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Ano: 2008

Ben Ricour – L’aventure. [download: mp3]

Ben Ricour - L'aventureBen Ricour, da chamada nova geração de cantores franceses, tem um carisma musical enorme: difícil não ficar com a melodia de um bom punhado das canções do seu álbum de estréia, L’aventure, tilintando carinhosamente na cabeça, ouvindo sua voz algo infantil e imaginando o que aqueles seus versos de amor, entoados em um francês delicioso, devem exatamente significar em português. Excetuando-se algumas faixas mais monótonas, Ricour conquista o ouvinte, sem muito esforço, já nas primeiras audições do seu pop/folk bem construído. A faixa que abre o disco, “Vivre À Même L’amour”, com seus violões e baixo lépidos, bateria de síncope rápida e saltitante e refrão seguro e certeiro, tem a tonalidade pop-grudenta de primeira de um gritante single. Algumas músicas depois e novamente os ouvidos são raptados pela melodia solar de “Je Me Réveille”, com violões e vocais doces e fulgurantes de esperança, sintetizações de cordas repletas de uma luz calma e aconchegante e bateria ligeira, mas gentil. Na faixa seguinte, “Le Risque”, Ben aposta em um dueto com uma voz feminina para ressaltar as letras sensuais, mesmo que os violões habilidosos, a bateria e percussão escandidas e a guitarra de acordes salpicados no trecho final deixem a melodia mais inequivocamente lúdica e faceira do que sensual. Logo em seguida somos apresentados a uma balada delicada, “Ami D’enfance”, onde o dedilhamento nas cordas do violão, os toques na bateria, os acordes no piano, a tonalidade da voz de Ricour, todos exibem uma soltura, leveza e suavidade aconchegante e carinhosa. “L’aventure”, a faixa seguinte, tem melodia encorpada por violões vistosos e maciços, que sobrepujam mesmo todo o instrumental restante – a guitarra eventual de acordes levemente rascantes e a bateria complementar e submissa à rítmica dos violões. E o disco fecha com a brincalhona “Pas Stressé”: além da tecitura aveludada do violão, da percussão, e dos acordes de harpa eventuais, o cantor brinca com seu vocal, produzindo um solfejo que lembra o ruído de mola dos cartoons que tanto assistiamos na infância.
As composições de Ben Ricour, por mais engraçado que possa parecer, guardam muita semelhança com as feições do próprio artista: sua música exibe aquele ar charmoso, inteligente e elegante que os franceses tão bem conseguem exprimir daquilo que tem a aparência mais convencional e comum. E bem sabemos que tanto são atraentes aquelas notas simples e tradicionais, nada surpreendentes, de uma canção bem feitinha quanto o pode ser aquele moço que mora no prédio ao lado, não?

rapidshare.com/files/366529570/ricour_-_aventure.zip

senha: seteventos.org

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“Minha Vida Sem Mim”, de Isabel Coixet. [download: filme]

my life without me (2003)

Ann, uma jovem casada e com duas filhas, descobre, depois de sofrer um desmaio repentino, que tem um tumor em metástase avançada. O resultado: não mais do que dois meses de vida. Tendo em mãos esse prognóstico, Ann decide tomar algumas medidas antes de sua morte.
A partir da idéia do livro de Nanci Kincaid, a diretora Isabel Coixet explora a descoberta, por uma jovem mãe de família, de sua morte iminente e as resoluções, tomadas por ela, a partir desta descoberta. Se caísse nas mãos erradas, a história da jovem que vive em um trailer nos fundos da casa da mãe, que sobrevive como faxineira em uma escola e que casou e engravidou na adolescência do único homem com que se envolvera na sua vida, certamente acabaria virando folhetim da pior qualidade, um inevitável dramalhão inundado pelo sentimentalismo mais barato e pela pieguice mais óbvia, que de quebra serviriam como veículo perfeito para a chamada “superinterpretação” do mais ávido candidato à receber uma estatueta dourada californiana. No entanto, nas mãos dessa diretora espanhola, a sensibilidade não é afogada pelo lugar-comum e por um elenco de olho em premiações fáceis. Ao contrário, ela ganha elegância, classe, inteligência e muita delicadeza: ao invés de dar chance à uma tsunami de desespero, sofrimento e amargor auto-inflingidos pela sensação de impotência frente ao destino inevitável, ou mesmo ao seu oposto extremo, ao hedonismo irrefreado, devidamende despertado por uma turnê de experiências inconsequentes na tentativa de viver tudo o que não vivera até então, a diretora-roteirista faz com que a protagonista, antes já uma mulher equilibrada e conformada com sua realidade, mergulhe em um estado de ainda maior compreensão sobre sua situação, que a faz encarar a inevitabilidade e proximidade de sua morte com uma serenidade implacável, dando-se ao direito de derramar apenas algumas poucas lágrimas enquanto busca muito mais reafirmar o que viveu e vive do que saborear novas experiências. E o elenco, composto apenas de nomes modestos do cinema norte-americano, auxilia não apenas pelo seu desempenho na medida exata – particularmente o de Sarah Polley, que voltaria a trabalhar com a diretora no seu próximo longa, já comentado por aqui -, mas também pela credibilidade e verossimilhança que concede aos seus papéis de pessoas comuns – algo muito trabalhoso de ser atingido com as estrelas e astros de Hollywood de beleza perfeita e fama imensa, que dificilmente conseguem imprimir o realismo que um rosto menos popular imprime.
E isso tudo faz a diferença entre este longa-metragem de Isabel Coixet e tantos outros que já vimos sobre os “bastidores” da jornada para a morte de um ser humano: ao invés de explorar a emoção do público como em uma montanha russa, onde todas as sensações parecem intensas mas, na verdade, não vão além de experiências falsas e fulgazes, “Minha Vida Sem Mim” o faz com a mesma sutileza de uma paisagem passageira à janela de um trem em movimento, que deixa em quem a observa sensações bem mais indeléveis e verdadeiras.

Baixe: “Minha Vida Sem Mim”, de Isabel Coixet (My Life Without Me, 2003)
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005