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Tag: bandas

Death Cab For Cutie – “Riptides” (single) [download: mp3]

death cab for cutie - riptides (single, 2026)

Ao lançar os álbuns Transatlanticism (2003) e Plans (2005), a banda americana Death Cab For Cutie ocupou um espaço importante nos domínios do indie rock ao unir melodias intimistas, mas muito bem construídas, com letras emotivas e profundamente poéticas. Contudo, a partir do final da década, isso foi deixando de ser o foco do grupo, que passou a desenvolver uma musicalidade que só consigo definir como mais “cerebral” – isso não significa que a música da banda perdeu qualidade, mas ela certamente foi deixando de lado a forte identidade com a qual tinha se associado antes em detrimento de um rock às vezes mais expansivo e experimental (como em “I Will Possess Your Heart”), em outras mais disciplinado e acessível (como em “The Ghosts of Beverly Drive”).

death cab for cutie - riptides (single, 2026) post 01
Death Cab For Cutie equilibra o rigor melódico que preserva há tantos anos com uma boa dose de espontaneidade juvenil no single “Riptides”

O compasso bem marcado da bateria e baixo em “Riptides”, o novo single liberado pela banda como prévia do disco I Built You a Tower, preserva esse caráter mais polido das músicas que a banda vem compondo ao longo de cerca de quinze anos. Ao mesmo tempo, porém, a evolução e o adensamento melódico da canção, onde se destacam os acordes progressivos das guitarras, retoma algo daquela espontaneidade com a qual a banda passou a ser conhecida há cerca de vinte anos. Esse amálgama melódico é intencional, pois reflete as letras nas quais o vocalista Ben Gibbard confessa que o conformismo que sustentava seus relacionamentos chegou ao ponto de exaustão e rompimento. Depois de tantos anos depurando rigor melódico, talvez a banda tenha sentido a necessidade de temperar essa maturidade com boas pitadas de emoção juvenil – descobriremos se isso se confirma em junho, na chegada de I Built You a Tower.

Death Cab For Cutie – “Riptides” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Death Cab For Cutie - Riptides (Single) - 2026
Death Cab For Cutie - Riptides (Single) - 2026

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Death Cab For Cutie - Riptides (Single) - 2026
Death Cab For Cutie - Riptides (Single) - 2026

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War Child – Help (2) (Vários Artistas) [download: mp3]

help (2) - pulp, bat for lashes, olivia rodrigo (2026)

Estabelecida no advento do sangrento conflito nos Balcãs, a organização War Child foi criada com o objetivo de ajudar as crianças afligidas pelo conflito que fraturou a Iugoslávia no início dos anos 90. Uma das ações na época foi o lançamento em 1995 do disco beneficente Help, que trazia canções de artistas de renome, como Sinéad O’Connor, Portishead, Radiohead e Oasis. Trinta anos depois, a organização repete o feito com um álbum repleto de artistas consagrados e independentes, e entre o grande número de canções cedidas para a iniciativa, três dos convidados conseguiram se destacar com suas contribuições. Pulp, o grupo veterano que lançou ano passado um novo disco depois de quase 25 anos, traz “Begging For Change”, uma canção original em seu rock intrépido com uma súcia de guitarras encadeadas sobre bateria vigorosa e uma fartura de vocais de fundo, enquanto Jarvis Cocker, com seu clássico vocal petulante, distribui deboche sem poupar ninguém, seja a elite que controla o mundo, seja a militância de butique que vomita seu discurso vazio e demagógico.

help (2) - pulp,  bat for lashes, olivia rodrigo (2026) post 01
A banda Pulp, junto com Bat For Lashes e Olivia Rodrigo contribuíram com as melhores canções da antologia beneficente

Compatriota da banda de Jarvis, Natasha Khan (mais conhecida como Bat For Lashes) também tem êxito com a sua composição “Carried My Girl”, uma faixa guiada por um piano lento e apreensivo que ecoa em uma atmosfera mística na qual o vocal poderoso da inglesa ressoa o conto sofrido de uma mãe que percorre um mundo desolado carregando em seus braços a filha sem vida. A terceira faixa que se distingue na antologia sonora é da americana Olivia Rodrigo em um cover de “The Book of Love”, composição lançada em 1999 pela banda indie “The Magnetic Fields” e que já foi alvo de outros artistas, como Peter Gabriel e Tracey Thorn. Como todos anteriormente, Olivia preserva a delicadeza da melodia transformando-a em uma balada folk ao sabor de um violão carinhoso, orquestração adocicada e vocal meigo, fechando o disco com uma canção que adentra os ouvidos com mansidão e ali permanece, tocando fundo os sentidos com uma eficiência jamais atingida pelas palavras de ordem pueris e o ativismo oportunista daqueles que – lamentavelmente – usam estas causas para fins políticos e ideológicos.

Metric – “War Child – Help (2) (Vários Artistas) [mp3]

Ouça (Spotify):

Vários Artistas - Help (2) - 2026
Vários Artistas - Help (2) - 2026

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Vários Artistas - Help (2) - 2026
Vários Artistas - Help (2) - 2026

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Metric – “Times Is a Bomb” (single) [download: mp3]

metric - time is a bomb (single, 2026)

O grupo canadense Metric já tem novo álbum agendado para 24 de abril, mas como é de praxe hoje em dia, a banda já disponibilizou duas canções como aperitivo para os fãs mais ansiosos. Liberada esta semana, “Time Is a Bomb” é a melhor até o momento e traz em seu genoma marcadores de álbuns anteriores com sonoridades distintas, como Fantasies (mais pop/rock) e Synthetica (mais eletronicamente experimental), o que faz sentido com declarações recentes da banda de revisar sua história para este décimo disco.

metric - time is a bomb (single, 2026) post 01
O novo single do Metric recupera a sonoridade de discos como Fantasies e Synthetica

Somos introduzidos na música com um piano de toques esparsos e sintetizadores ao fundo que preenchem o ar com uma atmosfera de antecipação para que a bateria firme e guitarras de riffs afiados e escalonados assumam suas posições, reconfigurando sucessivamente a melodia, que conclui com o retorno do piano em um epílogo delicado. O trabalho vocal de Emily Haines, que canta versos sobre imediatismo, devoção e dependência amorosa, é essencial para contornar as curvas abruptas da harmonia, alternando com naturalidade entre delicadeza emocional e urgência passional – essa última provavelmente reflete melhor o sentimento dos fãs, que terão que esperar até o final de abril para descobrir o que mais o grupo canadense preparou para o disco.

Metric – “Times Is a Bomb” (Single) [mp3]

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Metric - Times Is a Bomb (Single) - 2026
Metric - Times Is a Bomb (Single) - 2026

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Metric - Times Is a Bomb (Single) - 2026
Metric - Times Is a Bomb (Single) - 2026

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Culture Wars – “Typical Ways” (single) [download: mp3]

culture wars - typical ways (single, 2025)

Banda originária de Austin, no estado americano do Texas, Culture Wars vem consolidando sua sonoridade de rock alternativo abrindo apresentações de bandas de rock e pop/rock mais populares, como Keane e Maroon 5 – com quem os texanos apresentam mais semelhança sonora. Com um EP liberado em 2021, o grupo americano nos últimos dois anos lançou uma série de singles em preparação ao primeiro álbum, previsto para chegar este ano.

culture wars - typical ways (single, 2025) post 01
Banda texana lançou ano passado um single pop/rock frenético

Entre as canções do ano passado, se destaca a intensa “Typical Ways”: apesar de introduzida com o trio guitarra, baixo e bateria em ginga discreta sob vocal embebido em malemolência pop/rock, o clima de “encontro noturno no barzinho” não dura nem um minuto, pois logo o refrão converte o molejo melódico em puro fervor rítmico, com bateria intensa e guitarras densas adornadas pelo vocal frenético de Alex Dugan ao cantar os versos nos quais alerta alguém que adora: é melhor se afastar dele, pois ele não pretende mudar – e eu espero que não mude, pois, se a banda mantiver todo esse entusiasmo musical, temos chances de um álbum interessante este ano.

Baixe:
Culture Wars – “Typical Ways” (Single) [mp3]

Ouça (Spotify):

Culture Wars - Typical Ways - Single, 2025
Culture Wars - Typical Ways - Single, 2025

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Culture Wars - Typical Ways - Single, 2025
Culture Wars - Typical Ways - Single, 2025

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Telenova – Vapor/Slow Dance (EP) [download: mp3]

telenova - vapor/slow dance (ep, 2025)

Com seu segundo álbum (The Warning) agendado para o final de fevereiro de 2026, o trio australiano Telenova, nascido em um workshop musical co-organizado pelo ex-Death Cab for Cutie Chris Walla, liberou esta semana um generoso EP com cinco canções que dão uma prévia do lançamento. Contando com a inventividade dos multi-instrumentalistas Joshua Moriarty e Edward Quinn, o EP traz faixas recheadas com o indie pop apurado e elegante que a banda vem aprimorando, como em “Mountain Lion/Adore”, que dá bastante espaço para o vocal de Angeline Armstrong e vai sobrepondo harmonias de guitarra, baixo, bateria e sintetizações em um compasso vertiginoso que tem tanto algo de Tennis quanto de JJAMZ (banda de um disco só que passou aqui pelo sete ventos), “Bitcrush”, que logo após a intro onde surge uma rarefeita Angeline com reminiscências do downtempo de bandas como Morcheeba, lança o ouvinte em um ruidoso refrão com bateria e sintetizações caleidoscópicas, e “The Deep”, introduzida e pontuada por um synth ondulante e conduzida por uma bateria fortemente sincopada, entrega no refrão uma cadência uptempo intoxicante para que Angeline incorpore de modo genuíno versos que tratam de estados conflitantes de submissão e libertação emocional: “sozinha na sua casa, onde caio aos seus pés, sigo suas palavras até a beira do abismo, choro ao ver o amanhecer”.
O trio, porém, não se contenta em limitar suas composições aos domínios do synth e dream pop, e em duas faixas se aventura a sair caminhando por outros terrenos: enquanto “Vapor/Slow Dance” traz percussão e synths compondo uma vaga ambientação jazzística onde guitarra, bateria e drum machine somam-se em uma atmosfera lenta e vaporosa onde o vocal etéreo e distante de Armstrong adere harmoniosamente, “Paralysis Ghosts” envereda por uma melodia de sensualidade sutil e contemplativa, onde o baixo e a guitarra de riffs bem marcados flertam com o rock alternativo de bandas como Howling Bells para que Angeline, com doçura, dê voz nas letras a um astronauta, que ao sentir-se tão só no desconhecido, deseja lançar-se na atmosfera para reencontrar a terra e as pessoas que conhece. Nada mal para um trio que se conheceu por acaso em um workshop, de onde — como de todos os outros — você não espera que saia nada útil.

Baixe: Telenova – Vapor/Slow Dance (EP) [mp3]

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Luckless (2012) [download: mp3]

luckless (album) 2012

Há projetos musicais promissores que duram alguns anos, lançam um par de discos interessantes, e por motivos desconhecidos se desfazem, de modo que seus componentes trilham diferentes rumos em suas vidas. Luckless, projeto da artista neozelandesa Ivy Rossiter, é um desses casos: hoje uma DJ e produtora musical radicada na Alemanha que acabou vinculando-se com um público pelo qual, digamos, não tenho muita simpatia, a cantora e compositora formou, em companhia do conterrâneo Will Wood, um duo musical que lançou não mais que dois discos na primeira metade da década passada. No primeiro deles, a dupla muniu-se apenas de guitarra e bateria para compor uma dezena de músicas excepcionais que transpiram a essência do mais primoroso rock alternativo e exibem traços de gêneros adjacentes, como o grunge, o que fica evidente nas canções “Hawks” e “Fermina Daza”, ambas baseadas em harmonias cíclicas da guitarra Silverstone de Ivy Rossiter. Na primeira, a cantora apossa-se do instrumento introduzindo uma sequência minimalista de riffs graves que faz par com o seu registro vocal baixo, escoltados com comedição pela bateria de Will Wood, mas no refrão a sonoridade dos instrumentos é encorpada para acompanhar o vocal mais emotivo da dupla, onde Ivy canta “quando eu acordar a noite, você vai me confortar e me abraçar, como corações expostos?”. Já na segunda, a palavra “home” é sussurrada continuamente por Will Wood como um mantra na qual a Silverstone distorcida de Ivy e a própria bateria de Will sobrepõem-se em um tropejo marcial premente, que retrai em um breve interlúdio lírico, apenas para retornar com mais urgência e transmutar-se em uma fabulosa apoteose sonora.
Porém, a proximidade com o grunge não fica apenas na dualidade complementar da dinâmica de retração/explosão sonora destas duas faixas, mas também na carga emocional do vocal juntamente com uma melancolia prevalecente nas melodias. São exemplos “Sound I See” (que inicia com certa serenidade, mas encorpa-se no refrão em um crescendo onde brilham tanto o vocal de Ivy quanto o instrumental denso e enérgico do duo) e “Skin & Bones” (que alterna introspecção e intensidade na cadência consternada de bateria e guitarra para servir de apoio ao vocal que também intercala-se entre súplica frágil e demanda imperiosa).
Ainda nessa estréia a dupla também conseguiu exibir sua habilidade na confecção de canções com arranjos mais trabalhados, como nas místicas “Cold In Our House” e “Let It Leak Out”, que guardam algo de dream rock nas guitarras etéreas e seus ruídos luminescentes que permeiam ambas as faixas, e “Bring This To An End”, uma power ballad que fecha o disco trazendo ternura e assertividade emotivas tanto no vocal quanto na música que avoluma-se à medida que avança.
Mas é a segunda faixa, “Hummingbird Heart”, que resume todo o talento da dupla na composição de melodias marcantes que tomam de assalto os ouvidos: conduzida inicialmente por uma guitarra e bateria hesitantes, em um compasso contínuo e controlado, a melodia intensifica-se em uma escalada rítmica brilhante, que sem usurpar sua graciosidade etérea e sua delicadeza emocional, culmina em um clímax melódico onde os instrumentos encadeiam-se em um pulso ligeiro como o coração do colibri que dá título a canção.
É verdade que o processo de popularização tanto do acesso quanto da produção cultural proporcionado pelas inovações tecnológicas teve impacto negativo na qualidade do que é produzido, mas penso que os longos anos ouvindo música e resenhando-a neste blog também contribuem para tornar cada vez mais incomum a possibilidade de ser arrebatado por um disco de algum artista ou banda na atualidade. Felizmente, a mesma popularização ofertada pela internet, aliada a uma boa dose de obstinação de um blogueiro já veterano, também possibilita você se deparar com o disco impecável de mais de dez anos atrás de uma banda obscura do Nova Zelândia que não existe mais – é como dizem: sou brasileiro e não desisto nunca.

Baixe: Luckless (2012) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005