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Autor: giovanealex

“Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, de Tim Story. [download: filme]

fantastic four and the silver surfer (2007)

Faltando dois dias do casamento de Reed Richards e Susan Storm, um estranho ser intergalático chega ao planeta e começa a preparar a Terra – o que causa diversos desastres ao redor do planeta – para a vinda daquele a quem serve, um poderoso ser que cruza o universo e destrói planetas por onde quer que passe.
Quando soube que os produtores do primeiro filme do Quarteto Fantástico pretendiam trazer para o segundo longa dois dos personagens mais clássicos do universo do quarteto, o arauto Surfista Prateado e seu senhor, Galactus, fiquei muito animado: mesmo que o primeiro filme não tenha exatamente feito jus ao adjetivo “fantástico”, e limitando-se ao fato de que estamos falando de cinema pipoca – cinema comercialíssimo sem maiores ambições e pretensões além do lucro certo -, a adoção destes dois personagens poderia ser a garantia de um argumento bem interessante ou, pelo menos, de sequências com algum impacto visual, já que o surfista, e ainda mais Galactus, são dos personagens de concepção e natureza das mais arrojadas no mundo dos quadrinhos. Mas Tim Story superou-se: se o primeiro filme foi um tanto ruim, este foi um desastre inevitável.
O maior e mais evidente problema de todos é o gosto do diretor e de seus três roteiristas e argumentistas, Don Payne, John Turman e Mark Frost, pelo cômico: passa-se mais tempo fazendo piadinhas e gracinhas durante todo o filme do que desenvolvendo a história proposta, que é abordada tão sem vontade que, pode-se dizer, surge apenas como se fosse “intervalos” para os momentos “cômicos”. O mote para a maior parte das piadinhas é o casamento dos personagens Ioan Gruffudd e Jessica Alba, que ainda foi usado para dar vazão a pretensão malfadada em tecer críticas à exploração da fama pela mídia e pelas próprias celebridades, mas a vontade dos produtores em fazer gracinha parece não conhecer limites, já que o narcisismo exacerbado do Tocha Humana de Chris Evans – que está estonteantemente lindo, diga-se – também é explorado ad nauseum, tornando ainda mais vazio o longa-metragem. Assim, os produtores conseguiram retirar qualquer sombra de impacto que o filme poderia ter, deixando evidente para o público que eles – os produtores – não estão interessados em arquitetar histórias suficientemente densas, com tensão mais palpável e peso mais sombrio, e abordar os personagens de maneira bem mais séria. Tão evidente quanto este problema é a atuação fraquíssima dos atores, que parecem nem se esforçar para dar alguma veracidade ou impor algum respeito aos seus personagens. É certo que nenhum deles é realmente famoso pelos seus dotes em interpretação – particularmente Jessica Alba -, mas penso que isso seja consequência indireta da abordagem decidida pelo diretor, seus roteiristas e os produtores do filme – isso se os atores não receberam diretrizes claras para ter tal desempenho. Além desses dois aspectos que já reduzem drasticamente as chances de termos um filme ao menos divertido, Tim ainda consegue destruir os maiores atrativos desta sequência: a estréia de Surfista Prateado e Galactus no cinema. A primeiro foi quase completamente gerado em computação gráfica, o que resultou em uma das experiências mais pobres com esta técnica – ficou parecendo a estatueta do Oscar -, visto que até o personagem gerado por computador conseguiu ter desempenho pífio, e o segundo, Galactus, foi uma decepção ainda maior: virou uma nuvem de fumaça intergalática que lança tentáculos sobre o planeta para sugar sua energia. Dizem que isto foi um subterfúgio utilizado pelo diretor para não revelar a concepção visual do personagem no cinema, já que pretendem abordar o personagem de forma mais completa no filme do Surfista Prateado (sim, eles não perdem tempo), mas isso também deixa espaço para concluirmos que ou eles não faziam idéia de como transpor visualmente esse personagem magnânimo para o cinema ou o estúdio não quis bancar sua concepção para não gerar mais gastos no projeto – qualquer que tenha sido a razão, eles conseguiram, com isso, frustrar todo o público das salas de cinema que tem um mínimo de conhecimento sobre o mitologia que cerca os personagens do Quarteto Fantástico nos quadrinhos.
Ah, claro, já foi anunciado que vamos ter uma terceira sequência da franquia – depois de um início morno e uma continuação gelada, o que mais de bom podemos esperar de “Quarteto Fantástico 3” além de umas poucas sequências que criam uma desculpa qualquer para colocar Chris Evans com o tentador dorso nú diante dos espectadores? Não há dúvidas: Tim Story e Hollywwod não estão satisfeitos com o massacre promovido neste segundo filme. Vamos rezar para que uma temeridade qualquer tire Story e seus fiéis roteiristas do caminho do Quarteto – quem sabe eles não tem sua energia vital sugada pelo verdadeiro Galactus, furioso por ter sido reduzido à uma manifestação climática das mais enfadonhas?

Baixe: “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, de Tim Story (Fantastic Four and the Silver Surfer, 2007):
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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Bat For Lashes – Fur & Gold. [download: mp3]

Bat For Lashes - Fur & GoldAinda que eu discorde da existência do termo “indie rock”, sou obrigado a concordar com a fertilidade de seus domínios: você o vasculha e parece que ele nunca acaba, dada a frequência com que novos artistas surgem. E, diga-se de passagem, um com a musicalidade mais estranha do que o outro. Uma das que mais chamou a atenção – e, diga-se, atenção qualificada, já que ela foi elogiada por artistas como Thom Yorke, por exemplo – nos últimos meses foi Natasha Khan, mas conhecida pelo codinome Bat For Lashes, que utiliza ao se apresentar em companhia de mais três mulheres, Ginger Lee, Abi Fry e Lizzie Carey. Natasha, paquistanesa de nascimento e britânica de criação, tem uma quedinha pelo telúrico, perceptível pelo modo como materializa impressões sobre a natureza em suas composições. Porém, esse mundo natural não o é de todo, já que ela também utiliza-se de elementos que ultrapassam esta identidade, explorando imagens místicas e uma cuidadosa gravidade sombria em suas melodias – não é de se estranhar que Natasha costume se apresentar revertida em uma índia meio hippie-contemporânea.
Concentrando-se na análise de suas músicas, o elemento que mais chama a atenção no primeiro contato é o modo com que utiliza o cravo – até hoje, só senti efeito tão estrambólico e instigante com o cravo delirante de Tori Amos no mais do que obrigatório e clássico álbum Boys For Pele. Porém, é bom sinalizar que seu cravo difere muito do que foi concebido pela fabulosa compositora americana: Khan reduz ao mínimo as matizes de seus acordes, preferindo conferir-lhe destaque nas suas composições através do seu uso minimalista. É fácil observar isto em “Horse And I”, um devaneio sobre uma cavalgada noturna em meio à uma floresta para ser sagrada em ritual místico, e “What’s A Girl To Do?”, em que Natasha se pergunta sobre o que fazer quando descobrimos que vivemos uma relação em que já não existe o amor, pois o centro melódico é formado por um mesmo agrupamento de acordes no instrumento que vai sendo sutilmente modificado ao longo da melodia, e acaba sempre retornando aos acordes originais. Ao redor do cravo idiossincrático, ainda jorram delírios vocais, baterias de rítmica retumbante e temerins; e em “What’s A Girl To Do?” percussão e bumbos rufantes dividem espaço com uma programação eletrônica simples e abafada, enquanto nos vocais Natasha alterna canto e fala.
Contudo, Natasha não se pendura o disco inteiro em cima do cravo. Em faixas como “Tahiti” e “Prescilla” a autoharp – um derivado da cítara – é que compõe o centro da melodia. No caso da primeira, a autoharp vem acompanhada por pouco mais do que um piano de toques ondulantes que confere tristeza sombria, e na segunda canção ela faz novamente par com piano, mas além de seus monocórdicos acordes estarem mais vívidos, ele divide a parceira da autoharp com coro de palmas de cadência lúdica e um pandeiro que complementa a sonoridade um pouco mais festiva. Em outras faixas, como “The Wizard”, “Trophy” e “Sarah” a artista deixa de lado os instrumentos menos convencionais e contenta-se com aqueles mais conhecidos. Ainda assim ela consegue manter a mesma atmosfera obtida com as instrumentações menos ortodoxas na doçura do piano e vocais, na beleza da percussão e das violas mínimas e delicadas de “The Wizard” – em que ela declara sua fascinação à figura de um feiticeiro, na sonoridade grave do piano, da percussão e vocais e no baixo e guitarras obscuros – de “Trophy” – em que a cantora brada a devolução de um artefato que fez em homenagem ao seu amor – e também na sensualidade dos vocais, complementanda pelos metais, baixo, percussão e programação de “Sarah” – em que a cantora confessa invejar a luxúria algo perigosa que cerca outra mulher.
É verdade que Natasha gasta um tanto de energia para, além de soar, também parecer estranha, afinal de contas, que sentido pode-se extrair de uma garota de origem paquistanesa em trajar-se como uma glam-hippie nativo americana? Nenhum, com certeza. Mas é inegável que o visual efetivamente tem seu efeito, além do que ele, muito além do simples efeito estético, ainda atrai a atenção do ouvinte que, por “curiosidade mórbida” – como eu costumo dizer – se dispõe a gastar um pouquinho de seu tempo para descobrir que sons se escondem por trás do mistura visual esdrúxula – comigo, ao menos, a artimanha funcionou. Quem se arrisca descobre uma artista que já consegue, em sua estréia, desenhar uma identidade muito clara e demonstrar vigor invejável ao utilizar-se dos mais variados instrumentos e gamas melódicas. Assim, Bat For Lashes não deixa de ser mais um motivo para eu repensar a minha insistente recusa de aceitar o termo “indie rock”.

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“O Retorno”, de Andrei Zvyagintsev. [download: filme]

VozvrashcheniyeDois garotos russos se deparam, repentinamente, com a presença do pai que nunca viram, a não ser por uma velha foto. Sem qualquer informação sobre onde ele esteve por tanto tempo, os garotos são autorizados pela mãe a acompanha-lo por alguns dias em uma viagem. Apesar de Andrey, o filho mais velho, procurar ser o mais solícito e simpático possível ao homem que seu mãe declarou ser seu pai, Ivan, o caçula, não consegue aceitar seus modos rudes e a sua presença, depois de tanto tempo de ausência, e promove conflitos constantes com ele. Essa relação problemática vai modificar a vida dos garotos para sempre.
Andrei Zvyagintsev faz um filme russo por natureza, compondo um longa-metragem com uma atmosfera silenciosa, sisuda e pesada, fotografia irretocável e imagens cuidadosamente planejadas – qualquer dúvida das ambições “tarkoviskianas” de Zvyagintsev seria pura ingenuidade ou falta de conhecimento sobre o cinema não-americano. É certo que entre os dois “Andreis”, o diretor estreante e o cineasta genial, há toda uma filmografia de distância, e o sincretismo e simbolismo do cinema deste último dificilmente ganha paridade com algum cineasta contemporâneo, mas Zvyagintsev consegue constituir seus próprios méritos, mesmo que sua técnica, algumas vezes, irrite um pouco por parecer colada demais ao estilo de Tarkovsky, a ponto de nos questionarmos se ele tem realmente qualquer intenção de assumir-se como legítimo herdeiro da tradição de um dos maiores cineastas da história.
Não quero dizer com isto que o filme seja ruim, pois ele possui qualidades inquestionáveis. Uma das coisas que mais se destacam no longa-metragem é o fato de que, ao utilizar-se de um argumento extremamente seco, Zvyagintsev mostra que este não precisa ir mesmo muito além de dar base à interpretação do atores que, ao retratar o embate entre dois garotos que aprenderam a conviver sem seu pai e a vontade deste de impor sua presença de forma tão repentina, sem nenhum afeto e com modos excessivamente rudes, autoritários e alguns rompantes de violência, conseguem de forma excelente compor nas cenas conflitos tão genuínos que causam incômodo sincero no espectador – metade do interesse possível por este filme reside no que estes atores e o diretor conseguem criar a partir do roteiro árido. É notável também a estética apurada do cineasta que, apoiado no diretor de fotografia de sua confiança, consegue compor imagens de beleza inquestionável e que suscitam uma poética e simbologia que tem seu valor e efeito. No entanto, é nessa altura mesmo que Zvyagintsev começa a incomodar pela natureza de suas ambições. O diretor decidiu preservar no argumento – a cargo de Vladimir Moiseyenko e Aleksandr Novototsky – as questões em aberto e, apesar da desnecessidade mesmo de qualquer resposta para elas, visto não serem essencias para a apreciação de um filme mais baseado em sentimentos e conflitos humanos, me pergunto sobre a verdadeira necessidade de sua existência. Além disso, as imagens de forte teor estético e ainda maiores ambições simbólicas, como as sequências que retratam as duas torres vistas durante o filme, funcionam bem, mas ao mesmo tempo, e novamente, parecem por demais criteriosas em sua existência dentro do filme – talvez eu esteja sendo excessivamente implicante ao querer achar defeitos, mas a verdade é que essas duas características me soam um tanto intencionais demais, como a querer que estas ajudem a atestar uma genuína atmosfera de filme de arte europeu ao longa-metragem. O mais simples, talvez, fosse não recorrer muito a elas, visto que o trabalho conjunto do argumento e dos atores satisfaz plenamente ao espectador.
Apesar de eu terminar implicando um pouco com esta estréia de Andrei Zvyagintsev, não há como negar que o diretor é dos mais apurados tanto na sua abordagem estética quanto no concepção do tema que aborda no longa-metragem, conduzindo muito bem os atores e deixando o espaço necessário para que eles mesmos explorem as emoções da natureza desta história. Vamos aguardar os próximos projetos deste cineasta e atestar se ele realmente ambiciona adotar um cinema de composição nada trivial ou se prefere, com o tempo, concentrar-se em dissecar emoções e conflitos humanos sem, necessariamente, apoiar-se na estética e na simbologia mais sincrética, como fez tão bem Thomas Vinterberg em seu soberbo “Festa de Família”.
Baixe o filme utilizando os links de uma das fontes a seguir.

OBS: links funcionais mas não verificados.

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legendas disponíveis (português):
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/3093450
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/88891

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Orange: Clocks – “That Much Better” (dir. ?). [download: vídeo + mp3]

Clocks - That Much BetterNeste clipe, feito para a companhia de telefonia celular européia Orange, bonecos são usados de uma maneira diferente do que normalmente estamos acostumados a ver em clipes e curtas: ao invés de simular uma suposta realidade toda feita por estes bonecos, o diretor decidiu inseri-los na realidade humana, colocando-os dentro deste universo, visivelmente manejados pelas mãos de pessoas e as auxiliando-as em suas próprias atitudes mais rotineiras. O resultado é um vídeo muito, divertido e simpático, mesmo que a música um tanto chatinha da banda britânica Clocks – que faz participação rápida no vídeo – atrapalhe um pouco.
Baixe o vídeo utilizando este link e a canção – para quem gostou – no link abaixo:

“That Much Better” mp3:
http://www.gigasize.com/get.php/-1100009329/01_That_Much_Better.mp3

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Eugene McGuinness – “Monsters Under The Bed” (dir.?). [video]

Eugene McGuinness - Monsters Under The BedNo videoclipe de animação da canção “Monsters Under The Bed”, do desconhecido cantor Eugene McGuinness, um garoto e seu ursinho de pelúcia lutam para acordar de um pesadelo, fruto de um sono repentino devido a exaustão de manter-se acordado durante a madrugada. O mais divertido é a reação do garoto ao viver uma fatalidade enquanto tenta escapar deste mundo repleto de bichos-papão de todos as espécies – Rambo é uma das figuras mais influentes no mundo pop, sem dúvidas.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005