Outro vídeo de outra entre muitas bandas tentando se lançar no mercado. Mas, sou obrigado a dizer uma coisa: a julgar por este vídeo e esta música especificamente, esses aqui tem apelo pop inegável. Apesar de os principais integrantes da banda serem dois, Lisa Light e Scott Blonde, apenas este último é apresentando no vídeo, entre um punhado de crianças dançarinas. E, meus caros, com o perdão do palavreado carregado na tônica gay – e poderia ser diferente com este tal Scott? – a bicha abafa: sem vergonha nenhuma, o loiro, convenientemente trajado apenas com calça jeans e jaquetinha de couro – hum…básico – requebra-se todinho até mais do que Robert Plant em pleno palco nos seus melhores dias – esse cara é tão mas tão pouco discreto que ele não passaria sem ser notado, dançando deste jeito, nem em uma festa rave repleta de gente tendo ataques epiléticos. Para um clipe que, segundo o próprio protagonista do vídeo e seu diretor, não queriam que soasse gratuitamente pop, há bastante glamour luminescente, rajadas de luzes estroboscópicas e coreografia espalhafatosa/cool. Ave-Maria, imaginem se eles quisessem fazer um vídeo pop? Mas, é bom dizer, eles declararam que também pretendiam fazer um vídeo divertido. Ah, tá. Sério, porque esse vídeo é realmente divertido: se não sentir uma vontade louca de incorporar um Scott Blonde cover você mesmo, já que a música é realmente de grudar na cabeça com sua batida e sua eletrônica gostosíssima, então ao menos o trabalho garante umas boas gargalhadas. Tudo bem, a parte das crianças roubando coisas do discreto no meio do vídeo, visto que a maioria delas é negra, não caiu muito bem e soa um tantinho preconceituosa, mas tem relação direta com a letra da canção. Vamos dar um desconto. Afinal ela (o Scott, ok?), é a tal (mesmo).
Baixe o vídeo utilizando este link e, se realmente gostar, baixe o mp3 da música utilizando o link abaixo.
http://www.gigasize.com/get.php/-1100153491/01_Whine_and_Dine.mp3
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O material restante do fantástico empreendimento solo da vocalista do Metric, batizado pela cantora como Emily Haines & The Soft Skeleton, está reunido agora no EP What Is Free To A Good Home? O disco contém as faixas que, por um motivo ou outro, acabaram não entrando no disco Knives Don’t Have Your Back. Por terem nascido nas mesmas sessões do disco lançado em 2006, as semelhanças são notáveis: os arranjos com metais, assim como aconteceu com as outras canções, continuam tendo destaque na harmonia das músicas. As duas primeiras faixas do EP, “Rowboat”, com letras um tanto difusas sobre a vida cotidiana e o amor, e “The Bank”, que aparentemente fala sobre o consumismo a que reduzimos nossa vida, já mostram isso de cara. Na primeira, os metais fazem uma pequena, lenta e triste introdução para acordes sofisticados e um tanto dissonantes no piano, e logo tomam parte continuamente na melodia, geralmente surgindo para ocupar os espaços não preenchidos pelo vocal da cantora, unindo-se à voz de Emily apenas no fim. Já a irresistível “The Bank” conta com uma bateria ritmada, porém sutil, inundando o fundo da melodia e levantando o palco para o vocal macio da compositora, seus acordes calmos no piano e, claro, o arranjo emocionalmente contido dos metais. Já “Telethon”, em que Emily comenta a inércia que nos impede de modificar a insipidez insistente de nosso cotidiano, contenta-se com piano e vocal tranquilos e pequena participação dos metais na conclusão da melodia – que cita uma canção do cantor Billy Joel. “Bottom of the World”, cujos vocais suaves falam sobre abandono e reclusão fraternal, economiza ainda um tanto mais melodicamente, compondo-se apenas de piano e um quase inaudível contrabaixo ao fundo. Por outro lado, “Sprig”, com versos abstratos sobre noites passadas em branco, põe na companhia do piano uma série de ruídos, alguns provenientes de programação eletrônica, outros obtidos de instrumentos acústicos, compondo uma espiral melódica sinuosa, extremamente tortuosa – parece fruto de improviso, mas ao contrário do que se possa pensar, resulta em uma melodia espetacularmente complexa. A última faixa do disco é uma mixagem alternativa de “Mostly Waving” que promove uma fusão da harmonia original da canção com aroma reggae, o que tira um pouco a preponderância dos metais na melodia.
O vídeo da canção “Shooting Star”, da banda Air Traffic, que ainda vai lançar seu álbum de estréia, Fractured Life, em julho deste ano, não é nenhum grande arroubo de inventividade, mas a sonoridade da banda também não é nenhuma novidade – alguém aí lembraria de Keane, Coldplay, Thirteen Senses, Death Cab For Cutie? No entanto, ambos são bons: o vídeo é muito bem feito, apresentando a banda de forma bastante competente em meio a objetos arremessados, ao mesmo tempo que um casal vive seu amor em meio a objetos que flutuam, e a canção é um indie rock marcante e vigoroso. Vale para conhecer a banda antes de seu lançamento oficial.