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Tag: pop

Camille – Ilo Veyou (+ 1 faixas bônus e 4 versões alternativas) [download: mp3]

Camille - Ilo Veyou

Fãs da musa do experimentalismo pop francofônico, celebrem: saiu hoje Ilo Veyou, o novo disco da francesa Camille Dalmais, mais conhecida apenas por Camille. Depois de estrear com um belo disco pop, Les Sac des Filles, de ganhar os olhos do público mais antenado e da crítica especializada com o impressionante Le Fil e se aventurar em versos em inglês, em percussionismo corporal e no pop mais escrachado em Music Hole, o que se deve esperar de seu quarto trabalho? A própria Camille, em entrevista ao jornal The Guardian, responde que buscou uma maior simplicidade sonora, com elementos mais acústicos servindo como base à sua voz. Deste modo, Ilo Veyou volta a priorizar, como aconteceu no brilhante Le Fil, a clareza, destreza e versatilidade do vocal da artista francesa. E assim começa o novo disco como terminou o seu famoso segundo trabalho, com a captação em ambiente natural da voz da cantora em uma repetição de frases com sucessiva incorporação de palavras que ela, claro, não resiste em rapidamente transformar em uma pequena música chamada “Aujourd’hui”. E seguindo o preceito de simplicidade assumido como meta para o álbum, temos o primeiro single, “L’étourderie”, trazendo violão e violinos em harmonias simples suaves que ondulam em adornamento ao vocal doce da cantora francesa. O artifício de captar o vocal da cantora fora do estúdio, em take único em ambientes naturais, é utilizado ainda em outras faixas e se em “Bubble Lady” serve apenas para a cantora farta-se livremente com jogo de aliteração ao cantar com variações silábicas com a letra “B” sobre um sutil beatbox de apoio, o recurso pode produzir tanto flagras inesperados – como na canção “Pleasure”, que se escutada com a devida atenção, fica fácil flagar a breve participação inesperada, ao fundo do vocal e da batida seca, provavelmente produzida no próprio corpo da cantora, de uma espontânea buzina de carro -, quanto momentos de uma beleza esplendorosa – como em “Tout Dit”, que pela sua tecitura simples a cappella deixa transparecer os ruídos mais mínimos do ambiente onde foi gravada, como o cantar de grilos e pássaros.
À exceção destas faixas, Camille limita-se ao estúdio para a produção de suas composições que não escaparam à sua tradição lúdica, como é belo exemplo “Allez Allez Allez”: introduzida com violinos em arranjo sublime para fazer frente aos múltiplos vocais de Camille, em tom altivo e determinado, bradando o mote da canção sobre violão, percussão, contrabaixo e violinos que adentram aos poucos a melodia, Camille insere um entreato onde, usando os vários vocais, conversa consigo mesma. A brincadeira segue à frente em “Mars Is No Fun”, de melodia feita de percussão de palmas, contrabaixo volumoso e algumas iluminuras em piano e violinos, quando a cantora repete nas letras o frescor brincalhão da música ao trazer impressões cômicas de como a vida no nosso planeta vizinho é chata e limitada por suas óbvias características atmosféricas, em “Ilo Veyou”, onde a cantora exibe com sua habitual competência as várias gradações de seu vocal, alternando graves e agudos sobre violinos em pizzicato, e em “Message”, que o que tem de pequena em duração – pouco mais de 40 segundos – transborda em meiguice com seu piano que simula toda a ternura daquelas antigas caixinhas de música de bailarina. Contudo, os momentos mais divertidos estão mesmo nas canções “My Man Is Married But Not To Me”, onde sobre piano e violinos de harmonias virtuosas, a cantora desfila trejeito vocais ao lamentar sobre o tema, brincando com o estereótipo romântico mais batido ao afirmar “bad of course, so he wil come and pick me up on his horse, white horse”, e em “La France”, onde Camille emula a tradição da chanson française de Edith Piaf e tantas outros monumentos francesces para, depois de apontar a excelência de outras nações, declarar no refrão, sem medo de soar polêmica e angariar todo o ódio de seus conterrâneos, “la France, la France…des photocopies”.
Mas se Camille preservou toda sua galhofa, ela não abandonou igualmente a sua faceta mais melancólia, capaz de produzir composições extremamente emocionantes. Enquanto a faixa “Wet Boy”, cantada em inglês fazendo uso da famosa dupla voz e violão, desfila uma doçura e amargor sutis, “She Was” cala fundo com a beleza imensurável de seu crescendo melódico, onde violinos em pulso ondulado sobre violão quase surdo acompanham a avolumamento do vocal da cantora, que vai ampliando o desatar sofrido dos versos em uma intepretação esplêndida que faz referência ao nascimento recente de seu primeiro filho: “sometimes I wonder/ GO!/ if my child/ GO!/ will have yes/ GO!/ go away, go away/ to see through me/ GO!/ when I die/ GO! and born again! GO!/ go away, go away, go away!”. Assim, Camille, ao deixar de ter como meta primeira a ambição de tornar-se popular entre o público de língua inglesa – particularmente o americano-, fato que ocasionou os excessos que com o tempo fizeram o seu último álbum parecer um pouco forçado e um tantinho embaçado, foca-se no explorar do que tem de melhor: o fulgor de sua emoção e sensibilidade musical.

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Jay-Jay Johanson – Spellbound

Infelizmente, o blog do meu amigo não está mais online, e por esse motivo, tomo a liberdade de reproduzir aqui um backup da resenha que fiz originalmente como blogueiro convidado no saudso Zé Offline. Logo depois da resenha segue a postagem original, para fins de “fidelidade histórica”, como diria Mark Hamill.

Conheço Jay-Jay Johanson de apenas dois dos seus discos, Poison e The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, ambos ambientados dentro dos domínios do trip-hop com algumas fusões de pop e jazz. De modo geral, não seria errado alinhar o cantor e compositor dentro da seara da música eletrônica, mas isso já não é mais tão simples com o lançamento de Spellbound, seu mais novo disco. Para minha surpresa, à exemplo do que fez Beck no disco Sea Change, o artista sueco mudou consideravelmente de direção, enveredando por melodias profundamente contemplativas cujas bases em boa parte acústicas não vão muito além de pianos e violões e de algumas reluzentes doses de orquestrações. Aparentemente, a mudança parece ter sido influência do legado de seu trabalho na composição da trilha do filme “La Troisième Partie du Monde”, sua segunda experiência do tipo na carreira. A ambiência cinemática, trazida do trabalho no filme, aparece tanto nos silêncios significativos quanto nas orquestrações que reforçam o caráter dramático das melodias, o que já fica patente na faixa de abertura, “Driftwood”, composta pela alternância entre versos cantados por Johanson e uma harmonia orquestral breve e sutil que os sucedem, fazendo-lhes um contraponto melódico extremamente sofisticado. “Dilemma”, a faixa seguinte, recupera brevemente na cadência pop-jazz do piano de notas esparsas e graves e na percussão leve a musicalidade nostálgica do cantor sueco, apresentando grande parentesco com músicas que seriam certamente liveset de algum cabaret. Já em “On The Other Side” a harmonia doce e triste do piano traz como referência canções marcantes que foram trilhas de séries e filmes clássicos dos anos 70. Mais à frente, o violão de “Monologue”, dedilhado com parcimônia sobre sintetizações distantes e difusas, evoca o mesmo sentimento de placidez que pode ser experimentado à beira do leito de um rio em meio à uma floresta calma e vasta. Evocativa também é a melodia de “The Chain”, porém a programação-base que irradia-se em uma ondulação delicada, os toques abafados no piano e os acordes sufocados e arranhados em um violão buscam como reminiscência o remanso de outras águas: as do mar. Adiante no disco, além da clara inspiração pictórica, a música de terras mais distantes e paisagens mais tropicais também parece ter motivado as novas composições do artista sueco, já que, apesar dos acordes hesitantes e narcolépticos ao piano e do trompete solitário e melancólico de “An Eternity” terem um gosto inconfundível de jazz, o vocal do cantor, em registro baixo e silencioso, tem o sabor todo marcante da bossa-nova. Mas, se me fosse exigido escolher uma única canção de Spellbound para servir como a mais representativa desta fase renovada de Johanson, ela certamente seria a pungente “Ouf Of Focus”: sobre o melancólico ressoar de um orgão, o registro cálido e resignado do músico ao encerrar o disco cantando o triste verso “because of the tears in my eyes I saw her leaving out of focus” é de calar mesmo a mais atormentada das almas.

O post desta semana vai ser um pouco diferente: fui chamado pelo meu grande amigo a publicar uma resenha, como autor convidado, no seu blog, o Zeoffline.com. Recebi dele toda a liberdade do mundo quanto ao conteúdo da resenha: poderia ser sobre qualquer das coisas às quais já tenho hábito de escrever nos meus dois blogs: cinema, música, vídeos…e até homens. Mas eu penso que todo mundo, quando entra como convidado em algum lugar, faz questão de respeitar a casa do anfitrião e adequar-se ao ambiente. Por essa razão, decidi que o texto seria sobre um disco, que é a grande tônica do excelente blog do Zé. Aliás, se você ainda não conhece o Zeoffline.com, ta aí a melhor oportunidade pra fazê-lo: dê um pulinho lá pra conferir a minha resenha da semana e aproveite pra conhecer o blog.
É isso.
Na próxima resenha, tudo volta ao normal: vai ser aqui no blog mesmo.
Abrações e divirtam-se!

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Lykke Li – “Get Some” (single + 1 faixa). [download: mp3]

Lykke Li - Get Some

Lykke Li, que chamou a atenção com sua mistura de pop, indie e folk no belo álbum de estréia Youth Novels, se prepara para lançar seu segundo disco em breve e, como um petisco de luxo para seus fãs, a artista liberou no seu site oficial o download gratuito de uma faixa que já está pronta e de mais um B-side. O single, “Get Some”, tem na impecável ginga da sua base percussiva todo o charme e balanço sedutores do pop cintilante cheio de calor e animação que foi o grande trunfo do seu debut. As letras completam o serviço e coroam a glória pop da canção: embaladas por várias camadas do vocal da cantora, sempre cheio de charme e com aquela levíssima pitada blasé que é uma das marcas da cantora, Lykke compara-se à uma prostituta por estar envolvida em uma relação amorosa um tanto egoísta e utilitária. Já, “Paris Blue”, o B-side que acompanha o single, é fruto da faceta indie-folk da garota sueca: com interpretação melancólica em um lamento amargurado da cantora à cidade de Paris, a faixa é feita de esparsos acordes sôfregos de violão, um orgão de notas apagadas e sofridas ao fundo e uma percussão lenta e opaca, que parece carregar todo o peso do mundo.
Bela idéia da menina liberar duas faixas de atmosferas completamente opostas, já que além de aplacar bem a ânsia dos fãs pelo novo material a ser lançado, “Get Some” e “Paris Blue” também servem de cartão de visita “dupla-face” para os que ainda não conhecem a artista, apresentando eficientemente a sua já conhecida flexibilidade musical. Então, clique aqui para fazer download – basta preencher o cadastro rápido no mailing list da cantora para receber no seu e-mail o link de download das faixas. Se preferir, ambas as músicas também estão disponíveis para serem ouvidas via streaming neste outro link. Bom proveito!

agradeço o toque do @fuckbubbles no Twitter sobre a liberação do single!

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AaRON – Birds in the Storm. [download: mp3]

Aaron - Birds in the Storm

Simon Buret e seu fiel comparsa musical, Olivier Coursier, que forma com ele a dupla AaRON, voltaram ao mercado este mês com o sucessor de Artificial Animals Riding On Neverland, o disco Birds in the Storm. Como aconteceu no primeiro trabalho, os dois músicos põe seu bom gosto à serviço do pop e do eletrônico da França, criando mais um álbum recheado de melodias esplêndidas, crivadas de beats elegantes, uma programação irreprimível e vocais irresistíveis de Simon. “Ludlow”, faixa inspirada em um passeio pela rua homônima em New York, já abre o disco matadora com sua melodia contruída aos poucos em uma marcha onde os instrumentos e elementos da programação vão se sucedendo uns aos outros até formarem uma melodia pop homogênea e incandescente. “Rise”, apesar do nome, é levada em um pulso de peso mais melancólico, com guitarras e bateria de toques conformados e vocal sôfrego e consternado. “Seeds of Gold”, porém, encaminha-se para uma trilha liricamente mais esperançosa e melodicamente menos triste, sendo conduzida por acordes de piano singelos, uma batida firme, riffs de guitarra ondulantes e vocais doces e delicados que unidos finalizam um pop simples e eficiente. “Inner Streets” também convoca o piano para dar guia à melodia, que tem como base um beat moderadamente agitado, feito de loops e sintetizações que marcam a melodia dramaticamente em conjunto com o piano – a canção ganha uma versão alternativa no final do disco, “Inner Streets (3rd Street)”, que remove o piano e intensifica a base eletrônica com loops e sintetizações mais sujas, o que confere um caráter mais dançante à canção, porém também imprimindo uma indentidade mais soturna. Também partilham o caráter electronic-heavy e dark da versão alternativa de “Inner Streets” a faixa-título de Birds in the Storm, exibindo traços melódicos mais polidos, com reversões sonoras e solos de piano que inserem lirismo na canção, e “Passengers”, que é introduzida por uma guitarra com sombreado grunge que, ao longo da música, vai aos poucos sendo encoberta por uma programação eletrônica densa e múltiplas harmonias e riffs mais intensos do próprio instrumento, exalando vapores sutis das guitarras que os britânicos do Portishead tanto adoram. De concepção semelhante à esta última, na triste “Arm Your Eyes”, a dupla conduz a melodia com harmonias melancólicas de piano e guitarra, inserindo aos poucos, em um crescendo discreto, a base eletrônica e os próprios acordes de guitarra e piano, que intensificam-se em um todo tão melancólico quando o vocal de Simon.
Mas o traço melancólico, bem como as feições sombrias de algumas composições da dupla, que já existiam no primeiro disco, são ressaltadas quando os franceses se livram do apoio de elementos eletrônicos, atendo-se apenas à acústica de violões ou piano, como ocorre na última faixa do disco, “Embers”, onde os acordes etéreos e difusos do piano, bem como o vocal entre o amargor e o lamento, soam tão estranhamente fantasmagóricos quanto as composições de PJ Harvey em White Chalk, deixando em quem ouve uma enorme curiosidade sobre como seria se a dupla produzisse um disco que se resumisse apenas à este folk tão peculiar. Curiosidades à parte, porém, Birds in the Storm é a confirmação do talento desta dupla francesa, que foge da pasmaceira muitas vezes enjoativa e um tanto rotineira produzida por parte das duplas do electro-pop ao injetar uma dinâmica e calor melódicos que dificilmente são encontrados no trabalho destes músicos, tudo ainda coroado pelos traços sombrios e tristes que emanam de algumas faixas, o que dá todo sentido ao título deste segundo disco, já que, como os pássaros marinhos, a dupla prefere se arriscar nas rajadas traiçoeiras de uma intempérie do que repousar na segurança previsível da brisa de climas mais amenos – e em nome da beleza da música, eu espero que isso seja sempre assim.

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Hoje – Amália Hoje. [download: mp3]

Hoje - Amália Hoje

Criação paralela de quatro músicos de diferentes bandas do cenário atual da música portuguesa, o projeto Hoje, muito semelhantemente ao disco solo de Fernanda Takai, foi criado especialmente com a idéia de produzir regravações de faixas emblemáticas gravadas por uma das mais célebras cantoras de fado, a portuguesa Amália Rodrigues. Para a nada fácil tarefa de dar voz aos versos tornados famosos por Amália, foram chamados Fernando Ribeiro, parte da banda Moonspell, Paulo Praça e Sónia Tavares, esta última membro do The Gift e detentora de uma voz grave, de matizes líricas, que ecoa fundo nas músicas. A caprichadíssima produção do disco, a cargo de Nuno Gonçalves, também membro do The Gift, mistura o transbordamento luxuoso de arranjos orquestrais com o sutil experimentalismo de elementos eletrônicos. É o caso exemplar de “Abandono”, que com um andamento acelerado de bateria, acordes marcantes de piano e várias camadas de vocais é mergulhada em sintetizações espiralantes e em um arranjo de violinos incessante e vertiginoso. “Grito”, que é iniciada com uma base suave de um bolero, mas em pouco tempo é inundada por um onda de violinos intensamente melancólica e dramática que é a combinação ideal à voz triste de Fernando e ao vocal de apoio de Sónia, e “Gaivota”, cuja melodia pomposa devido à programação e acordes de piano espalhados pela canção vai crescendo paulatinamente e ganha um acabamento cada vez mais épico pela orquestração farta, pela percussão em tom marcial na ponte sonora e pelo arranjo escandalosamente cinematográfico de cordas, são também faixas que aliam camadas sinfônicas com intervenções eletrônicas sutis.
Há, porém, momentos em que um elemento sonoro sobressai na melodia, como em “Formiga Bossa Nova”, famosa neste lado do Atlântico na voz de Adriana Calcanhotto, que apesar de não ter ganho dos portugueses uma versão tão lúdica quanto a da brasileira, recebeu um tratamento modernoso e upbeat, cujo ritmo sutilmente swingado da percussão eletrônica e do solo de trompete é salpicado por ruídos, distorções e iluminuras sonoras que aquecem a melodia. Já na belíssima versão de “Medo” acontece o oposto: é a veia sinfônica do álbum que se projeta dona da melodia, acompanhando a espetacular interpretação teatral do vocal de Sónia, que se debulha em sofrimento para fazer frente ao arranjo orquestral inacreditavelmente impecável da London Session Orchestra.
Mas é talvez a sensibilidade na seleção das faixas a grande sacada deste projeto português, como bem se percebe na abertura e fechamento do álbum do grupo: enquanto a suntuosa versão de “Fado Português” apresenta ao conhecimento dos ouvintes uma das prováveis origens deste gênero musical, que dizem deter em si tanta melancolia e nostalgia porque foi criação daqueles que lançaram-se aventureiros ao mar há tantos séculos atrás para desbravar os oceanos, “Foi Deus” fecha o disco chorando admirada as belezas do mundo e divagando sobre a melancolia do fado em uma melodia elegante, que inicia calma e balanceada com o vocal de Paulo Praça e avoluma-se repentinamente ao ser tomado pela extensão do vocal esplêndido de Sónia Tavares e ganhar o peso do arranjo orquestral soberbo que encerra o disco majestosamente.
Muitos em Portugal, em sua maioria fãs de Amália Rodrigues, torceram o nariz para o disco, isso quando não fizeram questão de vociferar toda sua ira por considerar uma heresia regravar deste mito da música portuguesa. A revolta faria algum sentido se o projeto não tivesse respeitado a essência original das canções e resultasse em um apanhado de covers equivocados e de mau gosto, mas não é este o caso de Amália Hoje, que consegue preservar a aura do fado mesmo embalando as canções em uma produção requintada e instrumentalmente rica – o resultado, claro, é gritantemente pop, mas isso nunca vai ser um defeito quando é de bom gosto, não?

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a dica da banda foi dada pelo leitor raukai – levou 10 meses, mas eu resenhei, viu?

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Yoav – Charmed and Strange. [download: mp3]

Yoav - Charmed and Strange

Conheço o disco de estréia do cantor e compositor israelense Yoav desde que foi lançado, mas como acontece com alguns discos e alguns artistas, Charmed & Strange foi relegado à um repouso por tempo indeterminado em minha biblioteca de música. Quando isso acontece, revisito descompromissidamente o álbum de quando em quando até que ele atinja um nível aceitável de simpatia. Claro que às vezes isso simplesmente não ocorre, e o destino do disco é o irremediável descarte, mas se insisto por um longo tempo, neste caso praticamente dois anos, é porque sei que a hora certa vai chegar.
A música criada pelo rapaz moreno com rosto de traços rudes e expressivos e voz juvenil é predominantemente acústica, em grande parte armada tão somente sobre guitarra e violão. Normalmente, a limitação de um músico à estes instrumentos invariavelmente enquadra sua produção dentro dos domínios do folk, mas nas mãos desse cantor dotado de uma destreza e flexibilidade impressionantes no manejo deles e, principalmente, dono de uma grande criatividade, ela não se contenta em permanecer dentro das fronteiras deste gênero: usando e abusando das alterações obtidas por pedais, Yoav engendra loops e beats tanto no dedilhar das cordas quanto tirando proveito do corpo dos instrumentos, fazendo as vezes de bateria e percussão batendo com as mãos – o resultado é uma música que emana um fulgor que na vertente acústica dificilmente seria obtido por apenas uma pessoa em um estúdio ou palco, já que em suas apresentações ao vivo o rapaz repete, em real-time, grande parte dos procedimentos. A faixa de abertura, “Adore Adore”, deixa nítido o que ele é capaz de fazer com sua técnica, já que tanto a batida que cresce ligeira quanto os toques precisos que o cantor arranca de sua guitarra, tão cortantemente amargurados quanto o seu vocal melancólico, impressionam sem muito esforço. E se a primeira música não for suficiente pra mostrar a versatilidade do cantor com sua guitarra e pedais, da segunda, “Club Thing”, isso não passa despercebido: introduzida por um beat marcadíssimo e sutilmente dançante e entoada em um registro vocal que alterna entre a voz macia e um falseto delicado, Yoav vai encorpando a melodia com a alquimia dos seus riffs, live loops e toques em sua guitarra e violão até fazer surgir uma mistura de pop e rhythm’n blues que ferve com uma soturna sensualidade. Isso, não significa, porém, que o compositor omita de suas criações a utilização de instrumental de apoio, como pode ser visto na discreta sintetização ao fundo em “Sometimes…”, que tem como destaque o beat curto e veloz que o cantor arranca do violão enquanto seus toques em segundo plano nas cordas fazem a melodia brilhar com luminosidade e calor, e em “Wake Up”, cuja batida e acordes tão característicos do estilo acústico do cantor arrastam-se em marcha até serem encorpados e continuamente acompanhados por uma sintetização de cordas que potencializa a enorme beleza da melodia. Mas mesmo resumindo-se ao seu pequeno arsenal, o cantor consegue mergulhar em ritmos e influências: “There Is Nobody”, por exemplo, tem a sutilíssima fragância do pop europeu dos anos 90 tanto na sua metade inicial, feita de acordes secos e ásperos sobre o ecoar de um pulso bem marcado, quanto no sua última parte, um intenso cavalgar mais melódico de riffs e uma batida mais consistente que nas mãos de um bom produtor de música eletrônica certamente seria convertida e uma faixa inusitadamente dançante, como aquelas feitas à época. Contudo, provavelmente é a angústia e melancolia palpáveis de “Beautiful Lie” que a põe como a melhor faixa deste primeiro disco do cantor isrealense: introduzida pelos acordes espaçados da guitarra que reverberam enquanto o cantor lança sua bela voz, a canção tem mais da metade de sua duração constituída de um vibrante solo harmônico de guitarra, feito de toques breves, ligeiros e virtuosos, que expande-se em uma harmonia de exuberante emoção. E pra quem está pensando que o rapaz só gosta de exibir-se virtuoso, o tradicionalismo das notas suaves, simples e discretas da triste balada “Angel and the Animal” comprovam que ele sabe compor dentro do estilo pop/rock mais clássico, o que também, espertamente, serve como “respiro” para não cansar o público em meio à quase um álbum inteiro de experimentações percussivas e acústicas – ufa!

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Mates of State – Crushes (The Covers Mixtape). [download: mp3]

Mates Of State - CrushesVendo o casal de cantores americanos que compõe a dupla Mates of State fazendo biquinho na capa do seu disco de covers, a impressão mais imediata não é exatamente relacionada à um sentimento de confiança e credibilidade, mas a sensação que acompanha esta, de que o disco envereda descaradamente pelo pop rasgado, não está errada – e a foto escolhida não tenta esconder isso, pelo contrário. Vencendo, porém, a resistência deixada por essa impressão, o público vai descobrir que as versões elaboradas por Jason Hammel e Kori Gardner, que entraram também pela primeira vez na produção do lançamento, concedem às faixas uma jovialidade extraordinária e um clima de contentamento irrefreável – é quase herético, por exemplo, o modo como o melancólico folk-country de Tom Waits em “Long Way Home” foi subvertido sem pudor em uma faixa festiva, literalmente um “yeah-yeah-yeah” esfuziante recheado de riffs caudalosos de guitarra e salpicado por trompetes gloriosos, ou então como em “Son Et Lumiere”, faixa-intro do primeiro álbum do The Mars Volta, trocou-se guitarras por pianos e teclados, revertendo a escalada de suspense original em um trotar delicado que lança-se ao sabor do arranjo de metais e backing vocal celestial. Fleetwood Mac também foi alvo dos pombinhos em “Second Hand News” que teve a sua aura upbeat não apenas preservada, mas consideravelmente ressaltada no arranjo que borbulha sintetizações crispantes e toques cálidos nos teclados. Em “Love Letter” a dupla se livrou da belíssima orquestração de cordas e do piano da versão original e, inevitavelmente, substitiu o vocal imponentemente melancólico de Nick Cave por um dueto que investe em um registro mais calmo e adocidado, acompanhando a melodia crivada de órgãos de tonalidades tão confortantes quanto uma morna noite de primavera. “Technicolor Girls”, de autoria de Death Cab for Cutie, teve a sua simplicidade acústica transposta para um pop de irresistível delicadeza marcado pelo lirismo do backing vocal que pontua brevemente a canção e pela meiguice dos teclados e xilofones que espocam por toda a música. Abrindo o disco, “Laura”, música dos californianos da banda Girls, e fechando-o, “True Love Will Find You in the End”, do compositor marginal Daniel Johnston, também ganharam banhos melódicos que, em ambos os casos, só fez bem as músicas: a primeira perdeu todo o ranço de banda indie da esquina e vestiu-se em scratches de disk jockey e teclados e sintetizações redondinhos, ganhando até direito a um gracejo do casal na letra da canção; a segunda teve o caráter embaçado de folk-rock-gravado-em-K7-Basf magneticamente apagado pelo beat pop saltitante e pelo ukelele e piano elétrico de acordes afetuosos da dupla.
Por uma contradição que so é possível no tempo das facilidades da hiperconectividade, o pop de ontem é o alternativo de hoje e, assim sendo, música como essa que a dupla fez seria em outras épocas muito mais popular por conta desta despretensiosa autenticidade que afasta qualquer menção à profundas – e infundadas – ambições artísticas, coisa tão em voga nos top-ten de MTVs e estações de rádio de hoje em dia. Mas não existe drama: essa mesma hiperconectividade é responsável por esse infindável mundo de opções que temos hoje pra nos salvar dos embustes pop que nos atacam sem piedade – porque, convenhamos, leituras histórico-sociológicas em videoclipe dirigido por uma diva fashionista é uma coisa difícil de engolir.

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Goldfrapp – Head First. [download: mp3]

Goldfrapp - Head FirstA sonoridade obscura e complexa do disco Felt Mountain, que deu partida na carreira da dupla Alison Goldfrapp e Will Gregory, e a musicalidade lambuzada de todas as possíveis combinações do eletrônico com o pop, adotada por eles nos dois discos posteriores – Black Cherry e Supernature -, ganhou seu meio-termo nas melodias de contornos sutis entre o folk e o eletrônico do álbum Seventh Tree, lançado em 2008, servindo assim como um resumo do que a dupla já tinha produzido até então. Sem muito o que inventar no seu campo de atuação musical, os dois resolveram voltar os seus olhos (e ouvidos) ao passado, buscando nos anos 80 a inspiração para o novo disco, Head First. Inspiração é até um termo um tanto inexato, já que o disco cai de cabeça no estilo dominante do pop daqueles já distantes anos. Isso é pra lá de perceptível já na abertura do disco, “Rocket”, (já comentada por aqui), por conta dos volteios caudalosos dos sintetizadores e o beat comportado escandaradamente surropiados dos grandes hits da época. O artifício prossegue sem receios em “Alive”, porém aqui, além do groove pop e dos teclados cintilantes, há também a participação de acordes de piano e riffs de guitarra e baixo que bem poderiam ter servido de trilha para aqueles filmes em que os jovens da época enfrentavam os obstáculos mais tolos para só então perceber que o amor morava o tempo todo ao lado. “I Wanna Life”, mais ao final do disco, também fica na minha cabeça como soundtrack de sessão de cinema de sábado, mas a programação mais reflexiva das sintetizações, cheia de claps marcantes, e o vocal mais contido, com refrão marcado pela título da canção, me soa mais como aquelas sequências que preparam a “virada” do protagonista de um daqueles romances urbanos que mostram a busca da felicidade e do sucesso. Fazendo um pouco diferente, “Dreaming” sai um pouco do 80’s americano e envereda por uma programação eletrônica e sintetizações mais harmoniosas que caem nos ouvidos lembrando a combinação de ambientação e cadência sutilmente dançante matadora da New Wave européia – pense em algo feito há muito tempo por Depeche Mode e você vai ter idéia do que se trata. Os toques doces e nostálgicos de piano voltam para dar partida à faixa-título do disco, “Head First”, apoiados por ondas de sintetizadores e vocais tingidos da primeira a última nota nas harmonias que tanto se ouvia na frequências das FMs. Apesar do banho de atmosfera vintage, há em uma ou outra canção um certo vento de contemporaneidade, já que a batida quente que pulsa como base para a melodia, os samplers e loops que pontuam o refrão, a sintetizações que inundam a ponte melódica e o vocal aveludado à meia-voz de Alison em “Shiny and Warm” vibram na tonalidade inconfundível da sonoridade que lançou a dupla britânica à notoriedade tanto no segundo quando no terceiro álbum.
Agradável aos ouvidos nos primeiros contatos, um disco que se traveste com tanta firmeza com um som tão datado e não insere suficiente caráter de contemporaneidade corre o risco quase certeiro de cansar com o passar do tempo. Isso não ocorreria por ausência de qualidade, já que não é o caso, mas apenas porque a música que serve de referência tem uma identidade muito forte, fazendo quem ouve Head First se questionar se não seria melhor folhear o passado logo de uma vez e ouvir aquilo tudo que serviu de fonte para o duo Goldfrapp neste álbum. Mas mesmo que o déjà vu sonoro da dupla tenha essa consequência, o simples fato de jogar alguma luz para os ouvintes de hoje sobre a música da década de 80 já um fato bastante positivo. Apesar de considerado por muitos um período artisticamente fraco, se comparado com o que temos hoje, mesmo aqueles hits grudentos e batidinhos que ouvíamos tanto são um bálsamo para os ouvidos – e mesmo para o cérebro.

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Sarah Blasko – As Day Follows Night (+5 faixas bônus). [download: mp3]

Sarah Blasko - As Day Follows NightA australiana Sarah Blasko gosta de cercar suas canções em discos com forte identidade sonora. Foi assim na sua estréia fabulosa, com o pop/rock vibrante e poético de The Overture & The Underscore, e também no esplendoroso disco seguinte, What The Sea Wants, The Sea Will Have, que verteu uma melancolia com timbres metálicos, além da tecitura marítima que sugere o título. Para o seu terceiro lançamento, porém, Sarah resolveu deixar a terra natal e rumar para bem longe, almejando ares ainda mais diversos para seu novo álbum. A Suécia e o produtor Bjorn Yttling, do trio Peter, Bjorn and John, foram respectivamente as escolhas para ambiente e parceria na concepção do disco. E foi por conta da companhia e influência do músico sueco que a maior parte da energia algo elétrica que caracterizou a música da cantora australiana nos seus dois primeiros lançamentos acabou desaparecendo, cedendo lugar a arranjos mais macios, algo que se reflete inclusive no vocal da cantora, notadamente entoado em um matiz de diferente suavidade que encobre os versos de um caráter nostalgicamente menlancólico. Por conta disso, acostumado que estava com a identidade da cantora até então, estranhei imensamente este caminho sonoro um tanto diverso, e assim releguei o disco ao limbo da minha coleção de música, aguardando por meses o momento certo para reavaliá-lo.
E como já aconteceu antes, ao descobrir a beleza de uma única música acabei encontrando o caminho certo para outras: foi a elegância e sutil sensualidade exalada pelo groove suavemente jazzístico da percussão e piano de “Bird On A Wire”, a ondulação radiante do arranjo de cordas e o vocal sublime de Sarah que inicitaram finalmente meu encanto por outras faixas do disco. A partir daí, entendi que o talento da cantora e compositora, apesar de consideravelmente alterado, não foi desperdiçado, já que há sim belas faixas distribuídas pelo disco, como a batida hipnótica da bateria, percussão, piano e baixo de “No Turning Back”, reforçada por sopros graves e de fluxo breve, todos a certa altura evadidos por violões e backing vocals telúricos na ponte melódica da canção. “We Won’t Run”, de compasso bem marcado pela bateria, salpicada por delicados toques ao piano durante o refrão que é pontuado dramaticamente pelo ressoar dos pratos e cuja melodia encorpa-se pelo arranjo de cordas que avolumam sua base, exibe enorme graça e suavidade e ilustra com perfeição o novo estilo vocal incorporado pela cantora neste álbum. “All I Want”, conduzida pelos acordes sutis no violão e pela bateria em andamento quase fúnebre, conjuga cordas, sopros e um temerim para evocar uma marcante atmosfera de quimera. “Lost & Defeated” prossegue vagueando em devaneio sonoro sustentado pelo dedilhar das notas de um piano taciturno que pontua a música, feita de violões e percussão sutis e firmes e aos poucos ocupada por cordas e sopros que intensificam a sonoridade de delírio errante. Com uma percussão e violões de toques curtos, mas em franca cadência lúdica e gracejante, ressaltada pela tonalidade jovial do xilofone e do vocal de Sarah, “Over and Over” quebra um pouco esta tonalidade idiossincrática do disco, ainda que partilhe algo dela por fazer uso de instrumentação semelhante. Por sua vez, “I Never Knew”, o lamento de alguém que dolorosamente entende o bem que trará o fim de seu relacionamento, vagueia por um doce romantismo, ilustrado pela vibração suave do violão e da percussão, que flutuam ao fundo com brandura, e que é brevemente assinalado no seu trecho final por um vocal e cordas mais ardentes até ser novamente revertido na ternura melódica que é sua marca mais evidente.
Mas ao que parece, Sarah não atravessou oceanos, mares e continentes para deixar qualquer desejo, por mais extravagante que parecesse, sem ser atentido. Ocupando-se da composição de todas as músicas deste As Day Follows Night, já que dispensara a parceria do ex-companheiro Robert Cranny, Sarah Blasko achou por bem também alimentar a sua faceta de intérprete. Louca por cinema e adoradora de musicais, teve a belíssima idéia de selecionar canções dos que mais adora, como “A Noviça Rebelde” e “Cabaret”, para compor uma disco bônus do álbum. Deste segundo disco, batizado de “Cinema Blasko”, apenas uma música não é oriunda de um musical, tendo sido retirada de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, clássico dirigido por Woody Allen nos seus bons tempos de cineasta. As que resultaram nas melhores, porém, são as que eram as mais rasgadamente pop das cinco que compõe o disco: em interpretações intimistas, que não vão além de piano e voz, Sarah encobre “Out Here on My Own” (originalmente cantada por Irene Cara no musical “Fame”) de renovada camada de emoção e desnuda “Xanadu” (deliciosa na primeira versão pela voz de Olivia Newton-John no filme homônimo) de toda a sua cintilação setentista, pluralizando a sensibilidade de suas letras e melodia.
A mudança no estilo certamente não era necessária, mas é sempre bem-vinda. Faltou apenas acertar um pouco mais o “fuso-horário artístico” na viagem entre Oceania e Europa, já que a adoção desta nova musicalidade, que centra-se em uma ambiência mais apoiada em percussão e piano, também rendeu algumas composições um tanto frias e aborrecidas. Isso, porém, não reduz a força do seu maior êxito: o amálgama gracioso da acusticidade dos arranjos com o timbre nostálgico adotado por Sarah ao cantar suas novas composições na longínqua escandinávia. E quem aí não sabia que o velha Europa ainda tem charme suficiente para encantar o novo mundo?

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Goldfrapp – “Rocket” (single + 1 faixa). [download: mp3]

Goldfrapp - RocketE nesse mundão lindo de internet nem um dia se passa sem algo cair inadvertidamente na rede – algumas vezes até intencionalmente – e ser infinitamente multiplicado e distribuído. Alison Goldfrapp até pediu desculpas – precisa não, benzinho – no seu blog oficial, mas disse que o vazamento do single “Rocket”, parte do seu futuro novo disco, “Head First” não foi intencional e não poderia ser evitado. E é bom guardar as desculpas para os dias que virão, porque mais uma faixa, “Believer”, acaba de chegar aos ouvidos dos internautas. Mas, apesar de toda a nostalgia da dupla britânica, pessoas da contemporaneidade que ambos são já sabem muito bem que não adianta lutar contra a rede.
Falando em nostalgia, não saberia dizer se eles já foram mais nostálgicos, mas “Rocket” e “Believer” com certeza bebem na nostalgia dos anos 80: são tsunamis de sintetizações, toneladas de camadas de vocais e uma chuva de cintilações sonoras. “Believer” tem mais a cara dos trabalhos anteriores da dupla, e considero esta a mais fraca das duas, com uma música um tanto repetitiva, mas “Rocket” tem uma melodia pop que não faria feio combinada com aquelas dancinhas coreografadas bem soft dos musicais de cinema da época que cansamos de ver na Sessão da Tarde. Ouçam o início da faixa e me digam se Olivia Newton-John não mandou lembranças, disse que tá tudo muito “Magic” mas que essa coisa meio “Xanadu” da capa do disco é de propriedade dela? Falando na capa, mas me referindo à esta do single ao lado, eu sei que o glow nas mãos e nos pés é intencionalmente “photoshópico”, que esse raio só pode ter saído de algum canto de “Star Wars” e que essa paisagem parece ter sido retirada de uma das fases do jogo “Enduro” do saudoso Atari, mas a cereja do bolo é o combo pose de heroína de gibi + macacãozinho cor-de-rosa, heim? Isso tá bem “mamãe, acreditei!”

“Rocket” + “Believer” (clique!)

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