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Interpol – “Iron City” (single) [download: mp3]

interpol - iron city (single, 2026)

Quando a banda americana Interpol lançou seu primeiro disco em 2002, foi logo agrupada por críticos e entusiastas da música no movimento denominado post-punk revival, então composto por bandas que em sua maioria nunca me arrebatou – incluindo a própria banda de Paul Banks. Com o passar do tempo, porém, grande parte dos grupos musicais e cantores promovem mudanças estilísticas (às vezes de forma até abrupta), e a banda de New York não é uma exceção, tendo lançado discos onde realizou modificações consideráveis na musicalidade que apresentava no início dos anos 2000. E a julgar pelo mais recente single do novo disco agendado para o final de agosto, a banda parece continuar interessada em experimentar sonoramente.
“Iron City”, cujas letras retratam alguém caminhando pelo Central Park enquanto dialoga imaginariamente com uma inteligência artificial futurística, apresenta uma atmosfera de ansiedade resignada, com um piano de toques longínquos, bateria precisa, baixo e guitarra contidos e teclados delicados e intimistas. O conjunto instrumental, unido ao vocal de Banks, que alterna entre fragilidade e reflexão, tece uma atmosfera distante e fria que reflete bem o dilema da permanência da experiência humana em meio à crescente predominância tecnológica.

interpol - iron city (single, 2026) post 01
A banda Interpol, agora com 5 integrantes, experimenta novas sonoridades sem abandonar o estilo que a consagrou

“This Mirror Weighs a Ton”, faixa título do disco que se aproxima, desacelera ainda mais, trazendo baixo, bateria, teclados e vocais de fundo que criam uma densa bruma downtempo através da qual a banda infiltra riffs distorcidos de guitarra, resultando em um proto-trip hop difuso e obscuro cujas letras refletem sentimentos imprecisos de pertencimento e permanência. Na última faixa do single que precede o novo disco, “See Out Loud”, a banda deixa de lado os exercícios sonoros e traz uma canção bem calcada na sonoridade pela qual é historicamente conhecida, com bateria e baixo impondo a velocidade da melodia enquanto as guitarras não deixam espaço para o silêncio, vertendo tanto harmonias ondulantes quanto riffs pulsantes que pontuam a faixa enquanto Paul Banks e Daniel Kessler cantam versos crípticos que tratam de inquietação e renúncia.
As três faixas de prévia não deixam dúvidas de que a banda está disposta a flertar sem receios com novas sonoridades, mas também afirmam que o Interpol não se propõe a abandonar o passado que a consagrou no cenário da música contemporânea. Em meio a tantas bandas e cantores que abandonaram sua musicalidade original e acabam até mesmo pouco lembrando a música que um dia produziram (Tori Amos, PJ Harvey e até mesmo Björk são exemplos disso), o grupo americano consegue agregar novos sons ao mesmo tempo que reafirma sem pudores sua origem – o que, infelizmente, muitos parecem não saber ser possível.

Interpol – “Iron City” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Interpol - Iron City (Single) - 2026
Interpol - Iron City (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Interpol - Iron City (Single) - 2026
Interpol - Iron City (Single) - 2026

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Gurriers – “Party Lines” (single) [download: mp3]

gurriers - party lines (single, 2026)

A banda Kasabian construiu uma forte identidade até meados da década passada, muito pela presença vocal do britânico Tom Meighan. Porém, após um episódio de violência doméstica contra sua noiva (que hoje é sua esposa), Tom foi forçado a deixar a banda. Passado o tempo, nem a banda e nem seu ex-vocalista conseguiram preservar a identidade que possuíam. No entanto, após ouvir o último single dos irlandeses do Gurriers (um sinônimo da gíria “chav” inglesa), podemos ter novos herdeiros deste caráter particular daquela era da banda Kasabian.

gurriers - party lines (single, 2026) post 01
Gurriers emula muito bem o som da primeira fase dos britânicos do Kasabian

Em “Party Lines”, faixa título do lançamento, fica cristalino o elemento que mais recorda a primeira fase do grupo britânico: o vocal entre petulante e confiante de Dan Gannon é assustadoramente semelhante àquele que Tom utilizava em sua época no Kasabian. Porém, a melodia também tem muito da era inicial da banda britânica, com guitarras em acordes ferinos, baixo firme e bateria determinada em um groove intenso e acelerado que expressa sonoramente a letra caótica sobre violência e miséria. A outra faixa, “Nobody’s Coming to Save You” ainda tem muito da atmosfera “kasabiana”, contando com o mesmo vocal arrastado e algo arrogante guiando o baixo bem pronunciado, os riffs fortes de guitarra e a bateria bem sincopada. O diferencial aqui é que em vários momentos da canção a massa instrumental chega a se sobrepor ao vocal de Dan Gannon. Apesar de toda a determinação do irlandês no microfone ao narrar confusão emocional e ceticismo existencial, há um nítido afogamento vocal que provavelmente é fruto do trabalho desenvolvido até então pela banda, mais aproximado do post-punk.
É nítido que a banda tem potencial para angariar públicos mais amplos, como o fez o Kasabian com maestria por vários anos, mas os rapazes precisam polir certas arestas melódicas, evoluir o trabalho sonoro para um patamar mais equilibrado e buscar um maior foco lírico. Não é algo que se faz num estalar de dedos, mas não é nada que um pouco de tempo não resolva.

Gurriers – “Party Lines” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Gurriers - Party Lines (Single) - 2026
Gurriers - Party Lines (Single) - 2026

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Gurriers - Party Lines (Single) - 2026
Gurriers - Party Lines (Single) - 2026

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Dead Poet Society – “Sinner Systems/Roach” (single) [download: mp3]

dead poet society - sinner systems/rouch (single, 2026)

A sonoridade que os americanos do Dead Poet Society vem construindo desde seu surgimento tem vários traços relevantes que não me agradariam pelo parentesco direto com gêneros que não aprecio, como o chamado Nu Metal e Emo/Post Hardcore. Porém, há algo indefinível no som do grupo que evita que minha rejeição se manifeste, talvez porque eles conseguem depurar as melodias a ponto de filtrar boa parte daquela atmosfera excessivamente juvenil que marcou estes gêneros como um estigma. Seja qual for o motivo, a banda consegue entrar com certa tranquilidade no meu ouvido, mesmo que nos singles mais recentes ela esteja sondando um pouco mais os gêneros citados.
Primeiro single neste ano, “Sinner Systems” já mostra os rapazes adentrando uma sonoridade mais brusca e estruturada: aqui guitarras e baixo não se ocupam da progressão melódica, e sim de criar uma textura sonora mais suja que é eventualmente interrompida pelo semi-silêncio da bateria eletrônica e simultaneamente encorpada pelo impacto da forte bateria acústica de Will Goodroad. Em meio a toda essa densidade sonora, Jack Underkofler sobrepõe seu vocal que alterna registros claustrofóbicos com outros bem mais pronunciados. Essa sonoridade prosseguiu no mais recente single, “Roach”, que traz baixo, guitarra e bateria eletrônica em um pulso sincronizado com o qual Jack harmoniza com competência seus vocais sobrepostos e monotônicos, em um fluxo sonoro pontuado apenas pelo riff melódico em sequência rápida nas cordas da guitarra.

dead poet society - sinner systems/rouch (single, 2026) post 01
Os dois singles recentes dos americanos do Dead Poet Society mostram uma sonoridade mais urbana e ruidosa

Depois de ouvir os dois lançamentos, não é difícil suspeitar que o grupo americano busca uma sonoridade mais urbana e ruidosa para o próximo disco. A escalação de Paul Meany (colaborador frequente do Twenty One Pilots e creditado como co-compositor de “Roach”) como produtor das duas faixas é uma indicação desta intenção. Há sempre o risco de que o produtor esterilize a sonoridade da banda e acabe assim “clonando” a atmosfera da dupla com o qual tem colaborado tanto. No entanto, as duas novas canções mostram que esse risco é diminuto: felizmente os quatro rapazes sabem preservar sua personalidade musical mesmo quando experimentam com tais sonoridades. Pensando bem, talvez seja essa confiança artística o “algo” indefinível que acabou me fazendo apreciar o quarteto.

Dead Poet Society – “Sinner Systems/Roach” (Single) [mp3]

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Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026
Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026

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Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026
Dead Poet Society - Sinner Systems/Roach (Single) - 2026

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Bina – “Zombies” (single) [download: mp3]

bina - zombies (single, 2026)

Radicada em Londres, Sabrina Obiago percebeu que não continuaria nos estudos científicos que então frequentava, e então resolveu arriscar-se no campo do teatro e da música. Foi assim que assumiu o nome Bina como seu pseudônimo artístico e vem desde 2019 lançando canções em uma musicalidade em grande parte experimental e downtempo na qual trabalha beats com influência de R&B e jazz modernos. O seu mais recente lançamento, no entanto, sugere que a artista pode estar pegando o gosto por sonoridades bem mais ritmadas.
Lançado em abril, “Zombies” traz a cantora com o olhar voltado para os domínios do pop/rock e em uma vibe visivelmente mais acessível. A alma da faixa é a parceria entre guitarra e baixo em uma ginga intoxicante que contamina a bateria em seus toques discretos, porém firmes e ligeiros, concebendo uma atmosfera dançante sobre a qual a cantora, com muito molejo vocal, divaga sobre frustrações e desejos em versos como “quero estar no oposto de onde estou agora, no banco de trás de uma limusine com a cabeça nas nuvens, me escondendo dos zumbis que estão destruindo a cidade”.
Sendo a única canção onde a cantora desvia do caminho que vinha trilhando desde que iniciou sua carreira artística, é difícil saber se este é o início de uma guinada sonora na vida musical da jovem, mas com a destreza demonstrada no requebrado dessa faixa contagiante, fica claro que Bina tem muito jeito para sonoridades mais funkeadas – vamos torcer para que ela também tenha percebido isso.

Bina – “Zombies” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Bina - Zombies (Single) - 2026
Bina - Zombies (Single) - 2026

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Bina - Zombies (Single) - 2026
Bina - Zombies (Single) - 2026

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Sorcha Richardson – “Illinois Again” (single) [download: mp3]

illinois again - sorcha richardson (single, 2026)

Retornando ao país natal depois de anos nos Estados Unidos, a irlandesa Sorcha Richardson iniciou formalmente sua carreira musical em 2019, com o lançamento do seu primeiro disco. Em grande parte desconhecida fora da Irlanda, no seu mais recente single a jovem cantora demonstra potencial para atingir um público maior, ao menos dentro dos domínios do gênero onde vem se inserindo, o indie-folk.
Na faixa “Illinois Again”, o violão e a bateria compõem a base folk da música sobre a qual a irlandesa elenca imagens e cenas da vida com saudosismo utilizando o timbre quente e macio de seu vocal, enquanto a guitarra distorcida pontua a canção apenas o suficiente para salpicá-la com uma aspereza sutil, trazendo ao ouvinte os ares de um “road movie” em pleno sol primaveril de uma vasta planície verdejante. A outra faixa do lançamento, “Granadine”, ainda se enquadra no contexto indie-folk da primeira, mas aqui violão e bateria produzem uma atmosfera mais contemplativa que permite a cantora divagar sobre como a paisagem que a cerca alimenta a melancolia que sente, inspirando-a no processo de composição da música.
Embora as composições dos discos anteriores de Sorcha não difiram tanto, residindo dentro dos domínios do indie pop e folk, as duas novas canções sugerem um maior polimento que, se bem aproveitado para o terceiro disco que prepara, pode auxiliá-la a chegar aos ouvidos de mais admiradores do gênero.

Sorcha Richardson – “Illinois Again” (Single) [mp3]

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Sorcha Richardson - Illinois Again (Single) - 2026
Sorcha Richardson - Illinois Again (Single) - 2026

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Sorcha Richardson - Illinois Again (Single) - 2026
Sorcha Richardson - Illinois Again (Single) - 2026

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The Mars Volta – “Vigil” (single) [download: mp3]

the mars volta - vigil (single, 2022)

Reunindo-se no fim da década passada depois do rompimento em 2012, a banda americana The Mars Volta decidiu que o retorno deveria ser um “reset” completo, deixando para trás não apenas as desavenças passadas como a sonoridade anterior, o rock progressivo calcado em álbuns conceituais, narrativamente ambiciosos, com uma mistura complexa de synths psicodélicos, orquestrações luxuosas e rock frenético.
“Vigil”, single que deriva do álbum homônimo de 2022, entrega prontamente a mudança de sonoridade. Ao invés de uma suíte de quase meia hora de duração audaciosamente fundindo ritmos como jazz e rock, temos uma canção mais “tradicional”, vertendo um pop que mescla harmoniosamente sintetizações, baixo, guitarra e bateria em uma música sofisticada e inteligente que permite até mais espaço para o vocalista Cedric Bixler-Zavala demonstrar seu conhecido virtuosismo. A princípio pode parecer uma jogada de risco esta guinada considerável no estilo musical, porém o tempo não passou apenas para a banda: seus fãs também amadureceram. Pensando deste modo, a mudança estilística não soa assim tão radical.

The Mars Volta – “Vigil” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

Ouça (Deezer):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005