A banda Kasabian construiu uma forte identidade até meados da década passada, muito pela presença vocal do britânico Tom Meighan. Porém, após um episódio de violência doméstica contra sua noiva (que hoje é sua esposa), Tom foi forçado a deixar a banda. Passado o tempo, nem a banda e nem seu ex-vocalista conseguiram preservar a identidade que possuíam. No entanto, após ouvir o último single dos irlandeses do Gurriers (um sinônimo da gíria “chav” inglesa), podemos ter novos herdeiros deste caráter particular daquela era da banda Kasabian.

Em “Party Lines”, faixa título do lançamento, fica cristalino o elemento que mais recorda a primeira fase do grupo britânico: o vocal entre petulante e confiante de Dan Gannon é assustadoramente semelhante àquele que Tom utilizava em sua época no Kasabian. Porém, a melodia também tem muito da era inicial da banda britânica, com guitarras em acordes ferinos, baixo firme e bateria determinada em um groove intenso e acelerado que expressa sonoramente a letra caótica sobre violência e miséria. A outra faixa, “Nobody’s Coming to Save You” ainda tem muito da atmosfera “kasabiana”, contando com o mesmo vocal arrastado e algo arrogante guiando o baixo bem pronunciado, os riffs fortes de guitarra e a bateria bem sincopada. O diferencial aqui é que em vários momentos da canção a massa instrumental chega a se sobrepor ao vocal de Dan Gannon. Apesar de toda a determinação do irlandês no microfone ao narrar confusão emocional e ceticismo existencial, há um nítido afogamento vocal que provavelmente é fruto do trabalho desenvolvido até então pela banda, mais aproximado do post-punk.
É nítido que a banda tem potencial para angariar públicos mais amplos, como o fez o Kasabian com maestria por vários anos, mas os rapazes precisam polir certas arestas melódicas, evoluir o trabalho sonoro para um patamar mais equilibrado e buscar um maior foco lírico. Não é algo que se faz num estalar de dedos, mas não é nada que um pouco de tempo não resolva.
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