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Tag: pop

Klaxons – “A New Reality” (single) [vídeo, download: mp3]

klaxons - a new reality (single, 2014)

Single do terceiro e último álbum da banda britânica Klaxons, “A New Reality” é a faixa que melhor representa neste disco o que se espera de uma música do grupo: iniciando com vocais robóticos banhados por ondas de sintetizações fluídas e latejantes, em poucos instantes a melodia escala para uma súcia de sintetizadores e uma batida eletrônica efusiva que se alternam com sequências mais contemplativas (se é que se pode chamar assim) onde se sobressaem a batida sintética, a linha de baixo seca e as cintilâncias eletrônicas, tudo sempre temperado com uma fartura de vocais simultâneos dos membros da banda.

O videoclipe dirigido por Tom Beard que promoveu o single segue a proposta sonora, traduzindo visualmente toda a densidade da melodia caleidoscópica e extravagante com o branco transbordando através da fotografia, do cenário e dos trajes da banda, todos acentuados por luzes estroboscópicas pulsantes, pela edição inquieta e pelo foco intencionalmente fragmentado da câmera.
Com a banda em hiato desde 2014, do qual provavelmente não retornará, música e vídeo servem como a despedida adequada para uma banda com vida breve, mas com identidade tão própria.

Klaxons – “A New Reality” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Klaxons - A New Reality (Single) - 2014
Klaxons - A New Reality (Single) - 2014

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Klaxons - A New Reality (Single) - 2014
Klaxons - A New Reality (Single) - 2014

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Hayla – Dark [download: mp3]

hayla - dark (2026)

Ao lançar em abril deste ano o single “Heal”, a inglesa Hayla deu pistas de que experimentaria com outras sonoridades em um possível novo disco. Após a liberação de mais algumas faixas, no fim de julho a artista finalmente lançou o álbum Dark, no qual a inglesa não transitou completamente para o pop tradicional, mas ainda assim operou modificações significativas – e inteligentes – na sua musicalidade.
Várias canções do disco possuem na sua essência o DNA do som eletrônico de pistas de dança que tornou a voz da cantora conhecida, porém a artista nunca as veste no aparato completo que suas canções até então trajavam, seja em seu trabalho pessoal ou colaborações anteriores. Assim é “Still”, introduzida com acordes e vocalizações suaves e uma base eletrônica que progride em conjunto com distorções vocais em um eletro-pop que parece que vai rasgar a fantasia e entrar na pista a qualquer momento, mas a canção termina sem que isso aconteça. É fácil também sentir esses marcadores em “Easier”, que faz uso ostensivo de orquestrações e vocais de fundo sobre um piano atmosférico e exibe o mesmo crescendo contido que nunca se converte inteiramente em uma faixa dançante.
Há, no entanto, faixas assumidamente mais eletrônicas pontuando o álbum e que se aproximam mais do trabalho anterior da cantora, como “Within”, que exibe parentesco com o noise/industrial devido ao uso de distorções e ruídos, mas Hayla logo pisa firme no terreno do electro ao canalizar a música na programação eletrônica vibrante e no vocal em falsete que se entrelaçam caleidoscopicamente no trecho final. “I Don’t Believe it Anymore”, por sua vez, é mais experimental, sendo construída sobre uma base sintética cíclica sobre a qual teclados e iluminuras eletrônicas sobrepõem-se em camadas enquanto Hayla repete o verso que intitula a faixa como alguém que quer convencer a si mesma de que não acredita mais no seu romance.

hayla - dark (2026) post 01
Em Dark a britânica Hayla insere a sonoridade pop sem perder de vista a identidade eletrônica que deu fama ao seu vocal doce e vibrante

Claro, não faltam também canções emocionantes como o single “Heal”, que apresentou a tônica do projeto há alguns meses. A power-ballad que dá nome ao álbum, “Dark”, é uma delas: nela um piano de toques suaves cria um clima sutil para que bateria, orquestrações de cordas e o vocal em potência total, com a britânica cantando “não estou sozinha na escuridão, sinto você pesando sobre o meu coração”, preencham a canção com emoção em estado puro. Em “Fear” a cantora também extravasa sentimento com o seu vocal impetuoso e a bateria eletrônica densa no refrão da música, mas o que fica nos ouvidos é a atmosfera sombria que permeia a música, quase Massive Attack, com pianos e percussão soturnas que refletem bem os versos “há algo que não consigo remover, que me persegue, sombras permanecem, a escuridão paira, isso se apodera de mim”.
Há também baladas sutis, como “Tear Me Down”, onde tanto as cordas da orquestra quanto os teclados com programação discreta produzem uma sonoridade contida, porém que transborda o sofrimento e a fragilidade necessárias para adornar versos como “quem dera eu me lembrasse do som que nossas vozes faziam quando estávamos felizes”, e “Not Here”, onde a serenidade da programação eletrônica e da guitarra, quase madrigal, envolve o vocal gracioso da artista inglesa enquanto ela canta sobre um amor que já não existe mais.
As duas faixas restantes do álbum têm musicalidade mais uptempo e confiante, como “Enough”, onde Hayla traz um vocal mais ritmado para acompanhar a instrumentação mais coordenada entre violões, bateria, programação eletrônica e orquestrações embaladas em compasso de power-hit sobre uma relação que parece não achar o tom certo. E “I Just Hope We Don’t Run Out of Time” fecha o disco com perfeição em uma melodia que inicia com a doçura do vocal, das orquestrações e da programação que aos poucos avolumam-se com a base eletrônica e a bateria até atingir o apogeu onde Hayla entrega uma performance vocal épica em um conjunto que serviria com perfeição como trilha sonora de fechamento de um blockbuster hollywoodiano.
Com o disco Dark, Hayla mostra não apenas sua habilidade de adentrar gêneros mais tradicionais como o pop, mas também visão estratégica como artista ao preservar suficientemente características musicais do trabalho que desenvolveu até hoje, evitando assim alienar sua base existente de fãs, inteligentemente levando-os a apreciar seus novos experimentos. Sim, ela não é a única artista que já conseguiu fazer isto, mas talvez seja o melhor exemplo de um músico da cena do eletrônico dançante a fazê-lo. Para novos fãs, como eu, fica a expectativa de que a artista leve esse empreendimento adiante – pois talento ela já deixou claro que possui de sobra.

Hayla – Dark (2026) [mp3]

Ouça (Spotify):

Hayla - Dark - 2026
Hayla - Dark - 2026

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Hayla - Dark - 2026
Hayla - Dark - 2026

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The Mars Volta – “Vigil” (single) [download: mp3]

the mars volta - vigil (single, 2022)

Reunindo-se no fim da década passada depois do rompimento em 2012, a banda americana The Mars Volta decidiu que o retorno deveria ser um “reset” completo, deixando para trás não apenas as desavenças passadas como a sonoridade anterior, o rock progressivo calcado em álbuns conceituais, narrativamente ambiciosos, com uma mistura complexa de synths psicodélicos, orquestrações luxuosas e rock frenético.
“Vigil”, single que deriva do álbum homônimo de 2022, entrega prontamente a mudança de sonoridade. Ao invés de uma suíte de quase meia hora de duração audaciosamente fundindo ritmos como jazz e rock, temos uma canção mais “tradicional”, vertendo um pop que mescla harmoniosamente sintetizações, baixo, guitarra e bateria em uma música sofisticada e inteligente que permite até mais espaço para o vocalista Cedric Bixler-Zavala demonstrar seu conhecido virtuosismo. A princípio pode parecer uma jogada de risco esta guinada considerável no estilo musical, porém o tempo não passou apenas para a banda: seus fãs também amadureceram. Pensando deste modo, a mudança estilística não soa assim tão radical.

The Mars Volta – “Vigil” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

Ouça (Deezer):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

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Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (single) [download: mp3]

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026)

Passados nove anos do último disco (e do trabalho na trilha sonora do enfadonho “Emília Pérez”), a francesa Camille Dalmais retorna em setembro com The Sound of Milk, um projeto que construiu lentamente ao longo de mais de uma década e que reflete sobre o íntimo de sua vida familiar.
Deste álbum, a artista lançou um single com três faixas que adiantam um pouco o espírito do disco. A primeira faixa, “Si Tu Souris Aux Anges” traz a mesma sonoridade orgânica que a francesa lapidou com tanto cuidado ao longo da carreira, com baixo e percussão formando um tecido acústico sobre o qual Camille canta suavemente, como numa canção de ninar, mas no refrão, onde Camille fala à filha sobre a importância de sorrir, vocal e instrumentação se entrelaçam em um andamento mais lúdico, como em uma dança. Na faixa seguinte, “No Miracle”, Camille envereda por um caminho menos tradicional, dispensando refrão e apoiando-se em pouco mais no baixo e percussão esparsos para sobrepor vocalizações serenas enquanto divaga sobre a beleza de manifestações da natureza e reforça, como mantra, o amor pelos filhos. Na última canção, “La Terre”, o vocal da cantora apresenta-se inicialmente em um registro sintético, um tanto robótico, mas tão logo a delicada melodia orquestral surge, a voz de Camille reaparece em seu estado natural, em uma ode ao planeta, aos elementos e às estações, e prossegue deste modo até que seu canto se torna a única presença, em uma vocalização etérea que fecha a canção com um banho de luz celestial.

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026) post 01
As 3 canções delicadas de sonoridade em grande parte acústica adiantam a atmosfera do novo disco

A julgar por essa prévia musical, esse promete ser um disco que conjuga elementos de vários trabalhos anteriores da artista – o experimental de Le Fil, o orgânico de Ilo Veyou, o artesanal de Ouï –, todos conectados e encobertos por uma atmosfera telúrica e intimista que reflete a temática do projeto. Não é uma tarefa fácil, pois corre-se o risco de o projeto, que divide um total de 29 faixas em 3 discos (uma delas com 32 minutos de duração), soar monótono e pretensioso. Porém, Camille já demonstrou ao longo da carreira não ter receio de ousadias, mesmo que às vezes esse espírito indomável a conduza a resultados irregulares, como ocorreu com o álbum Music Hole — vamos torcer para que isso acabe não acontecendo desta vez.

Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

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Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

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Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (single) [vídeo, download: mp3]

sinead o'connor - chiquitita (single, 1998)

A irlandesa Sinéad O’Connor ganhou projeção internacional em 1990 com sua versão de “Nothing Compares 2U”, originalmente composta por Prince para sua então banda The Family. O impacto da interpretação da irlandesa foi imenso, transformando a canção em ícone da história do pop/rock e causando rejeição do autor original. No entanto, esse não foi o único cover feito pela artista: durante sua carreira, Sinéad regravou canções de diversos outros artistas e em diferentes gêneros, indo de musicais até o reggae. Porém, uma das suas interpretações mais radiantes, de uma composição da banda sueca ABBA, é quase desconhecida.
Sinéad trouxe em 1998 uma versão luminosa de um dos maiores hits do ABBA
Gravada e lançada originalmente em 1999 como parte do álbum beneficente Across The Bridge of Hope (em suporte às vítimas do ataque a bomba de 1998 na Irlanda da Norte), a “Chiquitita” de Sinéad inicia com os mesmos acordes doces e melancólicos do violão que caracterizam tão bem a versão original, mas logo é tomada por uma instrumentação mais contemporânea, em uma produção onde a programação de teclados, a bateria e o baixo formam um rio denso por onde a voz luminosa da cantora irlandesa navega ao mesmo tempo meiga e confiante.

No videoclipe que promoveu a canção, a diretora Sophie Muller consegue preservar essa atmosfera cintilante e madrigal, mas vai além: ao colocar a irlandesa para cantar em uma cozinha preparando a mesa para o chá, referenciando a câmera com gestual amistoso, Muller dá visibilidade para as letras da música, trazendo um ambiente caseiro onde Sinéad pode incorporar com perfeição uma confidente que tenta passar segurança e conforto para a amiga. É lamentável que tenhamos perdido há alguns anos a artista irlandesa, mas felizmente Sinéad foi generosa o suficiente para nos ofertar uma variedade enorme de canções onde nos deixou seu maior presente: a sensibilidade com a qual assinou todas as músicas onde deixou a sua voz.

Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (Single) [mp3] Deixe um comentário

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (single) [download: mp3]

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009)

Liderado pelo britânico Antony Hegarty, que há vários anos passou a adotar o nome Anohni, o grupo Antony And The Johnsons surgiu no final dos anos 2000 trazendo um amálgama requintado de diferentes gêneros como música clássica, rock alternativo, jazz e soul envoltos em um vocal de tonalidades andróginas, como o próprio Antony/Anohni, transitando com enorme desenvoltura entre registros mais intimistas diretamente para expressões mais operáticas e teatrais.
Exemplo da enorme versatilidade e da fusão de gêneros promovida pelo trabalho do artista e sua banda é o single de duas faixas lançado em 2009 para promoção do disco The Crying Light. “Aeon”, a faixa retirada diretamente do álbum, é introduzida por uma harmonia de piano e harpa que sugerem uma atmosfera erudita, mas ambos são rapidamente substituídos por guitarra e baixo entornados em um indie rock de riffs ondulantes que se sobrepoẽ a uma base orquestral sutil, compondo assim um todo cíclico no qual o vocal de Antony versa entre a fragilidade delicada e o clamor determinado.

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009) post 01
Antony and The Johnsons não poupa nem Beyoncé do seu banho de requinte sonoro

Na segunda faixa, o artista inglês ousa ainda mais ao desconstruir sem pudores o hit “Crazy in Love”, de Beyoncé: originalmente um pop extravagante e ruidoso, aqui a canção é recomposta em uma melodia exclusivamente orquestral na qual harpa, cordas e metais mesclam-se lentamente um finíssimo véu de melancolia que encobre o vocal sofrido e suplicante de Antony em uma música romântica e misteriosa que se enquadraria com perfeição como trilha de um clássico drama vitoriano de James Ivory ou Franco Zeffirelli. Ainda que devido ao arrojo e versatilidade de composições como “Aeon”, não seria de todo estranho vê-lo adentrar a cena de um filme, destemidamente cantando sua canção em corpo presente.

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (Single) [mp3]

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Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

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Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005