Vitalic – “Fade Away” (dir. Romain Chassaing) [vídeo + single]

Vitalic - Fade Away (video)
Há muito tempo que eu não assistia um vídeo feito para o francês Pascal Arbez, mais conhecido como Vitalic. Seu nome ficou conhecido em 2006 com o lançamento do vídeo “Birds”, produzido pelo coletivo Pleix e que era estrelado por um bando de cachorrinhos fofos capturados em câmera lenta em suas estilosas e alegres estripulias esvoaçantes. Alguns podem nunca ter visto ou ouvido falar, mas o vídeo consagrou-se e virou um clássico absoluto da internet que passou a ser copiado em muitas outras produções. Porém, o mais recente vídeo feito para uma música do artista não tem nada de fofo – embora também não seja algo polêmico ou ultrajante. Dirigido por Romain Chassaing, a canção “Fade Away”, que tem pitadas nostálgicas de disco e de synthpop dos anos 80, ganhou um vídeo muito bem fotografado, editado e encenado que se diverte ao jogar com os clichês do cinema policial, trazendo uma série de meliantes que se matam sucessivamente para colocar as mãos em uma valise cujo conteúdo não é revelado. Preste atenção no final, porque ele traz um recurso narrativo que é mais um clichê batido do cinema alternativo contemporâneo.

Vídeo:

Pra quem curtiu a música, o single que acompanha alguns remixes da faixa:
Vitalic - Fade Away (Remixes)
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M83 & Susanne Sundfør – “Oblivion”

M83 and Susanne Sundfor - Oblivion
Para alegria de fãs como eu, Susanne Sundfør teve nova canção liberada ontem na internet – e pra não variar, ela arrebenta mais uma vez. Convidada para emprestar seu vocal espetacular para a faixa dos créditos finais do novo filme de ficção-científica protagonizado por Tom Cruise, “Oblivion” foi composta por Joseph Trapanese (que trabalhou com o Daft Punk na trilha de Tron: O Legado, o filme anterior do diretor de Oblivion) e Anthony Gonzalez (mais conhecido por ser o mentor e único membro fixo da banda francesa M83) e é mais uma canção que chega para comprovar que qualquer projeto que envolva a cantora e compositora norueguesa é garantia de algo arrebatador. Apoiada por uma melodia grandiloquente, com bateria hiper-encadeada, cintilações eletrônicas e orquestral fechando com pompa e circunstância a música, Susanne solta a voz à seu estilo, entregando-se aos versos sem hesitação, ainda que seja um pouco prejudicada por ter a linha do volume de seu vocal em certos momentos afogada no instrumental, artifício certamente perpretado pela produção à cargo de Gonzalez, já que esta é uma das características mais habituais nas suas composições à frente do M83. Apesar dessa característica ligeiramente incômoda, a música é realmente bonita, e cai ainda melhor nos ouvidos ao ter sido aliada ao vocal sempre incondicionalmente tocante e esplêndido da grande musa da música norueguesa.


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Woodkid – “I Love You” (Live Acoustic)

Woodkid  - I Love You (Live Acoustic)
Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente devido o lançamento do seu debut The Golden Age, o talentoso artista francês Woodkid disse que seu disco de estréia não é um album pop, já que não há nas canções instrumentos comumente utulizados em composições do tipo, como guitarras, baixo e bateria, mas que qualquer destas músicas poderia muito bem ser convertida em algo do gênero em versões alternativas. E no dia de hoje, em uma participação na rádio France Inter, o cantor francês provou que está certo ao apresentar uma versão acústica de “I Love You” a qual utiliza-se apenas de piano e um quinteto de cordas – e apesar da simplicidade, devo dizer que esta versão, que conta com um andamento mais lento e melancólico, rivaliza em emoção com a original de estúdio.

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Woodkid – The Golden Age (+ 1 faixa extra)

Woodkid - The Golden Age
Desde seu despontar na internet, com o lançamento em 2011 do videoclipe e do single “Iron”, venho acompanhando com ansiedade a tão aguardada estréia de Woodkid, pseudônimo do diretor, artista gráfico, compositor e cantor francês Yoann Lemoine. Como já se percebia desde o surgimento do vídeo, o artista europeu não faria sua estréia de modo simples: além dos obrigatórios lançamentos em formato digital e CD de áudio e do lançamento em vinil para agradar os alternativos de plantão, Woodkid preparou uma edição especial primorosa na qual o CD figura como brinde de luxo de um livro que mistura memórias e ficção, escrito em conjunto com sua prima polonesa Katarzyna Jerzak, e que acompanha também ilustrações do elogiado ilustrador de graphic novels Jillian Tamaki. Contudo, pra não fugir à tradição dos lançamentos musicais na era pós-moderna, poucos dias antes do lançamento oficial o álbum em sua totalidade já começou a se alastrar pela internet. E finalmente Woodkid pode ser posto à prova nos ouvidos dos fãs que já tinha arrebanhado sem nem mesmo ter um álbum lançado.
The Golden Age é, como já se esperava, um trabalho grandioso de um estreante singular, que começou sua carreira nos palcos e arrebanhou fãs mesmo antes de seu lançamento oficial, assumidamente, em suas próprias palavras, um “músico frustrado que é diretor de vídeos”. Sua faceta de cantor realmente não tem a perfeição de um crooner, já que é difícil não notar a limitação de sua voz, que quase chega a titubear em alguns volteios, mas o artista conhece a si próprio e, inteligente, escolheu apresentar-se ao público com as faixas “Iron”, “Run, Boy, Run” e “I Love You”, músicas extremamente bem produzidas e arranjadas que se adaptam ao seu vocal e o encorpam simultaneamente. Isso se repete em outras faixas que permeiam o álbum, como a que o abre e lhe dá nome, que surge com harmonia reflexiva ao piano seguida de um turbilhão percussivo e orquestral que afoga os sentidos em uma epopéia sonora que só encontra paralelo em épicos do cinema de ficção científica e da fantasia, mas que lembra também melodias compostas por Björk nos últimos anos, em particular no disco Volta. A referência vem novamente à tona no compasso melódico de “Ghost Lights”, onde o órgão, os metais e a percussão soam taciturnos e amargurados. “Stabat Mater”, composta e produzida pelo amigo de Woodkid, o DJ e músico francês SebastiAn, não tem medo de soar redundante ao adicionar um coro de inspiração religiosa para acompanhar a percussão já retumbante e os metais e cordas em resplandecente psicose – uma melodia que soa como o hino de uma cruzada messiânica. “Conquest Of Spaces” promove a união da influência sacra presente no trabalho do francês com o seu apreço pelo cinema de sci-fi ao associar um órgão futurista à um sintetizador de sonoridade caleidoscópica. Fechando o disco, em “The Other Side” acordes de piano e sinos entoam um belo lamento, que partilhado pelo coro e pelos arranjos de metais e cordas, acaba por se submeter ao ritmo marcial da percussão – uma analogia melódica perfeita às letras da canção.
Apesar da apoteose cinematográfica ser uma constante, há momentos nos quais o artista francês procura outras experiências sonoras, como em duas músicas de atmosferas opostas, “The Great Escape” e “The Shore”: a primeira, que não deixa de lado a percussão frenética e incansável, é uma música mais despretensiosa e alegre, com arranjos orquestrais mais simples que se limitam a complementar a música, enquanto a segunda, conduzida por um piano aristocrático, vai ganhando colorações ainda mais formais e clássicas à medida que levantam-se metais e cordas que reforçam suas pretensões algo operísticas. Além disso, há também instantes mais introspectivos nos quais Woodkid consegue em grande parte dominar e balancear seu vocal, como em “Boat Song”, onde sintetizações que remetem à produção setentista de Brian Eno evitam inutilmente a tristeza compassiva dos trompetes e do piano, e “Where I Live”, uma balada onde os floreios de metais concedem algum conforto à voz e ao piano que compartilham desmedida dose de doçura e pesar.
The Golden Age é um debut impetuoso e impecável que certamente vai ser rejeitado por muitos por beirar o excessivo, o megalômano, por querer ser incondicionalmente muito ou tudo ao mesmo tempo: romântico, épico, delicado, fascinante, sensível, apoteótico. Mas é inegavelmente uma obra emocionante, fruto da dedicação de um artista imbuído de uma sincera vontade de trazer à realidade seus sonhos e ideais mais caros, inspirado pela inocência e inconsequência da infância, a era dourada que ficou no passado e dá nome ao disco, e pela inevitabilidade da vida adulta, realidade que passamos a viver para o resto de nossa existência e que por vezes é fria e dura demais para poder ser tolerada. Portanto, por baixo de toda a esplendorosa grandiloquência, por baixo da pompa percussiva e da avalanche de arranjos orquestrais que arrebata muitos e irrita tantos outros, há situações e sentimentos tão verdadeiros e simples quanto a daquela banda indie que foi apontada como a mais nova sensação por aquele coletivo online ou blog hypadíssimo que adora posar de humilde e apontar o dedo para a “mídia oficial”, mas que, na verdade, é um veículo de comunicação tão super produzido quanto este último. O exato oposto de Woodkid, um artista que em momento algum finge ser aquilo que não é.

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Woodkid – “I Love You” (video)

Woodkid - I Love You
E finalmente teve sua estréia o tão esperado terceiro (e provavelmente último) vídeo a ser liberado pelo músico, compositor e diretor francês Woodkid antes do lançamento de The Golden Age, seu álbum de estréia. Após uma brevíssima referência ao personagem do garoto que foi introduzido no vídeo de “Iron” e que protagonizou o vídeo de “Run, Boy, Run”, somos apresentados à um personagem também retratado em “Iron”, o homem jovem que parece ser um sacerdote cristão, que neste vídeo chega para realizar seu culto em uma capela de algum vilarejo de camponeses russos. Ao mesmo tempo que ele toca o órgão da igreja para os seus fiéis, nos é apresentado este jovem como um outro personagem em uma jornada através de um imponente e vasto deserto gelado e rochoso até chegar ao litoral, onde acaba por atirar-se no fundo do oceano. Esta história paralela, na verdade, é também contada pelo jovem sacerdote aos seus fiéis, já que ele introduz em russo o conto para eles como sendo sobre um homem que morre duas vezes: ao perder seu amor e ao se afogar nas águas geladas do oceano.
Inevitavelmente bem encenado, impecavelmente fotografado e espetacularmente elaborado, este novo vídeo Inicialmente aparenta ser mais simples do que os dois lançados por Woodkid, mas à medida que o curta se desenvolve vai sendo revelado o destino do desesperado jovem e a história torna-se mais imponente e espetacular, sendo fechada com um final misterioso e intrigante. Enquanto “Iron” e “Run, Boy, Run” tinham temáticas mais juvenis e apoteóticas, o vídeo de “I Love You” é um trabalho mais maduro e emocionante, deixando claro que Woodkid pode ir muito além das belas aventuras juvenis e épicas pelas quais ficou inicialmente conhecido – e confesso: de todos até o momento, este é o meu vídeo preferido.

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Woodkid – “I Love You” (single)

Woodkid
E hoje foi liberada “I Love You”, mais uma faixa de The Golden Age, um dos discos mais esperados dos últimos meses pelos alternativos de plantão (me incluo aqui). Um projeto sendo gestado com todo o cuidado e sem pressa pelo francês Yoann Lemoine, mais conhecido pelo pseudônimo Woodkid, o ambiciosíssimo disco está sendo acompanhado de videoclipes esplendorosos e uma pré-turnê cabulosa onde o artista está conquistando seu público sem nem mesmo ter lançado seu debut. É tudo um tanto pretensioso, mas nesse caso isso é feito com toda a propriedade, já que tudo o que se ouviu (e viu) até agora é de uma qualidade acachapante. “I Love You” prossegue mantendo o nível na estratosfera: com uma base percussiva forte, badalar apoteótico de sinos, órgãos, violinos e metais dramáticos, Woodkid solta sua voz grave e macia para tornar completo e inevitável transe sonoro.


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