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Autor: giovanealex

Fiona Apple – “Not About Love” (dir. Michael Blieden). [download: vídeo]

FionaFazendo o papel de coadjuvante, Fiona assiste ao amigo comediante Zach Galifianakis dublar a sua música “Not About Love”, este sim o protagonista do vídeo. Zach está engraçadíssimo: solta a franga, faz cara de “mamãe sou cool”, ignora solenemente Fiona enquanto dubla os vocais e não tem qualquer vergonha de, à la Miguel Mas (veja o vídeo “Jesus Christ, the Musical”, aqui no seteventos.org), delirar no meio da rua. Fiona, no papel de apoio, está ótima, por vezes entrando na brincadeira e em outras fingindo inveja e revolta. Deliciosamente imperdível.

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“Anjos da noite – A Evolução”, de Len Wiseman.

Underworld 2 - EvolutionOs problemas da vampira Selene e seu amado, o agora híbrido de vampiro e lobisomen Michael, acabam de aumentar consideravelmente: Marcus, o último vampiro ancião, e o primeiro de sua raça, acordou de seu sono secular e persegue os dois, procurando obter algo que está relacionado com William, seu irmão lobisomen, que está confinado há séculos e é o primeiro de todos os Lycans. Selene e Michael não sabem, mas contam com a ajuda de um senhor misterioso e seus soldados, que tenta encontrar os dois namorados antes que Marcus o faça.
Por mais incrível que possa parecer, o segundo filme da possível trilogia é bem melhor que o primeiro. A razão é bastante simples: depois de ter explorado suficientemente o conflito instaurado pelo surgimento de um híbrido vampiro-lobisomen e o platonismo Romeu-e-Julieta no primeiro filme, o diretor Len Wiseman resolveu desenvolver uma argumento menos açucarado, e portanto bem menos piegas do que o primeiro, abordando a estória dos antepassados destes seres sobrenaturais, agora acordados, e de sua ambição de dominar o mundo e subjugar a humanidade. Dizendo assim, parece algo bem batido – e não deixa de ser, é verdade – mas Wiseman soube intensificar as sequências de ação do longa e concentrar-se no desenrolar do conflito proposto, aprimorando um pouco mais o argumento – claro, não dá para fazer muita coisa, já que falamos de uma produção cujo argumento reedita estórias de fantasia já bastante exploradas. O único problema deste segundo longa da franquia de Wiseman é, a meu ver, a introdução, em diversos pontos dos 106 minutos do filme, de “flashbacks” do filme anterior: o recurso é adotado tantas vezes que isso cansa o espectador, que fica se perguntando se um dialógo simples não resolveria essa questão. De qualquer forma, esse aspecto negativo é apenas residual, e não interfere na diversão criada pelo filme. “Anjos da Noite – A Evolução” é garantidamente uma espécie de “melhoramento” do filme precursor, enfraquecendo a impressão negativa de diretor pouco inspirado que o primeiro filme tinha deixado, para a sorte de Len Wiseman – e graças ao seu próprio esforço, claro.

NOTA POUCO CULTURAL: e como brinde adicional, fica aqui o registro de que o diretor Len Wiseman, marido da protagonista Kate Beckinsale, é um tremendo de um gato. O que também confirma que Kate pode até não ser uma atriz tão fantástica, mas mostra que ela não é nada boba.

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“O Grande Truque”, de Christopher Nolan [download: filme]

the prestige (2006)

Dois amigos, jovens mágicos aprendizes, ambicionam tornarem-se os melhores já conhecidos no ramo. A medida que o tempo passa a competição entre ambos começa a avançar tanto que nada, nem ninguém, lhes importa tanto quanto superar o sucesso de seu rival.
Christopher Nolan já mostrou até onde vai sua criatividade e ambição ao criar “Amnésia” e reiniciar a saga do homem-morcego nos cinemas com “Batman Begins”. Ao anunciar o projeto de “The Prestige”, contratando como protagonistas dois dos maiores astros do cinema comercial no momento, Hugh Jackman e Christian Bale, bem como a jovem atriz que ganha mais prestígio a cada longa, Scarlett Johansson, qualquer pessoa sensata já enxergaria aí a montagem de um imenso marketing para o longa-metragem, sem nem mesmo a produção ter se desenhado definitivamente. Durante o desenrolar da produção em si, notícias sobre o argumento do longa, e alguns de seus acontecimentos, chegaram ao conhecimento do público, e os fãs de Nolan começaram a babar pela enorme espectativa diante do filme. Contudo, apesar de ser uma produção de ponta, com boa atuação do elenco – particularmente Hugh Jackman -, direção competente, fotografia baseada em luzes e sombras bastante misteriosa e argumento bem concatenado, “O Grande Truque” é um filme que, a certa altura, começa a irritar o espectador – e a irritação só aumenta de nível até a conclusão do longa. A razão mais notadamente óbvia para tanto reside na construção da personalidade dos protagonistas: os mágicos intepretados por Jackman e Bale tem como única preocupação na vida atingir a superação profissional, esquecendo e ignorando, com vemência, os sentimentos do todos aqueles que os cercam, conhecidos ou não, em detrimento de sua competição pessoal – não há modos de nutrir simpatia pelo mago de Bale, já que sabe-se que tudo na vida dele foi subjugado e supremamente sacrificado em detrimento de sua carreira como mágico e de sua obssessiva competição com o rival Robert Angier que, ao menos, tinha inicialmente uma motivação pessoal compreensível para fazer o mesmo. Além disso, a medida que o filme aproxima-se de sua conclusão, os acontecimentos e reviravoltas do argumento, bem como a direção do longa-metragem, perdem-se gradualmente na sede de surpreender e estarrecer a platéia – definitivamente, é pretensão demais para uma carreira ainda muito curta.
No saldo final, “O Grande Truque” é um longa-metragem cuja pretensão do argumento, escrito à quatro mãos por Christopher e seu irmão, acaba atrapalhando mais do que sendo o responsável pelo seu engrandecimento. Para que este fosse um filme acima da média, os irmãos Nolan deveriam ter tornado os protagonistas mais humanos. Contudo, se eles não o fizeram com o intuito de querer mostrar até onde pode chegar a ambição, o epílogo do filme trai esta proposta, já que pretendeu-se revelar no personagem de Christian Bale uma emotividade até então não imaginada – e que não convence o espectador por um minuto sequer, devido à frieza deste diante das desgraças que causou ou desencadeou. O longa-metragem de Nolan é um bom filme, mas ele precisa, a partir de agora, parar de acreditar nos comentários da crítica, que o celebra como um dos maiores criadores do cinema comercial atual, e controlar a sua visível megalomania criativa. Do contrário, seus filmes vão passar a irritar o expectador desde a cena inicial, e não apenas a partir de sua metade final, como acontece com este aqui.

Baixe: “O Grande Truque” (The Prestige, 2006)
[áudio original, 1080p, mp4 zipado]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português english

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Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede – Vagabundo. [download: mp3]

Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede - VagabundoApesar de ser uma figura extremamente importante na história da MPB, Ney Matogrosso não está entre minha preferências. É fácil observar isto, visto que não eu não tinha nenhum álbum do artista no meio de minha coleção de CDs – até ontem. Ney, que vinha há muito tempo fazendo discos em que regravava uma pá de músicas de compositores reconhecidos, conseguiu com Vagabundo, execelente disco feito em parceira com Pedro Luís e a Parede, dar uma bela atualizada na sua carreira. O álbum começa com a deliciosa “A ordem é Samba”, música que fala sobre a importância deste ritmo em algumas regiões do país, e guiada por belos acordes de guitarra e excelente jogo de violas e percussão. “Seres Tupy” aborda, de maneira esplêndida, o universo dos miséraveis brasileiros. A melodia, assim como na primeira faixa, faz excelente uso de acordes cadenciados da guitarra, percussão e ótima participação de flauta. Em “Interesse”, temos mais uma percussão que se destaca, além dos metais que constroem a agitada sequência final da melodia. A letra é feita de versos em que alguém agradece, sem pena e com todo o orgulho, o desinteresse de um amor que não é mais cômodo. “Assim Assado”, clássico do Secos & Molhados, é uma boa regravação, mas fica aquém da versão original. “Noite Severina”, com melodia mais silenciosa do que a maior parte da músicas até aqui, é uma linda balada cujas letra poética, cantada em perfeito dueto entre Ney e Pedro, revela um amante platônico que observa, atônito diante de tanta beleza e algo triste, o sono da mulher que tanto ama. “Vagabundo” começa um pouco desinteressante, com melodia de samba pouco ortodoxa – pelo uso dos sopros rascantes do sax – mas cresce na sua metade final, quando entram os versos de negação de Pedro Luís. A percussão e bateria fortes são o que chama a atenção de imediato na melodia de “Inspiração”, assim como o alaúde árabe que aparece discreto na música. A letra é uma composição pós-moderna de versos que tratam do esforço criativo humano. “Disritmia”, uma das coisas mais belas já compostas por Matinho da Vila, ganha uma versão poderosa, ainda que algo minimalista e sorumbática, e cantada de forma esplêndida por Ney Matogrosso e Pedro Luís, acompanhados pela banda, inspiradíssima no uso do naipe de pratos e demais instrumentos. Em “Napoleão” temos uma letra irônica e divertida sobre o fim dos soldados deste governante francês. A melodia abusa do triângulo e da ótimo percussão, deixando no ouvido um gosto de música nordestina. A letra de “Jesus” trata do profeta cristão de maneira irônica – mas respeitosa – ao garantir que este não hesitaria em se render à dança ao ser retirado da cruz, bem como brinca com o uso que todos fazemos do nome de Cristo, ao quedarmos diante de qualquer adversidade. A melodia é agitasídíssima, com violões ligeiros e percussão alinhada com estes. “O mundo”, cuja letra revela a diversidade cultural e racial do mundo com versos algo pueris e cita o atual estado caótico da humanidade, é uma das músicas mais conhecidas do disco. A melodia investe, na sua metade final, em uma latinidade dissonante ao construir uma sequência agitada de acordes das violas, sax e da cadência da percussão.
Vagabundo é certamente o melhor disco de Ney Matogrosso em muito tempo, onde o artista acertou ao resolver aventurar-se em um projeto bem mais autoral e contemporâneo e abandonando, ao menos por algum tempo, o gosto pelos discos que celebram nostalgicamente a musicografia de grandes figuras da música popular brasileira. Espera-se que de tempos em tempos Ney arriscar-se em projetos tão surpreendentes como este. Baixe o disco usando o link e senha abaixo para descompactar o arquivo.

senha: seteventos.org

http://www.megaupload.com/?d=OY9Q5CM0

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Kasabian – “Shoot the Runner” (dir. Alex e Martin). [download: vídeo]

Kasabian - Shoot the Runner
Com um curta que abusa do estilismo pop, utilizando-se de uma animação super colorida que explora os contornos das imagens capturadas de uma performance da banda, o Kasabian produziu o vídeo que casa com perfeição com a melodia pop-rock incrivelmente irresistível da música “Shoot the Runner”, single do novo álbum, Empire. Os jatos de tinta, aparentemente criados digitalmente, dão o toque final ao vídeo. Não deixe de baixar e ouvir com cuidado a música também. Baixe o vídeo usando o link a seguir.

http://www.partizan.com/partizan/media/clips/583.mov

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“Vôo Noturno”, de Wes Craven.

Red EyeJovem gerente de famoso hotel em Miami decide retornar para a cidade pegando o último vôo noturno, no meio da madrugada, com o objetivo de chegar o mais cedo possível para o trabalho. Antes de embarcar ela conhece um homem charmoso e simpático, que acaba viajando no mesmo avião que ela. É logo depois que o avião decola que ela começa a viver um inferno que só acabará quando chegar a Miami.
Wes Craven ganhou fama nos anos 80 com a sua maior criação, “A Hora do Pesadelo”. Nos anos 90 ele voltou à velha popularidade com “Pânico”. Foi justamente por ter baseado sua carreira em produções no gênero do terror que Craven decidiu tentar uma total mudança de estilo com o filme “Música do coração”. No entanto, parece que o próprio Craven não avaliou a empreitada positivamente, já que voltou logo ao caminho que tanto havia trilhado e, pouco tempo depois, tinha decidido dar uma pausa no ritmo de trabalho. Porém, ao ter contato com o argumento de um filme de suspense, escrito por um roteirista estreante, o diretor ficou tão interessado com o que leu que adiou por mais algum tempo as suas férias e dirigiu o longa-metragem. Wes Craven tomou a produção como um desafio, pois apesar da diferença não ser muitas vezes compreendida pelo público, filmes de terror são sim diferentes de filmes de suspense – as similiridades existem e a experiência em um dos gêneros conta bastante para o outro, mas são gêneros diversos. Assim, tendo a satisfação de não estar pisando em terreno totalmente desconhecido – diferentemente de como aconteceu em “Música do coração” – Craven conseguiu produzir o filme com mais folga, segurança e flexibilidade. Prova disso é o modo como o diretor, apoiado no excelente desempenho dos dois atores que protagonizam a estória, Rachel McAdams e Cillian Murphy, consegue não apenas sustentar o interesse do público pelo filme durante a longa sequência no interior do avião – que toma um terço do longa-metragem -, mas tornar esta a parte mais tensa de todo o filme. Claro, não apenas o diretor e os atores merecem ser parabenizados pelo feito, mas também o roteirista estreante: mesmo com este espaço tão limitado trabalhando, de certa forma, contra a dinâmica do suspense e diminuindo o número de conflitos possíveis a ser desenvolvidos, Carl Ellsworth conseguiu reverter estas características em fontes geradoras de tensão – para um roteiro de estréia, é um texto bastante apurado e maduro.
“Vôo Noturno”, que resultou em um longa-metragem divertido e competente, garantiu à Wes Craven paz de espírito para entrar com tranquilidade nas suas merecidas férias, chegando à constatação de que seu talento para contar estórias repletas de agitação, sempre apoiadas em personagens jovens e atores estreantes ou não muito populares, continua em plena forma. Ótimo para o diretor e melhor ainda para os espectadores, que ficam na expectativa de outros longas tão revigorantes quanto este.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005