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Sete Ventos Posts

Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (single) [download: mp3]

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026)

Passados nove anos do último disco (e do trabalho na trilha sonora do enfadonho “Emília Pérez”), a francesa Camille Dalmais retorna em setembro com The Sound of Milk, um projeto que construiu lentamente ao longo de mais de uma década e que reflete sobre o íntimo de sua vida familiar.
Deste álbum, a artista lançou um single com três faixas que adiantam um pouco o espírito do disco. A primeira faixa, “Si Tu Souris Aux Anges” traz a mesma sonoridade orgânica que a francesa lapidou com tanto cuidado ao longo da carreira, com baixo e percussão formando um tecido acústico sobre o qual Camille canta suavemente, como numa canção de ninar, mas no refrão, onde Camille fala à filha sobre a importância de sorrir, vocal e instrumentação se entrelaçam em um andamento mais lúdico, como em uma dança. Na faixa seguinte, “No Miracle”, Camille envereda por um caminho menos tradicional, dispensando refrão e apoiando-se em pouco mais que baixo e percussão esparsos para sobrepor vocalizações serenas enquanto divaga sobre a beleza de manifestações da natureza e reforça, como mantra, o amor pelos filhos. Na última canção, “La Terre”, o vocal da cantora apresenta-se inicialmente em um registro sintético, um tanto robótico, mas tão logo a delicada melodia orquestral surge, a voz de Camille reaparece em seu estado natural, em uma ode ao planeta, aos elementos e às estações, e prossegue deste modo até que seu canto se torna a única presença, em uma vocalização etérea que fecha a canção com um banho de luz celestial.

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026) post 01
As 3 canções delicadas de sonoridade em grande parte acústica adiantam a atmosfera do novo disco

A julgar por essa prévia musical, esse promete ser um disco que conjuga elementos de vários trabalhos anteriores da artista – o experimental de Le Fil, o orgânico de Ilo Veyou, o artesanal de Ouï –, todos conectados e encobertos por uma atmosfera telúrica e intimista que reflete a temática do projeto. Não é uma tarefa fácil, pois corre-se o risco de o projeto, que divide um total de 29 faixas em 3 discos (uma delas com 32 minutos de duração), soar monótono e pretensioso. Porém, Camille já demonstrou ao longo da carreira não ter receio de ousadias, mesmo que às vezes esse espírito indomável a conduza a resultados irregulares, como ocorreu com o álbum Music Hole — vamos torcer para que isso acabe não acontecendo desta vez.

Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

Ouça (Deezer):

Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

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Common People – “Blue Eyes” (single) [download: mp3]

common people - blue eyes (single, 2026)

Common People foi formada há poucos anos quando seus membros se conheceram na faculdade do sul da Califórnia. Ao se aventurarem no cenário musical, acabaram cruzando o caminho do guitarrista Brad Schultz, membro da banda Cage The Elephant. Brad gostou da sonoridade do grupo, e deste modo tem apoiado os garotos produzindo alguns dos seus singles e colocando-os como uma das primeiras bandas do selo musical que criou, Parallel Vision. É com esse suporte artístico que Common People lançou o mais recente single — e a canção sugere que os rapazes talvez já estejam encontrando o seu norte.

common people - blue eyes (single, 2026) post 01
A banda Common People traz no single um rock lânguido e sensual com rompantes de furor indie

Introduzida com guitarras de acordes lânguidos e baixo sutil sobre a bateria bem marcada, o vocal suavemente grave e rouco de Nick Winegardner exala segurança e uma tênue sensualidade para falar de um romance que simultaneamente o frustra e fascina. O paradoxo emocional sublima-se no refrão, quando a profusão de guitarras segue a bateria rápida e densa sob o vocal firme do cantor, materializando toda essa insatisfação, mas ao cantar sobre “aqueles olhos azuis”, fica claro que a desilusão aparente não sobrevive ao desejo que alimenta esta dependência emocional. A julgar pela sonoridade bastante polida e pela melodia confiante desta nova canção, felizmente a relação do grupo com o “padrinho” Brad Schultz aparenta ser muito mais saudável e frutífera.

Common People – “Blue Eyes” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Common People - Blue Eyes (Single) - 2026
Common People - Blue Eyes (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Common People - Blue Eyes (Single) - 2026
Common People - Blue Eyes (Single) - 2026

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Marina Lima – “Acontecimentos” (single) [download: mp3]

marina lima - acontecimentos (single, 1991)

Com o seu disco de 1991, a cantora brasileira Marina Lima passou a incluir seu sobrenome em sua alcunha artística, e foi apenas com a sua nova “marca” que batizou esse lançamento. A alteração não foi acidental, sinalizando uma mudança visível na sonoridade de suas canções, que ganharam ares mais sofisticados.

marina lima - acontecimentos (single, 1991) post 01
“Acontecimentos”, de 1991, é um pop/rock dos mais sofisticados de Marina Lima e do irmão Antônio Cícero

É o que demonstram os acordes reflexivos da guitarra, a cadência comedida da bateria e a cintilância serena das sintetizações do single “Acontecimentos” (escrito em parceria com o irmão Antônio Cícero), que envolvem o saudosismo e inconformismo de versos como “me diz por onde você me prende, por onde foge, e o que pretende de mim” com a mesma maturidade e sobriedade do vocal imbuído de indignação e melancolia da cantora carioca.
Com canções refinadas como esta, Marina e seu irmão passaram a trazer para o pop/rock brasileiro uma musicalidade singular, concebendo uma elegante contemporaneidade que marcou a sonoridade de uma década, ao mesmo tempo que permanece ainda hoje imaculadamente atemporal.

Marina Lima – “Acontecimentos” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991
Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991

Ouça (Deezer):

Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991
Marina Lima - Acontecimentos (Single) - 1991

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Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (single) [vídeo, download: mp3]

sinead o'connor - chiquitita (single, 1998)

A irlandesa Sinéad O’Connor ganhou projeção internacional em 1990 com sua versão de “Nothing Compares 2U”, originalmente composta por Prince para sua então banda The Family. O impacto da interpretação da irlandesa foi imenso, transformando a canção em ícone da história do pop/rock e causando rejeição do autor original. No entanto, esse não foi o único cover feito pela artista: durante sua carreira, Sinéad regravou canções de diversos outros artistas e em diferentes gêneros, indo de musicais até o reggae. Porém, uma das suas interpretações mais radiantes, de uma composição da banda sueca ABBA, é quase desconhecida.
Sinéad trouxe em 1998 uma versão luminosa de um dos maiores hits do ABBA
Gravada e lançada originalmente em 1999 como parte do álbum beneficente Across The Bridge of Hope (em suporte às vítimas do ataque a bomba de 1998 na Irlanda da Norte), a “Chiquitita” de Sinéad inicia com os mesmos acordes doces e melancólicos do violão que caracterizam tão bem a versão original, mas logo é tomada por uma instrumentação mais contemporânea, em uma produção onde a programação de teclados, a bateria e o baixo formam um rio denso por onde a voz luminosa da cantora irlandesa navega ao mesmo tempo meiga e confiante.

No videoclipe que promoveu a canção, a diretora Sophie Muller consegue preservar essa atmosfera cintilante e madrigal, mas vai além: ao colocar a irlandesa para cantar em uma cozinha preparando a mesa para o chá, referenciando a câmera com gestual amistoso, Muller dá visibilidade para as letras da música, trazendo um ambiente caseiro onde Sinéad pode incorporar com perfeição uma confidente que tenta passar segurança e conforto para a amiga. É lamentável que tenhamos perdido há alguns anos a artista irlandesa, mas felizmente Sinéad foi generosa o suficiente para nos ofertar uma variedade enorme de canções onde nos deixou seu maior presente: a sensibilidade com a qual assinou todas as músicas onde deixou a sua voz.

Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (Single) [mp3] Deixe um comentário

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (single) [download: mp3]

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009)

Liderado pelo britânico Antony Hegarty, que há vários anos passou a adotar o nome Anohni, o grupo Antony And The Johnsons surgiu no final dos anos 2000 trazendo um amálgama requintado de diferentes gêneros como música clássica, rock alternativo, jazz e soul envoltos em um vocal de tonalidades andróginas, como o próprio Antony/Anohni, transitando com enorme desenvoltura entre registros mais intimistas diretamente para expressões mais operáticas e teatrais.
Exemplo da enorme versatilidade e da fusão de gêneros promovida pelo trabalho do artista e sua banda é o single de duas faixas lançado em 2009 para promoção do disco The Crying Light. “Aeon”, a faixa retirada diretamente do álbum, é introduzida por uma harmonia de piano e harpa que sugerem uma atmosfera erudita, mas ambos são rapidamente substituídos por guitarra e baixo entornados em um indie rock de riffs ondulantes que se sobrepoẽ a uma base orquestral sutil, compondo assim um todo cíclico no qual o vocal de Antony versa entre a fragilidade delicada e o clamor determinado.

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009) post 01
Antony and The Johnsons não poupa nem Beyoncé do seu banho de requinte sonoro

Na segunda faixa, o artista inglês ousa ainda mais ao desconstruir sem pudores o hit “Crazy in Love”, de Beyoncé: originalmente um pop extravagante e ruidoso, aqui a canção é recomposta em uma melodia exclusivamente orquestral na qual harpa, cordas e metais mesclam-se lentamente um finíssimo véu de melancolia que encobre o vocal sofrido e suplicante de Antony em uma música romântica e misteriosa que se enquadraria com perfeição como trilha de um clássico drama vitoriano de James Ivory ou Franco Zeffirelli. Ainda que devido ao arrojo e versatilidade de composições como “Aeon”, não seria de todo estranho vê-lo adentrar a cena de um filme, destemidamente cantando sua canção em corpo presente.

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

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Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

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Beck – “Ride Lonesome” (single) [vídeo, download: mp3]

beck - ride lonesome (single, 2026)

Influenciado pelo seu estado de espírito após o término com sua então noiva, Beck mudou a percepção pública de sua música ao lançar Sea Change em 2002, um álbum introspectivo e melancólico que conquistou fãs e público com suas composições de base acústica com uso de harmonias orquestrais. O artista voltou a revisitar o estilo em 2014 ao produzir ele mesmo Morning Phase, posicionando-o como sucessor espiritual do disco Sea Change ao ponto de buscar grande parte dos músicos que trabalharam nas gravações em 2002.

beck - ride lonesome (single, 2026) post 01
Com seu novo single, Beck retorna à sonoridade do country/folk melancólico de Sea Change

Passados doze anos, e contando com a mesma equipe e com o retorno do produtor Nigel Godrich (que não participou do disco de 2014), o americano foi mais uma vez tomado pelo espírito criativo com o qual concebeu os dois discos anteriores: seu novo single, “Ride Lonesome”, compartilha ainda mais a atmosfera de vulnerabilidade emocional de 2002 do que Morning Phase, trazendo o mesmo clima country/folk através de um violão consternado, bateria de toques lentos, guitarra melódica triste e vocais sobrepostos, abatidos e distantes.

O videoclipe da canção, gravado na região do deserto de Mojave e exibindo uma fotografia em matizes amareladas, utiliza como inspiração a atmosfera de vastidão e solidão de faroestes americanos como os de Budd Boetticher, cujo filme de 1959, Ride Lonesome, inspirou o nome do single. Entre campos de turbinas eólicas, árvores de Joshua, longas estradas e linhas de trem infinitas, o cantor caminha aparentemente sem destino, refletindo o estado de desolação e falta de rumo do homem que nas letras lamenta o fim do seu relacionamento. Como se observa nesta canção, felizmente o estado de espírito do personagem é oposto ao do compositor e cantor americano, que mostra nesse single ter ainda disposição criativa de sobra.

Beck – “Ride Lonesome” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026
Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026
Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005