Garota que conheceu um fotógrafo pela internet há algumas semanas, decide encontrar-se com o sujeito em um café. As motivações de ambos não ficam claras, mas logo descobre-se que ambos tem intenções não confessas neste encontro.
Aproveitando-se do tipo de roteiro que Brian Nelson escreveu, David Slade montou a estrutura básica de seu longa-metragem sobre artifícios teatrais, priorizando o foco do filme sobre os personagens e suas ações. Com isso, o diretor buscou obter a mesma tensão e impacto que outros filmes com estrutura semelhante – como “A Morte e a Donzela” de Roman Polanski, ou “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino. Slade obteve sucesso em sua empreitada, já que “MeninaMá.com” é um dos thrillers mais tensos dos últimos tempos. Essa tensão é potencializada pela maneira inteligente como Slade faz uso da sugestão na composição de cenas fortes, o que vejo como uma declaração de que esta é uma técnica muito mais eficiente e elegante do que o grafismo escancarado da atual onda de horror “gore” explícito. Com o enquadramento da câmera, fechado no rosto dos atores, o diretor explora as expressões destes e mergulha a pláteia na ambiguidade de suas verdadeiras intenções desde o início de “MeninaMá.com”. Os méritos também são do roteirista, como já dito, claro: Nelson foi inteligente ao escrever um texto que revela as motivações dos personagens lentamente, poupando o espectador do uso de flashbacks ao revelar os eventos anteriores através apenas dos diálogos ao longo de todo o filme. Os atores tiram todo o proveito das benesses do argumento de Nelson, esbaldando-se com o embate psicólogico e físico dos personagens – o que me lembra, e muito, de outro famoso filme com características semelhantes, “Louca Obsessão”, de Rob Reiner -, entregando ao público excelentes atuações.
O filme não consegue exatamente a apatia do público: o argumento lida de maneira bem pouco ortodoxa com questões morais e éticas e os personagens são bem pouco simpáticos à platéia. O motivo pelo qual o fotógrafo Jeff é uma figura pouco querida fica evidente mais ou menos na metade do longa, mas fica igualmente claro que Hayley, a garota meio nerd, tenta fazer o certo de maneira bem reprovável. Mas é justamente esse caráter incomum do argumento e de seus personagens ao tratar de um tema tão espinhoso – e, infelizmente, a cada dia mais comum – que faz do longa-metragem de David Slade um filme muito acima da média: ao invés de cair no caminho mais fácil, e travestir o homem de lobo mau e a garota de um cordeirinho inocente, na maior parte do filme temos um cordeiro sádico e diabólico que aproveita seus encantos para capturar o lobo e divertir-se com a sua presa – e isso, sem dúvidas, é bem mais relevante e interessante do que ver mais um telefilme meloso e piegas sobre o mesmo tema.
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legenda (português):
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Não costumo me interessar por projetos que tem por base reinterpretação de canções ou de clássicos, ainda mais se eles são guiados por DJs ou derivados. Porém, ao saber há alguns meses que a francesa Camille Dalmais tinha participado do primeiro álbum de um famoso e elogiado projeto dentro do gênero, tratei de obter logo o disco. O grupo em questão é o Nouvelle Vague, organizado por dois produtores franceses, que faz novas versões de músicas, preferencialmente as lançadas nos anos 80 por bandas pertencentes aos movimentos do new wave e punk, particularmente. Interpretadas por um verdadeiro elenco de cantoras, as canções ganham arranjos inspirados na bossa nova brasileira, ganhando ainda tonalidades góticas electro-pop. A canção “Just Can’t Get Enough”, do Depeche Mode, por exemplo, perdeu seu caráter technopop e foi transformada num samba-bossa delicioso, cheio de manha e charme. Irresistíveis arranjos dentro do estilo são mesmo a tônica do álbum, como em “This is Not a Love Song”, do Public Image Limited (dissidente do Sex Pistols), e na doce melancolia de “In a Manner of Speaking”, do Tuxedomoon, cantada com perfeição pela excelente Camille Dalmais. O samba-bossa ganha cores mais delicadas e introspectivas, quase sonoramente utópicas, nas canções “Making Plans for Nigel”, do XTC, e de “I Melt With You” (em interpretação irretocável da cantora francesa Silja), do Modern English. Contudo, há espaço para variações melódicas ainda maiores, fusões do ritmo brasileiro com a suavidade do pop, como em “Friday Night Saturday Morning” do The Specials, com o folk-rock como pode ser visto em “Wishing (If I Had a Photograph of You)”, do Flock of Seagulls e com algo que lembra o punk-rock, como em “Guns of Brixton” (em mais uma participação brilhante da francesa Camille), do The Clash e “Too Drunk to Fuck”, do Dead Kennedy’s.
Essa banda inglesa, com dois lançamentos de estúdio até o momento, faz um indie-rock superlativo, cujas canções tem melodia quase “over” de tão agitadas: é difícil encontrar um espaço vazio na música da maior parte das faixas. Vemos isso no modo quase incômodo como é explorada a programação eletrônica nas velozes e hipnóticas “Apnoea” (sobre uma revolução popular que almeja acabar com a opressão produzida pelos governantes) e “Stuntman” (que chama os soldados de “dublês”, devido à maneira como prontamente substituem os que já morreram lutando em uma guerra). No entanto, é a fusão de programação eletrônica e indie-rock que faz a tônica do álbum, já que a maior parte das canções foi feita dentro desta concepção harmônica. “Empire” (canção de teor esnobe, que canta os excessos de alguém por quem não temos muito apreço, bem como os nossos próprios), “Shoot the Runner” (que trata em suas letras, de maneira até algo ofensiva, de como os governantes deixam-se tomar pelo sentimento ilusório de supremacia, esquecendo-se que tudo é passageiro e fulgaz, até mesmo o poder) e “Last Trip (In Flight)” (que fala sobre um homem que, de maneira fatalística e inconsequente, tenta conquistar o amor de alguém já comprometido), as três primeira músicas, são um exemplo disso: todas tem instrumentação rock incansável e nervosa, onde guitarras, baixos e bateria são manipulados de maneira explosiva, com um vocal britanicamente arrogante e petulante e uma programação eletrônica profusa e sutilmente saudosista. Embora estas faixas tenham um equilíbrio na sua energia e profusão melódica, outras apresentam um destaque específico dentro da música. É o caso de “Me Plus One” (uma canção que fala sobre uma paixão mal-sucedida e doentia), cujo destaque fica para os acordes econômicos e minimalistas da violão durante toda a melodia e também para a programação eletrônica visivelmente inspirada na música árabe, e de “Sun Rise Light Flies” (que fala sobre o efeito anestésico de um domingo de sol sobre os males que nos afligem) cuja programação eletrônica, que se utiliza de guitarras distorcidas para forrar o fundo da melodia e criar ainda um loop fabuloso de alguns poucos acordes, invade a imaginação do ouvinte como o sol do amanhecer. Por outro lado, “By My Side” (que aparantemente trata dos efeitos de conflitos bélicos sobre as relações humanas ) mostra um Kasabian mais contido, que procura construir a luminosidade da fusão de programação eletrônica e rock com menos pressa e avidez. Porém a última canção do disco, “The Doberman” (que trata de um homem desiludido com a condição do mundo em uma Londres não menos caótica), é isoladamente o destaque absoluto do álbum. A música sustentaria o disco inteiro sozinha, com sua melodia que trabalha um crescendo contínuo de vocais, violões e guitarras algo tristes e bateria acústica marcante, até explodir em um devaneio latino-rocker, cheio de palmas e backing vocals múltiplos.
Centenas de sapatos voando, dançando, parados e de todas as maneiras imagináveis são utilizados neste vídeo stop-motion da cantora sueca Jenny Wilson – essa mulher realmente tem fetiche por sapatos. A técnica é muito bem utilizada, e rende algumas cenas bem hilárias, como quando ela é carregada imóvel pelos comodos pelos seus sapatos e na cena final, quando a mulher, de quem só vemos as pernocas, aparece soterrada por sapatos – sem falar na dancinha infame dela, que também é ótima. Baixe o vídeo utilizando
Uma crítica ao modo de vida moderno é feita no vídeo da bela música “Modern World”, da banda canadense Wolf Parade, em mais um vídeo que usa a técnica do stop-motion. No entanto, neste clipe os astros são bonecos, muito expressivos, diga-se de passagem. A linha de produção obscura, no início do vídeo, é um retrato tão arrepiante dos reveses da contemporaniedade tanto quanto a genial sequência de “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin. Baixe o video utilizando
Pequena família decide viajar quase 1000 quilômetros em uma Kombi amarela para que a pequena Olive consiga concorrer em um show de talento e beleza infantil. Durante a viagem os integrantes passam por eventos que levam a desentendimentos sobre a situação de cada um dentro desta família e à questionar àquilo que cada um sonha tanto alcançar.