Para guiar os vocais da faixa “Burn My Shadow”, que sonoriza este clipe, os músicos e produtores James Lavelle e Tim Goldsworthy, criadores do projeto Unkle, convidaram o cantor Ian Astbury, ex-The Cult, muito provavelmente porque já tinham em mente a sonoridade totalmente rockeira da canção, com baixo, guitarras e baterias velozes dividindo espaço com momentos mais contemplativos do vocal de Ian. Igualmente convidado por Miguel Sapochnik, diretor do clipe, foi o ator croata Goran Visnjic, famoso por interpretar durante oito temporadas o doutor Luka Kovac da veterana série médica E.R. O vídeo funciona como um curta-metragem, e apresenta um homem de aparência um tanto surrada, acordando em seu apartamento completamente revirado depois do aparentemente passar pelo fim de seu relacionamento amoroso. Para sua surpresa e infelicidade, esta não será uma manhã como todas as outras foram – e nada mais deve ser dito com o risco de destruir a graça do vídeo, mesmo que ela seja revelada pouco depois do seu início.
Baixe o vídeo utilizando este link.
Sete Ventos Posts
Eles passaram pelo seteventos.org há duas semanas, quando comentei sobre o videoclipe da canção “Shooting Star”. Pois bem, o álbum desses garotos será lançado apenas em 2 de julho, mas na internet, informalmente, ele já foi lançado. Quem termina de ouvir Fractured Life acaba com uma certeza: Air Traffic soa como uma mistura de coisas que povoam nossos ouvidos já há algum tempo. Além da letra sobre um amor que chega cedo demais para compreendermos-lhe inteiramente, é fácil reconhecer a semelhança extrema de “Shooting Star”, por exemplo, com qualquer faixa mais carregada de sensibilidade do Keane: além da tonalidade da voz ser quase idêntica, o modo como Chris Wall a usa nesta faixa remete em parte a Tom Chaplin, além da própria instrumentação da canção lembrar o que os três rapazes do Keane costumam fazer: piano mergulhado em acordes emotivos, guitarras rápidas e bateria forte e ligeira – o que também acaba assemelhando a banda ao Coldplay. Em “I Can’t Understand” o que podemos reconhecer tanto na harmonia doce da guitarra e dos acordes monotônicos do piano quanto na letra em que um homem confessa não compreender porque o amor acaba sempre complicando-se desnecessariamente, são as melodias cíclicas e as letras simples dos rapazes do Thirteen Senses. A emoção desmedidamente crescente da melodia e das letras de “Your Fractured Life” – em que sofrimento é exposto, mas também é exposta a vontade de não desistir de um amor -, não disfarça, igualmente, seu parentesco com a banda da região de Cornwall.

Já a letra sobre um amor que se aproxima de seu fim, o piano e as sonoridades do teclado e em “Empty Space”, assim como o uso de bateria de ritmo bem marcado, orgão e piano de toques expressivos em “No More Running Away“, bem poderiam ser frutos do fabuloso trio Muse, ainda mais porque ambas possuem interlúdios sonoros que potencializam o apelo emocional das melodias e o vocal de Chris Wall volta a mostrar-se impressionantemente capaz de mimetizar influências de outros vocalistas. “Just Abuse Me” ainda tem algo de Matthew Bellamy nos vocais, mas tanto a letra, sobre um homem acorrentado ao seu amor por uma garota, quanto o rock juvenil que jorra do piano, guitarras e bateria não mentem: há muito de Supergrass ali. “Charlotte” e seus versos de estertores apaixonados e “I Like That”, na qual um homem assume sua submissão ao amor, também tem guitarras, pianos, bateria e vocais com a mesma euforia do Supergrass. E ainda sobra tempo para, na faixa escondida “Pee Wee Martini”, conceber uma melodia cujo instrumental lembra Pink Floyd e o espírito sugere algo que o Placebo já fez igualmente.
Air Traffic é mesmo um liquidificador de referências do rock alternativo e indie, e isso não se faz sem sofrer algum tipo de consequência: a banda corre o risco – aqui confirmado – de não encontrar espaço para desenhar uma identidade própria. No entanto, isso não desmerece a qualidade e o brilho de suas composições, capaz de aproveitar tudo que essas bandas fantásticas tem de tão bom – o que já é um bom motivo para dar uma chance aos rapazes.
Baixe:
Air Traffic – Fractured Life [mp3]
Ouça:
Walter Sparrow, funcionário do controle de animais com vida pacata e confortável, perde a noção de realidade e começa a agir de forma paranóica depois que lê o livro “O Número 23”, com o qual se deparou por mera casualidade.
Joel Schumacher é um diretor cujo melhor resultado obtido foi o filme “Tempo de Matar”, baseado no tenso romance de John Grisham. Tirando-se este longa-metragem excelente, o diretor sossobra entre produções lamentáveis – alguém ai lembra dos dois filmes do homem morcego dirigidos por ele? – e filmes interessantes e bem feitos – como o clássico thriller “Linha Mortal” e “8MM”, única coisa boa que Nicholas Cage fez depois de ter ganhado um Oscar. Seu mais recente longa-metragem lançado por aqui, “Número 23” se encaixa neste último caso.
As coisas que mais incomodam, dentro dos aspectos problemáticos de “Número 23”, são as inseridas pelo diretor e seu roteirista como tentativa de conferir à produção algum caráter distintivo: as referências diretas as histórias de detetive e ao cinema “noir” – fruto da história do livro que Walter lê durante toda a duração do longa-metragem – soam artificiais e tolas, pois não possuem densidade suficiente dentro do argumento do roteirista Fernley Phillips. Mas questões exteriores as tentativas de estilo do filme também resultaram em problemas razoáveis: a trama principal do longa-metragem – ou seja, os acontecimentos não-fictícios da vida do protagonista – parece um tanto amadora, já que a medida que o filme avança ela vai paulatinamente tornando-se mais forçada e fácil; as relações entre os personagens também careceram de um pouco mais de aprofundamento, sendo que a química entre Jim Carrey e a atriz Virginia Madsen nunca chega a atingir o nível ideal. Dos elementos que conferem qualidade ao filme temos a boa interpretação de Jim Carrey – em um papel que distancia-o definitivamente de qualquer parentesco com a gênero cômico -, a essência da trama básica, que consegue segurar o interesse do espectador até sua conclusão – mesmo que, como já foi dito acima, ela não chegue a convencer de todo – e a crescente e bem delineada obsessão do protagonista com o enigma que insiste em tentar desvendar.
Porém, o mais interessante de tudo acaba sendo o modo como os defeitos e qualidades do filme não apresentam-se suficientemente intensas para qualifica-lo de modo categórico como um filme bom ou ruim – apesar das críticas americanas terem sido impiedosas com o resultado final de “Número 23”. Ao fim de tudo, a única coisa que este longa-metragem consegue afirmar de fato é o quanto Joel Schumacher permanece como um “operário” dos mais clássicos da indústria cinematográfica americana: se recebe um material excepcional em suas mãos, consegue superar sua falta de predicados para que a trama não sofra com o caráter um tanto ordinário de seu trabalho; se obtém um material fraco e derrapante, acaba descortinando suficientemente tudo o que lhe desmerece como cineasta. Via de regra, Scuhmacher amaina um pouco suas falhas intrínsecas, criando, na maior parte das vezes, filmes que mergulham na abordagem mais tradicional possível cujo resultado é uma diversão com defeitos bem aparentes.
Baixe: “Número 23”, de Joel Schumacher (The Number 23, 2007)
[áudio original, 1080p, mp4]Legendas/Subtítulos/Subtitles:
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O remix da canção “Magic Rabbit”, do My Brightest Diamond, ganhou ainda maior profundidade em seus tons góticos e sombrios. O diretor Murat Eyuboglu, inspirado por essa versão soturna e silenciosa da faixa, que privilegia enormemente o vocal de Shara Worden, não deixou por menos: pra tornar a coisa toda ainda mais aterradora ambientou a cantora em sequências e cenários que remetem diretamente ao estranho e mórbido vídeo do filme “O Chamado” – que por sua vez inspirou-se em “Um Cão Andaluz”, de Salvador Dalí e Luis Buñuel. O resultado final é uma brilhante transposição em imagens do clima funestro da faixa. Baixe o vídeo utilizando este link.
A moça de voz macia e cabelo farto nascida no Mato Grosso, Vanessa da Mata, com apenas dois discos lançados, conquistou espaço na MPB e já consagrou seu nome como uma compositora e intérprete de sangue azul no atual painel de nossa música. Com o lançamento de seu mais novo disco, Sim, Vanessa prossegue aplicando modificações gradativas em sua música, sem perder sua identidade musical particular. A maior novidade neste disco é a aromatização de algumas faixas na tradição do reggae, sempre de maneira elegante e respeitando o método de composição da cantora, bem como seu modo de cantar. Tanto na simplicidade de “Vermelho”, em que a cantora compara o aconchego e as dores do amor ao calor desta cor, na deliciosa balada “Ilegais”, onde a artista comenta sobre a paixão que insiste em esconder, vontade esta traída pelo desejo fremente que seus corpos denunciam, na fraca e desnecessária “Absurdo”, faixa de protesto que critica à ação humana contra a natureza, quanto no suavidade de “Boa Sorte/Good Luck”, com letras que falam sobre como uma relação chega ao seu limite, conseguimos reconhecer de modo inequívoco a cadência inconfundível do ritmo jamaicano. Mas se o reggae surge encaixado no modo da artista, o bolero, adotado por Vanessa na faixa “Meu Deus” surge da maneira mais tradicional: na letra, que não economiza no romantismo, a cantora fala sobre um homem deslumbrante que a conquistou de maneira avassaladora com sua luxúria e seu jeito forte. Já “Pirraça”, qualquer que seja o modo como a própria Vanessa tenha descrito seu ritmo – carimbó, juju, cumbio -, é das melhores faixas de todo o álbum: impossível não se identificar com a ironia de suas letras, que descrevem a sensação de que o tempo brinca com nosso cotidiano, voando nos momentos mais prazerosos e arrastando-se nos instantes mais maçantes, e com sua melodia tão bem apurada que, a revelia de qualquer relação que a artista tenha feito com ritmos mais exóticos, me soa como um calipso (por deus: falo do gênero, não “aquilo” que temos no Brasil!) menos esquizofrênico – e notem o cuidado com que a a percussão foi planejada, lembrando o ruído de um relógio, quase sempre um tanto surdo mas que também nunca passa despercebido. “Você Vai Me Destruir”, onde a cantora comenta os desejos conflitantes de paixão flutuante e ódio exacerbado despertados pelo amor um tanto displicente de um homem, é mais rockeira – mesmo com suas traquinagens eletrônicas e percussivas. Pra não deixar barato nos ritmos variados que povoam o disco, a canção em que a cantora ironiza o fim de uma relação antes tão calorosa, “Fugiu Com A Novela”, pisa brincalhona no terreno sempre gostoso do samba-bossa. Como se não fosse o bastante, “Minha Herança: Uma Flor” é uma daquelas canções de amor de Vanessa que, sem nenhuma pretensão e com toda sua placidez e simplicidade, consegue causar arrepios, tão plena é sua beleza.
Claro que Vanessa da Mata é a principal responsável pela qualidade do disco, mas seria díficil falar de Sim sem comentar a produção tão primorosa e competente de Kassin e Mário C., capaz de transformar “Baú”, uma faixa meio improvisada que surgiu de última hora, em algo excepcional. E é na companhia destes produtores e de músicos inspiradíssimos que a matogrossense consegue trafegar pelos variados ritmos de Sim sem abandonar a essência de seu trabalho como compositora e letrista. É, depois de uma estréia excelente, onde marcou muito bem qual era seu território dentro da rica e variada tradição da música brasileira, e depois de soltar um pouco mais as melodias de suas composições no terreno do pop em Essa Boneca Tem Manual, valeu a pena esperar por este terceirdo disco da artista, que com monossilábico título mostra que ela já percente ao primeiro escalão da música do Brasil.
Baixe o disco utilizando o link e a senha para descompactar os arquivos.
senha: seteventos.org
http://www.gigasize.com/get.php/-1100154677/mata_-_nao.zip
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O mais recente filme de Sofia Coppola, Maria Antonieta, é uma biografia da aristocrata franco-austríaca que tem como ponto de partida a saída de Maria de seu país natal, a Áustria, aos 14 anos, para casar-se com o jovem e futuro rei Luis XVI, e encerrando-se com ela e sua família abandonando o palácio de Versalhes, na eclosão da revolução francesa.
O terceiro filme de Sofia Coppola dividiu a crítica devido à suas escolhas pouco ortodoxas e ao conteúdo da estória em si. Na forma dos primeiros tipos de críticas citados, as mais ruidosas foram feitas aos elementos que retiram do filme um caráter total de reconstituição de época. Contudo, é bom elucidar que tanto a trilha sonora que, de forma soberba, mistura composições clássicas com canções do movimento New Wave dos anos 80/90, uma ou outra ousadia explícita, como o par de tênis All Star propositalmente abandonado em meio a sapatos típicos daquela era, quanto as decisões nitidamente contrastantes com a natureza da história, como a escolha de uma atriz americana para o papel de uma monarca européia, a rigor, não se constituem de forma alguma como defeitos deste longa-metragem, e acabam mesmo é ajudando a arejá-lo, tornando-o menos chato, tradicional e sisudo do que normalmente costumam ser filmes de época. Dentro do escopo das críticas ao conteúdo, a ausência de contexto político e social no filme foi o mais comentado, o que de fato corresponde com a verdade. Porém, deve-se levar em conta que, com a decisão da diretora e também roteirista de concentrar completamente o foco do filme nas ações de Maria, Sofia acabou sendo fiel ao que se tem como notícia desta figura histórica, já que, segundo consta, ela realmente não se dava ao trabalho de inteirar-se e tomar partido na condução das políticas de seu reinado, atendo-se apenas ao que seriam consideradas frivolidades destemperadas.
O maior problema, na verdade, seria a própria Sofia Coppola, dona de um modo de filmar um tanto maçante e sem objetivo claro – em outras palavras, ela enrola o quanto pode. O ápice desta sua técnica foi mesmo o aborrecido “Encontros e Desencontros”. Mas aqui essa crítica não seria exatamente justa, visto que Maria Antonieta, devido à sua repulsa aos assuntos mais sérios e ao seu hedonismo, não exatamente se constitui em uma biografada das mais complexas e agitadas – seu mundo e suas vontades, pelo que informam, era mais ou menos o exposto no filme mesmo. Mas ainda é possível notar a insistência quase inconsciente de Sofia ao constatar que, apesar das duas horas finais, uma hora e meia seria mais do que suficiente para que ela contasse tudo o que pretendia neste longa-metragem.
Assim, não vejo outro modo de definir “Maria Antonieta” a não ser como o melhor filme de uma cineasta fraca, o que significa que não há muito o que esperar deste filme. Sem nenhuma surpresa, ele acaba sendo melhor do que o filme anterior de Sofia, mas também não é bom o bastante para que seu status como artista ganhe um “upgrade”. Veja sem medo e sem expectativas.
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legenda (português):
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