Pular para o conteúdo

Tag: pop

The Mars Volta – “Vigil” (single) [download: mp3]

the mars volta - vigil (single, 2022)

Reunindo-se no fim da década passada depois do rompimento em 2012, a banda americana The Mars Volta decidiu que o retorno deveria ser um “reset” completo, deixando para trás não apenas as desavenças passadas como a sonoridade anterior, o rock progressivo calcado em álbuns conceituais, narrativamente ambiciosos, com uma mistura complexa de synths psicodélicos, orquestrações luxuosas e rock frenético.
“Vigil”, single que deriva do álbum homônimo de 2022, entrega prontamente a mudança de sonoridade. Ao invés de uma suíte de quase meia hora de duração audaciosamente fundindo ritmos como jazz e rock, temos uma canção mais “tradicional”, vertendo um pop que mescla harmoniosamente sintetizações, baixo, guitarra e bateria em uma música sofisticada e inteligente que permite até mais espaço para o vocalista Cedric Bixler-Zavala demonstrar seu conhecido virtuosismo. A princípio pode parecer uma jogada de risco esta guinada considerável no estilo musical, porém o tempo não passou apenas para a banda: seus fãs também amadureceram. Pensando deste modo, a mudança estilística não soa assim tão radical.

The Mars Volta – “Vigil” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

Ouça (Deezer):

The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022
The Mars Volta - Vigil (Single) - 2022

Deixe um comentário

Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (single) [download: mp3]

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026)

Passados nove anos do último disco (e do trabalho na trilha sonora do enfadonho “Emília Pérez”), a francesa Camille Dalmais retorna em setembro com The Sound of Milk, um projeto que construiu lentamente ao longo de mais de uma década e que reflete sobre o íntimo de sua vida familiar.
Deste álbum, a artista lançou um single com três faixas que adiantam um pouco o espírito do disco. A primeira faixa, “Si Tu Souris Aux Anges” traz a mesma sonoridade orgânica que a francesa lapidou com tanto cuidado ao longo da carreira, com baixo e percussão formando um tecido acústico sobre o qual Camille canta suavemente, como numa canção de ninar, mas no refrão, onde Camille fala à filha sobre a importância de sorrir, vocal e instrumentação se entrelaçam em um andamento mais lúdico, como em uma dança. Na faixa seguinte, “No Miracle”, Camille envereda por um caminho menos tradicional, dispensando refrão e apoiando-se em pouco mais no baixo e percussão esparsos para sobrepor vocalizações serenas enquanto divaga sobre a beleza de manifestações da natureza e reforça, como mantra, o amor pelos filhos. Na última canção, “La Terre”, o vocal da cantora apresenta-se inicialmente em um registro sintético, um tanto robótico, mas tão logo a delicada melodia orquestral surge, a voz de Camille reaparece em seu estado natural, em uma ode ao planeta, aos elementos e às estações, e prossegue deste modo até que seu canto se torna a única presença, em uma vocalização etérea que fecha a canção com um banho de luz celestial.

camille - si tu souris aux anges/no miracle/la terre (single, 2026) post 01
As 3 canções delicadas de sonoridade em grande parte acústica adiantam a atmosfera do novo disco

A julgar por essa prévia musical, esse promete ser um disco que conjuga elementos de vários trabalhos anteriores da artista – o experimental de Le Fil, o orgânico de Ilo Veyou, o artesanal de Ouï –, todos conectados e encobertos por uma atmosfera telúrica e intimista que reflete a temática do projeto. Não é uma tarefa fácil, pois corre-se o risco de o projeto, que divide um total de 29 faixas em 3 discos (uma delas com 32 minutos de duração), soar monótono e pretensioso. Porém, Camille já demonstrou ao longo da carreira não ter receio de ousadias, mesmo que às vezes esse espírito indomável a conduza a resultados irregulares, como ocorreu com o álbum Music Hole — vamos torcer para que isso acabe não acontecendo desta vez.

Camille – “Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

Ouça (Deezer):

Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026
Camille - Si Tu Souris Aux Anges/No Miracle/La Terre - Single - 2026

Deixe um comentário

Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (single) [vídeo, download: mp3]

sinead o'connor - chiquitita (single, 1998)

A irlandesa Sinéad O’Connor ganhou projeção internacional em 1990 com sua versão de “Nothing Compares 2U”, originalmente composta por Prince para sua então banda The Family. O impacto da interpretação da irlandesa foi imenso, transformando a canção em ícone da história do pop/rock e causando rejeição do autor original. No entanto, esse não foi o único cover feito pela artista: durante sua carreira, Sinéad regravou canções de diversos outros artistas e em diferentes gêneros, indo de musicais até o reggae. Porém, uma das suas interpretações mais radiantes, de uma composição da banda sueca ABBA, é quase desconhecida.
Sinéad trouxe em 1998 uma versão luminosa de um dos maiores hits do ABBA
Gravada e lançada originalmente em 1999 como parte do álbum beneficente Across The Bridge of Hope (em suporte às vítimas do ataque a bomba de 1998 na Irlanda da Norte), a “Chiquitita” de Sinéad inicia com os mesmos acordes doces e melancólicos do violão que caracterizam tão bem a versão original, mas logo é tomada por uma instrumentação mais contemporânea, em uma produção onde a programação de teclados, a bateria e o baixo formam um rio denso por onde a voz luminosa da cantora irlandesa navega ao mesmo tempo meiga e confiante.

No videoclipe que promoveu a canção, a diretora Sophie Muller consegue preservar essa atmosfera cintilante e madrigal, mas vai além: ao colocar a irlandesa para cantar em uma cozinha preparando a mesa para o chá, referenciando a câmera com gestual amistoso, Muller dá visibilidade para as letras da música, trazendo um ambiente caseiro onde Sinéad pode incorporar com perfeição uma confidente que tenta passar segurança e conforto para a amiga. É lamentável que tenhamos perdido há alguns anos a artista irlandesa, mas felizmente Sinéad foi generosa o suficiente para nos ofertar uma variedade enorme de canções onde nos deixou seu maior presente: a sensibilidade com a qual assinou todas as músicas onde deixou a sua voz.

Sinéad O’Connor – “Chiquitita” (Single) [mp3] Deixe um comentário

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (single) [download: mp3]

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009)

Liderado pelo britânico Antony Hegarty, que há vários anos passou a adotar o nome Anohni, o grupo Antony And The Johnsons surgiu no final dos anos 2000 trazendo um amálgama requintado de diferentes gêneros como música clássica, rock alternativo, jazz e soul envoltos em um vocal de tonalidades andróginas, como o próprio Antony/Anohni, transitando com enorme desenvoltura entre registros mais intimistas diretamente para expressões mais operáticas e teatrais.
Exemplo da enorme versatilidade e da fusão de gêneros promovida pelo trabalho do artista e sua banda é o single de duas faixas lançado em 2009 para promoção do disco The Crying Light. “Aeon”, a faixa retirada diretamente do álbum, é introduzida por uma harmonia de piano e harpa que sugerem uma atmosfera erudita, mas ambos são rapidamente substituídos por guitarra e baixo entornados em um indie rock de riffs ondulantes que se sobrepoẽ a uma base orquestral sutil, compondo assim um todo cíclico no qual o vocal de Antony versa entre a fragilidade delicada e o clamor determinado.

antony and the johnsons – aeon/crazy in love (single, 2009) post 01
Antony and The Johnsons não poupa nem Beyoncé do seu banho de requinte sonoro

Na segunda faixa, o artista inglês ousa ainda mais ao desconstruir sem pudores o hit “Crazy in Love”, de Beyoncé: originalmente um pop extravagante e ruidoso, aqui a canção é recomposta em uma melodia exclusivamente orquestral na qual harpa, cordas e metais mesclam-se lentamente um finíssimo véu de melancolia que encobre o vocal sofrido e suplicante de Antony em uma música romântica e misteriosa que se enquadraria com perfeição como trilha de um clássico drama vitoriano de James Ivory ou Franco Zeffirelli. Ainda que devido ao arrojo e versatilidade de composições como “Aeon”, não seria de todo estranho vê-lo adentrar a cena de um filme, destemidamente cantando sua canção em corpo presente.

Antony And The Johnsons – “Aeon/Crazy In Love” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

Ouça (Deezer):

Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009
Antony And The Johnsons - Aeon/Crazy In Love (Single) - 2009

Deixe um comentário

Beck – “Ride Lonesome” (single) [vídeo, download: mp3]

beck - ride lonesome (single, 2026)

Influenciado pelo seu estado de espírito após o término com sua então noiva, Beck mudou a percepção pública de sua música ao lançar Sea Change em 2002, um álbum introspectivo e melancólico que conquistou fãs e público com suas composições de base acústica com uso de harmonias orquestrais. O artista voltou a revisitar o estilo em 2014 ao produzir ele mesmo Morning Phase, posicionando-o como sucessor espiritual do disco Sea Change ao ponto de buscar grande parte dos músicos que trabalharam nas gravações em 2002.
Passados doze anos, e contando com a mesma equipe e com o retorno do produtor Nigel Godrich (que não participou do disco de 2014), o americano foi mais uma vez tomado pelo espírito criativo com o qual concebeu os dois discos anteriores: seu novo single, “Ride Lonesome”, compartilha ainda mais a atmosfera de vulnerabilidade emocional de 2002 do que Morning Phase, trazendo o mesmo clima country/folk através de um violão consternado, bateria de toques lentos, guitarra melódica triste e vocais sobrepostos, abatidos e distantes.

O videoclipe da canção, gravado na região do deserto de Mojave e exibindo uma fotografia em matizes amareladas, utiliza como inspiração a atmosfera de vastidão e solidão de faroestes americanos como os de Budd Boetticher, cujo filme de 1959, Ride Lonesome, inspirou o nome do single. Entre campos de turbinas eólicas, árvores de Joshua, longas estradas e linhas de trem infinitas, o cantor caminha aparentemente sem destino, refletindo o estado de desolação e falta de rumo do homem que nas letras lamenta o fim do seu relacionamento. Como se observa nesta canção, felizmente o estado de espírito do personagem é oposto ao do compositor e cantor americano, que mostra nesse single ter ainda disposição criativa de sobra.

Beck – “Ride Lonesome” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026
Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026
Beck - Ride Lonesome (Single) - 2026

Deixe um comentário

Hayla – “Heal” (single) [vídeo, download: mp3]

hayla - heal (single, 2026)

Desde 2018 a voz da britânica Hayley Williams, conhecida como Hayla, tem batido ponto na cena eletrônica em faixas de artistas como Kx5 (projeto conjunto de Deademau5 e Kaskade) e John Summit, e até mesmo em Dusk, seu único álbum lançado até hoje, a artista continuou mergulhando fundo no gênero ao fundi-lo com elementos pop. No entanto, isso mudou no último dia 10, quando a inglesa lançou “Heal”, seu mais novo single.
Contando com a participação do norueguês Magnus Skylstad, parceiro constante da cantora Aurora, Hayla investe no potencial emotivo de sua voz para construir uma melodia poderosa que difere radicalmente de seu trabalho até hoje. A faixa é introduzida com não mais do que um piano de toques misteriosos e algumas distorções atmosféricas que materializam uma bruma sonora por onde a voz da cantora abre caminho entre o silêncio para manifestar sua ansiedade afetiva cantando “quero que você cure as partes de mim que ninguém vê, tenho medo, mas é bom para mim o que se esconde por trás do despertar”. Uma percussão lenta e sofrida adentra a sequência melódica final para intensificar o drama ostentado no vocal da inglesa, agora pronunciado em toda sua melancolia épica.

A versão ao vivo, gravada este ano em uma sessão na igreja antiga de St. Pancras de Londres com a adição de um quarteto de cordas, traz ainda mais a superfície o tecido soturno e cinemático da faixa e comprova que o vocal de Hayla é um atributo natural, sem o apoio de artifícios de estúdio. Como fã de baladas pujantes que fogem do pop convencional, espero que a artista adote essa nova persona dark imagética para um novo álbum.

Hayla – “Heal” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Hayla - Heal (Single) - 2026
Hayla - Heal (Single) - 2026

Ouça (Deezer):

Hayla - Heal (Single) - 2026
Hayla - Heal (Single) - 2026

Deixe um comentário
O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005