A música hipnótica e sombria do álbum 100th Window, com algo sutil de instrumentação inspirada em sonoridades orientais, ganha um vídeo completamente dentro deste espírito. Robert Del Naja, mais conhecido como “3D”, canta absolutamente imóvel – tendo apenas a companhia de uma irresoluta mariposa – em um quarto quase vazio enquanto olha o ambiente urbano da noite que pode ser visto por uma janela à sua frente. Com o avançar da música, o corpo do artista é coberto lentamente por tatuagens negras, conferindo-lhe a aparência de um híbrido homem-mariposa, ou algo que possa ser tão assustador quanto isso. Imperdível tanto pela canção quanto pela concepção visual. Baixe o vídeo .MOV utilizando este link.
Autor: giovanealex
Fernando Casarin é o modelo de Março de 2006 do The Boy. O rapaz possui algo de tempero latino na sua beleza jovial. Porém, não se trata daquela beleza latina já tão estereotipada, mas daquela que suscita a origem européia da latinidade presente na América: os traços do rapaz tem o que conheço de melhor em italianos e espanhóis, por exemplo. E quem resiste à essa latinidade tão inclassificável e, por isso mesmo, tão brasileira? Coroando as feições do mancebo ainda temos a sua juventude, sua pele de uma morenice cativante, seu sorriso maroto. O olhar de Fernando é um caso que merece ser discutido à parte: seu olhar terno ganha diferentes feições nas fotos em que o garoto usa óculos. Ali ele apresenta ainda mais atrativos, perfazendo ares mais sérios, contemplativos, dirigindo um olhar mais inquisitivo, perscrutador: a impressão que se tem do olhar dele nesta sessão de fotos é que ele te “come com os olhos” (ai, Jesus!). E é nas fotos do ensaio fechado – ousadas como sempre, para nosso prazer – que se nota outra característica de Fernando: há ou não há algo de Malvino Salvador neste menino? Se um Malvino já é bom, imagine outro…Aproveite o álbum aberto e o álbum fechado deste moreno maroto. Confira abaixo o inspirado trabalho do fotógrafo Cristiano Madureira com Fernando Casarin.
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Ao tomar conhecimento do assassinato de toda uma família em Holcomb, uma cidadezinha interiorana dos Estados Unidos, o jornalista e escritor Truman Capote parte para o local para escrever um artigo sobre o acontecido para a famosa revista The New Yorker. Ao chegar na cidade o seu interesse sobre o ocorrido se amplia, e ao invés de um simples artigo Capote sente que deve escrever um livro. Assim, ele passa a dedicar alguns anos da sua vida envolvendo-se intensamente com a estória, fazendo pesquisas e entrevistas com os amigos da família e seus assassinos, produzindo aquilo que viria a ser considerado uma obra-prima, o livro “À sangue frio”.
Bennet Miller foi sábio e astuto ao decidir sobre a estrutura de sua cine-biografia de Capote: ao invés de se utilizar de todo o material disponível no livro de Gerald Clark resolveu retratar apenas o breve período que descreve a gênese do livro mais famoso do jornalista americano. Com essa decisão, Miller evitou uma enxurrada de sequências desnecessárias e tornou “Capote” uma das melhores biografias filmadas por Hollywood nos últimos anos, afastando do seu filme o traço mais comum em obras do gênero: a pieguice e apelação ao sentimentalismo fácil produzidos em cima de momentos dramáticos da vida do biografado. Porém, o longa metragem de Bennet Miller não se contenta apenas com a função de retratar o figura de Capote, formando ainda um discurso notadamente contrário à pena de morte ao explorar o sofrimento do jornalista durante o longo processo de sucessivas apelações para cancelamento da pena concedida aos crimininosos. O diretor também foi inteligente ao escolher o tom de seu longa-metragem, construindo um silêncio inquietante e seco durante todo o filme, o que torna ainda mais brutal a chocante sequência que retrata os assassinatos. Nada mais sensato: o silencio que percorre a maior parte de “Capote” é análogo àquele encontrado nas comunidades mais tradicionais dos Estados Unidos, que sempre tem algo de soturno e mórbido escondido sob sua atmosfera de aparente tranquilidade – quem conhece o trabalho de David Lynch sabe muito bem disso.
A atuação de Phillip Seymor Hoffman é, de fato, excelente: o ator soube incorporar o tom certo para não retratar de forma caricata um intelectual homossexual, construindo um Truman Capote que é sim egocêntrico e afetado, mas nunca é fresco e arrogante. Deve-se dar o devido mérito ao ator por conseguir atrair a simpatia do público ao compor um personagem que poderia facilmente ser mal compreendido por um ator menos atento. Mas Hoffman soube captar as sutis nuances do personagem: apesar de acreditar ser insensível à situação e pensar estar apenas usando os criminosos com o intuito de produzir seu livro, Capote se descobre sensibilizado com a estória dos assassinos e do crime em si, e acaba profundamente deprimido pelo misto de carinho e horror que nutre pelos homens reponsáveis pelo crime que queria retratar. É por compor um trabalho tão complexo que Hoffman merece o Oscar de melhor intepretação que ganhou este ano. E já que estou falando de Oscar, é bom informar que Miller consegue deixar para trás o celebrado – com justiça, admito – filme de Ang Lee, conseguindo fazer de seu sutil e brutal “Capote” o maior merecedor dos prêmios da Academia. No entanto, mais uma vez, Hollywood se recusou à ser sensata.
Apesar da mesmice e irrelevância artística da maior parte daquile que é produzido em termos culturais hoje em dia, seria leviandade afirmar que nada mais interessa. Há sempre artistas que surgem e surpreendem, ainda que em número reduzido. O trabalho por eles apresentado pode talvez não se apresentar como um mundo de inovação mas como uma retomada vigorosa daquilo que já conhecemos – o que não é pouco. A banda americana The Killers é a mais nova representante deste fenômeno, e já conseguiu chamar a atenção com apenas um álbum lançado na praça. Em Hot Fuss, a banda espalha uma sonoridade que não soa estranha ao ouvido de alguem com mais de 25 anos, pois a voz e empostação cool/cult do vocalista, bem como as melodias que dosam guitarras harmônicas e teclados esquematizados suscitam os melhores momentos do pop que foi chamado de “New Wave” nos anos 80 e ainda início dos 90. Porém, não se trata puramente de uma retomada, já que a banda consegue ressuscitar a alma do pop do fim do século passado sem soar nostálgica, incorporando pós-modernidade em suas canções ao mesclar de forma competente diferentes gêneros musicais. Pelo menos em seu álbum de estréia, The Killers mostra que é muito boa em compor músicas que se mostram candidatas à hits imediatos. Seus B-sides também são tão bons quanto as músicas que ganharam o direito de configurar o álbum, algo não tão fácil de acontecer quanto se pode pensar. Como não poderia deixar de ser, algumas faixas são destaques absolutos no álbum, como é o caso da faixa de abertura, “Jenny was a friend of mine”, um rock de com simetria melódica perfeita que fala sobre um amante que perde a sensatez e a noção de limites. “I’ll the things that I’ve done” e “Andy you’re Star”, com refrões acompanhados por backing vocal de inspiração clara em coros gospel, sintetizam muito bem rock e blues. “Everyting will be alright”, e em menor grau “Somebody told me”, surgem na descendência do pop eletrônico que varreu a Europa no fim do século passado, sem deixar de sobrepor na sua melodia a contemporaneidade da banda. E para fazer jus ao comentário que fiz sobre os B-sides, “Glamorous Indie Rock and Roll” simultaneamente é uma ode extravagante ao amor e ao gênero musical que cita. Ao fim de sua audição, Hot Fuss é o atestado sonoro do encantamento que sempre irá possuir o gênero musical que nasceu sob a aura da rebeldia e trangressão, amadurecendo e sobrevivendo a sucessivas gerações sem nunca perder o seu vigor juvenil. Link para download depois da lista de faixas.
Baixe: The Killers – Hot Fuss [mp3]
Ouça:
Singelo e delicado vídeo de animação que mostra a breve jornada de uma criaturinha chamada “Annai”, que parte em busca da solução para a amargura de possuir um olho só. A trilha do vídeo é feita por uma flauta doce que entoa acordes sutis que se adaptam com ligeiras modificações a sequência que é retratada e relembra ainda trechos de melodias que já soaram na infância de qualquer adulto. A estória é ingênua e sutil, retratando a forma como são ignoradas pessoas que não se enquandram no perfil idealizado pela sociedade. Apesar da melancolia da animação, o final mostra Annai encontrando de forma inesperada uma solução para o seu problema através de compreensão e conforto oferecido por alguém diferente como ele(a). Assistindo à essa bela mini-fábula lembrei-me dos inúmeros desenhos de origem desconhecida que eram apresentandos nas redes de telvisão há muitos anos, particularmente na TV Cultura – quando ela ainda era um canal sem a tola pretensão de ser “antenada” com a “juventude” da atualidade. Baixe já e aprecie essa raridade!
http://x700.putfile.com/videos/a8-31111272028.mov
Deixe um comentárioOBS: observe o jogo construído com os sons das palavras do nome da animação em inglês: “An eye for Annai” acaba soando como “an eye for an eye” (um olho para um olho). Nada mais gracioso do que a ludicidade dos fonemas, algo tão utilizado para entreter crianças. 🙂
Pode parecer surpresa para alguns, mas este rapaz deste ensaio do Paparazzo não me apetece tanto. Ou pode nem ser supresa para ninguém, já que todos sabem que sou um chato mesmo. Alexandre Slaviero é moreno, gostosinho, um rostinho atraente, tem pelos suaves distribuidos pelo corpo e peito e abdômen lindos de lamber. No entanto, algo nele me causa alguma distância – o rosto dele nas fotos de sunga vermelha na piscina, por exemplo, está muito estranho, exótico por demais. Porém, suspeito que grande parte de minha rejeição seja pelo fato do ator participar da insuportável e onipresentemente televisiva novela Malhação, interpretando mais um daqueles adolescentes que só existem para irritar o resto da humanidade que possui um mínimo de sensibilidade e sensatez. Quem sabe o garoto cresça e mostre querer mais da vida do que simplesmente afundar na areia movediça do estigma da novela “teen” – deus me livre usar esse termo no meu blog novamente. É esperar para o amadurecimento do menino. Enquanto isso, dá para se sujeitar á algumas maldades com ele assim mesmo – afinal de contas, eu disse que há certas coisas na beleza efebo-lolística-menudística dele que me causa distância, mas não repulsa. Como diria Caetano Veloso em “Fora da ordem”: “eu sei o que é bom”. Atendendo à pedidos, veja já o álbum do rapaz.
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