Em um futuro onde a civilização pereceu, um robô defronta-se com criaturas perigosas (e familiares) nas ruínas de um subúrbio.
Totalmente produzido utilizando o popular aplicativo de código-aberto Blender, assim como o premiado longa-metragem letoniano “Flow”, este curta de 2024 escrito e dirigido pelo belga Cyril Vrancken utiliza-se de uma temática há décadas incansavelmente explorada pelas produções audiovisuais – a extinção dos alicerces da civilização devido a contaminação em massa de seres humanos que os converteu em alguma monstruosidade irracional. Apesar de ter nitidamente se inspirado em aspectos essenciais do enredo do clássico livro “Eu Sou a Lenda” (mais popularmente conhecido pela adaptação cinematográfica de 2007 estrelada por Will Smith), Vrancken dá sua pequena e singular contribuição ao subverter o ponto de vista da trama para um robô em sua rotina de vigilância através do mundo arruinado, decisão que afasta a produção de ser apenas mais uma entre as inúmeras que acumulam-se tratando do tão batido “apocalipse zumbi”: ao invés de enxergarmos esta realidade sombria através dos olhos destroçados e dessensibilizados de um homem emocionalmente abalado pelo declínio da sua espécie, temos o inusitado e inesperado aturdimento emocional de um andróide que normalmente teria um olhar frio e indiferente ao realizar sua rotineira eliminação de ameaças biológicas – uma decisão inteligente que assegura o impacto do pequeno filme no espectador.
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Ao se depararem com um imenso cânion, dois amigos viajantes decidem enfrentar o que é aparentemente impossível.
Lançado há dez anos e financiado em parte com uma campanha de crowdfunding no Kickstarter, o curta-metragem de dez minutos de autoria desse trio de artistas franceses é impecável em todos os seus aspectos. Artisticamente, o vídeo esbanja beleza visual com uma textura e fotografia primorosas que lembram uma pintura; com relação a trilha sonora, o filme também é um deleite sonoro ao trazer uma fantástica composição original do casal de músicos Dan Cullen e Deryn Cullen; no que tange aos personagens, que dividem-se entre a dupla de amigos protagonistas e uma vila de camponeses que acompanha de perto o desafio dos dois rapazes, todos conseguem cativar a simpatia do espectador mesmo com toda a brevidade da obra; e com relação ao enredo, simples e praticamente sem recorrer a falas, apoiando-se tão somente na expressão do personagens para transmitir emoção, é um conto encantador sobre a força da amizade e a importância da fraternidade diante de obstáculos aparentemente insuperáveis – o final, que ilustra o sacrifício muitas vezes necessário para que a jornada não se interrompa, é de partir o coração, mas profundamente tocante.
Um dinossauro de crochê comete o maior de todos os sacrifícios para salvar a vida da raposa que ama.
Com o uso da clássica técnica de stop-motion, aplicada com primazia em cada detalhe, desde a ondulação da água até o desnovelar dos bonecos, e o apoio de uma trilha sonora que alterna com eficiência entre excitação, euforia e delicadeza, os diretores Andrew Goldsmith e Bradley Slabe trazem, em uma animação de pouco mais de 7 minutos, um dinossauro e uma raposa de crochê em uma pequena história que explora humor, ternura e amor com a eficácia que alguns longas-metragens não conseguem obter em duas horas de duração com o emprego de elencos milionários. Ambientado em um restaurante japonês que foi especificamente criado para servir de cenário para o curta, a conclusão deste singelo filme é de cortar o coração, mas é igualmente um retrato da resiliência e devoção do amor incondicional.
Um homem, já com certa idade e que vive em um desetto, persiste em buscar água para regar uma planta aparentemente sem vida já há muito tempo.
Este pequeno curta de seis minutos e meio, criado por um jovem artista chinês e outro jordaniano, não reinventa a roda, já que aos dois minutos de duração sem tem claramente idéia do que virá a seguir. Sua previsibilidade, no entanto, não se constitui em um defeito, pois é tão somente parte de sua dinâmica que não diminui em nada seu maior trunfo: a emoção. Com uma premissa e traços simples, os dois jovens artistas conseguem, de modo poderoso em um vídeo tão pouco ambicioso, captar uma emoção tão universal e profunda à vida humana que é provável que o espectador se pegue com os olhos cheios d’água no seu final.
Um homem que sofre de um transtorno de ansiedade ganha repentinamente uma indesejada e insólita companhia.
Utilizando a técnica de stop-motion em um curta de pouco mais de dez minutos, a dupla de diretores Anna Mantzaris e Eirik Grønmo Bjørnsen aborda com muita leveza, humor e sensibilidade a fobia social, um dos transtornos de ansiedade mais debilitantes. Os personagens, criados com um design bastante original, quase não fazem uso de falas, mas elas se fazem desnecessárias, uma vez que o enredo do curta-metragem está baseado em interações tão simples e cotidianas que não apenas fica fácil entender o que está acontecendo, mas consegue eficientemente aproximar o espectador dos conflitos vividos pelo protagonista vítima de um transtorno psicológico. O grande charme da animação, aliás, reside na interação entre este homem e a criatura fofinha, mas tão comicamente impertinente que, afrontando e testando o limite de seus receios, acaba o auxiliando a ousar fazer o que jamais conseguira antes.
O curta-metragem de animação do húngaro Gergely Wootsch, que conta com as vozes dos atores Bill Nighy e Stephen Mangan, não é a história feliz de um velhinho e um pássaro – a começar pelos personagens, que são, na verdade, um cadáver ambulante e um pombo rejeitado -, mas tem suas pitadas de humor em alguns instantes dos seus pouco mais de oito minutos. O estilo da animação, que remete aos primeiros experimentos de Tim Burton no gênero e aos clássicos filmes de terror em preto-e-branco, casa perfeitamente com a tonalidade da história que, se tem muito de melancólico, devo dizer que também é concluída com um soluço de esperança e conforto.
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