Pular para o conteúdo

Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Florence + The Machine – Lungs (4CDs: Deluxe + Special Box Edition). [download: mp3]

Florence and The Machine - LungFlorence Welch disse que deseja que sua música desperte sentimentos fortes em quem a ouça, como a sensação de atirar-se de um edifício ou de ser capturado para as profundezas do oceano sem qualquer chance de prender a respiração. Parece um tanto exasperante, para não dizer presunçoso, mas é este tipo de sensação que se tem ao ter contato com as criações de Florence + The Machine, a banda encabeçada pela artista britânica. Nela, Florence dá vazão à todo o seu impressionante furor artístico, que mistura melodias vistosas, repletas de complexas camadas sonoras à letras poéticas, em sua maioria enormemente metafóricas. O elemento que dá liga a estes ingredientes saborosos é o seu vocal, utilizado pela garota em todas as suas possíveis matizes e variações de volume, não raro emitido em gritos longos e possantes. A substância obtida desta receita é uma música sofisticada e vibrante que tem a mesma identidade idiossincrática e indefinível de artistas como Kate Bush, a Björk intimista de Vespertine, My Brightest Diamond e Bat For Lashes.
Porém, mesmo sem saber exatamente como definir as criações desta artista britânica devido à sua mistura de gêneros, se há algo que se pode dizer ser recorrente em grande parte das músicas deste seu primeiro disco é o uso extenso de uma percussão escandida com força numa síncope potente e bem marcada, concedendo às canções uma atmosfera algo ritualística. Os acordes agudos do banjo e da harpa em “Dog Days are Over”, o volumoso uso de vocais em “Rabbit Heart (Raise It Up)” e “Drumming”, o piano de toques esparsos e dramáticos e as sintetizações salpicadas em “Howl”, a harpa cheia de calor em “Cosmic Love” e o orgão e o arranjo orquestral salpicado de pizzicatos de “Blinding” chegam todos acompanhados de uma bateria e percussão que não se escondem na canção, ao contrário, mostram-se em toda sua glória, usurpando os ouvidos sem qualquer receio e emitindo uma quase imperativa necessidade de sacudir o corpo.
Mas não há erro em afirmar, no entanto, que as criações de Florence e sua máquina partem de bases rockeiras. Tanto “Kiss With a Fist”, na qual a cantora declara que um amor recheado de socos e pontapés é melhor que amor nenhum, “You’ve Got The Love”, cover de uma canção gospel que prega que o amor divino existe mesmo nos tempos difíceis, e o cover “Girl with One Eye”, apesar de sua sutil camada country, exalam a fragrância mais emblemática do gênero: uma fartura de múltiplos riffs de guitarra assaltando a melodia ou preenchendo todos os espaços possíveis. Mas mesmo neste disco tão repleto de canções fabulosas, “Bird Song”, faixa bônus da versão deluxe do disco que igualmente pertence à faceta mais nitidamente rock da artista, ainda consegue se elevar em meio as que acompanham como a música mais brilhante do lançamento: iniciando com alguns versos a capella, logo acompanhados por uma guitarra melancólica, a melodia vai alternando um crescendo de momentos reflexivos com outros repletos de ira até explodir em uma orgia sonora sem economia nos vocais, no arranjo melódico e no sentimento que jorra como lava do Monte Vesúvio ao desenhar metaforicamente nas letras a consciência arrependida de alguém como o cantar de um pássaro delator. E é assim, expelindo suas emoções sem receios de soar vibrante, urgente e épica, mas também nunca renegando o direito de soar delicada e gentil quando deseja que Florence + The Machine traz para o rock alegorias em sons e versos que enfeitiçam o espírito e hipnotizam os sentidos dos ouvintes, exigindo com toda propriedade seu lugar na seleta galeria de músicos que conseguem encobrir suas composições em erudição e sofisticação e ainda preservar o seu caráter potencialmente acessível. Sim, Florence Welch é mais uma daquelas artistas que dificilmente se contenta em soar comedida ou simples, porém o abundante requinte com o qual suas composições são impregnadas permitem que nossos sentidos captem apenas a sua fervente e quase primitiva beleza.

senha: seteventos

ifile.it/694ows1/machine_-_lungs.zip

19 Comentários

Lenka. [download: mp3]

Lenka"Depois de abandonar na infância o seu aprendizado musical e passar vários anos imersa no mundo da TV e cinema da Austrália, anos mais tarde Lenka Kiprac acabou se dando conta de seus dotes musicais e voltou a se dedicar ao mundo da música, lançando dois discos como membro da banda Decoder Ring. A carreira em uma banda, porém, parece não ter satisfeito as inclinações musicais da garota, que logo lançou-se em carreira solo. O resultado foi o disco batizado apenas como “Lenka”, lançado com êxito em 2008 em seus país natal, mas que também atingiu um sucesso considerável em outros países. A repercussão é compreensível: a australiana investe em uma sonoridade inequivocamente pop repleta de cintilâncias que combinam com perfeição com sua voz doce e juvenil mas não perde nunca a medida do bom gosto, ensaiando exageros sem nunca utilizar-se deles efetivamente.
O carro-chefe do disco é “The Show”, música que ao ser utilizada em muitas peças publicitárias pelo mundo – inclusive no Brasil – acabou levando a artista para os ouvidos de muita gente que passou a inadvertidamente carregar a melodia infecciosa na cabeça. Iniciando com acordes leves em um piano de tonalidade infantil decorando o vocal suave e idílico da cantora, a música não se envergonha de aumentar a família e se aproveitar de uma infinidade de instrumentos e um coral para montar um cenário cheio de uma alegria inconsequente, o que casa perfeitamente com as letras em que a artista faz lembrar que mesmo confuso ao ser cercado pelas inevitabilidades da vida nunca deve-se deixar de aproveitá-la pois tudo deve tomar seu jeito alguma hora. Outra canção que abusa de arranjos orquestrais festivos, sintetizações lúdicas e guitarras e baterias em desenfreado frenesi é “Bring Me Down”, onde Lenka fala que em uma relação de amor que acaba sufocando quem você realmente é em detrimento de ser um outro alguém o melhor mesmo é sair à procura de outros portos para ancorar seu barco. Amor ainda é o tema de “We Will Not Grow Old”, com uma letra que acerta em cheio ao afirmar que quando jovens inevitavelmente nos iludimos com a idéia de que ele seja imune à passagem do tempo. Já “Trouble Is a Friend”, com seu piano e bateria bem cadenciados e cercados por metais e sintetizações, foge um pouco do romance, mas não deixa, de certo modo, de tratar as atribulações da vida como tal, já que afirma que por mais que tentemos fugir parece inevitável que cedamos aos seus encantos traiçoeiros. Sedução, por sinal, é sobre o que fala “Force of Nature”, onde com um cantar intoxicado de desejo a garota dispara uivinhos sensuais em meio a acordes de teclados e sintetizações que adornam a afirmação à seu objeto de desejo que não há como fugir de seus feitiços.
Mas apesar de toda a competência da garota em tecer um folgueiro de vibrantes canções pop, Lenka revela que o seu melhor se esconde mesmo nas suas baladas cheias de um doce amargor e de uma súplica apaixonada. “Skipalong”, que trata da dificuldade de abandonar o conforto do que é conhecido e aventurar-se sozinho em outros cenários, é a que primeiro se encarrega deste estado de sensações, aproveitando cada verso emocionado da cantora para dar partida na bateria, baixo e mellotron e para impulsionar o arranjo de metais e o vibrafone. Em “Live Like You’re Dying” a beleza nasce dos toques pesados no piano, do andamento resignado da bateria e do vocal que capta a exata fração de emoção dos versos que falam que deve-se fazer o melhor da vida com aquilo que temos ao nosso dispor – afirmação um pouco cafona, mas que não deixa de ser verdade. Contudo, nenhuma música supera “Like a Song”, que extrai graciosidade infalível da melodia simples e serena do teclado gentil e da programação suavíssima, além do próprio vocal que entoa, carregado de sentimento, os versos em que Lenka roga ao tempo que aplaque a dor de um amor que acabou mas que não consegue esquecer. É uma canção bem mais equilibrada, que se esquiva da fartura de instrumentação e da efeméride harmônica que é marca do disco, deixando o ouvinte respirar um pouco em meio ao desfile de radiantes cintilações sonoras que se configura como a tônica do disco. No entanto, por mais que você possa se sentir farto da vibração incandescentemente juvenil da artista australiana e que sinta necessidade de um bom tempo afastado de seus encantos infantis, a garota ainda consegue soar mais equilibrada e comedida do que o britânico-libanês Mika, que com sua obsessão em abusar da extravagância glitter-pop em cada detalhe sonoro e visual de suas canções e vídeos conseguiu me afastar definitivamente de qualquer coisa que tenha lançado ou que vá lançar. Por isso, vale aplicar aqui aquela famosa máxima: aprecie com muita moderação.

[music]rapidshare.com/files/267641788/len_-_ka.zip[/music]

[password]senha: seteventos.org[/password]

1 comentário

Fascinoma – “I’m Walking This Road Because You Stole My Car (Don’t Go)”. [download: mp3]

Alanna Lin - FascinomaNa noite do último sábado para o domingo, numa dessas pouquíssimas madrugadas as quais tenho me dado o direito de permanecer acordado no últimos anos, estava papeando com o Pelvini quando, assistindo descompromissadamente um episódio do desenho animado “American Dad” que eu descobri estar sendo exibido pela Rede Globo, tive minha atenção chamada para a música que servia de trilha para uma sequência hilariante em que o filho da família retratada no desenho tinha um sonho romântico-erótico com um gato de rua que tentou salvar, mas que não foi muito cordial com o pobre garoto. A canção trazia o vocal macio de uma garota sobre uma melodia de extrema suavidade que contava com nada muito além de que uma guitarra de acordes cálidos e uma bateria igualmente confortante. Como adorei a música, eu obviamente fiz uma anotação mental imediata: “descobrir e baixar com urgência”. Apesar do sono já me cercar, tão logo o episódio terminou, me voltei para a internet um busca da tal música. Em poucos minutos eu já tinha as informações que queria: a canção, que se chama “I’m Walking This Road Because You Stole My Car (Don’t Go)”, é obra de uma americana de traços orientais chamada Alanna Lin, mas que se identifica artisticamente como Fascinoma. Baixando a faixa pude dar atenção as letras que misturam saborosamente ironia, rancor e súplica, já que nelas a garota ao mesmo tempo que diz que só vai acreditar nos sentimentos do homem que ama quando ele lhe devolver suas coisas também avisa que enterrou os livros do rapaz debaixo de uma árvore e afirma que os seus esquilos de estimação morreram – quanta maldade. Depois de me encantar com a música, fucei a web em busca do único álbum lançado, apenas em formato digital, pela garota. Agora me perguntem se eu encontrei o bendito? Nem traço dele, nadinha, niente, zero. A única idéia que se pode ter do restante das canções compostas pela garota, além de algumas poucas faixas no seu Myspace oficial, são os previews da página do disco na Amazon.com, e que não despertam tanto interesse quanto a sua música mais conhecida. Deste modo, por conta de não ter conseguido o restante do disco e também porque muito pouco desse restante – umas duas outras faixas – me pareceu realmente atraente, estou abrindo uma exceção e disponibilizando apenas esta faixa. Vocês já sabem que não costumo e não gosto de fazer isso – sei lá por qual razão -, mas não há outro jeito e também acho que seria mesmo só isso o que interessa de Alanna Lin, pelo menos pelo pouco que se pode ouvir do trabalho dela.

rapidshare.com/files/262362690/fascinoma_-_stole_my_car.mp3

1 comentário

Lolly Jane Blue – “White Swan” (dir. Sil van der Woerd). [download: vídeo + mp3]

Lolly Jane Blue – White SwanA cantora Lolly Jane Blue esta há cerca de um ano e meio gestando o lançamento de seu primeiro trabalho musical, e apesar de toda demora, parece que o lançamento em questão será somente um EP. Pode até ser que a demora tenha algo a ver com o financeamento do seu trabalho, mas se formos pensar nos requintes da faixa “Worms” e o vídeo que a acompanhou, aparentemente a produção seria consideravelmente abastada, visto que há uma fartura orquestral na canção bem como um luxo transbordante no vídeo desta, dirigido e criado pelo também holandês Sil van der Woerd, que trabalha em parceria com a artista respondendo por toda a arquitetura visual que a cerca. E, como já seria de se esperar, a dupla volta a cena com uma nova música e um novo vídeo, “White Swan”, mais uma vez carregando as tintas no luxo em ambas as contrapartes do lançamento. A canção desta vez não conta com interferências eletrônicas, mas nem por isso espere economia na sonoridade da música, já que ela apresenta uma fartura de orquestração de cordas para fazer companhia à um violão resignado de cadência lenta e, claro, à bela voz da cantora holandesa, que se derrama em um canto longo, lento e emocionado para fazer jus a melodia já bastante triste. A porção visual da produção também prossegue ignorando qualquer menção de simplicidade, já que a composição da velha fábrica que é cenário do curta-metragem é feita nos mínimos detalhes de sombras, luzes, proporções e movimentos. A diferença é que desta vez o diretor e artista gráfico holandês não faz uso de diferentes sequências apresentando cenografias e figurinos diversos entre si – o que lhe possibilitou mostrar sua versatilidade e criatividade mas acabou fazendo com o que o vídeo anterior fosse apenas um apanhado de sequências luxuosas desconexas -, preferindo desta vez concentrar-se em criar apenas uma história, o que com certeza dá uma melhor identidade à canção que ele ilustra. Nesta história, a artista encontra-se abandonada no que parece ser uma fábrica antiga e escura, completamente nua sob um incessante feixe de água. Aos poucos, o ambiente vai sendo invadido por uma espécie de fungo algodoado, que vai crescendo ao redor da garota, tomando conta do espaço ao seu redor e envolvendo ela própria, trajando-a com um vestido escalafobético feito de tranças e nós. Ainda que eu ache que tanto música quanto vídeo continuam ali no limite do cafona, sempre correndo o risco de cair numa coisa nauseante meio Sarah Brightman, meio Enya, há de se admitir que tanto Lolly Jane Blue quanto Sil van der Woerd se lambuzam em uma exuberância criativa capaz de fazer Jean Paul Gaultier e Luc Besson saírem esbaforidos com um ataque de inveja histérica pelas ruas da Paris, sacodindo os braços, abanando as mãos e gritando coisas desconexas – e eu não duvido nada que eles dessem de cara com Björk fazendo a mesma coisa pelo caminho.
Agora fica à sua escolha: assista em HD (ou seja, em alta resolução), faça o download em alta ou baixa resolução e, se ficar animado o suficiente, também disponibilizo a música no formato mp3.

P.S.: agradeço muito à dica do leitor Thiago.

Lolly Jane Blue – “White Swan” (mp3)

Lolly Jane Blue – “White Swan”: assista em HD – download HD – download baixa resolução

1 comentário

David Fonseca – “A Cry 4 Love” (single). [download: mp3]

David Fonseca - A Cry 4 LoveDepois de merecidamente muito aproveitar o sucesso do delicioso disco Dreams In Colour nos shows que se sucederam ate há pouco, o cantor e compositor português David Fonseca anunciou há pouco mais de um mês por newsletter e post no seu blog oficial que o dia de entrar em estúdio para gravar um novo álbum tinha chegado. As gravações foram rápidas, e pelo que o próprio artista revelou em seu blog, pouco depois do início deste mês ele já estava deixando o estúdio para refletir sobra a pós-produção e tudo o que cerca um novo lançamento – como as idéias para um videoclipe, por exemplo. Enquanto se ocupa com sua febre criativa, para não deixar os fãs se contorcendo em avidez para botar logo nos ouvidos suas novas canções, David resolveu liberar para download gratuito o primeiro single do novo trabalho, “A Cry 4 Love”, uma balada bem ao sabor do disco lançado em 2007 e com a inconfundível pegada pop-rock do compositor, introduzida nostalgicamente por um arranjo de cordas e logo ganhando a companhia de acordes quase monotonais na guitarra, um baixo discreto e uma bateria de síncope equilibrada – uma bela amostra daquilo com o qual o artista pretende em breve presentear o seu público. Para baixar a faixa, basta clicar aqui para ir ao site do cantor, criar um registro como qualquer outro que se costuma fazer por toda a internet e logo em seguida se recebe um email com o link para o download da faixa. Os fãs com certeza nao vão se importunar com essas formalidades típicas de internet – e para os que ainda não são fãs e que com certeza já se importunam previamente com essas burocracias virtuais, fica aqui o lembrete: é de graça, oferecido pelo próprio cantor. Não custa nada gastar os dedinhos digitando meia-dúzia de dados para ter os ouvidos preenchidos com prazer em estado sonoro, não é?

1 comentário

Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum (+ 2 faixas bônus). [download: mp3]

KasabianOlhe bem para a capa do novo disco da banda britânica Kasabian. Olhou? Agora leia bem o título ali em cima. Não custa repetir: West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Até alguém com meio cérebro percebe que com este novo lançamento os rapazes resolveram se aventurar no filão da música conceitual e experimental. A bem da verdade, a sonoridade não é assim tão experimental, diria que é ainda bem linear, e o conceitual não vai tão longe, fica tão somente na capa do disco – imagem sobre a qual, por sinal, já falei antes em um post no meu outro blog -, onde os rapazes se fantasiam com o intuito de melhor ilustrar a insanidade dos pacientes da instituição psiquiátrica que inspirou o título do disco e também se resume à algumas declarações de Sergio Pizzorno e Tom Meighan, que garantem que as canções foram imaginadas como trilha sonora de algum filme avant-garde como “A Montanha Sagrada” , de Alejandro Jodorowsky – essa sim uma obra experimental e conceitual com todas as idiossincrasias a que tem direito. Nem é preciso parar pra pensar muito pra se dar conta de que, na verdade, o disco é mais uma tentativa de atrair uma aura cult à banda, e eu já devo ter dito por aqui que tudo o que é intencionalmente cult acaba nunca atingindo o seu objetivo – ou seja, ser cult -, ao menos não de um modo que soe natural. No entanto, mesmo tendo-se conhecimento de que tudo está encoberto por boas doses de pretensão, isso não impede de reconhecer que, sim, West Ryder Pauper Lunatic Asylum é um disco com uma boa quantidade de belas canções compostas pela banda.
Começando pelo começo, “Underdog” é um single típico da banda, misturando muito bem os riffs arfantes de guitarra e do vocal sempre britanicamente petulante de Tom Meighan com uma batida que bebe direto no gargalo da cadência ligeira do trip-hop. Mas é a sacolejante “Fast Fuse” que consegue de fato embriagar a bateria na síncope acelerada da música eletrônica, compondo com os acordes precisos da guitarra e do baixo, com o vocal aos brados de Meighan e com os vocais de fundo de Pizzorno uma melodia hipnoticamente dançante. “Take Aim” entra em ação logo em seguida, e apresenta o flerte da banda com elementos orquestrais, como mostra a introdução triste, algo fúnebre, feita de um arranjo de sopros e cordas e acompanhada por um violão e baixo que respiram latinidade e infectam a bateria com o mesmo ar ibérico. “West Rider Silver Bullet”, que surge um pouco mais a frente, também experimenta com elementos orquestrais, mas o faz de outro modo: a canção, que inicia com uma breve narração feita pela atriz Rosario Dawson, usa ostensivamente um arranjo cortante de cordas para pontuar dramaticamente a música, que incorpora baixo e violão em um andamento que remonta as trilhas sonoras de filmes clássicos de faroeste – Ennio Morricone sendo o criador de algumas das mais emblemáticas composições para o gênero.
Esta, por sinal, parece ter sido uma obsessão do Kasabian neste disco, visto que “West Rider Silver Bullet” não é a única canção que suscita as composições que ficaram no imaginário popular como trilha para paisagens áridas e empoeiradas do meio-oeste norte-americano. “Thick as Thieves” assume a empreitada sem receios, invocando no seu banjo, bateria, vocais e violões todo o tracejado do estilo e a melodia de “Fire” prossegue forte nesta mesma toada, investindo no violão, no baixo e na bateria de inconfundível fragrância western, ainda que as guitarras do refrão destoem para um leve perfume oriental.
Mas como o álbum foi gestado com as pretensões artístico-conceituais em mente, não poderia faltar canções que respondessem à este propósito, e “Secret Alphabets”, a meu ver, seria a que melhor materializa a idéia: desda a introdução de vocais e pratos reverberando brevemente, passando pela melodia de andamento algo minimalista, guiada pela bateria e temperada por uma sintetização contínua e por econômicos acordes de guitarra, até o fechamento conduzido por cordas e um teremim ameaçadores, tudo procura conjugar uma atmosfera de estranheza e mistério que imagina-se ser a dos filmes experimentais que inspiraram os membros da banda neste lançamento. Mas se o cinema experimental foi fonte de inspiração para o Kasabian de West Ryder Pauper Lunatic Asylum é devido ao poder exercido pela música da época sobre este cinema, e que também é palpável neste disco, haja visto que a balada “Happiness” escancara suas influências, contando com a sempre infalível beleza de um coral gospel armado de suas vozes e palmas acompanhando a melodia que, claro, vai sem medo transitando pelo blues, o que dá um evidente “Beatles touch” à canção. É claro que essa música, e pra ser sincero, o disco como um todo não é diferente de um sem número de outros tantos que já ouvimos por aí, mas se por um lado a banda se acomoda copiando fórmulas consagradas, ao menos deve-se reconhecer que o Kasabian o sabe fazer muito bem.

rapidshare.com/files/251669686/kasabian_-_asylum.zip

senha: seteventos.org

Deixe um comentário
O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005