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Tag: bandas

Haerts – “The Lie” (single) [download: mp3]

haerts - the-lie (single)

Dupla alemã, porém radicada em New York, Haerts lançou três discos desde sua formação no início da década passada, o último deles em 2021. No começo deste mês, porém, Nini Fabi e Ben Gebert liberaram um single com duas novas canções do seu delicado indie pop, “The Lie” e “Woman On The Line”. As duas faixas dão uma prévia do quarto que será lançado em outubro e que está inserido no mesmo cenário dream pop dos discos mais recentes, que diferiram e muito da vibe pop/rock do disco de estréia.
O violão sutil e melancólico é o coração melódico da primeira faixa, abrindo o trajeto pelo qual caminham discretamente bateria e baixo, quando repentinamente a canção é tomada por camadas de guitarras e sintetizações de nuances nostálgicas que amplificam as matizes emocionais do vocal de Nini Fabi, que canta: “e eu tentei, e eu tentei, e eu disse sim a você até nós morrermos…e a promessa de ser verdadeira, mas eu menti”. Na segunda faixa, uma balada com a cantora Jenn Wasner, o violão é trocado por um piano de toques tristes, que conduz a melodia sob a qual uma programação atmosférica cresce lentamente junto com o pulso da percussão, até unirem-se na ponte sonora a uma orquestração que preenche a música de cor e luz como o sol da manhã após uma noite deprimente e solitária, o que coincide com as letras onde uma mulher externa toda a insatisfação que carrega há muito tempo sobre a vida que construiu com seu companheiro. Curiosamente, a canção nasceu inspirada pelo isolamento que a cantora experimentou na casa onde morou por anos com seu parceiro de banda (e marido) em Laguna Road (que deu nome ao próximo disco), uma localidade aparentemente pacata e frugal na California que o casal de músicos trocou pela agitação da megalópole New York tão logo concluiu a composição do novo disco – o que prova que “uma casa no campo” pode sim servir para você “compor muitos rocks rurais”, como diria Elis Regina, mas claramente “carneiros e cabras pastando solenes no jardim” não aquietam almas cosmopolitas.

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Haerts – “The Lie” (single) [mp3]

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Hoje – “Fado Amália” e “Barco Negro” (single) [download: mp3]

hoje - fado-amalia (single)

Fazendo quase 15 anos do lançamento do álbum (resenhado aqui no blog na época) que modernizou clássicos da icônica intérprete do fado, a portuguesa Amália Rodrigues, o projeto criado para o disco de 2010 com membros de diferentes bandas retornou ano passado com apresentações ao vivo nos palcos portugueses. Para celebrar o retorno, os músicos do Hoje gravaram então uma nova reinterpretação de mais um cânone da artista portuguesa, “Fado Amália” : na sempre grave e possante voz de Sónia Tavares, as letras melancólicas sobre uma mulher que por deus está destinada ao amor, mas ironicamente o desconhece, ganham um arranjo ao gosto do grupo, rico em orquestração de cordas que luxuosamente enfeitam a cadência determinada da bateria e os acordes tristes ao piano.

hoje- barco negro (single)
O retorno aos palcos e o lançamento do single acenderam a esperança de que o grupo lançaria um novo álbum, algo que o grupo ainda está avaliando. Mesmo sem a confirmação de um novo disco, a banda se reuniu novamente em estúdio para uma outra música que foi lançada este ano pelo grupo no dia 25 de Abril, data que celebra a Revolução dos Cravos, que deu fim ao Estado Novo português. A canção escolhida foi “Barco Negro”, que na verdade é uma versão de uma música brasileira chamada “Mãe Preta”. Originalmente composta por dois brasileiros e tratando das mazelas da escravidão, ao chegar em Portugal a canção não foi bem recebida pelo regime do Estado Novo, ganhando então novas letras em 1954 para a interpretação de Amália Rodrigues, que ganhou fama no filme francês “Os Amantes do Tejo”, onde a própria artista atua cantando em uma casa de fado, assim convertendo-se em um clássico português que eclipsou a versão original, o que não é nenhuma surpresa, visto que a nova letra composta pelo português David Mourão-Ferreira soa muito mais atemporal e universal ao retratar uma mulher que lamenta a perda do homem que amou, levado pela imensidão do mar. A regravação dos portugueses do Hoje conduz a canção em uma base percussiva contemporânea, repleta de reverberações acústicas e uma programação eletrônica que pontua dinamicamente a melodia sobre a qual os membros do grupo cantam em uníssono, o que evoca a atmosfera de um hino que embala uma longa jornada marítima. Agora só resta torcer para que a próxima vez que os músicos entrarem em um estúdio saiam de lá com um novo disco.

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Hoje – “Fado Amália” (single) [mp3]

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Hoje – “Barco Negro” (single) [mp3]

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Evanescence – “Afterlife” (single) [download: mp3]

Sempre tratei com certo descaso a banda americana de metal rock Evanescence, liderada pela vocalista Amy Lee. Não se trata de simples arrogância, mas o fato de que o metal é uma das únicas vertentes do rock que não consigo apreciar o suficiente – não acho ruim, é somente o fato de que não encontro afinidade com as características melódicas que permeiam o gênero. No entanto, uma ou outra vez acabo me deparando com alguma música que consegue vencer o meu desdém – e foi o que aconteceu há coisa de dois meses quando o deus do algoritmo colocou na minha frente a canção que a banda compôs para a (dizem os fãs) famigerada adaptação em anime do clássico game Devil May Cry, produzida pela Netflix. Cliquei na canção movido pela curiosidade mórbida que as sugestões do algoritmo tem me incitado, já que se trata de uma banda cujo gênero não bate com meu gosto e eu já tinha conhecimento da opinião de parte dos fãs sobre o anime. Ainda bem que tenho esse amor pelo perigo, pois a faixa foi uma grata surpresa. Construída sobre guitarra e bateria intensas, com vocal irretocável de Amy Lee, que solta o gogó sem receios, a canção sucede densidade melódica com momentos de instrumentação mais contida, até entregar seu gran finale absurdo: um fulminante solo de guitarra sobre o grito distante da vocalista e um quase imperceptível teclado em segundo plano que dá a pitada emocional final para a melodia, todos em conjunto em um amálgama cinemático perfeito.

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Evanescence – “Afterlife” (single) [mp3]

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [download: mp3]

health and chelsea wolfe - mean (single)

Chelsea Wolfe, conhecida pelo seu rock de matizes dark com letras melancólicas e soturnas, juntou-se ao grupo eletrônico alternativo Health para dar voz ao single “Mean”, lançado em maio – a parceira talvez seja resultado da abertura musical do seu último álbum, She Reaches Out To She Reaches Out To She, onde a cantora flertou explicitamente com sonoridades mais sintéticas do que normalmente visto em seus discos anteriores, ampliando visivelmente seu arcabouço melódico. A união resultou em uma faixa que preserva a atmosfera industrial que é característica do grupo de Los Angeles, marcada pelo intenso martelar da bateria eletrônica que impulsiona o exército de sintetizações sonicamente “poluídas” sobre a qual a voz etérea e sombria de Chelsea lamenta o comportamento gratuitamente cruel de seu amante: “Você quis ser cruel sem qualquer motivo? Você descontou em mim por eu estar sozinha?” – uma faixa saborosa pra quem, como eu, não tem qualquer simpatia por uma balada, mas que ainda assim gosta de dançar no meio da sala ao som de uma boa música.

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [mp3]

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Suede – “Trance State” (single) [download: mp3]

suede: trance state - single

Em setembro é lançado Antidepressants, o novo álbum da veterana banda britânica Suede, um dos grandes nomes do que é considerado o britpop e que foi formada em 1989 pelo vocalista Brett Anderson. Como aperitivo do disco, duas canções já são conhecidas do público, ambas trazendo uma prévia da sonoridade punk, ou melhor dizendo, post-punk a que aludiu Anderson nas entrevistas sobre o futuro álbum. A primeira, “Trance State”, é introduzida pela cadência firme a acentuada da guitarra e um baixo saliente, quando Brett traz um registro vocal nitidamente amargurado que reverbera por sobre os acordes agudos e etéreos da guitarra, em um relato sobre um estado de anestesia da realidade, um nocaute emocional que lhe impede de acompanhar qualquer interação social (daí a razão da faixa encerrar com uma gravação com alertas típicos a quem faz uso de ansiolíticos); a segunda, “Disintegrate” entrega uma bateria mais robusta e sincopada que conduz guitarras densas e tortuosas, enquanto Anderson solta a voz com energia em um canto tenso e premente em versos que refletem poeticamente e extraem a beleza de uma relação conturbada: “desolação como uma arte, hesitação como uma crença, e você os segura como uma arma nas suas mãos”.

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Suede – “Trance State” (single) [mp3]

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Muse – “Unravelling” (single) [download: mp3]

muse - unravelling (single)

O próximo álbum da banda britânica Muse ainda está sem data de lançamento e sem título definido, mas o primeiro single foi disponibilizado hoje nos serviços de streaming. Produzido pela banda, por Aleks Von Korff e pelo músico de apoio Dan Lancaster, que curiosamente também compôs a faixa em parceria com Matt Bellamy, “Unravelling” inicia com uma sinuosa programação de sintetizações, artifício melódico que há anos tem sido utilizado pela banda britânica com mais frequência do que eu desejaria e que apresentou seu ápice no nostálgico disco Simulation Theory, porém uma orgia de riffs de guitarra e a escandalosa intensidade de Dominic Howard na bateria ressuscitam uma sonoridade urgente e incendiária que não vemos de forma sólida nos discos do grupo britânico há cerca de 20 anos – é um aperitivo interessante, mas não significa que o prato principal (o futuro disco) não possa ser servido com ingredientes completamente distintos. Vamos aguardar.

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Muse – “Unravelling” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005