E finalmente teve sua estréia o tão esperado terceiro (e provavelmente último) vídeo a ser liberado pelo músico, compositor e diretor francês Woodkid antes do lançamento de The Golden Age, seu álbum de estréia. Após uma brevíssima referência ao personagem do garoto que foi introduzido no vídeo de “Iron” e que protagonizou o vídeo de “Run, Boy, Run”, somos apresentados à um personagem também retratado em “Iron”, o homem jovem que parece ser um sacerdote cristão, que neste vídeo chega para realizar seu culto em uma capela de um vilarejo de camponeses russos. Ao mesmo tempo que ele toca o órgão da igreja para os seus fiéis, nos é apresentado este jovem como um outro personagem em uma jornada através de um imponente e vasto deserto gelado e rochoso até chegar ao litoral, onde acaba por atirar-se no fundo do oceano. Esta história paralela, na verdade, é também contada pelo jovem sacerdote aos seus fiéis, já que ele introduz em russo o conto para eles como sendo sobre um homem que morre duas vezes: ao perder seu amor e ao se afogar nas águas geladas do oceano.
Inevitavelmente bem encenado, impecavelmente fotografado e espetacularmente elaborado, este novo vídeo Inicialmente aparenta ser mais simples do que os dois lançados por Woodkid, mas à medida que o curta se desenvolve vai sendo revelado o destino do desesperado jovem e a história torna-se mais imponente e espetacular, sendo fechada com um final misterioso e intrigante. Enquanto “Iron” e “Run, Boy, Run” tinham temáticas mais juvenis e apoteóticas, o vídeo de “I Love You” é um trabalho mais maduro e emocionante, deixando claro que Woodkid pode ir muito além das belas aventuras juvenis e épicas pelas quais ficou inicialmente conhecido – e confesso: de todos até o momento, este é o meu vídeo preferido.
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Depois de atiçar uma vez mais curiosidade de sua platéia fiel com um brevíssimo teaser, Fiona Apple lançou hoje o vídeo de “Every Single Night”, primeiro single do seu novo e aguardadíssimo disco, The Idler Wheel, a ser lançado dentro de apenas alguns dias.
Para o curta-metragem, que conta com elementos visuais sugeridos pela própria cantora (caramujos, por exemplo, algo que ela confessa adorar sem saber exatamente a razão), Fiona Apple selecionou o diretor Joseph Cahill, americano de 36 anos radicado na França cujos vídeos costumam ter em comum a presença de cenografia e artefatos retrôs. Apesar de ter poucas produções no seu currículo até o momento, a experiência de Cahill no cinema é enormemente respeitável: o diretor foi assistente de um dos mais reconhecidos surrealistas do cinema contemporâneo, o tcheco Jan Svankmajer. E, ao assistir ao idílico videoclipe, é fácil perceber o quanto os dois anos ao lado do artista tcheco foram marcantes para Cahill: entre outras situações e imagens insólitas nas quais Fiona Apple é atirada pelo diretor, estão um aposento inundado de água onde a cantora nada acima dela, arrastando-se junto ao teto; o palco de um teatro onde está abraçada à uma múmia; uma pequena fonte de água no que parece ser um museu onde encontra-se atada à fios como se fosse um fantoche e alimenta um jacaré enquanto é observada por algumas pessoas; um quarto, onde adormece ao lado de um minotauro fumante; e as ruas de Paris, por onde transita enquanto, ao fundo, um caracol e um polvo gigantes parece também aproveitar seus passeios. Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que este é, ao lado de “O’Sailor” e “Across The Universe”, o melhor vídeo até hoje na carrreira de Fiona Apple e o mais bem acabado entre os poucos já feitos por Cahill – sem dúvidas, um diretor bastante promissor.
Quem te viu, quem te vê, Eugene McGuinness! Da aparência de rapazote perdido de Liverpool, com o cabelo devidamente inspirado no primórdios dos Beatles que vinha sustentando desde quando surgiu com o single “Monsters Under The Bed”, de 2007, para toda a panca de um jovem charmoso, devidamente encoberto por ternos elegantes e aparência bem cuidada. É realmente muita diferença, mas é bom lembrar que garotos crescem e viram…homens – e nem preciso dizer que crescer fez muito bem à Eugene.
Mas este post é para falar de vídeos, e veja que o novo estilo incorporado pelo cantor britânico não ficou apenas na aparência, sua música (sobre a qual falarei num post mais tarde) e seus vídeos também ganharam um perfil mais bem acabado. Se lembrarmos do ótimo vídeo do single “Moscow State Circus”, faixa de seu álbum homônimo lançado no início de 2008, estão lá alguns elementos que ainda se sustentam nos novos vídeos, como o gosto do cantor por figurantes dançando coreografias singulares no ritmo de suas composições de melodia frenética. Mas lá se foram os dias de vídeos com idéias peculiares, como esta de vestir todos como esgrimistas (inspiração derivada da capa do álbum de 2008).
O Eugene mais maduro agora gosta de ser visto na tela – e muito bem visto, exibindo-se com toda a pompa e circunstância em trajes bem cortados e legítimo estilo de um modelo da Hugo Boss, como se pode conferir no vídeo de “Lion”, lançado ano passado para o primeiro single do seu futuro novo disco. As coreografias continuam calcadas em influências modernas, mas o que chama a atenção é a predileção do artista em passar a assumir um visual mais declaradamente urbano e contemporâneo, algo bem visível na cenografia industrial do vídeo.
Porém, no seu mais novo vídeo e single, “Shotgun”, a modernidade passa a trajar-se em nostalgia, com franca influência dos grandes clássicos de suspense e espionagem do cinema e referências claras na fotografia também ao cinema noir. Porém, tanto a persona do artista britânico quanto a temática continua esgaçadamente urbana – e, claro, não pode faltar a figuração de uma dançarina em êxtase rítmico.
E ainda temos o teaser do vídeo do single “Thunderbolt”, que parece ainda mais colado à elementos urbanos e contemporâneos, com um frenesi de luzes e velocidade.
Os indies/hipsters perdem mais um artista obtuso e idiossincrático, e o pop/rock ganha mais um talento em potencial – e devo dizer que achei ótimo.
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Baterista da tão celebrada banda britânica Radiohead, Philip Selway (normalmente identificado na banda como Phil), lançou há pouco seu primeiro álbum solo, Familial, que por ser calcado firmemente no folk-rock afasta-se radicalmente da produção que tornou famosa a banda da qual faz parte. O primeiro single do disco, “By Some Miracle”, ganhou um vídeo caprichadíssimo do diretor David Altobelli, em cuja história um jovem se prepara para, do alto de um prédio, dar cabo de sua vida, sendo a certa altura flagrado apenas por uma morena no edifício em frente. Enquanto a fotografia esplendorosa, a filmagem em câmera ligeiramente lenta e os enquadramentos da câmera concedem um teor poético ao curta, o semblante entre o indiferente e o sereno dos atores lhe confere o caráter inevitavelmente cool, ainda ressaltado pela conclusão enormemente irônica e um tanto politicamente incorreta da história (depressivos de plantão, anotem aí: mesmo um suicídio necessita de um planejamento cuidadoso). Eu poderia dizer que é um daqueles casos em que há um casamento perfeito entre música e imagem, no entanto, apesar da música ser mesmo boa, é a criação de Altobelli que arrebata o espectador – uma idéia e tanto.
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assista:
Philip Selway – By Some Miracle from American Millennial on Vimeo.
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Não sou exatamente fã da produção musical eletrônica e todas as suas variadas derivações. À exceção de um Portishead (que, claro, vai muito além do eletrônico, mas tem óbvia relação com o gênero), uma ou outra coisa de fato cai no meu gosto. O brasileiro Amon Tobin, cujo trabalho já espiei há muito anos atrás, é um desses casos: sua produção é bem interessante, mas não adianta que não cai nas minhas preferências no mundo da música. Isso, porém, não me impede de dizer que o clipe produzido recentemente para “Esther’s”, uma das faixas do seu álbum lançado em 2007, é de um requinte escandaloso: utilizando como protagonistas uma bela inglesa de olhos expressivos e um robô cujo design e movimentação ficam no entrelugar da serpente e da aranha, o diretor Charles De Meyer consegue ilustrar o opressivo tecnicismo, o suspense obtuso e o romantismo delicado da faixa criada pelo músico e DJ brasileiro, contando também para isso com todo o apoio de uma fotografia irreprimível e um trabalho de câmera inteligente e preciso. Apesar do pouco tempo de duração, De Meyer ainda conseguiu inserir como trilha incidental a faixa “Nova”, uma das músicas mais famosas de Tobin que serviu de base para a canção “Samba da Benção”, lançada por Bebel Gilberto no seu disco Tanto Tempo. Pra quem não conhece o diretor – ou mesmo o músico -, o curta-metragem serve como um cartão de visitas e tanto.
download: clique com o botão direito do mouse neste link e selecione “salvar como”.
assista:
https://www.youtube.com/watch?v=gYKqrjq5IjU
Pra quem ficou dez anos afastado do estúdio, a animação dos membros da banda Portishead em lançar um novo disco para não deixar o seu último lançamento tão solitário é um tanto surpreendente. Segundo declarações de Goeff Barrow, o sucessor de Third pode chegar aos ouvidos do público ainda no decorrer do próximo ano. Mas os fãs mais inquietos em obter material inédito da banda podem matar a vontade até lá degustando o aperitivo liberado pela banda esta semana, a faixa “Chase The Tear”, possível candidata a integrar o tracklist do futuro novo disco.
Lançada como single digital com toda a renda da venda revertida em doação para a organização Anistia Internacional, a canção percorre os mesmos caminhos traçados em Third: sobre uma base em loop que sutilmente sofre graduais e cíclicas mudanças de tonalidade, sem nunca alterar o hipnótico pulso de ritmo rigoroso, os membros da banda lançam intervenções ocasionais de guitarra e sintetizações enquanto Beth Gibbons libera os versos da música com o vocal mais emblemático do trip-hop mundial. Curiosamente, foi só ao escutar esta nova canção que me dei conta do quanto essa recente predileção do Portishead por bases de cadência mais curta, cíclica e repetitiva, inaugurada em Third, guarda alguma semelhança com composições mais minimalistas e um tanto preguiçosas do Radiohead – basta lembrar de “Idioteque”, por exemplo. Obviamente que se tratam de grupos de estilos consideravelmente distintos, mas não há como negar que desde o disco lançado em 2008 que algumas semelhanças podem ser mesmo encontradas entre Portishead e Radiohead além dos seus nomes – engraçado que só agora notei que o estilo sofrido e amargurado é compartilhado entre ambos os vocalistas das duas bandas.
Um vídeo bastante simples também foi produzido para acompanhar o lançamento do single, filmado em preto e branco pelo diretor John Minton e retratando Beth Gibbons, Geoff Barrow e Adrian Utley aparentemente simulando em conjunto o processo de produção e interpretação da canção em estúdio – interessante notar como o vocal de Gibbons reflete-se em sua postura retraída e introspectiva ao cantar, bem como o estilo sempre casualíssimo da banda no uso dos trajes e na condução de sua performance.
Portishead – “Chase The Tear” (mp3)
Portishead – “Chase The Tear”: Youtube (assista) – download
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