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Categoria: musica

críticas e comentários sobre álbuns musicais, singles e similares com download disponível

Bat For Lashes – Fur & Gold. [download: mp3]

Bat For Lashes - Fur & GoldAinda que eu discorde da existência do termo “indie rock”, sou obrigado a concordar com a fertilidade de seus domínios: você o vasculha e parece que ele nunca acaba, dada a frequência com que novos artistas surgem. E, diga-se de passagem, um com a musicalidade mais estranha do que o outro. Uma das que mais chamou a atenção – e, diga-se, atenção qualificada, já que ela foi elogiada por artistas como Thom Yorke, por exemplo – nos últimos meses foi Natasha Khan, mas conhecida pelo codinome Bat For Lashes, que utiliza ao se apresentar em companhia de mais três mulheres, Ginger Lee, Abi Fry e Lizzie Carey. Natasha, paquistanesa de nascimento e britânica de criação, tem uma quedinha pelo telúrico, perceptível pelo modo como materializa impressões sobre a natureza em suas composições. Porém, esse mundo natural não o é de todo, já que ela também utiliza-se de elementos que ultrapassam esta identidade, explorando imagens místicas e uma cuidadosa gravidade sombria em suas melodias – não é de se estranhar que Natasha costume se apresentar revertida em uma índia meio hippie-contemporânea.
Concentrando-se na análise de suas músicas, o elemento que mais chama a atenção no primeiro contato é o modo com que utiliza o cravo – até hoje, só senti efeito tão estrambólico e instigante com o cravo delirante de Tori Amos no mais do que obrigatório e clássico álbum Boys For Pele. Porém, é bom sinalizar que seu cravo difere muito do que foi concebido pela fabulosa compositora americana: Khan reduz ao mínimo as matizes de seus acordes, preferindo conferir-lhe destaque nas suas composições através do seu uso minimalista. É fácil observar isto em “Horse And I”, um devaneio sobre uma cavalgada noturna em meio à uma floresta para ser sagrada em ritual místico, e “What’s A Girl To Do?”, em que Natasha se pergunta sobre o que fazer quando descobrimos que vivemos uma relação em que já não existe o amor, pois o centro melódico é formado por um mesmo agrupamento de acordes no instrumento que vai sendo sutilmente modificado ao longo da melodia, e acaba sempre retornando aos acordes originais. Ao redor do cravo idiossincrático, ainda jorram delírios vocais, baterias de rítmica retumbante e temerins; e em “What’s A Girl To Do?” percussão e bumbos rufantes dividem espaço com uma programação eletrônica simples e abafada, enquanto nos vocais Natasha alterna canto e fala.
Contudo, Natasha não se pendura o disco inteiro em cima do cravo. Em faixas como “Tahiti” e “Prescilla” a autoharp – um derivado da cítara – é que compõe o centro da melodia. No caso da primeira, a autoharp vem acompanhada por pouco mais do que um piano de toques ondulantes que confere tristeza sombria, e na segunda canção ela faz novamente par com piano, mas além de seus monocórdicos acordes estarem mais vívidos, ele divide a parceira da autoharp com coro de palmas de cadência lúdica e um pandeiro que complementa a sonoridade um pouco mais festiva. Em outras faixas, como “The Wizard”, “Trophy” e “Sarah” a artista deixa de lado os instrumentos menos convencionais e contenta-se com aqueles mais conhecidos. Ainda assim ela consegue manter a mesma atmosfera obtida com as instrumentações menos ortodoxas na doçura do piano e vocais, na beleza da percussão e das violas mínimas e delicadas de “The Wizard” – em que ela declara sua fascinação à figura de um feiticeiro, na sonoridade grave do piano, da percussão e vocais e no baixo e guitarras obscuros – de “Trophy” – em que a cantora brada a devolução de um artefato que fez em homenagem ao seu amor – e também na sensualidade dos vocais, complementanda pelos metais, baixo, percussão e programação de “Sarah” – em que a cantora confessa invejar a luxúria algo perigosa que cerca outra mulher.
É verdade que Natasha gasta um tanto de energia para, além de soar, também parecer estranha, afinal de contas, que sentido pode-se extrair de uma garota de origem paquistanesa em trajar-se como uma glam-hippie nativo americana? Nenhum, com certeza. Mas é inegável que o visual efetivamente tem seu efeito, além do que ele, muito além do simples efeito estético, ainda atrai a atenção do ouvinte que, por “curiosidade mórbida” – como eu costumo dizer – se dispõe a gastar um pouquinho de seu tempo para descobrir que sons se escondem por trás do mistura visual esdrúxula – comigo, ao menos, a artimanha funcionou. Quem se arrisca descobre uma artista que já consegue, em sua estréia, desenhar uma identidade muito clara e demonstrar vigor invejável ao utilizar-se dos mais variados instrumentos e gamas melódicas. Assim, Bat For Lashes não deixa de ser mais um motivo para eu repensar a minha insistente recusa de aceitar o termo “indie rock”.

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Orange: Clocks – “That Much Better” (dir. ?). [download: vídeo + mp3]

Clocks - That Much BetterNeste clipe, feito para a companhia de telefonia celular européia Orange, bonecos são usados de uma maneira diferente do que normalmente estamos acostumados a ver em clipes e curtas: ao invés de simular uma suposta realidade toda feita por estes bonecos, o diretor decidiu inseri-los na realidade humana, colocando-os dentro deste universo, visivelmente manejados pelas mãos de pessoas e as auxiliando-as em suas próprias atitudes mais rotineiras. O resultado é um vídeo muito, divertido e simpático, mesmo que a música um tanto chatinha da banda britânica Clocks – que faz participação rápida no vídeo – atrapalhe um pouco.
Baixe o vídeo utilizando este link e a canção – para quem gostou – no link abaixo:

“That Much Better” mp3:
http://www.gigasize.com/get.php/-1100009329/01_That_Much_Better.mp3

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Eugene McGuinness – “Monsters Under The Bed” (dir.?). [video]

Eugene McGuinness - Monsters Under The BedNo videoclipe de animação da canção “Monsters Under The Bed”, do desconhecido cantor Eugene McGuinness, um garoto e seu ursinho de pelúcia lutam para acordar de um pesadelo, fruto de um sono repentino devido a exaustão de manter-se acordado durante a madrugada. O mais divertido é a reação do garoto ao viver uma fatalidade enquanto tenta escapar deste mundo repleto de bichos-papão de todos as espécies – Rambo é uma das figuras mais influentes no mundo pop, sem dúvidas.

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Sol Seppy – The Bells Of 1 2. [download: mp3]

sol seppy - the bells of 1 2 (2006)

A britânica Sophie Michalitsianos, ou simplesmente Sol Seppy, mais conhecida pela sua colaboração junto ao grupo de rock alternativo Sparklehorse, é dona e senhora de composições singulares em seu trabalho solo The Bells of 1 2, já que ela foi a responsável pela maior parte das etapas de sua concepção. Neste disco, temos contato com uma atmosfera que subverte o etéreo a uma outra identidade, estranha à que é comumente a sua: um etéreo difuso e distante, como uma voz que escutamos sussurrante, débil e suplicante. Assim, apesar da docilidade cintilante da programação e do tato macio dos violões e guitarras country/rock em “1 2”, como das vocalizações e instrumentação plácidas da primeira metade de “Answer To The Name Of”, que é revertida em sua parte final em uma balada de programação eletrônica e bateria sutilmente agitada e efusiva, chamarem prontamente a atenção de quem tenta decifrar o universo musical de Seppy, não é difícil concentrar-se e notar que o caráter mais marcante da musicalidade desta inglesa está nas canções que experimentam em diferentes níveis com a técnica do low-fi, cheias de ruídos abafados e estalos que lhes conferem a sonoridade de algo esquecido e abandonado em algum canto de nossa memória. Sente-se isso de modo arrepiante nas considerações sobre a condição humana em “Human”, com piano suavemente salutar, no encanto fabuloso da melancolia perfeita do piano e dos versos vagos de “Enter One” e também em “Gold” e “Injoy”. Nestas duas últimas, especialmente, a importância e significância das letras, quase ininteligíveis, acaba bem diminuída no constraste com essa sonoridade, quase gêmea, das duas faixas, com soturnos violinos incidentais e piano suplicante, de acordes tão mínimos e cíclicos que “Injoy” acaba lembrando de alguma forma o fascínio quase hipnótico das ondas e da arrebentação do oceano.
Mas se Sol Seppy consegue impressionar ao compor melodias tão reflexivas e obscuras, mostra-se igualmente brilhante ao escrever canções menos mergulhadas nestas características: as baladas “Come Running”, em que a cantora versa despretensiosamente sobre permitir-se aproveitar os momentos de alegria mais inocente, “Slo Fuzz”, com seu baixo e guitarra de graves acordes encorpados e suas cintilâncias frugais que lhe conferem inegável caráter apaixonante, e ainda “Move” e “Loves Boy”, cada qual destas duas alternando e mesclando a seu modo a programação eletrônica de rítmica propositalmente simples e ordinária com instrumentação e programação adicional mais dark e melancólica, podem até ser ditas como mais próximas do tradicional, mas as duas camadas melódicas sobrepostas em todas elas, do mais tradicional sobre uma película de experimentalismo obscuro, mantém a mesma suspensão estranha que experimentamos nas outras canções.
Tudo isso faz de Sol Seppy uma artista muito distante do senso comum. Nas primeiras audições percebe-se, de forma tão distante quanto a própria musicalidade dela, que há algo ali a ser decifrado. Se não insistirmos, com certeza essa essência que a diferencia vai passar despercebida e corre-se o risco de a dispensarmos, tolamente incompreendida por nós. Feita a apreciação, pacientemente e com a devida cautela, apuro e zelo, revela-se aos poucos, até atingir a plenitude, essa espetacular beleza taciturna do indie rock com pitadas de gótico de suas melodias e de seus versos indefinidos. Sim, há um tantinho de gótico ali, porém é dos mais elegantes, apurados e saborosos, capaz de curar a péssima impressão que nos últimos anos tivemos do gênero, surrado por inúmeras bandinhas de menor espécie que nada fazem além de um arremedo lamentável deste estilo.

Baixe: Sol Seppy – The Bells Of 1 2 [mp3]

Ouça:

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Air Traffic – Fractured Life [download: mp3]

air traffic - fractured life (2007)

Eles passaram pelo seteventos.org há duas semanas, quando comentei sobre o videoclipe da canção “Shooting Star”. Pois bem, o álbum desses garotos será lançado apenas em 2 de julho, mas na internet, informalmente, ele já foi lançado. Quem termina de ouvir Fractured Life acaba com uma certeza: Air Traffic soa como uma mistura de coisas que povoam nossos ouvidos já há algum tempo. Além da letra sobre um amor que chega cedo demais para compreendermos-lhe inteiramente, é fácil reconhecer a semelhança extrema de “Shooting Star”, por exemplo, com qualquer faixa mais carregada de sensibilidade do Keane: além da tonalidade da voz ser quase idêntica, o modo como Chris Wall a usa nesta faixa remete em parte a Tom Chaplin, além da própria instrumentação da canção lembrar o que os três rapazes do Keane costumam fazer: piano mergulhado em acordes emotivos, guitarras rápidas e bateria forte e ligeira – o que também acaba assemelhando a banda ao Coldplay. Em “I Can’t Understand” o que podemos reconhecer tanto na harmonia doce da guitarra e dos acordes monotônicos do piano quanto na letra em que um homem confessa não compreender porque o amor acaba sempre complicando-se desnecessariamente, são as melodias cíclicas e as letras simples dos rapazes do Thirteen Senses. A emoção desmedidamente crescente da melodia e das letras de “Your Fractured Life” – em que sofrimento é exposto, mas também é exposta a vontade de não desistir de um amor -, não disfarça, igualmente, seu parentesco com a banda da região de Cornwall.

air traffic - fractured life (2007) post 01
Recheado de guitarras, pianos e vocais expressivos, o rock alternativo de Air Traffic tem parentesco com diversas bandas

Já a letra sobre um amor que se aproxima de seu fim, o piano e as sonoridades do teclado e em “Empty Space”, assim como o uso de bateria de ritmo bem marcado, orgão e piano de toques expressivos em “No More Running Away“, bem poderiam ser frutos do fabuloso trio Muse, ainda mais porque ambas possuem interlúdios sonoros que potencializam o apelo emocional das melodias e o vocal de Chris Wall volta a mostrar-se impressionantemente capaz de mimetizar influências de outros vocalistas. “Just Abuse Me” ainda tem algo de Matthew Bellamy nos vocais, mas tanto a letra, sobre um homem acorrentado ao seu amor por uma garota, quanto o rock juvenil que jorra do piano, guitarras e bateria não mentem: há muito de Supergrass ali. “Charlotte” e seus versos de estertores apaixonados e “I Like That”, na qual um homem assume sua submissão ao amor, também tem guitarras, pianos, bateria e vocais com a mesma euforia do Supergrass. E ainda sobra tempo para, na faixa escondida “Pee Wee Martini”, conceber uma melodia cujo instrumental lembra Pink Floyd e o espírito sugere algo que o Placebo já fez igualmente.
Air Traffic é mesmo um liquidificador de referências do rock alternativo e indie, e isso não se faz sem sofrer algum tipo de consequência: a banda corre o risco – aqui confirmado – de não encontrar espaço para desenhar uma identidade própria. No entanto, isso não desmerece a qualidade e o brilho de suas composições, capaz de aproveitar tudo que essas bandas fantásticas tem de tão bom – o que já é um bom motivo para dar uma chance aos rapazes.

Baixe:
Air Traffic – Fractured Life [mp3]

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Vanessa da Mata – Sim. [download: mp3]

Vanessa da Mata - SimA moça de voz macia e cabelo farto nascida no Mato Grosso, Vanessa da Mata, com apenas dois discos lançados, conquistou espaço na MPB e já consagrou seu nome como uma compositora e intérprete de sangue azul no atual painel de nossa música. Com o lançamento de seu mais novo disco, Sim, Vanessa prossegue aplicando modificações gradativas em sua música, sem perder sua identidade musical particular. A maior novidade neste disco é a aromatização de algumas faixas na tradição do reggae, sempre de maneira elegante e respeitando o método de composição da cantora, bem como seu modo de cantar. Tanto na simplicidade de “Vermelho”, em que a cantora compara o aconchego e as dores do amor ao calor desta cor, na deliciosa balada “Ilegais”, onde a artista comenta sobre a paixão que insiste em esconder, vontade esta traída pelo desejo fremente que seus corpos denunciam, na fraca e desnecessária “Absurdo”, faixa de protesto que critica à ação humana contra a natureza, quanto no suavidade de “Boa Sorte/Good Luck”, com letras que falam sobre como uma relação chega ao seu limite, conseguimos reconhecer de modo inequívoco a cadência inconfundível do ritmo jamaicano. Mas se o reggae surge encaixado no modo da artista, o bolero, adotado por Vanessa na faixa “Meu Deus” surge da maneira mais tradicional: na letra, que não economiza no romantismo, a cantora fala sobre um homem deslumbrante que a conquistou de maneira avassaladora com sua luxúria e seu jeito forte. Já “Pirraça”, qualquer que seja o modo como a própria Vanessa tenha descrito seu ritmo – carimbó, juju, cumbio -, é das melhores faixas de todo o álbum: impossível não se identificar com a ironia de suas letras, que descrevem a sensação de que o tempo brinca com nosso cotidiano, voando nos momentos mais prazerosos e arrastando-se nos instantes mais maçantes, e com sua melodia tão bem apurada que, a revelia de qualquer relação que a artista tenha feito com ritmos mais exóticos, me soa como um calipso (por deus: falo do gênero, não “aquilo” que temos no Brasil!) menos esquizofrênico – e notem o cuidado com que a a percussão foi planejada, lembrando o ruído de um relógio, quase sempre um tanto surdo mas que também nunca passa despercebido. “Você Vai Me Destruir”, onde a cantora comenta os desejos conflitantes de paixão flutuante e ódio exacerbado despertados pelo amor um tanto displicente de um homem, é mais rockeira – mesmo com suas traquinagens eletrônicas e percussivas. Pra não deixar barato nos ritmos variados que povoam o disco, a canção em que a cantora ironiza o fim de uma relação antes tão calorosa, “Fugiu Com A Novela”, pisa brincalhona no terreno sempre gostoso do samba-bossa. Como se não fosse o bastante, “Minha Herança: Uma Flor” é uma daquelas canções de amor de Vanessa que, sem nenhuma pretensão e com toda sua placidez e simplicidade, consegue causar arrepios, tão plena é sua beleza.
Claro que Vanessa da Mata é a principal responsável pela qualidade do disco, mas seria díficil falar de Sim sem comentar a produção tão primorosa e competente de Kassin e Mário C., capaz de transformar “Baú”, uma faixa meio improvisada que surgiu de última hora, em algo excepcional. E é na companhia destes produtores e de músicos inspiradíssimos que a matogrossense consegue trafegar pelos variados ritmos de Sim sem abandonar a essência de seu trabalho como compositora e letrista. É, depois de uma estréia excelente, onde marcou muito bem qual era seu território dentro da rica e variada tradição da música brasileira, e depois de soltar um pouco mais as melodias de suas composições no terreno do pop em Essa Boneca Tem Manual, valeu a pena esperar por este terceirdo disco da artista, que com monossilábico título mostra que ela já percente ao primeiro escalão da música do Brasil.
Baixe o disco utilizando o link e a senha para descompactar os arquivos.

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http://www.gigasize.com/get.php/-1100154677/mata_-_nao.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005