Apesar de o diretor ser russo, a produção ser sueca e da narração ser em inglês, não há dificuldade em compreender esta animação feita com técnicas tradicionais. É tudo bem simples: um dia, um homem compra uma casa e, ao entrar nela pela primeira vez, descobre que ali há um rato, que decide logo tentar exterminar, mas a cada tentativa, o rato, ou melhor, a rata, entende aquilo de forma diferente…Divertido, sensível e com trilha sonora, composta por Randall Meyers, que remete aos temas fenomenais do mestre Zbigniew Preisner – o compositor preferido de outro mestre, o diretor polonês Krzysztof Kieslowski -, este curta-metragem é ganhador de vários prêmios mundo afora.
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Autor: giovanealex
Jovem músico sai de clínica de tratamento e ruma, através de uma floresta, até sua mansão mal-conservada. Lá chegando ele tenta isolar-se dos amigos que ocupam a casa e evita contato com seu agente, sua gravadora e até um detetive, que o procuram para que dê continuidade as turnês de sua banda. Livremente baseado nos últimos acontecimentos da vida de Kurt Cobain, vocalista do grupo Nirvana.
Desde 2002, Gus Van Sant redirecionou sua carreira para o rumo independente e alternativo que teve no início, voltando também o seu olhar para as atribulações juvenis urbanas. Por isso, não é surpresa alguma o seu interesse em biografar os últimos momentos de vida do rockeiro Kurt Cobain, ícone do rock grunge dos anos 90 que encerrou ele mesmo sua vida com um tiro na cabeça – sem considerar, claro, as inevitáveis teorias de homicídio dissimulado.
Por ser substancialmente uma biografia, assim como também o era “Elefante” – mas que o era muito mais de um evento em si do que de personagens -, o diretor decidiu manter a abordagem adotada no filme anterior, ficcionalizando a superfície mais aparente de sua história, através da modificação de alguns personagens e acontecimentos, mas mantendo intacta, na essência do evento e de seus protagonistas, a fidelidade com os acontecimentos reais. Desta forma, se os afazeres, o comportamento e as atitudes modorrentas de Blake no filme reproduzem com algum apuro as de Kurt Cobain, então a pergunta feita na filme por Kim Gordon para ele deixa de ser uma dúvida e passa a ter um caráter incontestável de afirmação: Blake/Cobain era um cliché do rock. Para piorar, ao importar, junto com o modo de compor a história, a técnica narrativa singular do filme anterior – que guarda semelhanças com a tradição documental – Gus Van Sant transforma o estigma da juventude transviada em algo ainda mais pueril do que já é: ao contrário do que aconteceu em “Elefante”, onde esta técnica ajudou a trazer ainda mais a superfície a natureza e a multiplicidade do evento narrado, o encadeamento improvisado de ações cotidianas, que tomam o lugar do roteiro, a edição que prolonga as sequências, evitando ao máximo os cortes nas cenas, a câmera que quase não produz closes, preferindo perseguir os passos do protagonista da sequência de maneira distante, e o silêncio que tem maior preponderância do que as falas – quase sempre irrelevantes – só faz tornar ainda mais visíveis e intensos o vazio, a ausência de sentido e a obviedade presentes no evento e no personagem que são a razão de ser de “Últimos Dias”.
Penso que o desnudamento do lado mais pessoal e íntimo de um ídolo, via de regra, não traz qualquer benefício: não apenas lhe destitui esse caráter sempre interessante mas acaba também revelando que, na realidade, eles podem ser o tipo de pessoa para quem não dispensaríamos a menor atenção e apreço. Infelizmente, para os fãs de Kurt Cobain, esse é o único mérito do filme de Gus Van Sant.
OBS: links funcionais mas não testados.
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legendas disponíveis (português):
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Em uma típica fazenda, com todas as tipicidades possíveis há, no meio de um rebanho de ovelhas gordas e fofinhas, Shaun, a ovelha magricela. E para fazer jus ao ditado “a ovelha negra da família” – se bem que são todas brancas -, ele é o único do rebanho que acha aquela vida de ovelha deveras tediosa…e, portanto, sempre arranja alguma coisa pra promover um “agito”. No primeiro episódio da série, Shaun encontra um repolho que caiu da caminhonete do dono de sua fazenda – que parece ser um senhor bem modernoso, visto estar escutando música eletrônica enquanto dirige – e tem uma idéia brilhante pra esquentar um pouco um dia chato: futebol, claro. Enquanto disputa a partida com o rebanho e a ajuda do cão de guarda da fazenda, que toma as vezes de juiz, três porcos estão de olho no delicioso repolhinho…
Hilário e com personagens irresistíveis, a série de animação com a tradicional técnica do stop-motion com massa de modelar “Shaun The Sheep” conta com a qualidade irretocável dos produtores e do criador de “Wallace & Gromit” e do genial “A Fuga das Galinhas”.
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Enquanto no Oriente Médio uma base americana é atacada por um helicóptero que se transforma em um imenso robô desconhecido, o jovem americano Sam, depois de algum esforço e com a ajuda de seu pai, compra um velho e estranho carro esportivo. Na verdade o carro é outro destes estranhos robôs, designado para estabelecer contato com Sam para obter um artefato que está em sua posse e é o mote de uma guerra entre duas diferentes facções destes imensos robôs alienígenas: os Autobots, que tentam defender o universo – e a Terra – dos planos perigosos da outra facção, os Decepticons.
Michael Bay é um dos diretores mais desprezados pelos críticos de cinema americanos pela sua capacidade de conceber sequências de ação esquizofrênicas e pífias e seu tratamento muito além do superficial com todos os outros aspectos de um longa-metragem. Ao ser designado como diretor da versão live-action de “Transformers”, adorado desenho animado dos anos 80, os fãs destes personagens ficaram um tanto temerosos e os críticos vislumbraram um desastre eminente. E Michael Bay foi fiel à seu estilo e não decepcionou – no sentido de que as péssimas expectativas acabaram mesmo se concretizando.
O argumento e a trama do filme que acabaram sendo adotados foram concebidos graças a uma idéia básica do produtor executivo, Steven Spielberg: “tudo é sobre um garoto e seu carro”. Junte à esta “brilhante” abordagem a pretensão cômica rasa e o descaso de Michael Bay com tudo o que possa tornar seu longa mais denso e sério e a desgraça está feita. Como se um filme que se ocupa em seu roteiro em empilhar por duas horas e vinte minutos as aspirações adolescentes americanas mais cretinas já não fosse ruim o suficiente, ainda temos o elenco do longa-metragem, que consegue fazer com que os personagens já caricaturais e rasos se tornem uma afronta à qualquer noção de complexidade e inteligência da raça humana: o jovem protagonista irrita até quando está parado e não abre a boca, seu pretenso par romântico, a gostosa da escola que não entende porque se sente atraída pelos lindos e imbecis atletas estudantis (hã? sexo, talvez?), torna seus irreais conhecimentos de mecânica automotiva ainda menos intoleráveis do que sua presença, a hacker de plantão, loira e linda, dá tanto embasamento à sua artificialidade que é deixada de lado no meio do filme e a platéia sequer se dá conta disso, e o protagonista do núcleo militar da trama, o lindo loiro Josh Duhamel, torna ainda menos natural os seus inacreditáveis conhecimentos em anatomia bio-mecânica extraterrestre – não sabia que os militares americanos aprendiam esse tipo de coisa no seu treinamento…
Diante disso tudo só nos restam as máquinas, certo? Tirando-se o fato de que estes personagens foram concebidos pelos mesmos roteiristas responsáveis pelos protagonistas terráqueos, e dessa forma eles reproduzem nas maquinas uma parte razoável da estupidez dos personagens humanos, ainda há algo que se salvou, graças aos senhores detentores da engenharia digital. Ao contrário do que vem se tornando cada vez mais frequente no cinema, o tratamento digital utilizado no filme materializa como real algo que jamais poderia o ser: os Autobots e os Decepticons não apenas foram caracterizados em cada minucioso e ardiloso detalhe, tanto no que se refere ao menor movimento quanto nos mais engenhosos e elaborados, como também toda a interação destes personagens com o ambiente e com os atores torna-se altamente convincente desde o primeiro segundo de animação – os esforços em efeitos visuais mais impressionantes que já conferi no cinema americano em muitos anos.
Se tivesse lido o perfil do filme no Wikipedia, teria refletido melhor sobre a noção do perigo que eu estaria enfrentando e não teria ido ao cinema. O único feito de Bay, que foi tornar mais interessante a transposição visual das máquinas do que a existência da humanidade, não é forte o bastante pra evitar você se sentir um idiota por estar vendo aquilo. No fim, você acaba achando até compreensível o desejo dos Decepticons de aniquilar a humanidade – se eles fizessem isso com uma parte razoável dos cineastas americanos, seria até um favor.
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OBS: links funcionais mas não testados.
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legendas disponíveis (português) [via legendas.tv – necessário registro]:
http://www.legendas.tv/info.php?d=1a2a54e3431092ea0257d7ffc2d08e78&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=e3900ef87dd6887e4a73dc55605e5700&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=f5ed78f3c474fd0cffe46724ab5f644d&c=1
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De boas intenções o inferno está cheio, e de DJs/produtores que elencam vocalistas – muitas vezes mais de um ao mesmo tempo – para interpretar sua canções cheias de balanço o mundo da música está tão cheio quanto. Boa parte deles quer ganhar fama e popularidade trilhando o caminho dos representantes mais famosos do estilo, como Groove Armada e Nouvelle Vague, fazendo uma alquimia sonora com funk e hip hop ou pop e bossa, respectivamente. A verdade é que dificilmente dou atenção à qualquer uma dessas duas tendências predominantes – se não soam totalmente irritantes quando esses produtores derramam nas composições mais hip-hop/funk do que o bom senso permite, o incômodo acaba sendo outro (ainda que em muito menor grau), já que, de tão lugar-comum, essa vontade de soar “brasileiro” acaba como um negócio maçante.
Contudo, eu diria que normalmente os elementos menos famosos que fazem parte deste grupo se alimentam em outras fontes, como a música latina, trilhas sonoras da época mais glamourosa do cinema americano ou pop/rock com rajadas de soul mais nostálgico. É nesta última referência musical que se encaixa o Noonday Underground, formado pela dupla Simon Dine – o inevitável DJ – e Daisy Martey – a necessária vocalista. Confessando desconhecer a discografia anterior da dupla, posso afirmar que seu último lançamento, o disco On The Freedom Flotilla, merece uma espiada por conter algumas faixas com um groove delicioso. “You Keep Holding On” é uma, onde o vocal impetuoso de Daisy foi distanciado um pouco do primeiro plano, nivelando-o bastante com a melodia cheia de loops e pontuais orientalismos sonoros e com programação eletrônica que permite uns bons requebros de cinturinha. Em “She Knows” os loops se repetem em pulsos constantes e os samplers de cordas, que dão a partida e fecham a melodia, lhe conferem maior glamour. Isso difere sobremaneira de “Put You Back Together”, cujo sampler-base que sustenta a música, um riff ligeiro de baixo que soa pinçado de uma surf music aleatória, salta aos ouvidos nos primeiros segundos da melodia e segue apoiado por um loop de bateria igualmente acelerado e sacolejante – o que provavelmente inspirou a vocalista a segurar mais as notas, principalmente no refrão. Em “It’s Alright” eles resolveram pregar uma peça no ouvinte: ao invés de uma canção soturna e mórbida, como sugerem os primeiros acordes de um baixo de negrume arrepiante, o que surge na verdade é um 70’s pop cintilante e nostálgico que lembra muito as canções-tema mais clássicas de filmes de 007, e que só sofre interferência do sampler de metais rascantes que prepara o encerramento da melodia. Pra fechar o disco a dupla colocou “Gone Now Blues”, canção que injeta uma melodia com loops percussivos velozes e samplers de metais, guitarras e gaitas salpicados que criam uma esquizofrenia à moda do Beck Hansen mais clássico.
Afora um Portishead ou Gotan Project, este projetos compostos por Disc-Jockeys normalmente não conseguem subverter o instrumental com que lidam, samplers e loops resultantes da digestão de acordes e harmonias limitadas ou mesmo alheias, em composições suas – você escuta e geralmente acaba achando aquilo reciclado e até mesmo repetitivo. Isso reduz muito o impacto que estes artistas podem ter dentro daquilo que alguém possa listar como suas preferências. Porém, tendo isto em mente, não há problemas em apreciar audições esporádicas de grupos como Noonday Underground, com sua prolixia sonora esparramante e de coloração solar – e até mesmo se jogar dançando na sala de estar.
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Apesar de os eventos principais – os shows musicais – não terem exatamente sido o grande feito que o projeto Live Earth se propunha, já se pode comemorar sua existência por entregar ao público “Forlorn”, um dos sessenta curta-metragens que foram encomendados pela produção do projeto para serem exibidos no evento dos shows que tomaram parte em várias cidades do mundo. O vídeo de animação digital, dirigido por Chuen Hung Tsang e Chris Hawkes, é o curta-metragem mais brilhante e realmente tocante que já tive contato desde “Kiwi!”, de Dony Permedi. Neste vídeo, um homem vagueia sem rumo por uma cidade completamente destruída por uma catástrofe climática – um furacão – e que parece não conter outra viva alma além dele próprio. No seu contato com lares dizimados, objetos e destroços ele só encontra sofrimento, mas ainda alimenta esperança, mesmo que ela existe apenas para ele mesmo. Na sequência final do vídeo, de uma beleza inacreditável, ainda somo agraciados com uma trilha espetacular, uma composição para violino e violoncelo de encher os ouvidos e os olhos – de lágrimas – absolutamente obrigatório para qualquer visitante do blog!
Baixe o vídeo em versão de 48 MB neste link, em alta definição através deste link ou clique aqui para assistir ao vídeo no YouTube.