bom gosto – um bálsamo pop para ouvidos cansados das agressões deselegantes que, infelizmente, são comuns à muito do que é feito no gênero atualmente.

E aproveite para baixar “I Will Never Grow Up”, a faixa bônus de Music Hole que o seteventos.org está disponibilizando com exclusidade na web. Comentários de agradecimento serão muito apreciados, viu? Agradeçam, em particular, ao meu cartão de crédito internacional – sem anuidade!

rapidshare.com/files/366936483/camille_-_hole.zip

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Keren Ann. [download: mp3]

Keren AnnKeren Ann, jovem pertencente aquela seara de artistas europeus multi-étnicos que está cada vez se tornando mais comum, tem já uma discografia considerável, mesmo tendo iniciado sua carreira apenas neste novo século. Seu mais recente álbum é um trabalho onde a elegância e simplicidade são sugeridas já no contato mais imediato e superficial com o disco: tanto a ausência de título para o trabalho, que se contenta em levar o nome da artista, quanto a fotografia escolhida para ser a capa do álbum, uma bela mas discreta imagem da cantora e compositora em tons predominantemente claros, conseguem transmitir a idéia de um disco despido de quaisquer ambições que ultrapassem seu objetivo mais visível, a sinceridade das emoções. E é justamente nelas que a linda morena, de olhar sedutor, altivo e misterioso, conquista o ouvinte. Faixas como a balada “In Your Back” – onde o violão de leve pesar, a orquestração de cordas de inspirada ternura na ponte da canção, e a programação suavemente cintilante abrem caminho para que a voz cheia de mágoa de Keren materialize-se com maciez imediata -, a sutil “The Harder Ships Of The World” – que, ornada por violão, guitarra, piano e programação serenas, compara as turbulências e o destino de um romance à uma jornada àrdua que parece sem rumo e fadada ao fracasso – e a plácida “Where No Endings End” – onde o arranjo delicado e cuidadoso composto de violão, flauta, piano, guitarra e orquestração de sopros e cordas breves e eventuais ambientam a letra que fala sobre um amor que fatalmente encontra seu fim – sucedem em cativar os ouvidos ao expor sentimentos sem muitos volteios, de modo franco. Músicas de cunho pop mais animado também ganham seu posto no disco da artista de origem indo-européia que nasceu em Israel mas que cresceu na França – como “Lay Your Head Down”, uma canção que fala sobre a entrega completa ao amor e que traz um arranjo farto feito de guitarra, baixo, bateria, gaita, orquestração de cordas e sampler de palmas que entra parar intensificar a vibração positiva da canção, principalmente na sua metade final -, assim como há espaço na ambiência mais reflexiva do disco para um momento ácido e lânguido – caso de “It Ain’t A Crime” que, com vocal sensual de Keren, traz as impressões do que parecer ser uma garota de programa sobre o comércio da luxúria em meio à toques firmes na bateria e nas guitarras rascantes. De brinde ainda temos “Liberty”, canção que tanto em sua melodia – feita de toques tépidos no piano, acordes adocicados no violão, orquestração suavemente reluzente de cordas e algum sopro e o backing vocal etéreo posto sobre sussurros indistintos e brandos -, quanto em sua letra “emula” a atmosfera das composições de Björk para o seu disco Vespertine. Esse é sem dúvidas um disco para se ouvir refastelado no sofá, saboreando de modo tranquilo e preguiçoso o inabálavel gosto de Keren pelas melodias pacatas e pelos romances bem ou mal-aventurados.
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