Dois jovens que tiveram breve contato em escola católica, o cineasta Enrique e o aspirante a ator Ignácio, se reencontram na vida adulta e relembram os abusos sofridos por Ignácio por um dos padres. Ignácio, no reencontro, apresenta um roteiro de cinema escrito por ele e inspirado na infância que os dois compartilharam.
Pedro Almodóvar não está entre meus cineastas favoritos – mesmo. De suas obras, até hoje, apenas “Ata-me” e “Mulheres à beira de um ataque de nervos” tem, para mim, algum interesse. “Má educação” não me causou qualquer curiosidade logo que descobri tratar-se de mais um filme totalmente calcado na temática homossexual, além da transsexual, coisa que me lembra muito “A Lei do desejo”, filme do diretor que pago para não assistir novamente nunca mais. No entanto, depois de muita relutância, resolvi que solucionaria a questão de uma vez por todas.
E o meu sexto sentido cultural não me enganou: “Má educação”, apesar de não ser horroroso como “A lei do desejo”, é bem dispensável. Trata-se de mais um dos filmes do diretor espanhol que tentam mesclar o exotismo dos personagens com uma trama policial. A mistura até que funciona, em alguns poucos momentos, mas há um problema, nada tolerável, que interfere de maneira efetiva neste ponto. Para que você acompanhe com a devida atenção e se envolva com o suspense construído por um filme policial, é necessário que o longa-metragem consiga obter a empatia do público com relação aos seus personagens, e isso não ocorre em “Má educação”. A razão é muito simples: como simpatizar com um travesti porra-louca, ganancioso e trambiqueiro, que chega a pilhar a própria mãe, seu irmão não menos ganancioso e mercenário, tipinho capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos, e um ex-padre pedófilo, de personalidade lamentável? O único personagem que consegue obter alguma simpatia é mesmo o do cineasta Enrique, mas como ele, mesmo sabendo que estava sendo enganado, acaba se acomodando com a situação em troca dos favores sexuais de Angel/Juan, a empatia desenvolvida não chega ao nível necessário. Desta forma, o filme falha ao não criar no público o envolvimento necessário com os personagens para que acompanhem com interesse os acontecimentos da trama policial. E, se a faceta policial do filme é deficiente, em consequência de os personagens também o serem, já que não despertam empatia, o que resta em “Má educação” para que seja configurado como um bom filme? Nossa, nada. O que me leva a refletir, desde muito tempo, porque Almodóvar é visto como um cineasta genial: seria por expor personagens exóticos – travestis, homossexuais, mulheres hiperbólicas? Seria por expor um suposto retrato da latinidade? Seria pelas suas tramas, por vezes estapafúrdias? Não entendo, de fato. Nem mesmo os seus filmes mais celebrados ultimamente, como “Fale com ela”, conseguiram me tocar adequadamente – por sinal, estou devendo um texto sobre este longa. Ao cabo de tudo, “Má educação” sofre do mesmo mal de “Carne trêmula”: os dois simplesmente não arrebatam, não me tocam, não me interessam. Quando os acontecimentos da trama policial são revelados, o que deveria acabar como uma fulgurante catarse acaba simplesmente levando o expectador mais exigente a se perguntar, insensível ao destino infeliz de um personagem qualquer: “Tá, e daí?”. Definitivamente, a Europa tem diretores mais sensíveis do que este, se é sensibilidade o que os fãs de Almodóvar julgam ser sua genialidade.
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Eita, o vídeo da última canção do mais novo disco do Muse é uma piada só. A banda satiriza de uma vez só filmes do gênero western, de ficção científica, de kung-fu e sobra até para “Planeta dos Macacos” e “O mágico de Oz” – ou já estou vendo coisa demais? Copiando toda a estética de filmes clássicos, dos créditos iniciais aos finais, não há como não evitar cair na gargalhada com tamanho disparate. A intepretação dos atores é pra lá de intencionalmente canastrona, o protagonista tem cara de ator pornô dos anos 70/80 – hummm…. -, e a estória do curta é sem pé nem cabeça – mas é tão divertido! E ainda somos presenteados com um Cris Wolstenholme à moda cowboy – huuuuummmmmm… (parte 2). Baixe já o vídeo pelo link abaixo!
http://streamos.wbr.com/download/wbr/muse/071406/muse_knights-of-cydonia_700.mov
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Will Turner e Elizabeth Swann, no dia de seu casamento, são condenados à morte por terem auxiliado na fuga do pirata Jack Sparrow. O comodoro Cutler Beckett, responsável pela acusação, faz um acordo com Will, propondo a retirada de todas as acusações, caso o jovem lhe traga a bússola do Capitão Jack. Will aceita o trato, levando consigo um contrato de trabalho para a marinha mercante como oferta de barganha pela bússola. Porém, Jack está mais preocupado em salvar-se de cumprir o terrível acordo que fez com o lendário Davy Jones, capitão do lendário e temido navio “Flying Dutchman”. E, a essa altura, claro que Elizabeth já, partindo ao encontro de Will.
A sequência de um dos maiores êxitos do cinema americano nos últimos anos consegue ser tão divertida quanta a sua primeira parte, mantendo todos os predicados que fizeram seu sucesso. No campo das atuações, Johnny Depp está novamente impagável como o pirata Jack, Keira Knightley diverte como Elizabeth e Orlando Bloom não incomoda como Will – certamente sua atuação mais simpática até hoje. No que se refere aos aspectos técnicos, o filme prossegue impecável, com cenografia irretocável, efeitos especiais elaborados, maquiagem impressionante e fotografia que sustenta o clima de sobrenatural e fantasia até debaixo de sol escaldante. Quanto ao argumento, os roteiristas reservaram no novo longa uma enormidade de sequências de ação bem boladas que, certamente, irão satisfazer a platéia mais afeita ao cinema comercial. Contudo, é justamente no roteiro que residem os problemas deste longa-metragem. Primeiro, há de se admitir que esta sequência baseia-se em acontecimentos que assemelham-se muito aos do longa anterior, já que todos os eventos se desencadeiam pela maldição que aflige – mais uma vez – o pirata Jack e pela sua tentativa de barganahr para livrar-se desta ameaça. Segundo, o encadeamento das situações está por demais intrincado e, não raro, o expectador se pega tentando entender algum evento passado, ao mesmo tempo que tenta não perder-se naquilo que se desenrola na tela no momento. E mesmo com este esforço do público, um terceiro problema insiste em manter a confusão, já que há coisas que o filme não se dá ao trabalho de explicar mesmo – ao menos nesta segunda parte -, e perguntas como estas acabam persistindo: “Como ele foi parar nessa caixão?”; “Afinal de contas, esses dois mortos-vivos deveriam estar os ajudando?”; “Ops! Ele morreu, o que vão inventar agora?”; “Oooops! Esse aí não estava morto e acabado???”. É certo que o epílogo da trama pode se encarregar de responder algumas dessas questões, contudo, isso acaba problematizando o argumento, que acaba tendo que se virar em criar infindáveis rodeios para satisfazer as dúvidas – o que, a meu ver, acaba empobrecendo a trama e não convencendo o expectador mais exigente.
Assim sendo, o filme cumpre muito bem com o objetivo de entreter, enchendo os olhos com sequências empolgantes, mas peca por uma certa preguiça, bagunçamento e ansiedade argumentativa. Acaba funcionando mas, espera-se, mesmo que sem muita esperança, que a inevitável sequência da trama corrija ao menos alguns desses aspectos negativos do filme.
A cantora e compositora, ex-vocalista da cultuada banda 10,000 Maniacs, teve excelente recepção da crítica e do público com o lançamento do seu terceiro disco solo, entitulado Motherland. Toda essa celebração é realmente justa, já que neste álbum Natalie mostra impressionante destreza ao percorrer diversos ritmos em um mesmo trabalho, todos exalanda uma sonoridade muito particular e letras que são pura poesia. “This house is on Fire” abre o disco com o impacto de uma mistura que poderia soar leviana, não fosse a habilidade de composição da artista ao embalar, em uma mesma canção, o ritmo do reggae com uma orquestração com sublime inspiração arábica, tudo ligado por uma bateria de ritmo forte e declarado. Não bastasse a beleza dessão união melódica incomum, a letra da canção também causa arrepios, já que seus versos quase messiânicos tecem duras críticas ao comportamento belicista e irascível que impera em certas partes do mundo, e declaram, em tom profético – apesar de Natalie negar sê-lo nas letras -, que os resultados disso serão catastróficos. Por coincidência, ou pura clarividência da artista, os eventos do 11 de setembro tomaram lugar dois dias depois do lançamento do disco. A faixa seguinte, “Motherland”, que apresenta uma suavíssima sonoridade country, evidencia os reveses do comportamento humano contemporâneo, clamando por um retorno à vida mais natural e pacífica, o que acaba funcionando como uma segunda parte da canção anterior, em tom mais ingênuo e menos revoltoso. Em sua primeira escuta, “Saint Judas”, com sua forte melodia blues, já conquista o ouvinte, que se sente impelido a cantar junto com Natalie e acompanhar a beleza gospel da cantora Mavis Staples. Sua letra retrata a crueldade dos ataques à negros na época do segregamento racial americano – um soco no estômago. “Put The Law On You”, cujas letras revelam a decepção de alguém que ama frente as traições de seu companheiro, é melodicamente desesperada no seu derramamento romântico, com excepcional uso de orgão e saxofones. É também no blues/rock que a melancólica faixa “Build A Levee” se constrói, ainda com backing vocals da cantora gospel, e em cujas belos versos canta-se os perigos que as mulheres encontrarão nos homens – a sedução, a mentira, o abandono. Em uma melodia esplêndida, que apresenta um luminoso crescendo, enquanto a voz de Natalie permanece suave e afetuosa, “Golden Boy” é considerada uma das melhores composições da artista, trazendo versos espetaculares que usam o massacre da escola americana Columbine como mote para tecer uma crítica à maneira como se constroem os ídolos modernos. Também em arranjo idílico, de clima cinematograficamente fantasioso e fabular, “Henry Darger” tem letras que citam as criações de uma das figuras mais idiossincráticas que já se teve conhecimento – Darger foi o criador de uma estória de mais de 17.000 mil páginas, pinturas e desenhos de um mundo de heróis e aventuras infanto-juvenis, morrendo sem nunca ter obtido conhecimento do grande público. Em “The Worst Thing”, Natalie Merchant apresenta uma melancólica e doce sonoridade espanhola, tudo apoiando o sentimento de perda e dor dos versos que procuram alertar sobre a ilusão da felicidade que a paixão traz, tão somente para tornar a queda ainda maior quando esse ilusão se desfizer – é uma canção sublime. O álbum termina com o blues de “I’m Not Gonna Beg”, cuja melancolia sonora que Natalie arquitetou se repete nas letras que demonstram alguem que foi rejeitado por quem amava, mas que ainda tenta deixar esta relação demonstrando orgulho e amor próprio – só esta canção já valeria o disco inteiro. Baixe essa demonstração de versatilidade musical pelos links baixo.
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A deliciosa canção “Criminal”, um dos maiores êxitos do primeiro do disco da então estreante Fiona Apple, ganhou um vídeo lascivo e lento, que evidencia o charme e a sensualidade da composição e da compositora com uma câmera nada apressada e com muitíssima elegância. O curta é quase todo filmado às sombras, cujo cenário escondido é revelado somente com uma luz que se move pelas cenas e que transforma a irís dos olhos de Fiona em algo reluzente – e o olhar de felina predadora, que contrasta com seu comportamento por vezes ingênuo, lhe cai muito bem nesse vídeo.
Mais um mês, mais um modelo no site The Boy do Terra – mais uma vez a cargo de Cristiano Madureira. Neste julho fomos agraciados com Fernando Alves, um modelo com musculatura que enche os olhos, um torax maravilhoso, mamilos algo salientes, um abdômen que dá vontade de ficar acariciando e que tem, ainda, uma lascividade bem aguçada que. Contudo, ele não me cativou – vocês devem estar se perguntando se eu gosto mesmo de homem. É esse cabelitcho e a expressão algo “puto” do rosto dele que não me agradou – só acho que faltou o equilíbrio entre malícia e elegância. E olhando para a foto vocês não concordam que, mais uma vez, temos um modelo do The Boy querendo encarnar o Sawyer de Lost? Claro que, para mim, Josh Holloway estaria no meu quarto muito antes deste aí. Enfim, quem gosta, que confira.
7 ComentáriosAcesse: Fotos de Fernando Alves: The Boy