Skip to content

Tag: rock

Sol Seppy – The Bird Calls, and Its Song Awakens the Air, and I Call (EP) [download: mp3]

Se você acha que Fiona Apple é a mais reclusa e obtusa artista que se conhece é porque nunca ouviu falar de Sol Seppy. Pra se ter uma idéia, seis anos se passaram desde The Bells of 1 2, o imensamente belo álbum solo de estréia de Sol Seppy, e desde então, a única coisa que a talentosa artista concedeu ao público foi uma faixa (“I Am Snow”) para a compilação Love Cartier (que conta, inclusive, com uma canção da atriz francesa Marion Cotillard), lançada em 2008. E, diferentemente da cantora americana, que deu toneladas de entrevistas para o lançamento neste ano do seu álbum, até hoje muito pouco se viu, leu ou ouviu da cantora britânica de origem grega (seu nome verdadeiro é Sophie Michalitsianos) que não fosse suas músicas. Até mesmo fotos da moça não passam de alguns punhados que se encontra na internet. Apresentações ao vivo e vídeos? Esqueça são ainda menos numerosos que imagens. Ao que parece, a artista trabalha no seu ritmo, sem se preocupar com a frequência de lançamentos estabelecido como padrão pela indústria da música ou com a panacéia de ritos necessários para se chegar ao conhecimento púlico ou para mantê-lo. Por conta disso, só fiquei sabendo há poucos dias que a cantora deu o ar de sua graça em fevereiro deste ano para lançar um EP de apenas três faixas. Parece pouco, mas para o seu público, sedento há anos por alguma de suas composições tão singulares, já é motivo suficiente para se comemorar. As três canções foram nomeadas de forma que compõe um verso, “Part of/ Music/ Live in Me”, o que já indica a sua semelhança na tonalidade melódica: todas lidam com não mais do que piano, violão e violoncelo para tecer as harmonias delicadas, etéreas, difusas e distantes que marcaram a maior parte das composições do disco de estréia da britânica. De uma melancolia não propriamente triste, mas reflexiva e contemplativa, as faixas são pontuadas e atravessadas por silêncios profundos e tão significativos quanto a própria melodia, o que permite ao vocal sempre calmo e terno, que por vezes ecoa longínquo e abissal e em outras familiar e reconfortante, elevar-se sob a frágil tecitura musical que lhe serve de acompanhamento. A única coisa ruim que fica do lançamento deste pequeno EP (além da capa, que resolvi ignorar e criar outra um pouco mais interessante) é a impressão de que com ele a profundamente talentosa artista se dará por satisfeita por mais um longo período sem lançar qualquer outra coisa. Vamos torcer para que isto não passe de uma impressão e tenhamos logo uma fantástica surpresa reservada para breve.

Leave a Comment

Menomena – Moms [download: mp3]

Menomena, a agora dupla de Seattle, depois da partida de Brent Knopff para se dedicar ao seu projeto Ramona Falls, segue seu caminho sem esmorecer pela saída de um dos membros, já que Moms, o novo disco da banda, foi gestado com uma rapidez considerável para o histórico dos rapazes de Portland. O primeiro trabalho em que Justin Harris e Daniel Seim trabalham sozinhos é um disco que apesar de manter a mesma energia que estamos acostumados a esperar nas composições da banda traz harmonias que estão na maior parte do tempo mais focadas do que no álbum anterior. Porém, o grande diferencial de Moms, que o coloca como o divisor de águas na carreira da banda são as suas letras: com a saída de Knopff, pela primeira vez Harris e Seim permitiram-se abordar temas mais íntimos para si próprios, inquietações altamente pessoais, mas também enormemente universais, como a família, o envelhecimento e a morte. Em outras palavras, é um disco mais maduro liricamente e emocionante como nunca antes a banda se deu o direito de ser. “Pique” é um exemplo, com a intensidade da percussão, piano e baixo, os acordes vibrantes da guitarra e o saxofone em participação impecavelmente espetacular acompanhando Justin Harris desmanchando sua alma no vocal ao descortinar de modo amargurado a sua criação sem a presença do pai, que o abandonou logo cedo: “now I’m a failure, cursed with male genitalia, a parasitic fuck with no clue as to what men do, impossible to love”. Mas é difícil, se não impossível, a tarefa de apontar a canção mais emocionante do disco, já que em “One Horse”, onde a banda pela primeira vez emprega o uso de orquestrações na melodia, Seim acompanha a letárgica melancolia do piano e a sôfrega harmonia de violinos e violoncelos despedaçando o coração ao cantar com uma crueza impressionante a perda da mãe quando ainda adolescente: “I had a mother who swam in your streams, I know the ending, yet I’m faking suspense, more fertilizer for the trees”. “Heavy is as Heavy Does”, cantada por Harris, é mais uma ode ferina à desestruração familiar, onde versos como “as powerfull as a man he was, pride my father never was of me” são acompanhados por um piano em cadência imutável, enquanto aos poucos crescem guitarra e bateria que explodem em uma orgia sonora desesperada no marco dos 2 minutos e meio.
Contudo, as canções de Moms não chafurdam apenas o sofrimento e o rancor como um lamento. Apesar do abandono e solidão serem temas constantes, nem sempre eles são acompanhados por melodias tristes e resoluções amargas, como em “Plumage”, que abre o disco com palmas, piano, guitarra e bateria em vibrante comunhão, incluindo um solo de saxofone bem à moda da banda, enquanto Harris compara a dança do acasalamento das aves com a sedução de uma mulher que acaba grávida e sozinha – uma referência clara à situação de sua própria mãe. Outras faixas que não deixam os versos agridoces afetar a melodia são “Capsule”, cuja bateria sincopada é marcada por solos ásperos de guitarra e breves toques ao piano que se sobrepõem à observações precisas sobre viver tendo perdido quem se ama (“while i’m evolving from a child to an aging child you’re maturing from a memory to a legacy”), “Skintercourse”, com Harris cantando o amor e a invevitável dependência e repúdio que costumam acompanhá-lo ao mesmo tempo que guitarra, baixo, piano e bateria alternam-se, misturam-se e apoiam-se ao melhor estilo da banda, “Giftshoppe”, com sonoridade profusa onde todos os instrumentos mesclam-se em uma espiral melódica e onde Seim divaga sobre seu amadurecimento enquanto caminha para os 40 anos (“you perverted aging fuck, what age did your mind get stuck?”), “Tantalus”, também com uma composição cíclica típica da banda, cuja base está na cadência trabalhada, re-trabalhada e subvertida muitíssimo bem por Daniel na bateria enquanto piano, guitarra e teclado intervém na síncope percussiva e as letras refletem sobre a inevitabilidade da morte, a percepção da efemeridade da vida e do que foi feito até então dela (“volcanic dirt stains feet and won’t wash out of clothing, this is where your ashes should be strewn instead of some cold mainland suburb”). No fim, a saída de Brent Knopff não apenas fez bem ao Menomena, como até ouso dizer que foi necessária para o crescimento dela: se antes o trabalho da banda seduzia os fãs pela sua energia e vibração na mais pura celebração hedonista, agora ela os conquista e arrebata por não mais evitar revelar que aqueles garotos são na verdade tão humanos quanto eles próprios, sujeitos assim à sofrer com os mesmos sentimentos de revolta e perplexidade diante da enorme confusão que não poucas vezes a vida mostrar ser.

http://www.mediafire.com/file/dj7twf948mowb5m/mem_-_moms.zip

Leave a Comment

Menomena – “Heavy is As Heavy Does” (single)

Duas notícias para os que, como eu, são fãs dos rapazes de Portland da banda Menomena, uma ruim e outra boa. A ruim, que nem é notícia por ser já um tanto velha, é que um de seus três componentes, Brett Knopf, deixou a banda para dedicar-se ao seu projeto particular, Ramona Falls, depois de não conseguir mais se entender com os companheiros Justin Harris e Daniel Seim. Apesar de inicialmente nutrirem dúvidas se deveriam ou não seguir juntos, ambos chegaram a conclusão de que valeria a pena tentar. E aí é que temos a notícia boa: Moms, o novo álbum da agora dupla de Portland, será lançado dia 18 de Setembro. A partida de Knopf abriu a possibilidade para a dupla remanescente enveredar por um trabalho mais pessoal, sem receios de destrinchar intimidades particulares, daí o nome do álbum, que é focado em experiências e histórias relativas à vivência de ambos e de suas respectivas famílias. “Heavy is as Heavy Does”, uma das faixas do novo disco, foi liberada hoje e já dá aos fãs um pequeno aperitivo de qual será a musicalidade da banda, agora que Seim e Harris podem trabalhar de modo mais focado. A bem da verdade, ela não difere muito da musicalidade mais harmoniosa e menos esquizofrênica de parte das faixas de Mines, o disco anterior: um piano em registro baixo revira ciclicamente os mesmos acordes enquanto versos como “Heavy are the branches hanging from my fucked up family tree, and heavy was my father, a stoic man of pride and privacy” descortinam a intimidade de Justin Harris sobre uma percussão mais organizada e solícita – mas apesar do saxofone hipnótico do Menonema que todos amamos não desempenhar mais do que um papel pontual nesta nova música, um solo rascante de guitarra e uma bateria ensandecida não se fazem de rogados e transbordam no outtro melódico da faixa – bom saber que os rapazes ainda tem gosto por estripulias.

Menomena – "Heavy Is As Heavy Does" (Audio)

Leave a Comment

Fiona Apple – The Idler Wheel… [download: mp3]

Reza a lenda que a primeira versão do 3o disco de Fiona Apple, Extraordinary Machine, jamais viu oficialmente a luz do sol porque os executivos da gravadora Sony/Epic o acharam sem qualquer apelo comercial, e por conta disso, o disco, em boa parte remodelado, só foi lançado dois anos depois – e isso graças à uma intensa mobilização dos fãs. Fico curioso imaginando o que os atuais executivos da gravadora pensaram ao ouvir o novo disco da cantora, The Idler Wheel. Se a primeira versão de Extraordinary Machine, com suas orquestrações transbordantes, baterias imponentes e pianos retumbantes foi avaliada daquele modo por eles, o que dizer de um disco tão, mas tão seco que pouco se pode notar da presença de um baixo, quem dirá de uma guitarra? Só posso pensar que eles não ouviram o disco. Ou vai ver os novos chefes do selo musical são mais afeitos à uma cantora que dispensa um produtor musical e se deixa aventurar em melodias enormemente despojadas e improvisadas em companhia apenas do seu novo comparsa, o baterista Charlie Drayton. Afora algumas pequenas, pontualíssimas inserções de alguns instrumentos – como celestes – em participações tímidas, todas as melodias do disco se apoiam em percussão, muitas vezes produzida de modo nada ortodoxo, e no piano da cantora – que nem mesmo aparece em todas as faixas. É uma abordagem bastante radical, embora esse caminho faça algum sentido depois de Extraordinary Machine ter se despido melodicamente de sua primeira versão, produzida por Jon Brion, para a segunda, a cargo de Mike Elizondo e Brian Kehew. Por conta disso, mesmo já tendo sido preparados com o lançamento de algumas músicas do disco na internet, os fãs certamente vão estranhar o primeiro contato com o álbum, já que canções como “Daredevil”, com sua percussão ao mesmo tempo frenética e discreta como o bater de asas de um beija-flor, o piano de toques espaçados e o vocal esquizofrênico no refrão, “Jonathan”, com pianos mais oblíquos até do que se poderia esperar da cantora e com percussão e ruídos mecanizados que lembram o trabalho de Björk em algumas faixas de Selmasongs, “Left Alone”, com uma jam session solo de bateria, piano impromptu e sequências vocais inesperadas e “Periphery”, com piano de acordes minimalistas e sample do que parece ser um calçado sendo esfregado em um tapete, entram um tanto quadradas no ouvido – mas há chances de que eles sejam amaciadas um pouco mais em posteriores audições.
Isso não quer dizer, porém, que o minimalismo preponderante resulte apenas em canções difíceis que necessariamente precisam de algum tempo sendo processadas nos tímpanos. Várias faixas igualmente espartanas já caem no gosto de pronto, caso do já conhecido single “Every Single Night”, com suas cintilações delicadas onde a cantora declara o frágil equilíbrio de um relacionamento amoroso nas letras ao afirmar “the rib is the shell, and a heart is a yolk,…and if we had a double, king-sized bed, we could move in and I’d soon forget”, do harmonioso piano solo de “Werewolf”, que ao ser aberta com os versos “I could liken you to a werewolf the way you left me for dead, but I admit that I provided a full moon” revela como a cantora amadureceu sua visão sobre relações amorosas, de “Regret”, faixa onde a cantora solta a voz num refrão bem ao seu estilo, cantando “I ran out of white dove feathers to soak up the hot piss that comes through your mouth every time you address me” com a já sua característica verve furiosa, de “Anything We Want”, que soa melodicamente familiar, já que a percussão mais encorpada que acompanha o piano lembra bastante o trabalho de Jon Brion ao lado da cantora, e da divertidíssima canção que fecha o disco, “Hot Knife”: o trabalho conjunto da percussão ritmada, do piano de cabaret e dos vocais em coro no refrão, junto com metáforas de caráter ambíguo como “If I’m butter, then he’s a hot knife, he makes my heart a cinemascope, he shows me the dancing bird of paradise”, fariam Fiona Apple entrar no palco de um musical da Broadway com a confiança de uma corista experiente no ramo – e esta é exatamente a palavra que define este disco, tanto para a artista quanto para seus admiradores: só uma artista em uma fase bastante segura de si poderia produzí-lo; em contrapartida, só o tempo vai dizer se com o despojamento de The Idler Wheel os fãs continuarão seguros de toda admiração que tem por ela. Eu acredito que alguns corações podem ficar estremecidos, mas ao final, mesmo que esse não seja no seu todo o disco que os fãs esperaram tanto tempo, é uma obra tão sincera e intensamente pessoal como nunca Fiona havia feito – algo que raramente se vê hoje em dia, infelizmente.

http://www.mediafire.com/file/unbamvuur59ov1k/apple-idle.zip

Leave a Comment

Soap&Skin – Narrow [download: mp3]

Soap and Skin - Narrow

Apesar do aspecto ligeiramente mais harmonioso do que na capa de Lovetune for Vacuum, primeiro disco da austríaca Anja Plaschg, a expressão mais uma vez melancólica da garota indica que no seu segundo disco sob o pseudônimo Soap&Skin, Anja continua a decantar a dor com sutis lampejos de contentamento. A impressão que se tem ao ouvir Narrow é que desta vez a artista austríaca compôs melodias mais mais polidas e menos afeitas à experimentações com ruídos obscuros e sintetizações iluminadas, como é o caso da faixa de abertura, “Vater”, cantada em alemão: o eletronismo gótico fica restrito à sequência final da canção, já que grande parte da melodia está calcada em vocal e piano em puro virtuosismo melódico com algumas orquestrações de cordas aqui e ali para aprofundar o efeito da música. A impressão, no entanto, não corresponde exatamente à verdade, uma vez que este segundo disco da artista européia é consideravelmente menor do que o primeiro, contando com apenas oito faixas, e lida com o mesmo material melódico e emocional do primeiro: tanto em “Deathmetal” quanto em “Big Hand Nails Down”, por exemplo, temos a intensa metalurgia melódica complexa e obtusa que beira o atonal que já se tornou marca registrada da compositora, a primeira acompanhada por um órgão igualmente insólito e um vocal de múltiplas camadas de um tonalidade obscura e a segunda atravessada por um registro vocal potente e cortante. Ao mesmo tempo, há neste pequeno disco faixas com exibem a mesma faceta terna e delicada que se pode conferir no primeiro disco, caso da soturna melancolia ao piano de “Cradlesong” e de “Wonder”, que além do piano triste conta com um órgão e sintetizações sutilíssimas em harmonia algo reflexiva e vocais de apoio de um coro gospel em registro singular que subverte consideravelmente sua identidade costumeiramente sacra. Não poderia faltar uma canção que reúna todas as predileções melódicas de Anja, e esta é o single “Boat Turns Toward the Port”, que conta com piano elétrico de acordes espaçados e órgão fluído e distante sobre o singelo loop de um sample do que parece ser uma antiga caixa registradora e vocais em plena extensão harmônica, tendo como resultado uma paradoxal atmosfera contemporânea e nostálgica. E por falar em nostalgia, Narrow conta ainda com um cover do clássico do eurodance “Voyage Voyage”, faixa da francesa Desireless que foi um dos marcos do pop dançante borbulhante de sintetizadores que embalou Europa e recantos do Brasil no final dos anos 80 e início dos 90. A versão da austríaca, claro, é embebida em seu soturnismo particular, transmutada em piano, orquestração de cordas e vocais encobertos de amargura, mas também preserva e transforma em sua a melancolia que a faixa já detinha originalmente. Ao que parece, Anja não consegue resistir esquadrinhar a tristeza mesmo quando envereda pelos cânones do pop – e espero que ela não deixe de fazê-lo tão cedo.

senha: seteventos

ifile.it/bdvo51k/soap_-_narrow.zip

1 Comment

Cowboy Junkies – Renmin Park e Demons (+ EP bônus) [download: mp3]

A banda canadense Cowboy Junkies até hoje não consegue a merecida projeção que a qualidade de sua música merece. Afora o seu próprio país, a banda dos irmãos Margot e Michael Timmins é conhecida e apreciada por bem poucos – o disco que mais chegou perto de um sucesso foi o espetacular Lay It Down, cuja resenha do Seteventos você conferir clicando neste link. Isso, porém, não parece incomodar os músicos, já que há 25 anos eles mantém o ritmo de gravações e shows. E foi justamente em comemoração à isto que a banda concebeu o projeto The Nomad Series, um conjunto de quatro discos que estão sendo lançados dentro de um período de dezoito meses refletindo e reunindo tanto novas inspirações para a banda como velhas influências da sua carreira. Destes, dois volumes já foram lançados.
Renmin Park, cujo nome faz referência aos belos parques que enfeitam grande parte das cidades da China, país no qual Michael passou um período de três meses enquanto providenciava e aguardava o processo de adoção de duas crianças, é o Volume 1 da série de discos. A estadia no país inevitavelmente influenciou as composições do primeiro disco do projeto: quase todas as músicas contam com o apoio de sons e ruídos gravados pelas ruas chinesas enquanto Michael passeava para conhecer melhor a cultura e costumes do país. A faixa “Intro” é tão somente isto: uma mistura do registro de sons ambientes para apresentar a atmosfera na qual o disco teve sua gênese. À exceção de “A Walk In The Park”, cantada em mandarim por um cantor chinês amigo da banda e que integra ritmos, vozes da cultura musical chinesa com a ambiência rock da banda, a maior parte das outras canções utilizam estes elementos em grande parte apenas como adorno, preservando em sua integridade a já conhecida mistura de folk e rock com uma pitada de country que caracteriza as músicas da banda. É o que ocorre na faixa título, onde somos surge os violão tão conhecido da banda o vocal sempre emocionante de Margot, entoado em um registro tão triste e amargurado quanto o violino solo em um lamento tipicamente oriental que faz a ponte melódica da faixa. Outras faixas que tem a inserção de ambiências orientais temperando a melodia são “Sir Francis Bacon At The Net”, com o gingado soturno da bateria e baixo, intensificados por reverberações metálicas de guitarra e pelo cantar misterioso dos irmãos Timmins, em uma rara participação conjunta nos vocais, “(You’ve Got To Get) a Good Heart”, intoduzida por uma climática reverberação de acordes de piano e que conta com bateria e baixo em evidência na cadência discretamente soturna na qual os vocais se mantém em um registro baixo e “Cicadas”, cujo base melódica é guiada por um baixo em pulso marcado e preenchida por uma combinação da captação de sons das ruas e parques chineses e de semi-silêncios em solos de violoncelo e violino enquanto a voz macia e determinada de Margot acompanha a harmonia e prepara a entrada da bateria e do violão.
Mas há canções no disco que se limitam apenas à fronteira da tradicional musicalidade rock da banda. Entre elas, “Stranger Here”, com riffs de guitarra, violão e bateria de harmonia firme e o orgão que promove com perfeição a liga da melodia, as baladas “I Cannot Sit Sadly By Your Side” e “Little Dark Heart”, a primeira com um dos vocais mais desesperançados de Margot sobre riffs cada vez mais emaranhados e desesperados de guitarra, bateria e baixo em lento pesar e um piano que corta o coração com suas notas que despedaçam-se na melodia enquanto a segunda conta com violões pronunciados e toques malemomentes de guitarra e orgão sobre cantar levemente anasalado da vocalista e também “My Fall”, cover em inglês de uma música chinesa que com a solidez country-rock da bateria, violões, baixo e o vocal limpo e claro de Margot, adoçado pelo fremir de alguns acordes de guitarra e ocasional arranjo de violino, bem passaria por uma música composta pela própria banda.


O Volume 2 do projeto é o disco Demons, uma compilação de covers de composições de Vic Chesnutt, americano cantor de folk, country e rock alternativo que morreu no final de 2009 e que era grande amigo da banda. A intimidade e liberdade dos canadenses ao lidar com o material composto pelo colega é tão grande que não há qualquer diferença realmente visível entre estas canções e o catálogo do próprio Cowboy Junkies de tão coloridas que foram pelo vigor e frescor rock dos canadenses: “Wrong Piano”, com bateria bem cadenciada sobre um órgão esfuziante e riffs caudalosos de guitarra, “Flirted With You All My Life”, com piano, bateria, guitarra, órgão e baixo em amálgama harmônico algo dançante e “Ladle”, com diversas camadas de guitarras alternando e contrapondo-se sobre a harmonia sólida de bateria e baixo e os vocais potentes dos irmãos Timmins no refrão, todas foram incrementadas com as estudadas melodias e entusiasmos sem arestas tão bem conhecidos da banda.
Porém, apesar do belo trabalho dos canadenses ao adaptar as canções mais ritmadas do amigo americano ao seu próprio estilo, é lidando com as canções mais desiludidas, onde ressaltava-se a essência mais despojada e instrospectiva e menos maciça de Vic, que o Cowboy Junkies mostra-se brilhante, refundando as melodias à luz de sua estupenda matiz musical. É o caso de “Betty Lonely”, linda balada no vocal abatido de Margot sobre um órgão melancolicamente sensual e a cadência imutável e macia da bateria e do baixo, entrecortados tão somente por algumas farpas de guitarra, de “Square Room”, que ganhou uma orquestração de cordas discreta que sopra ao fundo, solícita e triste, enquanto Margot guia o passo cálido da bateria, do violão e do órgão com seu vocal que sublima emoção, da esplêndida “Supernatural”, que também conta com uma orquestração serena e destaca-se pela viola de acordes chorosos como companhia ao vocal amargurado e resignado da cantora canadense, do contemplativo arranjo de “We Hovered With Short Wings”, com percussão que farfalha como uma brisa, acordes de um polido violão e um taciturno clarinete namorando o semi-sussurar de Margot numa espetacular comunhão sonora que toma delicadamente os sentidos, e também da cortante “Marathon”, cujos violões e percussão só não são mais plangentes que o vocal sofridíssimo de Margot e Michael Timmins, que dilaceram a alma tanto quanto o fremir glacial da guitarra solo.
Impressiona mesmo os que já conhecem a banda de longa data que os canadenses não apenas sustentem a qualidade musical que vem desde o início de sua carreira, mas que depois de tanto tempo ainda desfrutem de um frenesi criativo que transborda tamanho refinamento e densidade melódica tanto ao trabalhar com material de seu próprio punho quanto de outros artistas, um luxo o qual nem mesmo bandas mais populares e lendárias conseguem dispor por tanto tempo – abençoado seja o Cowboy Junkies!

ifile.it/pkbiv40/junkies_-_park_-_of_-_demons.zip

senha: seteventos

e mais um bônus: clique aqui e baixe “3rd Crusade”, uma das faixas de Sing In My Meadow, o Volume 3 da série que está planejado para ser lançado em Agosto.

2 Comments

Timber Timbre – Creep On Creepin’ On. [download: mp3]

Taylor Kirk, cantor e compositor canadense que é a ponta criativa do triângulo que compõe a banda Timber Timbre, cujos outros vértices são Mika Posen e Simon Trottier, poderia bem ganhar a vida como intérprete de grandes clássicos do blues por conta de sua voz grave e macia, e nota-se facilmente o quanto o gênero influenciou suas composições, particularmente no seu último disco, Creep On Creepin’ On. Além da própria carga que existe em seu vocal, aquele vapor melancólico e nostálgico do blues também acaba contaminando boa parte das melodias. O piano de notas agudas e cristalinas que estala no ar em “Bad Ritual” é exemplo claro disto, há porém a companhia de algumas orquestrações e eletronismos lo-fi que lhe conferem também uma sonoridade bastante soturna. Esta atmosfera também circunda os acordes do piano, as inserções pontuais do saxofone e o órgão empoeirado de “Black Water”, conferindo à canção ares de balada de salão de festas de um hotel mal-assombrado. O saudosismo ganha um requebro mais dançante na cadência de teen party sessentista de “Too Old To Die Young”, que parece saída diretamente de um momento mais inspirado em que Chris Isaak incorpore o seu Elvis. A impressão no início desta faixa é que o ar sinistro possa ter ficado pra trás, mas a sensação evapora rapidamente quando o refrão soturno ataca sem hesitar a melodia. Esse caráter musical que desenha referências na música de meados do século passado floresce igualmente na faixa “Woman”, mas o obscurantismo dark não deixa de se fazer presente, insidioso e lembrando muito o trabalho dos britânicos do Portishead: impossível não fazer referência à biologia melódica do grupo inglês na intro que funde metais, guitarras e bateria em uma marcação aquosa de filme de ficção-científica tanto quanto no modo como isso é repentinamente revertido em uma singela harmonia tradicional em piano, vocal, baixo e bateria.
O parentesco de Timber Timbre com músicas de antigos filmes de sci-fi e terror não fica apenas na fusão feita com melodias que tem algo da boemia de um cabaret ou salão de festas de um hotel cinco estrelas, mas é exibido em toda sua intensidade na tecitura das faixas instrumentais que pontuam de modo dramático o disco assim como sequências de um filme são pontuados por sua trilha. Assim funcionam “Obelisk”, com o suspense armado pelo arranjo de cordas sobre um pulso ininterrupto da bateria e ruídos que rompem a melodia e reforçam o clima espectral, e “Swamp Magic”, que apesar do obscurantismo inicial nos acordes escandidos no violão, na ondulação das cordas e nas interferências indistintas, é banhada por uma luz orquestral em sua sequência final. Contudo, o mais belo interlúdio cinemático é o de “Souvenirs”: uma reverberação de cordas fulgurante que é reminescente das esplêndidas peças eruditas do hiper-vanguardista György Ligeti que sonorizaram a espetacular obra-prima “2001: Uma Odisséia no Espaço”, fechando no modo “egotrip transcendental” o singular setlist que cairia muito bem em uma festa – mas só naquela cuja anfitriã fosse Carrie White.

senha: seteventos

ifile.it/n4hc8xl/timber_-_creep.zip

1 Comment

PJ Harvey – Let England Shake (+2 faixas bônus). [download: mp3]

PJ Harvey - Let England Shake

Antes uma compositora de rocks inequívocos, mesmo quando flertando com outros gêneros, PJ Harvey deu em White Chalk, seu penúltimo disco, uma guinada musical de 180º com um compêndio de canções etéreas e nebulosas cujas melodias e vocais emanam uma densa atmosfera sobrenatural que não por um acaso foi corporificada nas sessões de fotos do disco como uma figura fantasmagórica com notáveis traços românticos mergulhada em uma ambientação gótica. A colaboração com o amigo John Parrish em A Woman A Man Walked By – a segunda oficialmente nomeada, já que Parrish participou da equipe de músicos na maior parte dos álbuns – retomou parcialmente a verve rockeira, mas a contaminação melódica iniciada em White Chalk foi retomada em parte das canções do disco e volta com força no seu mais recente lançamento, Let England Shake, convertida agora em um rock obtuso e consideravelmente experimental que por vezes resvala feio. Exemplo disso são os samplers – recurso utilizado pela primeira vez por Harvey – que interferem na semântica das músicas e nem sempre tem resultado homogêneo, como ocorre na cacofonia melódica entre o vocal frágil e alquebrado da britânica sobre a percussão, guitarra e órgão e o sampler abafado do reggae “Blood and Fire” em “Written In The Forehead” ou como acontece quando o sample tacanho do trompete marcial insiste em perfurar a progressiva comunhão rítmica entre guitarra, bateria e percussão base em “The Glorious Land”.
Contudo, se por um lado alguns engasgos ocorreram no percusso criativo do corpo harmônico de Let England Shake, impressiona e muito a perfeição no todo temático do álbum que é, sem dúvidas, o mais bem acabado até hoje neste quesito na carreira de PJ Harvey: no relato algo barroco do pesadelo vivido diariamente por soldados no front impresso na alternância entre os ecos de ira e lenta marcha sombria em “All and Everyone”, na impiedosa descrição da carnificina de um campo de batalha feita tanto na doçura celestial de “The Nightingale”, onde “heads on top of sticks were like angels” – uma espécie de parte 2 de “All and Everyone” encerrada com harmonia fúnebre do saxofone muito simular à da outra faixa – quanto no contraste com a melodia quase dançante e festiva de “The Words That Maketh Murder”, na narração do adeus à terra natal e às esposas dos soldados rumo à guerra que é sonorizada pela combinação das guitarras crispantes e da percussão enérgica em “Bitter Branches”, na precisa descrição do despertar para mais um dia de batalha no triste farfalhar das guitarras e na bateria que ressoa tão melancólica e sofrida quanto o vocal da artista no rock ao estilo clássico de Harvey “In The Dark Places” ou na poética descrição das sensações despertadas ao avistar as paisagens de Gallipoli, que foram cenário da famosa batalha da Primeira Guerra Mundial na etérea e onírica composição sutil entre violão, guitarra, órgãos, percussão e piano em “On Battleship Hill”, todos estes relatos e narrativas compõe um todo épico e pungente onde a artista afirma como a história, e consequentemente a identidade de sua terra e de seu povo foi sendo formada e erguida pelo envolvimento em sucessivos conflitos, guerras e batalhas. A Inglaterra de PJ Harvey é sim a terra natal amada, mas esse amor incondicional é atravessado pela amargura e sofrimento do belicismo, como bem Harvey canta no folk cinzento dos acordes de violão de “England”, e jamais fecha os olhos às mazelas que marcam as ruas e a cultura da pátria, como pode ser visto no frescor da cadência rock de “The Last Living Rose”, cuja melodia é coroada por metais em uma fanfarra acanhada.
Obra de uma artista cujo trabalho é alimentado por um imenso senso crítico e movido por uma insaciável inquietude musical que à  leva a sempre trilhar novos caminhos sem nunca deixar a bagagem das viagens anteriores para trás, esta ode à pátria e manifesto contra o belicismo humano resultou em um disco mórbido e melancólico de tonalidades cinzentas e encoberto por uma espessa névoa que por vezes parece soar impenetrável aos ouvidos, e isso faz todo sentido – converter em um relato musical realista os horrores e atrocidades incessantemente perpetuados pelo homem não poderia ter como resultado algo fácil e agradável, não é mesmo?

senha: seteventos

mediafire.com/?dggtrwmakv8krrs

2 Comments

Soap & Skin – Lovetune for Vacuum [download: mp3]

Soap and skin - Lovetune For Vacuum

Anja Plaschg, cantora austríaca que trabalha sob a alcunha Soap & Skin, é uma figura estranha. Em boa parte de suas fotos, a garota aparenta um notável ar de melancolia gótica que a assemelha à personagem de Winona Ryder em “Os Fantasmas se Divertem”, clássico de humor negro do tempo em que Tim Burton sabia o que fazia. Mas diferentemente da menina de Burton, Anja mostra naturalidade e considerável suavidade, ainda que nas letras de suas canções seja fácil identificar o tormento existencialista que repousa na expressão sorumbática de seu rosto lívido que lembra enormemente mulheres de pinturas renascentistas. Não é surpresa alguma, portanto, que sua música seja continuamente atravessada e fendida por estados de ânimo completamente contrastantes – algo efetivamente ilustrado na última faixa do disco, “Brother of Sleep”: ao mesmo tempo que a música ilumina os ouvidos com a terna harmonia do piano e violinos e o vocal etéreo da jovem austríaca, ela os assusta com o ruído surdo e mórbido sobre o qual arrulham pássaros e o baque repentino que encerra o disco. Mas antes de chegar até lá, experimenta-se nas composições baseadas em piano episódios transbordantes de fatalismo épico – como em “Sleep” com acordes pesairosos no piano e um vocal que viceja entre sussurros frágeis e brados vigorosos em meio à ruídos sujos e obscuros e “Thanatos”, o canto da morte mergulhado em um piano de andamento fúnebre e um vocal em tom sentencioso e imperativo -, inundações de sofrimento incontido – exemplo disso é a belíssima “Cynhtia”, um sufrágio lento onde o piano forma uma parceria divina com o vocal repleto de mágoa e pesar de Anja, “Fall Foliage”, onde a melodia lacrimosa do piano é acompanhada pelos frios ruídos mecânicos que emanam do teclado fabuloso da austríaca, e a instrumental “Turbine Womb” uma mistura graciosamente cinemática da faceta erudita a da pós-moderna da garota – e emanações de doçura, delicadeza e calma alegria – como na sonoridade gentil de “Cry Wolf”, recheada com acordeão, um piano singelo e tecituras eletrônicas que cintilam na mesma vibração sensível e afetuosa do vocal de Anja, de “Spiracle”, com acordes gracejantes de piano e vocal que sufoca-se em um estado de ira até explodir em um breve e repentino grito de revolta no meio da melodia que reflete o desespero das letras em que a garota confessa a constante perseguição e o abuso sofridos na infância.
Por conta destas flutuações de ânimo, me senti em parte inclinado em chamar de música bipolar o que aqui é feito pela artista austríaca, só que este nunca seria o termo adequado, pois mesmo quando há alegria em suas composições, esta não escapa de sofrer a infiltração de uma onipresente melancolia que evita este contentamento de atingir um estado de plenitude – o mais correto mesmo é não enquadrar a admirável caixinha de música de Soap & Skin e deixar que o ouvinte surpreenda-se ao orbitar na sua atmosfera encantadoramente lúgubre.

agradecimentos ao meu amigo Matheus, ou Olívio, como ele prefere – foi num tweet dele que acabei descobrindo essa preciosidade (não deixe de espiar o twitter e o 8tracks dele).

http://ifile.it/6vubz95

senha: seteventos.com

2 Comments

Joan As Police Woman – The Deep Field. [download: mp3]

No seu terceiro disco de material inédito, Joan Wasser, mais conhecida pelo codinome Joan As Police Woman, operou uma transformação em seu estilo musical difícil de definir com exatidão – não é algo radical, mas também não é suficientemente sutil para se poder dizer que suas composições continuam as mesmas. Talvez seja mais fácil dizer o que este álbum não é: The Deep Field não possui o lirismo cristalino de Real Life, nem a luminosidade aveludada de To Survive. Em sua nova empreitada sonora, a cantora americana resolveu tornar as coisas mais complexas, menos óbvias. Por esse motivo, suas composições agora soam mais livres, em alguns casos até enveredando na improvisação, que é o caso de “Flash”, cuja ambiência de percussão e vocais sutis e reverberações melódicas persiste por quase 8 minutos em um transe sonoro praticamente imutável, que insiste em resistir à evoluções previsíveis de sua harmonia. “Human Condition”, apesar de menos ambiciosa melodicamente, também evita promover modificações na delicadeza soul de seus vocais sutilíssimos e na melodia aquecida por um confortável calor. Igualmente alinhada com a atmosfera mais discreta destas músicas está a contemplação reflexiva da triste “Forever and a Year”, de vocal magoado e compasso sofrido em um lamento de dilacerar a alma lentamente.
Mas se algumas faixas são experimentais pelo seu ambient mood, outras o são por uma maior profusão instrumental, onde se encaixa “Nervous”, faixa de abertura com a cadência malemolente da guitarra, bateria e baixo, mas que ganha feições mais maciças quando o ouvinte é inadvertidamente encoberto na sua sequência final por uma lava de riffs de guitarra, tão rascantemente sensuais que tomam os ouvidos e comandam ao corpo dançantes ondas de lascividade. Mais à frente no disco, “Run For Love” também se adequa à essa feição, já que a levada sexy da bateria, os acordes cálidos do teclado e a guitarra àspera vão ganhando maior amplitude e interferência, além da adição de ruídos e vocais adicionais que “sujam” a melodia até formar uma massa sonora hipnótica.
As composições que são o legado sonoro do soul mais clássico, porém, não perderam o seu espaço: tanto o single “The Magic”, com gingado suavemente efusivo e dançante do conjunto bateria, guitarra e teclado, quanto as mezzo-baladas “Chemmie” de guitarra, bateria e orgão sinuosos e insinuantes, e “The Action Man”, com a voz ao mesmo tempo frágil e determinada de Joan sobre órgão, backing vocals e o tempero de alguns metais tão característicos do estilo, defendem no novo álbum aquilo que a artista vem fazendo tão bem desde a sua estréia: capturar o melhor do soul do passado filtrado pela sua personalidade musical alimentada por influências rock contemporâneas. Como resultado desta combinação de estilos, preferências e referências, temos um disco sofisticado e elegante que não se atém a definição de fronteiras e estilos, mas de ser o retrato de um momento musical ideal de uma artista pouco conhecida, mas que está indubtavelmente entre as mais talentosas de sua geração.

senha: seteventos

http://ifile.it/9foh8tk/police_-_field.zip

Leave a Comment