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Tag: bandas

White Lies – “Nothing On Me” (single) [download: mp3]

white lies - nothing on me (single)

Liberado esta semana nas plataformas digitais pela banda britânica White Lies, o single “Nothing On Me” é breve, mas intenso: logo após sintetizadores ondulantes abrirem a canção num rápido crescendo, a melodia é tomada de assalto por uma súcia de eletronismos transbordantes, confessadamente inspirados no rock progressivo dos anos 70, seguido de uma onda de guitarras exuberantes e de uma bateria frenética que faz referência ao motorik beat, cuja origem encontra-se nos anos 60, em bandas da Alemanha Oriental como Kraftwerk e Can. Sobre essa melodia ruidosamente hiperbólica, que só consigo descrever como ser conduzido em alta velocidade em um veículo desgovernado dentro de um túnel intensamente iluminado, a voz sutilmente rouca do vocalista Harry McVeigh reflete o efêmero e abstrato estado de confusão após uma discussão com alguém querido – o que coincide com o frenesi melódico da faixa.

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White Lies – “Nothing On Me” (single) [mp3]

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Abstract Crimewave (feat. Lykke Li) – “The Gambler” versão do album e Yttling Jazz Remix [single] [download: mp3]

abstract crimewave lykke li - the gambler yttling jazz remix

Colaborando com Joakim Åhlund e Björn Yttling (produtor dos seus três primeiros discos e mais conhecido por sua banda Peter, Björn & John) no projeto Abstract Crimewave em 2024, a cantora sueca Lykke Li cedeu sua voz ao vibrante single “The Gambler”, faixa do disco The Longest Night. A canção descaradamente dançante, originalmente calcada nos esfuziantes sintetizadores e teclados e nos riffs ecoantes de uma guitarra que desejaria ser um piano, teve nos últimos dias liberada uma versão alternativa que se despoja inteiramente de suas vestes radiantes e recobre-se em trajes bem mais intimistas: introduzida por toques adocicados ao piano e conduzida por uma percussão delicada sobre a qual o timbre cálido e aveludado da voz de Lykke Li pode ser apreciado em sua completitude, a melodia ganha uma estrela inesperada quando o xilofone, que se continha discretamente ao fundo, revela-se em incontida destreza, roubando inteiramente o cartaz da canção em uma jam session delirante, o que faz jus inteiramente ao “jazz” incluído no título do remix.

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Abstract Crimewave – “The Gambler” (feat. Lykke Li) (versão do álbum e Yttling Jazz Remix) [mp3]

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The Edge & Sinéad O’Connor – “Heroine (Theme From Captive)” (Single) [download: mp3]

the edge and sinead o'connor - heroine single

No agora distante ano de 1986, em sua primeira empreitada profissional relevante, a irlandesa Sinéad O’Connor uniu-se brevemente a um conterrâneo seu para ajudar a compor e dar voz a canção tema de um filme até hoje pouco conhecido: Captive, longa-metragem dirigido por Paul Mayersberg que o também irlândes The Edge, então já reconhecido como o guitarrista da banda U2, escreveu em co-autoria com o compositor Michael Brook. Introduzida por uma perseverante harmonia de cordas ao teclado e sobreposta por um vocal mais contido e precoce da cantora, que aparentemente ainda não havia amadurecido o canto marcante e ousado que surgiu já no seu primeiro disco, a faixa é pontuada pelos característicos acordes atmosféricos e reverberantes da guitarra de The Edge, que formaram a identidade de sua banda naquela década, e claro, uma bateria que se avoluma na sequência final da melodia, produzindo a sonoridade tão singular da musicalidade pop e rock dos saudosos e excepcionais anos 80. Apesar do obscuro filme sobre o sequestro da filha de um magnata não ter obtido êxito de público e crítica, ao menos serviu para registrar a gênese musical da cantora cujo talento e voz excepcionais, infelizmente, perdemos em 2023.

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HotKid – “Rip It Into Pieces” (single) [vídeo, download: mp3]

hotkid rip it into pieces single

Inicialmente uma dupla, agora um trio, a banda canadense HotKid costuma centrar suas composições ao redor das cordas de guitarras – muito por influência da adoração da líder do grupo, Shiloh Harrison, por elas. E é por isso que no seu single “Rip Into Pieces”, lançado em 2011, o instrumento se apresenta de modo tão proeminente, em riffs fartos e alucinantes que são heroicamente acompanhados por uma bateria igualmente frenética e densa. Shiloh também não se envergonha de colocar toda a potência do seu vocal, externado a plenos pulmões e pontuado por berros desvairados de pura energia rockeira, para coroar a extravagante melodia. O videoclipe que acompanha o single segue a mesma toada insana, com uma cornucópia de sobreposições de imagens e cores, luzes estroboscópicas, câmeras lentas e aceleradas, explosões e muita fumaça cenográfica – moderação e comedimento, definitivamente, são conceitos inexistentes para esta banda!

Baixe: HotKid – “Rip It Into Pieces” (single) [mp3]

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Sharon Van Etten & The Attachment Theory [download: mp3]

sharon van etten and the attachment theory 2025

Ao longo de todos os anos de sua carreira, mesmo acompanhada de uma banda de apoio, a americana Sharon Van Etten sempre encarou seus esforços musicais de modo isolado de sua banda, assumindo a autoria de todos os discos ao lado de seus respectivos produtores. Em 2025, porém, isso mudou: em seu novo álbum liberado há poucas semanas, Sharon quebra esta tradição e credita sua banda, chamada The Attachment Theory, como sua parceira criativa.
Isso, no entanto, não mudou certas aspirações artísticas que a artista vem carregando consigo. Sharon continua bebendo em fontes sólidas do rock alternativo, particularmente o sutil experimentalismo eletrônico de PJ Harvey na virada do milênio. É o que podemos observar na canção de abertura, “Live Forever”, onde Sharon, acompanhando uma hipnótica harmonia de sintetizações sob uma bateria sincopada, entrega-se em um fervor quase religioso, repetidamente se indagando “who wants to live forever?” como um mantra cujo significado tenta penosamente alcançar. Influências do trabalho da britânica também podem ser observadas na faixa seguinte, “Afterlife”, escrita em homenagem a um jovem amigo falecido: buscando confortar seu sofrimento, a cantora suplica “tell me I’ll be fine doin’ what I like” em um canto emocionado sobre uma bateria ritmada e camadas de sintetizadores luminosos. Mais a frente no disco, uma inquietação sonora ainda maior pode ser observada na vibrante “Southern Life (What It Must Be Like)”, onde bateria, baixo, guitarras e programação de sintetizadores comungam com o vocal carregado de constrição monocórdica para elevarem-se em um delírio synth-rock espiralante. Em contraste, “Fading Beauty” apresenta uma melodia marcada por um contínuo pulso intangível e instrumentação esparsa sobre a qual o falsete entorpecido de Van Etten canta digressões sobre a beleza e efemeridade da vida.
Há, contudo, momentos no disco nos quais podemos reparar referências mais distantes. Nisto se encaixam “Trouble”, cuja melodia narcoléptica traz no compasso volátil da bateria e nos acordes lânguidos do baixo o odor inconfundível do goth-rock oitentista, e “Idiot Box”, que com seu crescendo nos riffs consistentes na guitarra e na bateria em adensamento melódico manifesta aspirações da encarnação de uma Cat Power possuída pelo espírito do New Wave – uma composição tão peculiar que definitivamente merece ser apreciada.

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The Cranberries – In The End [download: mp3]

the-cranberries-in-the-end

É algo difícil não sentir que os versos “do you remember, remember the night, at a hotel in London”, que abrem In The End, álbum que marca o fim da banda irlandesa The Cranberries, estão de alguma forma associados, como uma espécie de presságio do acontecido, com a estúpida fatalidade que tirou a vida da vocalista Dolores O’Riordan em um hotel em Londres. Mas sabe-se que, na verdade, a impressão não passa de uma daquelas bizarras coincidências da vida, e seria tolice permitir que isso interferisse na apreciação das canções do modo como foram idealizadas por Dolores neste álbum que foi finalizado pelos membros restantes da banda (os irmãos Noel e Mike Hogan e Fergal Lawler). Assim pode-se aproveitar devidamente a melodia agitada da bateria sempre firme de Fergal e da guitarra e baixo fluídos dos irmãos Hogan em “It’s All Over Now” tanto quanto se pode desfrutar plenamente o vocal sofrido de Dolores e a melodia sutilmente apoiada por orquestração de cordas, que versa entre a melancolia resignada e a aflição amargurada, em “Lost”.
Dissipada a perturbação, é possível distinguir melhor os acertos e erros do disco – e estes, felizmente, são poucos. É o caso de “A Place I Know”, que figura entre os equívocos por desperdiçar os toques reluzentes no violão que introduzem a canção com um refrão tedioso e sem brilho, e de “Crazy Heart”, faixa promissora que acabou escondida por trás da melodia e vocal apagados – dentre todas as faixas, é a única que deixa realmente nítido que os vocais são fruto de uma sessão de demos e que, provavelmente, este jamais teria sido selecionado como a versão final para a canção.
Mas foi justamente ao se utilizarem de material vocal que não foi originalmente concebido como o definitivo para as canções que Noel, Mike, Fergal, e o produtor Stephen Street conseguiram demonstrar toda a qualidade musical da banda irlandesa, em um excepcional exemplo de competência, devoção e amor pela música. O resultado deste esforço notável são as faixas “Wake Me When It’s over”, que traz vocal e violão em afinada sintonia e refrão denso, recheado com a sonoridade da guitarra e da bateria, “Catch Me If You Can”, com uma intro encantadora que apresenta um piano fugaz e distante, logo solapada por uma melodia envolvente com vocal, orquestração de cordas e bateria carregadas de emoção, e “Summer Song”, que cativa já nos primeiros instantes pela luminosa harmonia entre o vocal de Dolores e a instrumentação posteriormente concebida pelos seus amigos e companheiros de banda.
Inevitavelmente, a agridoce e melancólica faixa-título foi escolhida para fechar o disco e, consequentemente, a carreira da banda irlandesa: “take my house, take the car, take the clothes, but you can’t take the spirit”, canta Dolores com vocal delicado e gracioso sobre violão, baixo e bateria serenos. Os versos talvez soem um pouco piegas, mas a verdade é que, embora o The Cranberries chegue ao seu fim, o “espírito” desta banda – sua sonoridade única e inimitável – jamais vai perecer.

Baixe: The Cranberries – In The End [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005