A sonoridade que os americanos do Dead Poet Society vem construindo desde seu surgimento tem vários traços relevantes que não me agradariam pelo parentesco direto com gêneros que não aprecio, como o chamado Nu Metal e Emo/Post Hardcore. Porém, há algo indefinível no som do grupo que evita que minha rejeição se manifeste, talvez porque eles conseguem depurar as melodias a ponto de filtrar boa parte daquela atmosfera excessivamente juvenil que marcou estes gêneros como um estigma. Seja qual for o motivo, a banda consegue entrar com certa tranquilidade no meu ouvido, mesmo que nos singles mais recentes ela esteja sondando um pouco mais os gêneros citados.
Primeiro single neste ano, “Sinner Systems” já mostra os rapazes adentrando uma sonoridade mais brusca e estruturada: aqui guitarras e baixo não se ocupam da progressão melódica, e sim de criar uma textura sonora mais suja que é eventualmente interrompida pelo semi-silêncio da bateria eletrônica e simultaneamente encorpada pelo impacto da forte bateria acústica de Will Goodroad. Em meio a toda essa densidade sonora, Jack Underkofler sobrepõe seu vocal que alterna registros claustrofóbicos com outros bem mais pronunciados. Essa sonoridade prosseguiu no mais recente single, “Roach”, que traz baixo, guitarra e bateria eletrônica em um pulso sincronizado com o qual Jack harmoniza com competência seus vocais sobrepostos e monotônicos, em um fluxo sonoro pontuado apenas pelo riff melódico em sequência rápida nas cordas da guitarra.

Depois de ouvir os dois lançamentos, não é difícil suspeitar que o grupo americano busca uma sonoridade mais urbana e ruidosa para o próximo disco. A escalação de Paul Meany (colaborador frequente do Twenty One Pilots e creditado como co-compositor de “Roach”) como produtor das duas faixas é uma indicação desta intenção. Há sempre o risco de que o produtor esterilize a sonoridade da banda e acabe assim “clonando” a atmosfera da dupla com o qual tem colaborado tanto. No entanto, as duas novas canções mostram que esse risco é diminuto: felizmente os quatro rapazes sabem preservar sua personalidade musical mesmo quando experimentam com tais sonoridades. Pensando bem, talvez seja essa confiança artística o “algo” indefinível que acabou me fazendo apreciar o quarteto.
Ouça (Spotify):
Ouça (Deezer):

