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Tag: pop europeu

Hoje – “Fado Amália” e “Barco Negro” (single) [download: mp3]

hoje - fado-amalia (single)

Fazendo quase 15 anos do lançamento do álbum (resenhado aqui no blog na época) que modernizou clássicos da icônica intérprete do fado, a portuguesa Amália Rodrigues, o projeto criado para o disco de 2010 com membros de diferentes bandas retornou ano passado com apresentações ao vivo nos palcos portugueses. Para celebrar o retorno, os músicos do Hoje gravaram então uma nova reinterpretação de mais um cânone da artista portuguesa, “Fado Amália” : na sempre grave e possante voz de Sónia Tavares, as letras melancólicas sobre uma mulher que por deus está destinada ao amor, mas ironicamente o desconhece, ganham um arranjo ao gosto do grupo, rico em orquestração de cordas que luxuosamente enfeitam a cadência determinada da bateria e os acordes tristes ao piano.

hoje- barco negro (single)
O retorno aos palcos e o lançamento do single acenderam a esperança de que o grupo lançaria um novo álbum, algo que o grupo ainda está avaliando. Mesmo sem a confirmação de um novo disco, a banda se reuniu novamente em estúdio para uma outra música que foi lançada este ano pelo grupo no dia 25 de Abril, data que celebra a Revolução dos Cravos, que deu fim ao Estado Novo português. A canção escolhida foi “Barco Negro”, que na verdade é uma versão de uma música brasileira chamada “Mãe Preta”. Originalmente composta por dois brasileiros e tratando das mazelas da escravidão, ao chegar em Portugal a canção não foi bem recebida pelo regime do Estado Novo, ganhando então novas letras em 1954 para a interpretação de Amália Rodrigues, que ganhou fama no filme francês “Os Amantes do Tejo”, onde a própria artista atua cantando em uma casa de fado, assim convertendo-se em um clássico português que eclipsou a versão original, o que não é nenhuma surpresa, visto que a nova letra composta pelo português David Mourão-Ferreira soa muito mais atemporal e universal ao retratar uma mulher que lamenta a perda do homem que amou, levado pela imensidão do mar. A regravação dos portugueses do Hoje conduz a canção em uma base percussiva contemporânea, repleta de reverberações acústicas e uma programação eletrônica que pontua dinamicamente a melodia sobre a qual os membros do grupo cantam em uníssono, o que evoca a atmosfera de um hino que embala uma longa jornada marítima. Agora só resta torcer para que a próxima vez que os músicos entrarem em um estúdio saiam de lá com um novo disco.

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Hoje – “Fado Amália” (single) [mp3]

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Hoje – “Barco Negro” (single) [mp3]

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Woodkid – Death Stranding 2: On The Beach [mp3: download]

woodkid for death stranding 2

O francês Yoann Lemoine, mais conhecido como Woodkid, além de um talentoso artista gráfico e diretor de vídeos, também é músico. Após The Golden Age em 2013, seu disco de estréia que já foi objeto de um texto aqui no blog, Woodkid compôs em 2016 a trilha sonora do filme Desierto, de Jonás Cuarón (filho de Alfonso Cuarón) e lançou seu segundo álbum em 2020. Na semana passada o artista retornou, desta vez como a estrela da trilha sonora de Death Stranding 2: On The Beach, sequência do jogo do diretor japonês Hideo Kojima, adorado e cultuado tanto pela mídia quanto por parte da comunidade gamer (um tanto exageradamente, a meu ver). Contemplativo, cinemático e surreal, o jogo original de 2019 teve a música dos grupos indie Low Roar e Silent Poets como pilares essenciais de sua atmosfera singular. Com a morte do principal membro do primeiro dos dois grupos, Hideo Kojima voltou-se para o francês Lemoine como sendo alguém capaz de levar a frente a tarefa de preservar a atmosfera particular da história através de sua música.
A empreitada sonora inicia-se com a canção que acabou sendo escolhida como o single do álbum, “To The Wilder”: acompanhado por uma base orquestral ao mesmo tempo pujante e melancólica e percussão de cadência firme, Woodkid entrega-se a expectativa de um dia reencontrar aquele que incentivou a partir e aventurar-se em seu próprio caminho pelo mundo. A centralidade da canção neste projeto fica evidente pela presença de mais 3 versões alternativas no disco: um dueto com a atriz Elle Fanning que amplia suas matizes cinematográficas, uma versão ao piano, em cujo despojamento pode-se apreciar com clareza a imensa beleza da melodia e a fragilidade emocional do vocal do artista francês, e uma inevitável versão instrumental, que não deixa dúvidas que continua intacta a capacidade de Woodkid de compor paisagens emocionais. A faixa seguinte, “Any Love of Any Kind” também é apresentada em duas versões, a primeira um dueto com Bryce Dessner, membro da banda The National, em forma de balada delicada com violão em primeiro plano e uma discreta base orquestral, a segunda substituindo quase completamente o instrumental da melodia pelo canto de um coral de crianças. Confesso preferir a segunda, pois apesar de a harmonia do violão retratar muito bem a sonoridade de jornada contemplativa que é própria de Death Stranding, a meu ver o vocal de Dressner não acrescenta nenhum tipo de contraste ao dueto, uma vez que se assemelha enormemente ao falsete do próprio Woodkid. Isso já não incomoda tanto na versão alternativa porque o coral de crianças, que substitui quase completamente o instrumental da melodia, inunda os ouvidos com comovente graciosidade. O expediente de utilizar um coral de crianças, diga-se, não se faz presente unicamente nesta faixa, pois é protagonista do interlúdio sonoro “Amekara Nijie”, desta vez cantando em japonês – certamente influência residual do trabalho do artista francês no seu álbum S16, cuja faixa “Minus Sixty-One”, onde Woodkid é acompanhado de um coral de crianças novamente cantando na língua oriental e onde ele tira amplo proveito da sonoridade magnífica de uma orquestra completa, é reaproveitada por ele nesta trilha sonora. As faixas restantes, em sua maioria instrumentais, se dividem entre servir como tema sonoro de algum personagem da história (caso de “Are You There”, um lamento sinistro e sentimental ao bebê Lou, e “Story of Rainy”, que no seu piano, orquestração de cordas e coral de colorações profundamente românticas ilustram o passado triste da personagem que dá nome a canção) ou servir de alicerce sonoro para sequências de gameplay (caso das faixas “Black Drift”, “Asphalt Maelstrom” e “Quiet Strike”, que em sua fusão de harmonias eletrônicas com orquestrais apresentam variações melódicas de um mesmo motivo sonoro).
Depois de ouvir com atenção o disco, fica evidente que Hideo Kojima, mesmo que eu não ache se tratar do grande gênio visionário propalado por mídia e fãs, foi inteligente e perspicaz ao selecionar Woodkid para o trabalho de transpor para o campo da música todos os seus devaneios narrativos, uma vez que ambos são estetas de carteirinha em uma interminável busca pela beleza épica audiovisual – como diz o ditado: boi preto conhece boi preto.

Baixe: Woodkid – Woodkid for Death Stranding 2: On The Beach [mp3]

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Ane Brun – “Two In This Story” (single) [download: mp3]

ane brun - two in this story single

Cinco anos depois de lançar dois discos em sequência em 2020, After The Great Storm e How Beauty Holds The Hand Of Sorrow, a cantora norueguesa Ane Brun prepara um novo álbum, do qual já temos o primeiro single, “Two In This Story”. Contando com a ajuda dos jovens produtores Anton Engdahl e Christian Nilsson, a artista construiu uma canção graciosa e melancólica para refletir sobre uma experiência pessoal recente: guiada pela cadência serena da drum machine e enfeitada por uma afável programação de teclados e sintetizações inspirada nas melodias refinadas de Bryan Ferry na década de 80, Ane entoa um canto suave e meigo sobre uma amizade de longos anos que descobriu ser uma farsa – uma grande frustração da qual resultou esta faixa encantadora.

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Ane Brun – “Two In This Story” (single) [mp3]

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Tanita Tikaram – “This Perfect Friend” (single) [download: mp3]

tanita tikaram - this perfect friend single

Depois de 9 anos que foi lançado seu último disco, Closer To The People, a britânica the origem filipina Tanita Tikaram retorna em outubro deste ano com um novo álbum chamado Lair: Love Isn’t a Right, cujo primeiro single, “This Perfect Friend” foi liberado esta semana: sobre uma música doce e algo triste, que é introduzida por um piano delicado, bateria sutil e acompanhado por violoncelo que preenche a melodia de expectativa, Tanita se pergunta quem seria este “amigo perfeito” que seria capaz de ao mesmo tempo acalmar e perturbar seu espírito? A música prossegue, com os instrumentos unindo-se a um auspicioso violino para compor uma ponte melódica fulgurante que conclui com um piano repleto de suspense.

Baixe:
Tanita Tikaram – “This Perfect Friend” (single) [mp3]

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Onuka – “Zenit” (Single) [download: mp3]

Single lançado em 2019 pela banda ucraniana Onuka, e que mais tarde seria incluído no álbum Kolir, de 2021, “Zenit” ficou conhecida pelo público gamer em 2023 na cerimônia do (infame) Game Awards ao ser usada como trilha para o teaser de anúncio do game Kemuri, o primeiro projeto da carismática desenvolvedora japonesa Ikumi Nakamura no estúdio que fundou depois de abandonar o posto de diretora criativa do jogo Ghostwire: Tokyo, game do estúdio japonês Tango Gameworks, que por sua vez também teve mudança repentina de curso – toda essa longa história, por si só, é digna de um artigo só seu. Por mais bizarro que possa parecer, a faixa da banda do leste europeu caiu como uma luva para sonorizar o dinamismo e arrojo visual e artístico do videoclipe desse game totalmente oriental – talvez porque a icônica harmonia frenética que introduz a canção, apesar de produzida em uma solpika, flauta tradicional da cultura ucraniana, soa inequivocamente asiática. A percussão encorpada e a orquestração de metais densa, onde se sobressaem trompas, trompetes e especialmente o retumbante ressoar da trembita, outro tradicional instrumento ucraniano de sopro, compõe a melodia incontestavelmente cinematográfica cuja letra idealiza uma relação quase transcendental com o mundo natural.

Baixe: Onuka – “Zenit” (Single) [mp3]

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Woodkid – “I Love You” (Quintet Version – Live Acoustic) [vídeo, download: mp3]

Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente devido o lançamento do seu debut The Golden Age, o talentoso artista francês Woodkid disse que seu disco de estréia não é um album pop, já que não há nas canções instrumentos comumente utulizados em composições do tipo, como guitarras, baixo e bateria, mas que qualquer destas músicas poderia muito bem ser convertida em algo do gênero em versões alternativas. E no dia de hoje, em uma participação na rádio France Inter, o cantor francês provou que está certo ao apresentar uma versão acústica de “I Love You” a qual utiliza-se apenas de piano e cordas – e apesar da simplicidade, devo dizer que esta versão, que conta com um andamento mais lento e melancólico, rivaliza em emoção com a original de estúdio.
Clique no link para fazer o download da canção em mp3.

http://www.mediafire.com/file/fq79j1tato4yrca/wood-i-love-you-live-acoustic-quintet-version.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005