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Sete Ventos Posts

“Pecados Íntimos”, de Todd Field. [download: filme]

little children (2006)

Um homem e uma mulher, insatisfeitos com seus papéis em seus respectivos casamentos, aproximam-se de maneira inesperada em um subúrbio familiar americano. A volta ao bairro de um habitante que cumpriu pena por atentado ao pudor deixa os habitantes em estado de alerta.
“Pecados Íntimos” é o longa-metragem de Todd Field posterior ao elogiado “Entre Quatro Paredes”. Já que o argumento deste seu novo filme também retrata dramas familiares, nota-se a predileção de Field pelo assunto. Contudo, com a decisão de adaptar o livro de Tom Perrotta, o diretor ensaiou um passo além do que tinha dado em seu longa anterior, passando dos dramas de uma única família aos acontecimentos e personagens de um típico subúrbio dos estados unidos: a mãe hiper-protetora; as donas-de-casa que se pintam de moralismo, mas fantasiam e se ardem de desejo pelo vizinho galante; o marido que acha-se abafado e aprisionado pela liderança familiar da esposa, abandonando seus anseios da juventude em detrimento de tentar uma carreira mais respeitosa, sem sucesso; a mulher que nunca se adaptou ao perfil de esposa e mãe, empurrando com displicência exemplar ambas as funções; o homem que leva seu casamento à frente apenas pelo mero conforto das aparências, satisfazendo os seus anseios físicos fora dele e da maneira que acha mais cômoda e fácil, todos eles servem como analogia da sociedade americana como um todo e como uma tentativa de dissecar sua vida de aparências e falsos moralismos – e o diretor consegue formar este painel com o apoio do seu elenco, que forma um conjunto muito bem engrenado de atuações. Mas a maior ousadia de Todd Field reside em um único personagem desse microcosmo: o ex-presidiário que foi condenado por atentado ao pudor contra um menor de idade. A maneira como o personagem é abordado, consciente de seu desvio comportamental e de sua incapacidade de controlá-lo, é extremamente realista e audaciosa, pois afasta a possibilidade de recuperação do criminoso, influência direta da correção política e da pieguice que costumam infestar filmes do gênero.
Porém, a resistência do diretor ao moralismo e sentimentalismo mais pueril, que são o alvo da crítica do seu filme, não se mantém em pé até o fim, já que, nos últimos quinze minutos, Todd Field rende-se à tudo aquilo que combatia até ali, promovendo o epílogo dos principais personagens da maneira mais ordinária possível. Com isso, o diretor faz-nos crêr que todos os desejos reprimidos, fantasias e desvios não passam de experiências-limite que, no fim, servem apenas para mostrar o quanto a felicidade reside no terreno seguro da família.
Deste modo, Todd Field perdeu a oportunidade gigantesca de ser o autor de mais um longa-metragem excepcional, contentando-se em ensaiar ousadias que não atingem a plenitude. É um bom filme, mas a conclusão da película compromete o todo. Não há nada mais frustrante e lamentável do que isto: passar o tempo inteiro na expectativa da transgressão e testemunhar, no final, um atestado do moralismo mais simplista.

Assista “Pecados Íntimos” (2006, dublado): [streaming: 1080p / download: mp4]

Assista “Pecados Íntimos” (2006, áudio original): [streaming: 1080p / download: mp4]

Baixe: legenda (português)

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Blur Studio – “Gopher Broke” (dir. Jeff Fowler). [download: vídeo]

Blur Studio - Gopher BrokeNesta animação, uma espécie de esquilo com ares de toupeira acaba no meio de uma fazenda, cuja produção de verduras está sendo transportada em caminhões. Ladino como só, o bichinho bola uma maneira de obter alguns dos preciosos quitutes de horti-fruti para si. Porém, como todos sabemos, nada é tão simples nessas animações bem-humoradas, e o bichinho vai perceber que não é o único de olho na comida. O final, com a vaca, é hilariante. Vídeo bem curtinho, mas muito divertido. Assista, mal não faz!
Baixe o vídeo utilizando o link a seguir.

http://d.turboupload.com/d/1560338/jefffowler_gopherbroke.avi.html

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My Brightest Diamond – Bring Me The Workhorse [download: mp3]

Shara Worden formou o projeto My Brightest Diamond depois do sucesso com apresentações feitas em 2004. De formação clássica, nota-se nas sutilezas harmônicas e vocais de seu primeiro disco a influência erudita. Porém, apesar do que diz o texto de divulgação do selo que lançou este trabalho, o disco não dilui fronteiras entre gêneros, sendo facilmente identificável como um álbum de rock alternativo/indie. Não há confusão, por exemplo, ao escutar, Something of and End, a primeira faixa, cujos vocais profundos, guitarras, baixos e baterias de melodia grave e orquestração ocasional lembram muito a sonoridade do disco Souvenirs, do The Gathering. Nos versos da canção, aparentemente, Shara fala sobre a descoberta repentina de que alguém é portador de uma enfermidade fatal. No entanto, a partir da segunda faixa nos afastamos da semelhança com a banda holandesa: “Golden Star” desfaz a impressão com o trabalho conjunto de guitarra e baixo, que em dado momento saltam do fundo da melodia para apoiar o frenesi vocal de Shara, que improvisa uma fascinante inserção operística no refrão da música. Na letra, Shara revela as sensações sublimes da paixão. A faixa seguinte, “Gone Away”, com a lentidão cambaleante da guitarra, baixo, bateria e acordeão, retira o ouvinte do contentamento da faixa anterior e o arremessa imediatamente em uma atmosfera sorumbática e trôpega. Nesta estupenda canção, a compositora fala sobre o sofrimento de alguém que foi abandonado pelo seu companheiro, e que tenta manter a ilusão de que ele algum dia retornará, guardando consigo as coisas mais ordinárias que tem relação com ele.
Shara ganhou fama por suas performances marcantes em seus shows, onde a improvisação e experimentação recheiam todo o cardápio. A canção “Freak Out” nos dá a certeza deste fato, uma vez que ali a cantora concede vida à todos os seus desatinos líricos e melódicos. Ao falar nos versos sobre dar vazão aos instintos e desejos mais loucos e repentinos, Shara compôs uma melodia igualmente desconcertante, que contrapõe momentos mais silenciosos e compassados com outros mais ruidosos e destituídos de ordem – nada menos do que fabuloso.
Incrivelmente, é só lá pelo final do disco, com “The Good & The Bad Guy”, onde a compositora fala sobre uma mulher que tenta afastar a memória de seu grande amor ao retratá-lo como um vilão, e com “Workhorse”, onde Shara usa um cavalo que perde sua força de trabalho para falar sobre a descartabilidade da vida diante do interesse alheio, que o ouvinte consegue identificar com o que exatamente My Brightest Diamond guarda maior semelhança. O vocal empostado, a orquestração de evidente inspiração cinematográfica, inserida na melodia triste e lenta, e a programação eletrônica dark e minimalista não mentem: estes elementos revelam a aproximação deste trabalho de Shara com a atmosfera fenomenal do primeiro disco de Alison Goldfrapp, Felt Mountain. É esta mistura complexa de gêneros do rock/pop, e não a suposta e pretensa dissolução dos limites entre música popular e erudita que faz de Bring Me The Workhorse uma jóia do cenário alternativo e independente da música: a melancolia mórbida do Portishead, a classe e elegância densas da estréia de Goldfrapp e os toques mais joviais e assíncronos, que remontam ao melhor de PJ Harvey, formam a identidade extremamente moderna de Shara Worden.

Baixe: http://www.mediafire.com/file/uadbghr6b59d2jf/bright-workhorse.zip

Ouça:

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“Infamous”, de Douglas McGrath. [download: filme]

InfamousO jornalista e escritor Truman Capote decide produzir um artigo sobre um crime bárbaro que aniquilou toda uma família do interior dos Estados Unidos. Abandonando por algum tempo o ambiente sofisticado e os amigos ricos e refinados de Manhattan, Capote ruma para a pequena cidade em companhia da amiga escritora Nelle Harper Lee, onde, com algum esforço, consegue a simpatia dos habitantes para obter informações. Depois que decide escrever um livro sobre o crime, Capote entra em contato com os dois assassinos e acaba desenvolvendo estranha relação com um deles.
Douglas McGrath escreveu e dirigiu este segundo filme sobre o contato de Capote com o crime que gerou seu mais celebrado livro, baseando seu roteiro sobre uma biografia que tomou depoimentos de diversos afetos e desafetos do escritor americano. É a sua adaptação deste livro, e sua abordagem sobre a mesma história que gerou “Capote” que torna este um filme muito inferior ao longa-metragem de Bennett Miller.
O erro mais visível cometido por McGrath foi ser pouco seletivo com relação ao material que utilizou como base para seu filme: ao adaptar o livro, o diretor decidiu manter o deslumbramento sobre a personalidade esnobe e culta de Capote e sobre o ambiente que o rodeava, explorando ainda a reação de quem não conhecia Capote ao constatar seus trejeitos e maneiras incomuns. Isso nada mais faz do que agregar ao filme um humor óbvio demais para o tema e personalidade abordados. Além disso, o cineasta transpôs para a tela a estrutura documental dos depoimentos sobre o jornalista contidos no livro, o que tornou ainda mais ordinário e artificial o retrato de Capote feito no filme. Um outro erro, que notamos depois que surgem os dois assassinos no longa-metragem, foi explorar o lado mais mundano do contato entre o criminoso Perry Smith e Capote, caindo nas facilidades de escandalizar a platéia através do sensacionalismo na abordagem do relacionamento de ambos.
No entanto, Douglas McGrath não se contenta com seu retrato de Truman, e volta sua atenção também para o assassino Perry Smith. Devido ao perfil, feito pelo diretor, da relação ambígua do criminoso com o escritor e jornalista, já dá para vislumbrar o que o cineasta imaginou para Smith: o suposto homossexualismo enrustido e conflituoso de Perry, sua relação com o pai e sua pretensão artística frustrada respondem, para McGrath, como boa parte das razões que finalizaram na chacina da família Clutter. Mesmo descartando a chance de essa ser uma conclusão simplista da psique de um homicida e da razão de seus atos bárbaros, não há como negar que essa visão sobre Perry Smith e o crime que cometeu faz de “Infamous” um folhetim ainda mais barato do que ja é.
Assim, “Infamous” é o esboço mais leviano e superficial do que pode ter sido Truman Capote e sua relação com os criminosos da cidade de Holcomb. Pode ser mais realista do que o “Capote” de Bennett Miller? Sim, pode. Não há como declarar certezas sem um maior estudo da biografia de Truman. Porém, com certeza é um filme muito inferior ao pesado, silencioso e minimalista longa-metragem anterior.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

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legenda (potuguês):

http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/3100379

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Gotye – “Heart’s A Mess” (dir. Brendan Cook). [download: vídeo]

Gotye - Heart's A MessO diretor Brendan Cook faz para o músico belga Wally DeBacker, radicado na Austrália, uma animação estranha para a canção “Heart’s A Mess”. Com uma pitada breve do visual do longa “The Wall”, que resultou da parceria do Pink Floyd com Alan Parker, o vídeo mostra criaturas mecanóides marchando por um planeta cinza e escuro. Pode não ter lá muito sentido – e de fato não tem -, mas dentro desta seara de clipes cuja idéia não reflete muita coisa relacionada à musica ele é excelente, apresentando uma animação estilizadíssima e bastante simpática.
Baixe o clipe utilizando o link a seguir.

http://www.gotye.com/img/heartsamess/Gotye-HeartsAMessHiRes.mov

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Mika – Life In Cartoon Motion. [download: mp3]

Mika - Life In Cartoon Motion.O glitter pop inglês ganhou um reforço com a estréia do britânico de origem libanesa Mika e do seu álbum Life In Cartoon Motion. O disco sofre dos excessos dessa vertente do pop/rock, mas a produção caprichada acerta mais nas canções que tem pretensões mais simples. Abre o disco o hit que lançou o cantor, “Grace Kelly”, de melodia com direito à piano, guitarra, bateria desmedidamente extravagantes, bastante condizentes com o uso nada econômico que Mika faz de falsettos escandalosos e de empostação “cool” no vocal. Na letra, Mika cita as personas de Grace Kelly e Fred Mercury como os exemplos de comportamento para lidar com um amor que sofre excessos de orgulho e vaidade. A faixa seguinte, “Lollipop”, mantém a atmosfera absolutamente festiva com uma música que utiliza um piano e metais bem marcados e programação eletrônica complementar, além de uma pletora de vocais de fundo, incluindo aí vocais infantis, que incrementam o tom lúdico da canção. Utilizando a insaciável vontade de comer doces na infância como analogia, vemos Mika falando nos versos desta faixa sobre como aprendeu desde cedo que os exageros podem fazer com que o amor deixe você “pra baixo”. Depois da festividade das faixas anteriores, temos uma sutil mudança em “Relax, Take It Easy” para um pop dançante mas suave, isso graças à programação eletrônica e aos vocais, ambos charmosíssimos, lembrando muito os grandes sucessos dos britânicos da dupla Erasure. A canção fala sobre tentar relevar as dificuldades da vida e do amor quando não temos uma solução em vista. Mais à frente temos a episódica “Billy Brown”, onde Mika conta a estória de um homem que tinha uma vida de casado muita tranquila, até apaixonar-se por outro homem, sofrendo atribulações daí em diante devido ao conflito existente entre o que queria viver agora e o que vivia até então. A melodia tem coloração mais triste, porém ainda animada com seu piano, bateria, arranjos de metais e vocais um tantinho mais comedidos. “Happy Ending”, que fala sobre um homem que tenta levar a vida à frente criando a ilusão de que seu grande amor não acabou, tem instrumentação e orquestrações tradicionais, mas é a canção mais bonita do disco, dentro do clima proposto desde o início, trazendo uma sequência final com uma produção excelente nos vocais de fundo. No entanto a maior surpresa do álbum e a melhor música é a faixa escondida depois de “Happy Ending”: fugindo de forma radical do estilo preponderantemente frugal-histérico, “Over My Shoulder”, em cujos versos um homem reflete sobre seu constante sofrimento, tem melodia triste, pesada e melancólica à base do vocal em falsetto de Mika e de acordes sôfregos e ponderados ao piano.
Life In Cartoon Motion não está alinhado com o meu gosto devido aos rompantes do extravasamento glitter, mas é justamente a capacidade de fazer algo interessante dentro do estilo que mostra que Mika conhece o chão em que está pisando. E apesar do que imaginamos que seja Mika, a faixa escondida deixa no ar uma pergunta: teria ele coragem de subverter o suposto rumo de sua carreira em um segundo disco, com mais músicas de enorme beleza melancólica como esta? Como eu gostei mais deste breve instante de dor e tristeza de Mika, à la Rufus Wainwright, tenho que confessar que estou torcendo para que isto aconteça.
Baixe o disco utilizando o link abaixo e a senha para descompactar.

senha: seteventos.org

http://www.gigasize.com/get.php/3195519788/mika_cartoon.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005