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Tag: bandas

Evanescence – “Afterlife” (single) [download: mp3]

Sempre tratei com certo descaso a banda americana de metal rock Evanescence, liderada pela vocalista Amy Lee. Não se trata de simples arrogância, mas o fato de que o metal é uma das únicas vertentes do rock que não consigo apreciar o suficiente – não acho ruim, é somente o fato de que não encontro afinidade com as características melódicas que permeiam o gênero. No entanto, uma ou outra vez acabo me deparando com alguma música que consegue vencer o meu desdém – e foi o que aconteceu há coisa de dois meses quando o deus do algoritmo colocou na minha frente a canção que a banda compôs para a (dizem os fãs) famigerada adaptação em anime do clássico game Devil May Cry, produzida pela Netflix. Cliquei na canção movido pela curiosidade mórbida que as sugestões do algoritmo tem me incitado, já que se trata de uma banda cujo gênero não bate com meu gosto e eu já tinha conhecimento da opinião de parte dos fãs sobre o anime. Ainda bem que tenho esse amor pelo perigo, pois a faixa foi uma grata surpresa. Construída sobre guitarra e bateria intensas, com vocal irretocável de Amy Lee, que solta o gogó sem receios, a canção sucede densidade melódica com momentos de instrumentação mais contida, até entregar seu gran finale absurdo: um fulminante solo de guitarra sobre o grito distante da vocalista e um quase imperceptível teclado em segundo plano que dá a pitada emocional final para a melodia, todos em conjunto em um amálgama cinemático perfeito.

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Evanescence – “Afterlife” (single) [mp3]

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [download: mp3]

health and chelsea wolfe - mean (single)

Chelsea Wolfe, conhecida pelo seu rock de matizes dark com letras melancólicas e soturnas, juntou-se ao grupo eletrônico alternativo Health para dar voz ao single “Mean”, lançado em maio – a parceira talvez seja resultado da abertura musical do seu último álbum, She Reaches Out To She Reaches Out To She, onde a cantora flertou explicitamente com sonoridades mais sintéticas do que normalmente visto em seus discos anteriores, ampliando visivelmente seu arcabouço melódico. A união resultou em uma faixa que preserva a atmosfera industrial que é característica do grupo de Los Angeles, marcada pelo intenso martelar da bateria eletrônica que impulsiona o exército de sintetizações sonicamente “poluídas” sobre a qual a voz etérea e sombria de Chelsea lamenta o comportamento gratuitamente cruel de seu amante: “Você quis ser cruel sem qualquer motivo? Você descontou em mim por eu estar sozinha?” – uma faixa saborosa pra quem, como eu, não tem qualquer simpatia por uma balada, mas que ainda assim gosta de dançar no meio da sala ao som de uma boa música.

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Health & Chelsea Wolfe – “Mean” (single) [mp3]

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Suede – “Trance State” (single) [download: mp3]

suede: trance state - single

Em setembro é lançado Antidepressants, o novo álbum da veterana banda britânica Suede, um dos grandes nomes do que é considerado o britpop e que foi formada em 1989 pelo vocalista Brett Anderson. Como aperitivo do disco, duas canções já são conhecidas do público, ambas trazendo uma prévia da sonoridade punk, ou melhor dizendo, post-punk a que aludiu Anderson nas entrevistas sobre o futuro álbum. A primeira, “Trance State”, é introduzida pela cadência firme a acentuada da guitarra e um baixo saliente, quando Brett traz um registro vocal nitidamente amargurado que reverbera por sobre os acordes agudos e etéreos da guitarra, em um relato sobre um estado de anestesia da realidade, um nocaute emocional que lhe impede de acompanhar qualquer interação social (daí a razão da faixa encerrar com uma gravação com alertas típicos a quem faz uso de ansiolíticos); a segunda, “Disintegrate” entrega uma bateria mais robusta e sincopada que conduz guitarras densas e tortuosas, enquanto Anderson solta a voz com energia em um canto tenso e premente em versos que refletem poeticamente e extraem a beleza de uma relação conturbada: “desolação como uma arte, hesitação como uma crença, e você os segura como uma arma nas suas mãos”.

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Suede – “Trance State” (single) [mp3]

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Muse – “Unravelling” (single) [download: mp3]

muse - unravelling (single)

O próximo álbum da banda britânica Muse ainda está sem data de lançamento e sem título definido, mas o primeiro single foi disponibilizado hoje nos serviços de streaming. Produzido pela banda, por Aleks Von Korff e pelo músico de apoio Dan Lancaster, que curiosamente também compôs a faixa em parceria com Matt Bellamy, “Unravelling” inicia com uma sinuosa programação de sintetizações, artifício melódico que há anos tem sido utilizado pela banda britânica com mais frequência do que eu desejaria e que apresentou seu ápice no nostálgico disco Simulation Theory, porém uma orgia de riffs de guitarra e a escandalosa intensidade de Dominic Howard na bateria ressuscitam uma sonoridade urgente e incendiária que não vemos de forma sólida nos discos do grupo britânico há cerca de 20 anos – é um aperitivo interessante, mas não significa que o prato principal (o futuro disco) não possa ser servido com ingredientes completamente distintos. Vamos aguardar.

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Muse – “Unravelling” (single) [mp3]

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White Lies – “Nothing On Me” (single) [download: mp3]

white lies - nothing on me (single)

Liberado esta semana nas plataformas digitais pela banda britânica White Lies, o single “Nothing On Me” é breve, mas intenso: logo após sintetizadores ondulantes abrirem a canção num rápido crescendo, a melodia é tomada de assalto por uma súcia de eletronismos transbordantes, confessadamente inspirados no rock progressivo dos anos 70, seguido de uma onda de guitarras exuberantes e de uma bateria frenética que faz referência ao motorik beat, cuja origem encontra-se nos anos 60, em bandas da Alemanha Oriental como Kraftwerk e Can. Sobre essa melodia ruidosamente hiperbólica, que só consigo descrever como ser conduzido em alta velocidade em um veículo desgovernado dentro de um túnel intensamente iluminado, a voz sutilmente rouca do vocalista Harry McVeigh reflete o efêmero e abstrato estado de confusão após uma discussão com alguém querido – o que coincide com o frenesi melódico da faixa.

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White Lies – “Nothing On Me” (single) [mp3]

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Abstract Crimewave (feat. Lykke Li) – “The Gambler” versão do album e Yttling Jazz Remix [single] [download: mp3]

abstract crimewave lykke li - the gambler yttling jazz remix

Colaborando com Joakim Åhlund e Björn Yttling (produtor dos seus três primeiros discos e mais conhecido por sua banda Peter, Björn & John) no projeto Abstract Crimewave em 2024, a cantora sueca Lykke Li cedeu sua voz ao vibrante single “The Gambler”, faixa do disco The Longest Night. A canção descaradamente dançante, originalmente calcada nos esfuziantes sintetizadores e teclados e nos riffs ecoantes de uma guitarra que desejaria ser um piano, teve nos últimos dias liberada uma versão alternativa que se despoja inteiramente de suas vestes radiantes e recobre-se em trajes bem mais intimistas: introduzida por toques adocicados ao piano e conduzida por uma percussão delicada sobre a qual o timbre cálido e aveludado da voz de Lykke Li pode ser apreciado em sua completitude, a melodia ganha uma estrela inesperada quando o xilofone, que se continha discretamente ao fundo, revela-se em incontida destreza, roubando inteiramente o cartaz da canção em uma jam session delirante, o que faz jus inteiramente ao “jazz” incluído no título do remix.

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Abstract Crimewave – “The Gambler” (feat. Lykke Li) (versão do álbum e Yttling Jazz Remix) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005