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Tag: bandas

Telenova – Vapor/Slow Dance (EP) [download: mp3]

telenova - vapor/slow dance (ep, 2025)

Com seu segundo álbum (The Warning) agendado para o final de fevereiro de 2026, o trio australiano Telenova, nascido em um workshop musical co-organizado pelo ex-Death Cab for Cutie Chris Walla, liberou esta semana um generoso EP com cinco canções que dão uma prévia do lançamento. Contando com a inventividade dos multi-instrumentalistas Joshua Moriarty e Edward Quinn, o EP traz faixas recheadas com o indie pop apurado e elegante que a banda vem aprimorando, como em “Mountain Lion/Adore”, que dá bastante espaço para o vocal de Angeline Armstrong e vai sobrepondo harmonias de guitarra, baixo, bateria e sintetizações em um compasso vertiginoso que tem tanto algo de Tennis quanto de JJAMZ (banda de um disco só que passou aqui pelo sete ventos), “Bitcrush”, que logo após a intro onde surge uma rarefeita Angeline com reminiscências do downtempo de bandas como Morcheeba, lança o ouvinte em um ruidoso refrão com bateria e sintetizações caleidoscópicas, e “The Deep”, introduzida e pontuada por um synth ondulante e conduzida por uma bateria fortemente sincopada, entrega no refrão uma cadência uptempo intoxicante para que Angeline incorpore de modo genuíno versos que tratam de estados conflitantes de submissão e libertação emocional: “sozinha na sua casa, onde caio aos seus pés, sigo suas palavras até a beira do abismo, choro ao ver o amanhecer”.
O trio, porém, não se contenta em limitar suas composições aos domínios do synth e dream pop, e em duas faixas se aventura a sair caminhando por outros terrenos: enquanto “Vapor/Slow Dance” traz percussão e synths compondo uma vaga ambientação jazzística onde guitarra, bateria e drum machine somam-se em uma atmosfera lenta e vaporosa onde o vocal etéreo e distante de Armstrong adere harmoniosamente, “Paralysis Ghosts” envereda por uma melodia de sensualidade sutil e contemplativa, onde o baixo e a guitarra de riffs bem marcados flertam com o rock alternativo de bandas como Howling Bells para que Angeline, com doçura, dê voz nas letras a um astronauta, que ao sentir-se tão só no desconhecido, deseja lançar-se na atmosfera para reencontrar a terra e as pessoas que conhece. Nada mal para um trio que se conheceu por acaso em um workshop, de onde — como de todos os outros — você não espera que saia nada útil.

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Luckless (2012) [download: mp3]

luckless (album) 2012

Há projetos musicais promissores que duram alguns anos, lançam um par de discos interessantes, e por motivos desconhecidos se desfazem, de modo que seus componentes trilham diferentes rumos em suas vidas. Luckless, projeto da artista neozelandesa Ivy Rossiter, é um desses casos: hoje uma DJ e produtora musical radicada na Alemanha que acabou vinculando-se com um público pelo qual, digamos, não tenho muita simpatia, a cantora e compositora formou, em companhia do conterrâneo Will Wood, um duo musical que lançou não mais que dois discos na primeira metade da década passada. No primeiro deles, a dupla muniu-se apenas de guitarra e bateria para compor uma dezena de músicas excepcionais que transpiram a essência do mais primoroso rock alternativo e exibem traços de gêneros adjacentes, como o grunge, o que fica evidente nas canções “Hawks” e “Fermina Daza”, ambas baseadas em harmonias cíclicas da guitarra Silverstone de Ivy Rossiter. Na primeira, a cantora apossa-se do instrumento introduzindo uma sequência minimalista de riffs graves que faz par com o seu registro vocal baixo, escoltados com comedição pela bateria de Will Wood, mas no refrão a sonoridade dos instrumentos é encorpada para acompanhar o vocal mais emotivo da dupla, onde Ivy canta “quando eu acordar a noite, você vai me confortar e me abraçar, como corações expostos?”. Já na segunda, a palavra “home” é sussurrada continuamente por Will Wood como um mantra na qual a Silverstone distorcida de Ivy e a própria bateria de Will sobrepõem-se em um tropejo marcial premente, que retrai em um breve interlúdio lírico, apenas para retornar com mais urgência e transmutar-se em uma fabulosa apoteose sonora.
Porém, a proximidade com o grunge não fica apenas na dualidade complementar da dinâmica de retração/explosão sonora destas duas faixas, mas também na carga emocional do vocal juntamente com uma melancolia prevalecente nas melodias. São exemplos “Sound I See” (que inicia com certa serenidade, mas encorpa-se no refrão em um crescendo onde brilham tanto o vocal de Ivy quanto o instrumental denso e enérgico do duo) e “Skin & Bones” (que alterna introspecção e intensidade na cadência consternada de bateria e guitarra para servir de apoio ao vocal que também intercala-se entre súplica frágil e demanda imperiosa).
Ainda nessa estréia a dupla também conseguiu exibir sua habilidade na confecção de canções com arranjos mais trabalhados, como nas místicas “Cold In Our House” e “Let It Leak Out”, que guardam algo de dream rock nas guitarras etéreas e seus ruídos luminescentes que permeiam ambas as faixas, e “Bring This To An End”, uma power ballad que fecha o disco trazendo ternura e assertividade emotivas tanto no vocal quanto na música que avoluma-se à medida que avança.
Mas é a segunda faixa, “Hummingbird Heart”, que resume todo o talento da dupla na composição de melodias marcantes que tomam de assalto os ouvidos: conduzida inicialmente por uma guitarra e bateria hesitantes, em um compasso contínuo e controlado, a melodia intensifica-se em uma escalada rítmica brilhante, que sem usurpar sua graciosidade etérea e sua delicadeza emocional, culmina em um clímax melódico onde os instrumentos encadeiam-se em um pulso ligeiro como o coração do colibri que dá título a canção.
É verdade que o processo de popularização tanto do acesso quanto da produção cultural proporcionado pelas inovações tecnológicas teve impacto negativo na qualidade do que é produzido, mas penso que os longos anos ouvindo música e resenhando-a neste blog também contribuem para tornar cada vez mais incomum a possibilidade de ser arrebatado por um disco de algum artista ou banda na atualidade. Felizmente, a mesma popularização ofertada pela internet, aliada a uma boa dose de obstinação de um blogueiro já veterano, também possibilita você se deparar com o disco impecável de mais de dez anos atrás de uma banda obscura do Nova Zelândia que não existe mais – é como dizem: sou brasileiro e não desisto nunca.

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White Lies – “Keep Up” (single) [download: mp3]

white lies - keep-up (single)

A pulso acentuado do baixo é a energia condutora de “Keep Up”, novo single de “Night Light”, álbum que será lançado em novembro pela banda britânica White Lies. Apesar de bem menos acelerada e frenética que “Nothing On Me” (também já incluída neste single e já comentada em maio aqui no blog), a faixa conta com uma bateria bem encadeada, guitarras farfalhantes e cadeias de sintetizações que impulsionam a música para o crescendo melódico final onde reina a emoção no vocal de Harry McVeigh, que canta em tom de protesto “eu não quero levar a noite inteira pra ficar sóbrio, e ouvir você insistindo, ouvir você insistindo, eu não quero fingir, mas isso está acabado”.
“In the Middle”, a segunda faixa anteriormente liberada pelo grupo, também acompanha o novo single. Contando com sintetizações cintilantes, bateria palpitante e guitarras melódicas e utilizando-se em suas letras de cartas de baralho como metáfora para expressar os insucessos, incertezas e inseguranças de um relacionamento, é a mais experimental das três, reservando mais da metade de seus seis minutos para uma longa sequência instrumental onde os membros da banda alternam-se e complementam-se com desenvoltura em uma jam session idílica e hipnótica.

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White Lies – “Keep Up” (single) [mp3]

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [download: mp3]

jack ladder and the dreamlanders - cold feet (single)

Lançado como single no agora distante ano de 2011 pelo australiano Jack Ladder com sua banda “The Dreamlanders” para promover o seu álbum Hurtsville, “Cold Feet” é uma canção que suscita sonoridades que encontraram popularidade pelo início e parte dos anos 2000, similar a atmosfera das faixas menos aceleradas do Interpol e The National e as composições enxutas com padrões minimalistas de Cat Power, artistas e bandas que por sua vez conceberam sua música bebendo em fontes diversas do post-punk, rock alternativo e indie. Para dar ainda mais peso a gravidade que a sua voz de barítono concede para as letras onde versa sobre alguém que se divide entre entregar-se definitivamente ao amor que buscou por tanto tempo ou abandoná-lo por constatar que não é perfeito como até então idealizava, o cantor australiano e sua banda constroem uma harmonia cíclica, pulsante e de notas esparsas, visível no beat firme de cadência imutável da bateria, e na sequência harmônica bem espaçada da guitarra e do baixo. As sintetizações discretas que preenchem o segundo plano da canção finalizam o conjunto adensando a melodia com uma textura dark e melancólica que amplifica o plano emocional da música com precisão.

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [mp3]

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Alabama Shakes – “Another Life” (single) [download: mp3]

alabama shakes - another life (single)

A banda Alabama Shakes, originária do estado americano que seu nome faz referência, foi formada no final dos anos 2000, mas só agora prepara seu terceiro disco, após vários anos de pausa para que seus músicos experimentassem carreiras solo. “Another Life”, a música lançada no final de agosto, é o primeiro single originário da reunião do grupo, e apresenta a mistura de rock, blues e soul pela qual a banda ficou conhecida. Na canção, Brittany Howard alterna fragilidade e força no seu vocal para adornar o compasso firme da bateria e baixo e fazer frente a guitarra distorcida que surge no fim em um solo fulgurante enquanto teclados e sintetizações concluem a faixa com a dose necessária de melancolia para sonorizar as letras onde a cantora lamenta a impossibilidade de um relacionamento que não encontra maneira de prosseguir, cantando “podemos tentar em uma outra vida? Não farei você chorar novamente”.

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Alabama Shakes – “Another Life” (single) [mp3]

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Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [download: mp3]

spoon - chateau blues (single)

Spoon, a produtiva banda americana que já foi resenhada por aqui em 2010 (faz tempo!) com o disco Transference, está preparando um novo álbum e liberou na terça-feira como single duas faixas das sessões em estúdio. Sempre fiel a suas raízes no rock alternativo e indie, as faixas mantém a ambiência rock polida, ainda que preservem o aspecto de espontaneidade, muito graças à rebeldia vocal de Britt Daniel. Em “Chateau Blues”, a aspereza das guitarras e a energia sincopada da bateria não dão descanso, refletindo o tom imediatista das letras: “senhor, me ouça, parei o carro aqui na rua, venha logo e entre, onde quer ir agora?”. “Guess I’m Fallin In Love”, a segunda faixa, chega também com intensidade semelhante na cadência ritmada da bateria, mas as guitarras com riffs mais melódicos e a acústica do violão na ponte harmônica adocicam discretamente a música na qual o cantor recria livremente o conto de Sherazade sob o ponto de vista do rei Shariar, famosa história de “As Mil e Uma Noites”.

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Spoon – “Chateau Blues” / “Guess I’m Fallin In Love” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005