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Categoria: cinema & TV

comentários e críticas de filmes e seriados com download disponível

“Pequena Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton e Valerie Faris. [download: filme]

Little Miss SunshinePequena família decide viajar quase 1000 quilômetros em uma Kombi amarela para que a pequena Olive consiga concorrer em um show de talento e beleza infantil. Durante a viagem os integrantes passam por eventos que levam a desentendimentos sobre a situação de cada um dentro desta família e à questionar àquilo que cada um sonha tanto alcançar.
“Pequena Miss Sunshine”, longa-metragem de estréia do casal de diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris, tem um grande defeito: a sequência final, no palco do concurso de beleza/talento, com a família inteira em cima, bem que podia ter sido cortada – ela deixa o filme com gosto de barato e piegas, o que não coincide com o que se viu antes no longa. O restante da película, no entanto, saiu muito bem. O elenco todo está afinadíssimo – mesmo Greg Kinnear, por quem não tenho muita simpatia, está bem -, com destaque para a menina Abigail Breslin que tem um desempenho muito natural, dosando de maneira igual estripulias infantis, ingenuidade e emoção. Os personagens, apesar de serem em certa medida caricaturais, também são realistas e mostram-se cativantes com o desenrolar da trama: mesmo o adolescente-aborrecido-que-odeia-tudo, que normalmente angariaria algum nível de desprezo ou intolerância da platéia, ou a criança do longa-metragem, que em outro filme passaria despercebida se não ganhasse destaque ou irritaria por atrapalhar o argumento com sua artificialidade, recebem atenção da platéia durante todo o filme. Isso devido, em parte, pela dempenho do atores, e em outra pelo casal de diretores, que deixou os personagem crescerem – especialmente Olive -, mas soube também controlá-los, para que não ofuscassem uns aos outros. E é aí que entra outro ponto positivo do longa-metragem: a direção. Dayton e Faris dividem o filme de igual por igual entre os personagens e, apesar de um ou outro acabar tendo maior ou menor destaque, nenhum ator tem o bastante para “roubar o cartaz” no filme. Por último, o roteiro do filme – que junto com os personagens forma a pedra fundamental de qualquer comédia decente -, de autoria do estreante Michael Arndt, mesmo sendo feito de eventos e situações que tem algo de absurdo e idílico – algumas até passando do limite do crível -, foi desenvolvido e conduzida com cautela, o que fez esses acontecimentos terem sentido dentro do espírito de humor negro sutil e sarcasmo escancarado do filme. E o sarcasmo é o meio pelo qual se realiza a grande crítica do argumento deste longa-metragem: a estratificação da sociedade americana entre “vencedores” e “perdedores” e a marginalização daquilo que é diferente e não se ajusta aos padrões sociais, idéias que fomentam este projeto de nação desde a sua fundação, é tão pisoteada e massacrada pelos eventos e pela construção dos personagens deste road-movie que isso, por si só, bastaria como motivo para assistí-lo. “Pequena Miss Sunshine”.
Apesar da natureza distinta de seus argumentos, é difícil não comparar este filme com outro lançado em 2005, e já comentado aqui no seteventos.org, “A Lula e a Baleia”, do diretor Noah Baumbach. A razão é muito simples: ambos os filmes são produções “independentes” – coincidentemente, o palco maior de divulgação de ambas foi o Festival de Sundance -, que se propõe como “comédias inteligentes”, designadas a atingir um público mais apurado. Porém, não há público nenhum, mesmo o mais apurado, que resista à personagens apáticos – e foi aí que “Pequena Miss Sunshine” acabou ganhando status de comédia do ano pelos críticos. O filme é bom sim, mas não chega a tanto o – odeio essas listas de um homem só, lembram?. Desta forma, eu que religiosamente me nego a aceitar ou colaborar com a prática das intermináveis e aborrecedoras listas de “10 mais” ou do “melhor” ou “melhores” do ano, que tanto nos aporrinham quando ele chega no seu fim – e que infesta a internet depois do “bum!” da Web 2.0 -, posso, ao menos, dizer que o filme de Dayton e Faris é o longa-metragem que “A Lula e a Baleia” propôs a ser ano passado – sem sucesso, a meu ver.
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legenda (português):
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“Syriana”, de Stephen Gaghan. [download: filme]

SyrianaUma multinacional perde contrato de exploração de pretóleo em país do Oriente Médio, em detrimento de uma outra empresa chinesa, e trata logo de iniciar uma fusão com pequena indústria que acaba de adquirar direitos de exploração no Cazaquistão. Enquanto isso, um agente da CIA tenta descobrir as implicações do sumiço de um artefato bélico, ao mesmo tempo que um especialista em assuntos de energia e dois garotos que trabalhavam como imigrantes vêem-se implicados pelas consequências de suas novas relações.
Stephen Gaghan foi o responsável pelo roteiro primoroso e tenso de “Traffic”, dirigido por Steven Soderbergh em 2000. Em, “Syriana”, onde Stephen resolveu também se encarregar da direção, a sua habilidade como escritor de estórias complexas e intrincadas mostra-se ainda muito afiada. Alguns críticos, com certa razão, consideraram que este filme peca justamente pela complexidade excessiva do roteiro: devido à simultaneidade dos inúmeros acontecimentos sócio-políticos, de suas consequências e de seus eventos inter-relacionados – muitas vezes de maneira pouco evidente – o expectador acaba quedando-se confuso, sendo inevitável rever mais de uma vez algumas cenas – o que me leva a pensar que o cinema não teria sido o ambiente ideal de vislumbração deste longa-metragem. Porém, apesar deste aspecto negativo da natureza do roteiro e, portanto, do filme, o argumento de “Syriana” é de modo geral excelente, devido à abordagem ousada, explícita e sincera dos reveses do capitalismo predatório, tratando especialmente do modo como esta prática é utilizada pela nação mais rica e poderosa do mundo: as consequências geo-políticas, econômicas e sociais dos atos do governo americano e de seus bilionários conglomerados financeiros são muito bem retratados na relação e razão de um evento sobre o outro no filme, mesmo que, em alguns monentos, isso seja feito correndo o risco de confundir o espectador em algum nível. Este não é nunca um filme de arroubos ou peripécias técnicas e artísticas: direção, fotografia, trilha sonora, produção e elenco resumem-se a cumprir o seu papel, fazendo-o bem mas sem qualquer merecimento ao destaque de algum deles. Isso revela claramente que é a metade roteirista do agora diretor Gaghan que sobressai de maneira vistosa, tornando o seu trabalho atrás das câmeras até desnecessário – um bom roteiro seu, nas mãos de um diretor ainda melhor e mais inventivo, poderia gerar um filme ainda mais impactante. Porém, isso que estou dizendo pode ser bobagem: apesar dos excelentes achados técnicos de “Traffic” não ofuscarem o roteiro brilhante de Stephen, sempre corre-se o risco de que a má utilização destes eclipsem ou até mesmo destruam o argumento do longa-metragem. Assim sendo, é melhor mesmo deixar os roteiros de Gaghan serem empacotados em embalagens simples – desta forma teremos mais garantias de um filme que se contenta em ter uma estória inteligente, audaciosa e reflexiva, o que basta, e muito bem, pra qualquer cinéfilo assumido.
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baixar legendas (português):
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“O Gosto dos Outros”, de Agnès Jaoui.

Le Gout Des AutreEste filme fez imenso sucesso de crítica, chamando atenção para as colaborações anteriores de Agnès Jaoui, como atriz e roteirista. Ao assistir ao longa, nota-se pelo filme em si e pela ficha técnica que esta foi uma produção pequena, feita colaborativamente entre amigos, já que dois dos maiores responsáveis pelo projeto atuam no filme. Há que se reconhecer alguns dos méritos do longa-metragem, todos relacionados ao argumento. A maneira como este foi tratado é um deles, pois desenvolve uma temática já tão explorada – o processo de transformação, para melhor, da personalidade de alguém – pelo cinema mundial sem cair na pieguice e sentimentalismo barato – o oposto do que aconteceu com o celebrado filme argentino “O Filho da Noiva”, dos piores que já vi com este argumento. Talvez isto ocorra por ser uma produção francesa, país que sabe lidar de maneira inteligente com as emoções dos personagens e com situações algo emotivas, podando os excessos causados por estes. Outro mérito, ainda relativo à esta temática do argumento, é mostrar com muito realismo a maneira como algumas pessoas conseguem modificar sua conduta e personalidade enquanto outras nunca conseguem fazê-lo – ou nem mesmo se dão ao trabalho de tentar fazê-lo. Um último aspecto positivo foi mostrar com precisão como, muitas vezes, superestimamos a maneira como o gosto pessoal determina o círculo de nossas relações humanas, nos fazendo menosprezar alguém apenas por ter menor conhecimento ou apuro artístico que nós. O conjunto destes aspectos deram ao longa de Agnès Jaoui a fama que mereceu. Porém, deve-se entender que trata-se de um bom filme, que consegue, por conta de um bom roteiro, chamar a atenção mesmo sem grandes atuações ou arroubos técnicos – em outras palavras, um bom filme a ser visto. Não se trata, de maneira nenhuma, de uma obra-prima ou um filme imperdível e arrebatador, como alguns críticos e fãs de cinema alardearam tanto.

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“Um Filme Falado”, de Manoel de Oliveira.

Um Filme FaladoJovem professora universitária de história viaja de navio com a filha, saindo de Portugal, com o objetivo de alcançar a Índia, onde seu marido, piloto de aviação, a aguarda para que juntos aproveitem suas férias. No caminho ela apresenta para a filha diversas cidades e algumas de suas estórias, ao mesmo tempo que em cada parada que o navio faz ganhamos um novo personagem daquele país em questão.
O diretor português Manoel de Oliveira concebe uma obra de elementos interessantes em “Um Filme Falado”: ao mesmo tempo que eles fazem a qualidade do filme também integram igualmente os seus defeitos – ou seja, os pontos positivos dos aspectos do longa também são os negativos, sob um outro ponto de vista. Usando como mote a viagem da professora universitária de história e sua filha cuiriosa, o diretor faz paradas em diversas cidades de diferentes países, ao longo do trajeto do navio, revelando fatos históricos curiosos, mitos e lendas de alguns de seus pontos turísticos. É delicioso acompanhar esta viagem, admirando belíssimos cenários do Mediterrâneo e Oriente Médio, constatando algumas de suas curiosidades, mas numa certa altura do longa-metragem isso fica demasiadamente cansativo, pelo seu caráter excessivamente didático que, por sinal, ocupa mais da metade do longa-metragem. Os dialógos entre os demais figuras do filme, de diferentes nacionalidades, é curiosamente engendrado por cada personagem em sua língua materna – fato reconhecido pelos próprios -, o que lhe concede uma atmosfera cosmopolita e erudita. Porém, o conteúdo das conversas, apesar de relevante, acaba logo caindo num certo pedantismo, uma intelectualização e filosofar que pesam demais e tornam as cenas arrastadíssimas, desnecessariamente lentas. A sequência final, baseada em uma ótima idéia, é realista, visto que surge de maneira inesperada, sem qualquer pista sobre a possibilidade disto poder ocorrer. No entanto, também fica algo díspare e perdida no filme, sendo finalizada de forma muito apressada, quase desinteressada – Manoel de Oliveira poderia ter planejado este prólogo de forma mais cuidadosa, planejada e dedicada, sem prejuízo de perder o caráter realista do fato e sem colocar em risco a atmosfera autoral e artística do seu longa-metragem.
Ao cabo da expectação, conferimos que Manoel de Oliveira produziu um fillme relevante, mas que acabou prejudicado pelos excessos do cineasta, que tornou assim seu filme bastante cansativo, mesmo para espectadores treinados, tolerantes e pacientes. É um filme a ser visto, como a maior parte dos longas que vem da Europa, mas que não apresenta muitas razões que justifiquem de ser lembrado entre os seus filmes preferidos.

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“O Labirinto do Fauno”, de Guillermo del Toro [download: filme]

el laberinto del fauno (2006) movie stills 01

Na Espanha da Guerra Civil, uma garota fascinada por contos de fada acompanha a mãe grávida para o campo, onde viverá na companhia do padrasto, um capitão do regime fascista de Franco. Lá, em meio a insurgência dos rebeldes contra o regime ditatorial, a truculência de seu padrasto e a gravidez de risco de sua mãe, a menina Ofélia descobre um labirinto cujo habitante é um fauno, que afirma ela ser muito mais do que já imaginou na sua vida.
Guillermo del Toro é mexicano, mas tem visível predileção por criar estórias ambientadas na terra que colonizou seu país natal. Foi assim que ele ganhou fama com “A Espinha do Diabo”, um filme que misturava atmosfera de horror com um fundo político, e cujo argumento fazia de crianças as protagonistas do longa-metragem. Em “O Labirinto do Fauno”, del Toro volta a seguir igualmente a fórmula que lhe consagrou: este filme é em parte uma fábula, em outra um filme de horror-suspense, e em outra ainda um drama político. Todas estas facetas de gênero estão embricadas no argumento, fazendo desta, portanto, uma fábula que não almeja o público infantil. Decorre-se daí alguns defeitos e igualmente as qualidades do filme. No caráter negativo eu diria que o fato de ser em parte uma fábula atrapalha consideravelmente e gera os dois maiores problemas do longa-metragem: a construção dos personagens não vai muito longe, muitas vezes resumindo-se aos estereótipos mais planos – o vilão é cruel, sanguinário e insensível como ninguém, e os “mocinhos” da trama são bons ao ponto de fazerem mal apenas quando necessário, sempre de forma justificada; e a faceta política do filme também não se aprofunda, fica um tanto óbvia, resumindo-se a pintar o regime do ditador Franco como o inferno que todos já sabemos de pronto ser, e a revolução popular como a tão idealizada solução para esta situação. Longe de mim fazer qualquer elogio a ditadura, mas a guerra é bem mais complexa que isto – mesmo a civil, como nossos tempos bem nos mostram.

el laberinto del fauno (2006) movie stills 01
A fábula de horror de Del Toro impressiona, mas tem qualidade e defeitos derivados de sua concepção multi-gênero

Por outro lado, justamente por ser um filme tão hibrído, é que isso possa ser justificado, sob outro ponto de vista: pode-se dizer também que os horrores e a maldade contrastam tanto com a bondade devido ao filme ser centrado na mente ingênua de uma criança, ainda acostumada e enxergar a vida sob a ótica do preto e branco. Dentro de uma fábula, mesmo uma meia-fábula para adultos como esta, não há muito como fugir da construção mais plana do bem e do mal, já que elas se baseiam nesta dicotomia. Um segundo aspecto interessante é o fato do roteiro de del Toro trabalhar o tempo todo com a ambiguidade, sem revelar se o aspecto fabular da estória é verdadeiro ou apenas uma enorme ilusão da mente criativa de Ofélia – há pequenos detalhes durante o longa-metragem que deixam o público sem saber o que pensar, visto que eles tanto negam quanto afirmarm ser tudo verdadeiro. Além do mais, as ótimas atuações do elenco, cenografia e direção de arte primorosa, suspense muito bem sustentado, os belos enquadramentos da câmera na sequência inicial e final, a trilha sonora soberba e emocionante e a estória sensível fazem, no conjunto, toda a qualidade do filme.
Considerando-se as avaliações da crítica como exageros – há desde “o filme do ano” até afirmações de que esta é “a obra-prima de del Toro” – e levando em conta os aspectos intrínsecos da fábula tanto como defeitos ou qualidades deste longa-metragem multi-gênero, há de se concordar ainda assim que este é um filme acima da média, tanto por possuir as caractérísticas já conhecidas do cinema de del Toro – o uso de sequências de violência gráfica bastante explícita, mistura de gêneros competente e visual onírico – quanto por ter conseguido o que poucos cineastas conseguem: ter sido bancado, em parte, pelos Estados Unidos, para produzir um filme que fala sobre eventos não-americanos utilizando uma língua outra que não a inglesa. E isso só já é um ponto muito positivo – para o cinema como um todo.

Baixe: “O Labirinto do Fauno”, de Guillermo del Toro (El Laberinto del Fauno, 2006)
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“Capitão Sky e o Mundo do Amanhã”, de Kerry Conran.

Sky Captain And The World Of TomorrowJovem jornalista presencia, junto com toda a população atônita de Nova Iorque, uma misteriosa invasão de robôs gigantes. Ela decide, junto com bravo e famoso aviador (que por sinal é um ex-romance seu), investigar as razões e objetivos obscuros para tentar evitar que mais maquinarias invencíveis façam mais estragos no mundo.
É evidente que o trabalho da direção de arte neste filme é a sua maior qualidade – a mistura de elementos modernos com outros retrô deixa o longa-metragem repleto de belíssima e estranha nostalgia. No entanto, o elemento que a produção do filme achou complementar ao trabalho da direção da arte, consitui-se em um recurso extremamente irritante: a fotografia reluzente, aquela muito utilizada em produções de época, deixa a imagem com um aspecto tão chapado que torna a expectação incômoda durante todo o decorrer do longa-metragem – ao menos no meu caso, foi necessário um esforço enorme para tolerar esse “halo” na luz do filme. Além desse aspecto, há também o fato de que o filme foi inteiramente feito utilizando a técnica do Chroma Key – aquela em que a ação em primeiro plano é filmada sobre um fundo de cor única para que seja inserido digitalmente um segundo plano ao fundo. Isto não seria um problema muito grande não fosse a intenção confessa da equipe de produção de utilizar a técnica intencionalmente afastando o visual final de qualquer aspecto realista – o que acabou infelizmente se tornando um novo paradigma no método de filmagem, visto que filmes como “Sin City” e o ainda não lançado “300 de Esparta” o fazem inspirados neste. O resultado, da forma como foi utilizado o recurso, irrita tanto quanto a fotografia aureolada do longa-metragem. Claro que, mesmo com os aspectos técnicos trabalhando contra o filme, ainda poderíamos ter um longa-metragem interessante se os outros pontos a ser considerados pesassem à seu favor. No entanto, eles não se configuram como algo positivo. O argumento cheira à fábula requentada – chegando mesmo a citar “O Mágico de Oz” – com a desculpa de “filme-homenagem” e de reinvenção de um gênero. Os personagens são extremamente caricatos, e as situações armadas no roteiro, consequentemente, tão batidas quanto os seus agentes. Por sua vez, o elenco é díspare e desigual, já que os onipresentes Jude Law e Angelina Jolie já saturaram o público com a sua imagem dentrou (e) ou fora das telas e Gwyneth Paltrow, sozinha, não tem muito como salvar todo um filme.
Ao fim, este filme não tem qualquer coisa que lhe configure o status de produção marcante ou relevante, mesmo dentro do cinema do circuito comercial. A inspirada direção de arte não tem força para conferir, por si só, aspecto relevante para que o filme seja uma produção a ser lembrada. A bem da verdade, tem que se admitir que este filme tornou-se realmente muito influente, porém foram os seus aspectos técnicos negativos que chamaram a atenção de cineastas, para nosso azar. Resta apenas esperar que um bom número de futuras produções envoltas nesta “atmosfera técnica” tornem-se fracassos retumbantes – é só assim, quando pesa no bolso, que Hollywood para de nos infernizar com alguns de seus “achados” mais irritantes.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005