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Tag: rock americano

Menomena – Moms [download: mp3]

Menomena, a agora dupla de Seattle, depois da partida de Brent Knopff para se dedicar ao seu projeto Ramona Falls, segue seu caminho sem esmorecer pela saída de um dos membros, já que Moms, o novo disco da banda, foi gestado com uma rapidez considerável para o histórico dos rapazes de Portland. O primeiro trabalho em que Justin Harris e Daniel Seim trabalham sozinhos é um disco que apesar de manter a mesma energia que estamos acostumados a esperar nas composições da banda traz harmonias que estão na maior parte do tempo mais focadas do que no álbum anterior. Porém, o grande diferencial de Moms, que o coloca como o divisor de águas na carreira da banda são as suas letras: com a saída de Knopff, pela primeira vez Harris e Seim permitiram-se abordar temas mais íntimos para si próprios, inquietações altamente pessoais, mas também enormemente universais, como a família, o envelhecimento e a morte. Em outras palavras, é um disco mais maduro liricamente e emocionante como nunca antes a banda se deu o direito de ser. “Pique” é um exemplo, com a intensidade da percussão, piano e baixo, os acordes vibrantes da guitarra e o saxofone em participação impecavelmente espetacular acompanhando Justin Harris desmanchando sua alma no vocal ao descortinar de modo amargurado a sua criação sem a presença do pai, que o abandonou logo cedo: “now I’m a failure, cursed with male genitalia, a parasitic fuck with no clue as to what men do, impossible to love”. Mas é difícil, se não impossível, a tarefa de apontar a canção mais emocionante do disco, já que em “One Horse”, onde a banda pela primeira vez emprega o uso de orquestrações na melodia, Seim acompanha a letárgica melancolia do piano e a sôfrega harmonia de violinos e violoncelos despedaçando o coração ao cantar com uma crueza impressionante a perda da mãe quando ainda adolescente: “I had a mother who swam in your streams, I know the ending, yet I’m faking suspense, more fertilizer for the trees”. “Heavy is as Heavy Does”, cantada por Harris, é mais uma ode ferina à desestruração familiar, onde versos como “as powerfull as a man he was, pride my father never was of me” são acompanhados por um piano em cadência imutável, enquanto aos poucos crescem guitarra e bateria que explodem em uma orgia sonora desesperada no marco dos 2 minutos e meio.
Contudo, as canções de Moms não chafurdam apenas o sofrimento e o rancor como um lamento. Apesar do abandono e solidão serem temas constantes, nem sempre eles são acompanhados por melodias tristes e resoluções amargas, como em “Plumage”, que abre o disco com palmas, piano, guitarra e bateria em vibrante comunhão, incluindo um solo de saxofone bem à moda da banda, enquanto Harris compara a dança do acasalamento das aves com a sedução de uma mulher que acaba grávida e sozinha – uma referência clara à situação de sua própria mãe. Outras faixas que não deixam os versos agridoces afetar a melodia são “Capsule”, cuja bateria sincopada é marcada por solos ásperos de guitarra e breves toques ao piano que se sobrepõem à observações precisas sobre viver tendo perdido quem se ama (“while i’m evolving from a child to an aging child you’re maturing from a memory to a legacy”), “Skintercourse”, com Harris cantando o amor e a invevitável dependência e repúdio que costumam acompanhá-lo ao mesmo tempo que guitarra, baixo, piano e bateria alternam-se, misturam-se e apoiam-se ao melhor estilo da banda, “Giftshoppe”, com sonoridade profusa onde todos os instrumentos mesclam-se em uma espiral melódica e onde Seim divaga sobre seu amadurecimento enquanto caminha para os 40 anos (“you perverted aging fuck, what age did your mind get stuck?”), “Tantalus”, também com uma composição cíclica típica da banda, cuja base está na cadência trabalhada, re-trabalhada e subvertida muitíssimo bem por Daniel na bateria enquanto piano, guitarra e teclado intervém na síncope percussiva e as letras refletem sobre a inevitabilidade da morte, a percepção da efemeridade da vida e do que foi feito até então dela (“volcanic dirt stains feet and won’t wash out of clothing, this is where your ashes should be strewn instead of some cold mainland suburb”). No fim, a saída de Brent Knopff não apenas fez bem ao Menomena, como até ouso dizer que foi necessária para o crescimento dela: se antes o trabalho da banda seduzia os fãs pela sua energia e vibração na mais pura celebração hedonista, agora ela os conquista e arrebata por não mais evitar revelar que aqueles garotos são na verdade tão humanos quanto eles próprios, sujeitos assim à sofrer com os mesmos sentimentos de revolta e perplexidade diante da enorme confusão que não poucas vezes a vida mostrar ser.

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Menomena – “Heavy is As Heavy Does” (single)

Duas notícias para os que, como eu, são fãs dos rapazes de Portland da banda Menomena, uma ruim e outra boa. A ruim, que nem é notícia por ser já um tanto velha, é que um de seus três componentes, Brett Knopf, deixou a banda para dedicar-se ao seu projeto particular, Ramona Falls, depois de não conseguir mais se entender com os companheiros Justin Harris e Daniel Seim. Apesar de inicialmente nutrirem dúvidas se deveriam ou não seguir juntos, ambos chegaram a conclusão de que valeria a pena tentar. E aí é que temos a notícia boa: Moms, o novo álbum da agora dupla de Portland, será lançado dia 18 de Setembro. A partida de Knopf abriu a possibilidade para a dupla remanescente enveredar por um trabalho mais pessoal, sem receios de destrinchar intimidades particulares, daí o nome do álbum, que é focado em experiências e histórias relativas à vivência de ambos e de suas respectivas famílias. “Heavy is as Heavy Does”, uma das faixas do novo disco, foi liberada hoje e já dá aos fãs um pequeno aperitivo de qual será a musicalidade da banda, agora que Seim e Harris podem trabalhar de modo mais focado. A bem da verdade, ela não difere muito da musicalidade mais harmoniosa e menos esquizofrênica de parte das faixas de Mines, o disco anterior: um piano em registro baixo revira ciclicamente os mesmos acordes enquanto versos como “Heavy are the branches hanging from my fucked up family tree, and heavy was my father, a stoic man of pride and privacy” descortinam a intimidade de Justin Harris sobre uma percussão mais organizada e solícita – mas apesar do saxofone hipnótico do Menonema que todos amamos não desempenhar mais do que um papel pontual nesta nova música, um solo rascante de guitarra e uma bateria ensandecida não se fazem de rogados e transbordam no outtro melódico da faixa – bom saber que os rapazes ainda tem gosto por estripulias.

Menomena – "Heavy Is As Heavy Does" (Audio)

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Fiona Apple – The Idler Wheel… [download: mp3]

Reza a lenda que a primeira versão do 3o disco de Fiona Apple, Extraordinary Machine, jamais viu oficialmente a luz do sol porque os executivos da gravadora Sony/Epic o acharam sem qualquer apelo comercial, e por conta disso, o disco, em boa parte remodelado, só foi lançado dois anos depois – e isso graças à uma intensa mobilização dos fãs. Fico curioso imaginando o que os atuais executivos da gravadora pensaram ao ouvir o novo disco da cantora, The Idler Wheel. Se a primeira versão de Extraordinary Machine, com suas orquestrações transbordantes, baterias imponentes e pianos retumbantes foi avaliada daquele modo por eles, o que dizer de um disco tão, mas tão seco que pouco se pode notar da presença de um baixo, quem dirá de uma guitarra? Só posso pensar que eles não ouviram o disco. Ou vai ver os novos chefes do selo musical são mais afeitos à uma cantora que dispensa um produtor musical e se deixa aventurar em melodias enormemente despojadas e improvisadas em companhia apenas do seu novo comparsa, o baterista Charlie Drayton. Afora algumas pequenas, pontualíssimas inserções de alguns instrumentos – como celestes – em participações tímidas, todas as melodias do disco se apoiam em percussão, muitas vezes produzida de modo nada ortodoxo, e no piano da cantora – que nem mesmo aparece em todas as faixas. É uma abordagem bastante radical, embora esse caminho faça algum sentido depois de Extraordinary Machine ter se despido melodicamente de sua primeira versão, produzida por Jon Brion, para a segunda, a cargo de Mike Elizondo e Brian Kehew. Por conta disso, mesmo já tendo sido preparados com o lançamento de algumas músicas do disco na internet, os fãs certamente vão estranhar o primeiro contato com o álbum, já que canções como “Daredevil”, com sua percussão ao mesmo tempo frenética e discreta como o bater de asas de um beija-flor, o piano de toques espaçados e o vocal esquizofrênico no refrão, “Jonathan”, com pianos mais oblíquos até do que se poderia esperar da cantora e com percussão e ruídos mecanizados que lembram o trabalho de Björk em algumas faixas de Selmasongs, “Left Alone”, com uma jam session solo de bateria, piano impromptu e sequências vocais inesperadas e “Periphery”, com piano de acordes minimalistas e sample do que parece ser um calçado sendo esfregado em um tapete, entram um tanto quadradas no ouvido – mas há chances de que eles sejam amaciadas um pouco mais em posteriores audições.
Isso não quer dizer, porém, que o minimalismo preponderante resulte apenas em canções difíceis que necessariamente precisam de algum tempo sendo processadas nos tímpanos. Várias faixas igualmente espartanas já caem no gosto de pronto, caso do já conhecido single “Every Single Night”, com suas cintilações delicadas onde a cantora declara o frágil equilíbrio de um relacionamento amoroso nas letras ao afirmar “the rib is the shell, and a heart is a yolk,…and if we had a double, king-sized bed, we could move in and I’d soon forget”, do harmonioso piano solo de “Werewolf”, que ao ser aberta com os versos “I could liken you to a werewolf the way you left me for dead, but I admit that I provided a full moon” revela como a cantora amadureceu sua visão sobre relações amorosas, de “Regret”, faixa onde a cantora solta a voz num refrão bem ao seu estilo, cantando “I ran out of white dove feathers to soak up the hot piss that comes through your mouth every time you address me” com a já sua característica verve furiosa, de “Anything We Want”, que soa melodicamente familiar, já que a percussão mais encorpada que acompanha o piano lembra bastante o trabalho de Jon Brion ao lado da cantora, e da divertidíssima canção que fecha o disco, “Hot Knife”: o trabalho conjunto da percussão ritmada, do piano de cabaret e dos vocais em coro no refrão, junto com metáforas de caráter ambíguo como “If I’m butter, then he’s a hot knife, he makes my heart a cinemascope, he shows me the dancing bird of paradise”, fariam Fiona Apple entrar no palco de um musical da Broadway com a confiança de uma corista experiente no ramo – e esta é exatamente a palavra que define este disco, tanto para a artista quanto para seus admiradores: só uma artista em uma fase bastante segura de si poderia produzí-lo; em contrapartida, só o tempo vai dizer se com o despojamento de The Idler Wheel os fãs continuarão seguros de toda admiração que tem por ela. Eu acredito que alguns corações podem ficar estremecidos, mas ao final, mesmo que esse não seja no seu todo o disco que os fãs esperaram tanto tempo, é uma obra tão sincera e intensamente pessoal como nunca Fiona havia feito – algo que raramente se vê hoje em dia, infelizmente.

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Joan As Police Woman – The Deep Field. [download: mp3]

No seu terceiro disco de material inédito, Joan Wasser, mais conhecida pelo codinome Joan As Police Woman, operou uma transformação em seu estilo musical difícil de definir com exatidão – não é algo radical, mas também não é suficientemente sutil para se poder dizer que suas composições continuam as mesmas. Talvez seja mais fácil dizer o que este álbum não é: The Deep Field não possui o lirismo cristalino de Real Life, nem a luminosidade aveludada de To Survive. Em sua nova empreitada sonora, a cantora americana resolveu tornar as coisas mais complexas, menos óbvias. Por esse motivo, suas composições agora soam mais livres, em alguns casos até enveredando na improvisação, que é o caso de “Flash”, cuja ambiência de percussão e vocais sutis e reverberações melódicas persiste por quase 8 minutos em um transe sonoro praticamente imutável, que insiste em resistir à evoluções previsíveis de sua harmonia. “Human Condition”, apesar de menos ambiciosa melodicamente, também evita promover modificações na delicadeza soul de seus vocais sutilíssimos e na melodia aquecida por um confortável calor. Igualmente alinhada com a atmosfera mais discreta destas músicas está a contemplação reflexiva da triste “Forever and a Year”, de vocal magoado e compasso sofrido em um lamento de dilacerar a alma lentamente.
Mas se algumas faixas são experimentais pelo seu ambient mood, outras o são por uma maior profusão instrumental, onde se encaixa “Nervous”, faixa de abertura com a cadência malemolente da guitarra, bateria e baixo, mas que ganha feições mais maciças quando o ouvinte é inadvertidamente encoberto na sua sequência final por uma lava de riffs de guitarra, tão rascantemente sensuais que tomam os ouvidos e comandam ao corpo dançantes ondas de lascividade. Mais à frente no disco, “Run For Love” também se adequa à essa feição, já que a levada sexy da bateria, os acordes cálidos do teclado e a guitarra àspera vão ganhando maior amplitude e interferência, além da adição de ruídos e vocais adicionais que “sujam” a melodia até formar uma massa sonora hipnótica.
As composições que são o legado sonoro do soul mais clássico, porém, não perderam o seu espaço: tanto o single “The Magic”, com gingado suavemente efusivo e dançante do conjunto bateria, guitarra e teclado, quanto as mezzo-baladas “Chemmie” de guitarra, bateria e orgão sinuosos e insinuantes, e “The Action Man”, com a voz ao mesmo tempo frágil e determinada de Joan sobre órgão, backing vocals e o tempero de alguns metais tão característicos do estilo, defendem no novo álbum aquilo que a artista vem fazendo tão bem desde a sua estréia: capturar o melhor do soul do passado filtrado pela sua personalidade musical alimentada por influências rock contemporâneas. Como resultado desta combinação de estilos, preferências e referências, temos um disco sofisticado e elegante que não se atém a definição de fronteiras e estilos, mas de ser o retrato de um momento musical ideal de uma artista pouco conhecida, mas que está indubtavelmente entre as mais talentosas de sua geração.

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Spoon – Transference. [download: mp3]

Spoon - Transference

Como aqueles Fiatzinhos à álcool do início dos anos 90 numa fria manhã de inverno, certos discos não dão partida logo de primeira – ao menos é essa minha impressão com Transference, o mais recente álbum dos americanos do Spoon. A faixa de abertura do disco, “Before Destruction”, com bateria e acordes de guitarra embaçados e uma melodia morna construída sobre um pulso maçante, não exatamente oferece de entrada o que de melhor a banda pode fazer. Em “Is Love Forever” a banda já tem uma melhora de desempenho com a injeção maior de ânimo da melodia pela batida mais forte e as guitarras de notas mais marcadas e vibrantes, mas ainda não é suficiente para remover a indiferença que resiste em quem se dispõe a ouvir o disco. Contudo, é bem quando você já considera descartar o álbum que os rapazes americanos salvam a própria pele: a terceira faixa “The Mystery Zone”, chega como a tábua de salvação ao mostrar o talento da banda em inundar os ouvidos com uma melodia onde o baixo exala charme com sua vibração sutil, a guitarra e a bateria hipnotizam com a parceria em uma marcha firme e contínua e o orgão faz o arremate final ao preenche-la com o calor agradável de suas notas. “Who Makes Your Money”, tira o pé do acelerador e baixa a rotação do motor uns bons ciclos com uma música onde o baixo novamente faz a liga da melodia que traz acordes de guitarra equilibrados, teclado sutil e uma bateria contida mas segura, mas o refrão um tanto monótono traz de volta a sensação de que a banda não vai conseguir convencer. Mas como aconteceu antes, “Written in Reverse” captura novamente a atenção do público com seu swing inequivocamente sexy: o vocal deliciosamente solto e latente de libido, as guitarras arfantes, os acordes suplicantes ao piano e a bateria potente seduzem completamente os sentidos e despertam uma vontade violenta de eleger um belo alvo para arrancar a roupa em um strip-tease fulminante e algo mais. Logo em seguida, a banda não falha em sustentar o ânimo do ouvinte em “I Saw The Light”, faixa armada em dois tempos que parte de uma vertente de acordes de guitarra em uma base de bateria em cadência firme e breve e reverte-se abruptamente em um compasso bem marcado e contínuo junto com o piano, organizando um crescendo no qual a guitarra é reincorporada à melodia em clima de jam session. Em “Out Go The Lights” o grupo muda a tonalidade para uma melodia mais melancólica com um que vocal vagueia entre o tom suplicante e o ressentido, assim como os acordes da guitarra, que surgem em um lamento metálico que se sobrepõe à bateria em cadência discreta. Mas, ao que parece, a tristeza de “Out Go The Lights” foi apenas um intervalo para o compasso infalível da bateria de “Got Nuffin”, penúltima música do álbum, atravessada por volteios de guitarra e um piano de notas reprimidas e breves ao fundo. Fechando Transference com “Nobody Gets Me But You”, na qual a banda mergulha em um melodia minimalista, explorando com esmero variações discretas e detalhes harmônicos tanto na base construída pela bateria, baixo e guitarra quanto no toques prodigiosos ao piano que temperam o pulso da faixa, fica a certeza de que a banda poderia ter investido na faceta sutilmente experimental desta e de outras faixas e talvez conceber assim um disco mais homogêneo, já que como está, Transference sofre de uma certa incosistência ao intercalar sequências aborrecidoras com momentos enormemente inspirados e felizes – estes últimos valem cada byte do download, mas baseado apenas neste álbum, ainda assim não há como apagar a impressão de que o Spoon é mesmo daquelas bandas cuja irregularidade frustra imensamente seu desejo de ser acolhido como fã – na próxima, quem sabe.

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Menomena – Mines. [download: mp3]

Menomena - MinesOs três rapazes de Portland estão com disco novo na estante, e a primeira impressão, ao olhar a imagem da capa do disco, é que talvez eles não estejam tão estranhos quanto antes. A resposta é, sim e não. Observe bem a capa do disco. Ao invés da miríade de personagens e desenhos idiossincráticos do disco anterior – imagem de autoria do cartunista Craig Thompson que foi premiadíssima, diga-se – ou do rabisco simples e quase infantil do disco de estréia, o novo álbum é apresentado com a foto da escultura desmembrada de uma sereia em meio a verde mata de um parque. Não parece ousado diante do que foi anteriormente feito, mas a questão é que na sua apresentação física – vinil ou CD – a foto tem efeito tridimensional, como naqueles livros de figuras que fizeram tanto sucesso nos anos 90. Claro, isso não é nada novo, mas você normalmente veria tal efeito aplicado justamente em uma capa bem menos clássica e mais caótica graficamente, e não em uma simples foto. É um bom modo de resumir visualmente a música que vai ser entregue junto com esta imagem: estranha e ousada sim, mas que nunca deixa de ser rock para se perder em devaneios descabidos.
Contudo, isso não é novidade para todos que já conhecem a banda, pois estes sabem que o Menomena sempre foi assim. Mas estes também vão notar que o trio americano esta mais focado musicalmente nesta nova empreitada, iniciando o novo trabalho de um modo diferente do que usalmente o fez: ao contrário do que aconteceu nos dos dois discos anteriores, desta vez a banda faz a abertura com uma faixa mais contemplativa. “Queen Black Acid” tem bateria de batida pesada e consternada e guitarra, baixo e vocais melancólicos e amargurados. Nos versos, estampa-se o sofrimento de um homem que, como a Alice de Lewis Carroll, sente-se desnorteado ao perceber pouco a pouco o desinteresse amoroso de sua companheira. Mas a banda já pisa no acelerados na segunda faixa: em “TAOS”, de teor nitidamente sexual nos versos em que um homem diz lidar com uma fera quase incontrolável e insaciável dentro de si, a banda põe a serviço da melodia os loops instrumentais que são tão simbólicos em suas melodias, jogando doses fartas de uma bateria escandida ensandecidamente, guitarras de toques barulhentos e ásperos e saxofone e pianos em arranjos que pulam em segundos do mais harmônico para o mais viciado. Mais a frente no disco, “BOTE” segue em ritmo ainda mais disparado e entumescido: introduzida por bateria esmurrada em velocidade frenética, guitarras e baixos de riffs esquizofrênicos e arfantes e saxofones em vertentes caudalosas constroem a melodia que é provavelmente a mais intensa do disco, e talvez de todas compostas pela banda até aqui. Coroando essa preciosidade musical em que a banda compara a derrocada da soberba humana com a de um marinheiro que descobre que sua embarcação não é imbatível, Danny Seim não economiza na potência do seu vocal, concedendo uma interpretação poderosíssima que reduz a pó a maior parte das bandas do cenário atual do rock. “Lunchmeat”, que vem logo em seguida e traz o mundo tomado pela insurrência do sobrenatural, com sereias entoando cantos mortais e demônios surgindo na areia do deserto, é uma Menomena mais clássica neste novo álbum: em cima de uma intro sutilmente climática, a banda joga sem aviso um banjo desafinado e o sucede pela harmonia de um beat sem arestas da bateria e dos riffs de guitarra apenas para transformar o estranhemento inicial em pleno deleite sonoro. Fechando o disco com os vocais e pianos reflexivos e tristes de “INTIL” e seus versos que criticam o modo como as pessoas camuflam suas personalidades para sustentar relações afetivas, a banda mostra que não tem receio de seguir um trajeto mais tradicional melódica e liricamente – e que o faz tão sublimemente quanto quando salta sem receio ao imenso vale dos seus ímpetos criativos. É justamente por fazer uso dessa imensa capacidade de enveredar por diferentes tonalidades musicais sem se preocupar em soar indie e alternativo, o que retiraria grande parte da autenticidade das composições, mas por prazer, diversão e paixão que os rapazes garantem alma e calor genuínos ao seu rock, levando aqueles que os ouvem a tornarem-se vítimas voluntárias e felizes de seus desvarios musicais.

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Menomena – “Five Little Rooms” (single). [download: mp3]

Menomena - Five Little RoomsCom uma mensagem exibindo o conhecido humor fino da banda Menomena, Danny Seim soltou como aperitivo para os fãs uma das faixas do novo disco do grupo, Mines, a ser lançado no dia 27 do próximo mês. Para quem se esbalda com o estilo portentoso, cíclico e cheio de quebras e retrocessos harmônicos da banda, a faixa é o orgasmo sonoro em múltiplas camadas que todos sabiam estar por vir: sobre o pulso cadenciadíssimo da programação de bateria, acordes algo doces e tristes de piano e um sax-barítono cheio de gingado pontuam a canção dramaticamente enquanto estes e outros instrumentos tem suas sonoridades extendidas ao longo da melodia em loops e filtros que são uma das marcas musicais dos três rapazes de Portland. Se o disco seguir o clima desta deliciosa maldição viciante que gruda em playlist único e contínio nos ouvidos que é “Five Little Rooms”, os três rapazes de Portland, assim como fizeram ao lançar Friend and Foe, vão voltar a mostrar para a grande maioria do povo do rock indie, tanto bandas quanto apreciadores, quem não é todo mundo que consegue fazer algo inventivo e ousado sem chafurdar no pasmaceira ou na mais completa falta de foco melódico – porque não é por conta de você ser classificado como “indie” que você precisa parecer um zumbi com um pianinho ou baixo cantando anemicamente num microfone ou um demente insensato que passa longe de qualquer conceito de afinação e harmonia.

Baixe a faixa diretamente do site oficial – basta entrar com o endereço de email e o link para download será enviado prontamente.

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The Watson Twins – Talking to You, Talking To Me. [download: mp3]

The Watson Twins - Talking to You, Talking To MeQuando espiei – bem superficialmente e sem muita atenção, confesso – o álbum que Jenny Lewis lançou em colaboração com as irmãs americanas Chandra e Leigh, a sonoridade escolhida não me despertou interesse por estar fortemente calcada na música country. Felizmente, porém, isso mudou sensivelmente no primeiro álbum lançado pelas garotas e, para minha surpresa, ao conferir o comentário do meu amigo via Twitter sobre o novo álbum da dupla, neste o estilo foi ainda mais destilado. Há uma ou outra faixa que ainda não escapou do domínio do country, caso da balada macia e “Tell Me Why”, com violões, bateria e piano conduzindo uma melodia meiga que é regida pelo vocal das duas irmãos afinado com o romantismo da música, mas a frequência sonora de Talking To You, Talking To Me invade mesmo é a fronteira do rock ao trazer composições onde o country só entra para inserir o principal tema do gênero – o amor – e para lançar vapores delicados nas melodias caprichadíssimas, algumas delas rescindindo uma sensualidade suave e discreta, apesar de que em “Midnight”, ainda que esta seja introduzida por uma soberba escalada sonora com o piano de acordes quentes e a bateria, seguindo com um orgão de longas notas lânguidas, guitarra de cadência pausada e lenta e vocais doces para compor uma melodia vagarosa e sexy, é a sequência mais vigorosa que fecha a música que acaba por conquistar o ouvinte: os instrumentos sustentam um longo gemer freemente que bem poderia servir de trilha para uma cena de sexo cheia de paixão com flashes de roupas sendo arrancadas e jogadas pelo ar. “Devil In You”, contudo, carrega um teor sensual bem mais sutil no compasso marcado pela bateria, baixo e guitarra de volteios cíclicos, piano dedilhado em toques breves e ocasionais e orgão que lança notas de um erotismo elegante.
A marca mais evidente das criações das irmãs gêmeas, porém, é a delicadeza. “Modern Man”, faixa que abre o disco com um rítmica mais puxada, é encoberta por essa feição equilibrada na bateria escandida em um trotar curto e ligeiro e em sua guitarra cujas notas reverberam discretamente por todo o arranjo, lançando um calor metálico na atmosfera da canção. “Brave One” também tem bateria veloz, mas a guitarra e os violões não ficam para trás, acompanhando os passos curtos porém rápidos da música base que é atravessada pela sintetização quase infantil que cintila pontuando a melodia. Por sua vez, “Harpeth River” tem a alma musical dividida entre o pulso sensual do orgão e da guitarra de arfantes notas ásperas e a agitação triste do arranjo mais espesso da bateria que acompanha o refrão. Já “Calling Out” não se divide em momento algum, calcando-se com segurança no gingado discreto da bateria e guitarra, colocando o orgão para fazer o papel coadjuvante numa melodia que parece ter sido encomendada para servir de fundo à troca de olhares entre duas pessoas em cantos opostos de um bar e separados por uma pista cheia de casais embalados pelo toques afrodisíacos da canção. Fechando o disco, as irmãs tingem a bateria, guitarra e violões de “U-N-Me” com um fluxo pop/rock cheio de energia e luminosidade, lançando suas vozes de modo decidido no refrão e nos vocais de fundo encantadores e botando pilha no piano e no pandeiro sem pele que vibram na rítmica efusiva da bateria.
Foi um bom negócio trocar as referências musicais após a colaboração com Jenny Lewis. O rock que produzido pelas irmãs Watson, que começou a ser injetado já no álbum anterior, trouxe frescor contemporâneo à sua música, flexibilizando suas potencialidades artísticas e ampliando o círculo de fãs e admiradores da dupla. E isso tudo sem comprometer a integridade do trabalho já feito, uma vez que a verdadeira essência musical das irmãs é a sonoridade delicada, e não a fidelidade à um gênero musical específico. Ao que parece, o country está perdendo duas belas representantes, mas o rock com certeza não se incomoda nem um pouco de lhes dar as boas-vindas.

P.S. – não deixe de ler também o texto que o Zé escreveu no seu blog sobre este álbum.

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Ok Go – Of the Blue Colour of the Sky (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

Ok Go - Of the Blue Colour of the SkyO hype e o conceito do “viral” são coisas que irritam como poucas – ao menos a mim. Se é o filme mais faladinho, o vídeo mais twittadinho, a banda mais conceituadinha no circuito alternativo ou na cadeia auto-declarada e auto-alimentada dos blogueiros mais badaladinhos da web, podem ter certeza que eu vou esperar muito tempo pra ver qual é a dessas coisas todas – isso se eu realmente me dispor a conferir. Essa foi a razão que levou meus ouvidos a realmente dar confiança à banda Ok Go só nas últimas semanas, anos depois de todo o burburinho gerado por conta dos clipes das canções “A Million Ways e “Here It Goes Again”, que agora sim verifiquei serem realmente muito bons. Naquela que foi uma das raríssimas oportunidades em que tentei embarcar no hype, confesso que até tentei espiar qual era a da banda na época de toda a falação gerada pelos vídeos. Baixei o disco Oh No só para ver que então a banda não me convencia mesmo – depois de apenas algumas poucas audições que não me arrebataram o álbum ficou empoeirando até ser devidamente eliminado da minha bliblioteca de mídia. Só fui voltar meus olhos para os quatro rapazes americanos no meu ciclo mais natural de descoberta e experimentação: vi a capa do novo álbum em uma online store britânica que sempre visito, achei o nome do disco tão interessante quanto a imagem e assim despertada minha curiosidade, resolvi ver qual era a do Ok Go desta vez.
Of the Blue Colour of the Sky ainda sofre do mesmo mal que me afugentou da banda nos discos anteriores. Músicas como “End Love” e “Before The Earth Was Round” não me dizem coisa alguma, soando um tanto anêmicas e repetitivas. A melodia da primeira não é um completo desastre, mas as suas feições algo atonais soam ásperas nos ouvido; já a segunda apresenta no vocal distorcido por sintetização e nas suaves farpas eletrônicas vapores do que há de mais aborrecido nos conterrâneos do The Flaming Lips. E me parece que a banda de Wayne Coyne inspirou ainda outros momentos deste álbum, já que as duas últimas faixas do disco também emanam uma suave psicodelia semelhante à das composições do Flaming Lips. Nelas, porém, o resultado é bem mais favorável: “While You Were Asleep”, consegue soar muito mais agradável com a sua tecitura delicada de sintetizações suaves em uma melodia quase sonolenta pontuada por “claps” e bateria preguiçosos com alguma percussão ocasional, encerrando-se em ruído que some rapidamente e conecta-se aos acordes solitários e breves de piano que introduzem “In The Glass”, que prossegue em uma espécie de sequência melódica, mas em um ritmo consideravelmente mais ligeiro e com uma instrumentação mais farta composta por um orgão sustentado em acordes longos e nervosos, bateria, baixo e sintetizações em uma cadência um tanto hipnótica. As várias camadas de vocais que ecoam sem vergonha ao longo de “Back From Kathmandu”, junto com a bateria, percussão e violões de acordes secos que sofrem alterações cíclicas em sua síncope firme atravessada por guitarras, orgão e sintetizações pontuais também dão à esta canção algumas feições do que a banda que criou Yoshimi Battles The Pink Robots já fez de melhor.
Mas o que há de realmente fabuloso em Of the Blue Colour of the Sky é influência de um outro artista, este ainda mais estranho e singular: o cantor e compositor americano Prince. As melhores e mais viciantes músicas do disco foram embebidas em elementos bastante característicos do cantor pop americano, indo da incorporação mais sutil à mais rasgada. “WTF?”, que abre o disco, emula o falsetto tão simbólico de Prince, que sempre cantou escorado em uma sensualidade quase tátil, mas os riffs escandalosos da guitarra que brincam com a cadência vibrante da bateria também são a cara de grandes hits de artista que já recusou-se até mesmo a ter um nome. A deliciosamente dançante “White Knuckles”, não apenas continua tirando proveito de uma infinidade de riffs e solos de guitarra caudalosos, mas também põe na dança uma programação eletrônica gingadíssima que convida a sacudir todas as partes do corpo e escancarar de vez acompanhando os versos sem receio. “I Wan’t You So Bad I Can’t Breath”, que pisa no freio com guitarras, baixo e bateria em uma melodia um tanto mais tranquila e lenta, não emula tanto o estilo de Prince, mas ainda incorpora algumas feições, como o vocal entrecortado por gemidos exasperantes. Em nenhuma destas músicas, porém, o vocalista vai tão longe quanto na espetacular balada “Skyscrapers”: vertando melancolia no orgão taciturno e jorrando sensualidade na sintetização de cordas, nos acordes da guitarra e na cadência lânguida do baixo e da bateria, a música conta com um Damian Kulash completamente tomado pelo espírito de Prince, exibindo todo o potencial de sua voz sem o menor sinal de vergonha de que seu cantar meio sussurado e seus gritos e gemidos ultra lancinantes soem como os estertores eróticos de um virgem sendo possuído sem piedade na sua primeira noite – se você acha que estou exagerando, ouça você mesmo. Tenho quase certeza que o teor assumidamente pop e o caráter um tanto lascivo destas canções deve ter assustado os fãs da banda, mas foi justamente esta nova trilha aberta pela banda americana que capturou a atenção dos meus ouvidos. Se a passagem não for apenas temporária ou se ainda outras, que levem a lugares ainda mais diversos, forem abertas, certamente que os rapazes do Ok Go vão conseguir surpreender gente até menos credúla do que eu. Vamos torcer!

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Ariana Delawari – Lion of Panjshir. [download: mp3]

Ariana Delawari - Lion of PanjshirComo a maior parte das coisas na internet, chega uma hora que você acha uma utilidade pra tudo e acaba simpatizando com os serviços, até alguns que causam pré-irritação por conta do hype. Vejam só que coisa: eu cheguei a repudiar blogs – faz muito tempo, obviamente. Agora foi a vez do Twitter. Minha implicância com o serviço era pública – falei sobre isso em um post há alguns meses aqui no seteventos.org -, mas eu decidi que era hora de tentar encontrar a graça do serviço – e acabei encontrando. Foi vasculhando perfis aqui e acolá, tentando entender a dinâmica da coisa toda, que dei de cara com o Twitter de David Lynch. Sim, o próprio, o lendário criador de algumas das coisas mais estranhas da TV e cinema americanos. O fato por si só já despertou meu interesse, mas acabei ficando um tanto desanimado ao ver que o lado místico do diretor o fazia postar mensagens do gênero no seu perfil. Mas como muitos fazem no serviço, David solta uma ou outra dica nas suas mensagens, e resolvi clicar e conferir uma delas, sobre Ariana Delawari, uma cantora cujas feições denunciam uma herança meso-oriental e, descobri depois, que foi apadrinhada pelo diretor e teve seu primeiro trabalho financiado pela produtora de Lynch.
Ariana, que já se apresentava em shows há algum tempo, era antes conhecida pelo pseudônimo Lion of Panjshir, termo que servia de nome de guerra – literalmente falando – a um estudande de engenharia afegão que se tornou um dos maiores heróis do país ao liderar a resistência contra o exército soviético na tentativa de invasão destes ao Afeganistão e que, anos depois, foi assassinado dois dias antes da ocorrência dos ataques de 11 de Setembro. Durante a produção deste seu primeiro disco, a artista trocou o papel exercido pelo pseudônimo, adotando-o como o título do trabalho, atitude que sinaliza a presença de uma inevitável carga política no álbum. Mas apesar de que as referências aos imensos problemas enfrentados pela sua terra-mãe acabem sendo relevantes e funcionem bem nas canções, é o seu caráter sonoro que desperta a atenção. Partilhando tanto da influência ocidental quanto da herança afegã, Ariana apresenta e funde no seu primeiro disco as diferentes identidades musicais das duas culturas, compondo tanto canções que pertencem à uma quanto à outra, bem como criando melodias multi-culturais, que misturam elementos destas e até de outras culturas. As feições woodstockianas de “San Francisco”, introduzida com a placidez melódica do folk que logo reverte-se em uma música onde as guitarras tropejam acordes ligeiros para acompanhar a bateria cuja cadência segue um transe imutável, transpirando uma sonoridade que remete a trilhas do cinema faroeste enquanto Ariana guia os versos em um cantar revestido de tenacidade e audácia são certamente fruto de toda a carga musical que a artista recebeu em sua criação nos Estados Unidos. Também descendem da tradição ocidental o piano de registro grave e baixo e as cordas e sopros que florescem em meio a melodia de “We Live on a Whim”, assim como a melancolia e abandono despertados pela vocal e pelos acordes entre esparsos e ligeiros de “We Came Home”, canção que fecha o disco. Já “Laily Jan” pertence de corpo e alma à sua ancestralidade afegã, pois não apenas é cantada na sua língua de origem mas exibe todas as colorações da música tradicional do país, com direito à toda sorte de instrumentos típicos encadenciados em uma melodia folk-étnica. Com a introdução climática de um rabab que vai aos poucos ganhando a companhia de contínuos acordes de cítaras e dilrubas e a percussão hipnótica das tablas em um crescendo de densidade melódica e rítmica, “Singwind” também partilha do espírito musical do país asiático, porém recebe um sutil tempero ocidental ao ter seus versos cantados em inglês na bela voz da cantora. E é exatamente ao fazer uso da feitura mais multi-cultural de sua personalidade que a cantora acaba construindo o momento mais inspirado do disco, “Be Gone Taliban”. Com uma melodia enormemente imagética, a canção mistura o efeito ritualístico do conjunto de instrumentos afegãos com o dinamismo cinematográfico do arranjo de cordas exasperantes e do cantar repleto de emoção, pontuado por cânticos de feições religiosas. O resultado é uma música de atmosfera intensamente épica e de coloração fascinantemente luminosa.
Se a empreitada musical de Ariana tiver proseguimento, haverá ainda um bocado a ser lapidado e agregado no seu trabalho com as melodias, já que por vezes elas soam obtusas e opacas, porém os momentos mais frutíferos deste seu primeiro lançamento comprovam seu talento e perícia em criar canções exuberantes e sedutoras para os ouvidos. Basta apenas a ajuda do tempo e o auxílio de um produtor mais experiente e versátil para que a artista encontre o foco e consiga buscar e aliar o melhor das culturas tão diversas que convivem dentro dela própria.

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