Depois de me frustrar em fevereiro com um modelo que não correspondeu aos meus anseios, o site The Boy subiu alguns degraus com Lucas Malvacini, o eleito para o mês de Março. Este moreno mineiro de apenas 19 anos é dono de um corpo bem esculpido e não se pode dizer que seu rosto não tem traços encantadores, mas é justamente ali que alguns pequenos detalhes atrapalham o conjunto, já que seus olhos enormes e sua boca também razoavelmente carnuda de dentes grandes competem com as orelhas vistosas. Porém, nem todos os traços excessivos de seu corpo causam desagrado, é justo afirmar. Há um em particular que capta a nossa visão logo na primeira sessão de fotos e causa um, digamos, calor encantador: para felicidade do rapaz ele também foi sorteado para ter um volume magnânimo nas áreas adjacentes, algo tão visivelmente portentoso que qualquer foto que o garoto tira de cueca deve ser motivo de orgulho para ele. E não há como, tendo esse rapaz seminu na frente e uma câmera na mão, não tirar proveito disso – e como o contratado para realizar o ensaio foi o fotógrafo Cristiano, dos mais inteligentes e sensatos a figurar no portifólio do The Boy, ele não deixou de dedicar bastante atenção à esse aspecto do físico de Lucas.
E já que falamos no fotógrafo, o ensaio feito por Felipe Lessa está bastante inspirado, variando bastante nas ambientações e nos enquadramentos – de certo modo fazendo até um apanhado das composições mais famosas dos ensaios do The Boy até hoje – sem atrapalhar demasiadamente a observação do modelo e de seus atributos – e bem sabemos que isso pode se transformar num problema quando os excessos de inventividade do fotógrafo as vezes interferem na apreciação adequada dos atributos do modelo pelo público. Particularmente, achei fabulosa a foto com o ângulo de visão inferior enquanto o rapaz mete a mãozona dentro da bermuda ao se apoiar de costas na escada de madeira, assim como achei perfeita a escolhida para abrir o ensaio, já que, enquadrando o garoto naquela posição a imagem dá ênfase perfeita à musculatura do peito, braços e ombros do rapaz e consegue até mesmo minimizar os problemas no rosto de Lucas – ambos os retratos provam como um bom fotógrafo pode realmente amenizar os pequenos defeitos do fotografado e torná-lo até mais atraente do que na verdade é. Tá, eu adorei todas as fotos de cueca, óbvio. Quanto a parte fechada do ensaio, ela acaba não se destacando tanto quanto poderia, mas sem dúvidas que fotógrafo e modelo conseguiram entrar em sintonia na sessão com a cadeira de praia – é visível que há algo de bem libidinoso naquelas imagens. A única coisa estranha é a predileção pela não utilização de fotos com a coloração natural. Todas as fotos estão em preto e branco, sépia ou alguma outra variação dentro do estilo monocromático – não é algo exatamente ruim, mas sempre é bom ter ao menos algumas imagens nas quais podemos apreciar a verdadeira cor da pele e dos olhos dos garotos.
Agora fica com vocês: usem à vontade o campo de comentários para deixar público as impressões de cada um sobre o ensaio – respeitando sempre as regras expressas logo acima do espaço para comentar, claro.
Atualização-Update 20/04/09: o fótografo Cristiano Madureira entrou novamente em contato com o blog para esclarecer a dúvida exposta no comentário do leitor Rodrygo. Segundo Cristiano, a surpreendente semelhança entre as cores utilizadas no ensaio que produziu e as utilizadas na apresentação da banda Radiohead em São Paulo, na qual ele esteve presente, foi puramente uma coincidência. Quanto à revista Pop, o fotógrafo declarou que ela nunca foi influência nos ensaio produzidos para o portal Terra.
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Single do segundo álbum a ser lançado em conjunto por PJ Harvey e seu amigo e colaborador ocasional John Parish no próximo dia 31 de Março, “Black Hearted Love” detém uma beleza rockeira absoluta. Sob várias camadas de riffs de guitarra e uma bateria densa, Harvey clama pelo seu amor em versos de paixão enlevada com um vocal que detém a leveza e frescor do ar mais puro, porém com a intensidade e sedução que já lhe são mais do que conhecidos. O vídeo, dirigido pela dupla de irmãos Jake e Dinos Chapman, nomes conhecidos da escola mais controversa da vanguarda da arte européia, explora idéias das letras compostas por PJ ao colocar a artista de pele alva coberta por um vestido de cetim negro e pulando avidamente em uma casa inflável multi-colorida de festas infantis no meio de uma floresta em plena escuridão da noite pontuada por alguns relâmpagos – cenário este que guarda algumas semelhanças com a fantástica arte do disco To the Faifhful Departed, dos irlandeses do The Cranberries. John Parish não participa do curta, mas seu rosto pode ser conferido projetado brevemente sobre as figuras infantis que cobrem a parede inflável no fundo da casa enquanto uma chuva cai insistentemente. A melodia espessa criada pelo músico britânico foi combinada com uma filmagem contrastante, que abusa da câmera lenta em diferentes velocidades e que hora fecha closes no rosto angelical da inglesa, enquanto em outras concede visão mais ampla do cenário idílico e um pouco assustador. Sem dúvidas um delicioso tira-gosto até o lançamento, dentro de alguns dias, do novo álbum da dupla, que sucede Dance Hall at Louse Point, lançado em 1996.
Há cerca de 15 anos que não se sintoniza uma estação de rádio em qualquer período do dia e da noite sem correr o perigo de expor seus ouvidos à agressão causada pela insuportável mistura de ritmos antes distintos da música negra norte-americana, e que hoje pode ser resumido à um punhado de beats já catalogados featuring moçoilas lançando gritos e “miados” pretensamente sensuais e “manos” que nutrem a ilusão de encarnar a canastrice bad boy ao empostar um vocal que mais se assemelha a um arroto ou por, ao contrário, mimetizar uma voz que, ironicamente, é bem mais frágil e aguda do que a das moças. O conteúdo (?) coincide com a forma, procurando limitar-se a uma ostentação emergente de riqueza ou a enumerar peripécias sexuais do modo mais rasteiro permitido. Pra ajudar a deixar tudo o mais pasteurizado quanto o possível, encarregue um ou no máximo dois sujeitos para produzir os discos de TODOS os contratados do gênero pelas gravadoras e está feito: temos devidamente fabricado metade do catálogo de maior investimento das gravadoras e em média 80% do que estacionou há muitos anos em absolutamente qualquer top ten pelo mundo afora.
