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Sete Ventos Posts

Gotan Project – Lunático. [download: mp3]

GotanDepois do sucesso de La Revancha del Tango, o Gotan Project – também conhecido como Jectpro Tango – retorna com o álbum Lunático. A música engendrada pelo trio europeu-americano prossegue insinuante, sensual, sedutora, hipnótica, delirante e poderosa, mas agora também ganha tonalidades acústicas sutis. Não resta dúvidas que o destaque absoluto do álbum é o single “Diferente”, que cativa imediatamente o ouvinte com sua melodia tecno-tango dançante, saborosa e irresistível: impossível passar por essa mistura magistral de beats, samplers, contrabaixo, acordeão e tecituras orquestrais sem voltar o player para ouví-la uma vez mais. De atmosfera menos romântica, “La Vigüela” também fascina, com seus versos recitados em dueto parte robotizado e sua harmonia assumidamente eletrônica, ainda que adornada pelo fogo do ritmo genuinamente argentino. “Arrabal” delicia os ouvidos com o vocal encantadoramente preciso de Cristina Vilallonga com a melodia da canção, recheada de violões e acordeão que duelam entre si, sobre a batida eletrônica suave ao fundo. A destreza musical do Gotan Project é tanta, que até vocais embebidos na fonte do gênero rap conseguem angariar a simpatia e apreciação do ouvinte na faixa “Mi Confesion”. Isso porque, obviamente, o subtexto aqui é o tango pós-moderno do trio, e as letras são poéticas e delicadas, diferentemente daquela coisa irascível e “inescutável” do gênero. As faixas que se apresentam mais instrumentais também tem seu lugar no novo álbum, como na orquestração soberbamente luminosa que enfeita “Criminal” e a recriação, que suaviza o sorumbatismo mas intensifica o drama de “Paris, Texas”, tema clássico da obra-prima de Win Wenders composto por Ry Cooder. “Lunático”, faixa-título do disco, com seu acordeon de tons breves, quase sem fôlego, remete à brevidade das corridas de cavalo – não por um acaso, já que seu nome foi herdado do cavalo de corrida que Carlos Gardel possuía. Contudo, a grande surpresa do segundo trabalho do Gotan Project são as faixas quase ou totalmente despidas de eletronismos. “Amore Porteño” prossegue melodicamente em uma toada desesperançada e trágica, o que coincide com o teor de seus versos. “Celos” segue na mesma toada, mas apropria-se ainda mais de um teor jazz/cabaré, denotado mais visivelmente pelos ruídos captados ao vivo.
Soberbo, o disco é uma belíssima fusão de tradição e contemporanismo, onde o dramatismo e a paixão tipicamente latinos ganham tonalidades ainda mais impactantes ao serem adornados pela sonoridade de samplers e demais manipulações eletrônicas. Merece lugar na coleção de CDs sem pestanejar. Baixe o disco por um dos links abaixo.

http://rapidshare.de/files/18417877/gotanprojectlunatico.zip

http://rapidshare.de/files/24840000/GzzzP_LuN.zip

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Gotan Project – “Diferente” (dir. Prisca Lobjoy). [download: vídeo]

Gotan Project - DiferentePara completar o kit Gotan Project, não poderia faltar um clipe. E o escolhido é o curta bem bolado do single “Diferente”. Aparentemente, o vídeo apresenta apenas um jogo visual para acompanhar o ritmo da canção. Contudo, ele acaba revelando ao seu final, no derrame delicioso da orquestração, que o casal que protagoniza algumas cenas do curta traz uma revelação interessante. É ao descobrir essa sutileza bem arquitetada que se entende o porque da manipulação visual e surge o questionamento: o que era reflexo e o que se configurava, ali, como realidade? Um belo trabalho. Baixe o vídeo no formato .FLV e assista-o usando um programa como o VLC Media Player.

http://rapidshare.de/files/25239032/gotan_project_diferente.flv.html

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Death Cab for Cutie – Plans. [download: mp3]

Death Cab for Cutie - PlansO mundo da chamada música “independente” está repleto de bandas com uma sonoridade semelhante, algo que as identifica de forma imediata ao ouvinte por lhe sugerir uma sonoridade mais reflexiva, bem como suas letras, verdadeiramente poéticas. A banda americana Death Cab for Cutie é considerada um dos maiores expoentes desta vertente do gênero rock.
Plans, álbum de 2005, é o primeiro lançado por uma grande gravadora, a Atlantic Records, uma das subsidiárias do grupo Warner. Os fãs, ao descobrirem a assinatura do contrato com um gigante da indústria da música, temeram que a banda sofresse alterações na produção de sua obra musical. O medo não se justificou, já que Plans mantém a identidade da banda e qualidade de sua música.
O álbum inicia-se com a sutileza que é marca da banda: teclados, bateria, baixos e guitarra trabalham juntos como vocal de Ben Gibbard para dar suporte às letras inspiradíssimas de “Marching Bands of Manhattan”, onde cenários da metrópole mais famosa do mundo servem de fundo para belos versos românticos. “Soul Meets Body” tem uso espetacular de violões e uma poética delicada e muito bem construída em suas letras, que cantam sobre o poder de uma paixão que intensifica os sentidos. “Summer Skin” reflete, com beleza e serenidade, sobre um amor que teve a intensidade e longevidade de uma estação do ano. Em “Different Names for the Same Thing”, acompanhamos um viajante com um sentimento de deslocamento e perda de identidade tão grandes que já nem mais importa qual será sua próxima parada. As inevitabilidades da vida também são tematizadas em canções do álbum: “I Will Follow You into the Dark” mostra a intensidade do amor que sobrevive mesmo depois da morte de quem se ama; “Stable Song” aborda a resignação de alguém que envelhece e sente a proximidade do encerramento. Como não poderia deixar de ser, já que estamos falando de Death Cab for Cutie, ambas as canções tratam destes temas com suavidade e encantamento, tanto nas letras irretocáveis quanto nas melodias silenciosas que trazem ao ouvinte. A faixa “What Sarah Said”, que tem melodia um pouco mais intensa e um piano emotivo, também tematiza as adversidades, mas de maneira diferente, retratando personagens em uma sala de espera de hospital, aguardando as notícias de alguém que não está tendo um destino feliz no interior de uma UTI. As amarguras do viver parecem ser mesmo singularidades temáticas da banda: com melodia dramática, porém enxuta, temos em “Someday You Will Be Loved” a representação da eterna ilusão de que todos encontrarão sua alma gêmea. Não resta dúvidas de que a banda sabe ser impiedosamente tocante.
Contrastando com as bandas mais populares do cenário rock, como o adorado U2, bandas alternativo/indies como o Death Cab for Cutie conseguem obter o mesmo efeito de arrebatamento sonoro com melodias mais contidas e econômicas, porém sem nunca perder a profundidade emotiva. As letras das composições também conseguem, muitas vezes, mostrar-se ainda mais repletas de beleza e poesia do que aquelas compostas pelos grandes nomes da música mundial. É uma pena que tais bandas sejam promovidas de forma tão limitada, já que, costumeiramente, são lançadas por pequenos selos. No entanto, para nossa felicidade, a internet está aí para trazer ao conhecimento de quem quiser algo além do que normalmente obtemos nas lojas de discos. Link para download abaixo.

http://rapidshare.de/files/19813354/Plans.rar

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“Poseidon”, de Wolfgang Petersen.

PoseidonTransatlântico luxuoso, qu navega mar adentro na véspera de ano novo, é atingido por onda gigante, que o vira de cabeça para baixo. Um grupo de pessoas decide arriscar-se rumo ao topo da embarcação (ou seja, ao seu casco), em meio à inúmeros obstáculos, buscando chegar ao exterior pelo orifício das hélices propulsoras.
Wolfgang Petersen, diretor de produções cujas ambições são puramente comerciais, teve seus maiores méritos com os filmes “Na linha de fogo” e “Mar em Fúria”, resvalando com certas deficiências em thrillers como “Epidemia”. Ao nos apresentar mais uma das inúmeras regravações que Hollywood nos enfia garganta abaixo, Petersen mantém o argumento básico da estória, tendo apenas o trabalho de rechear a tela de sequências com efeitos visuais que bombardeiam o espectador frequentemente. É bem verdade que o filme explora muito bem a tensão do expectador, é necessário que se admita isto, mas o espetáculo ali acaba sendo apenas o desastre em si. E isso é potencializado ainda mais pela decisão do diretor de desprezar todo o elenco de personagens do filme original, concebendo aqui novos sobreviventes do desastre. O problema é que nenhum dos novos personagens tem o charme, a força e a empatia daqueles que se apresentavam na versão original, perdendo o filme, desta forma, grande parte do interesse e riqueza que “O destino de Poseidon” retinha, com seus conflitos de personalidade e ousadia temática, já que o reverendo, personagem do longa original, revelava uma visão e relação muito peculiar com deus.
Essa priorização do impacto visual sobre o impacto psicológico acaba revelando, inadvertidamente, uma faceta da personalidade de Petersen como diretor que não se mostrava tão evidente até hoje – a sua tendência, à revelia de qualquer outra coisa, de transformar suas estórias em filmes “B” hiperproduzidos. E o fato de contar com um elenco de atores sem grande popularidade aumenta o efeito, mas não é sua causa determinante, já que “Epidemia”, já citado aqui por mim, contava com elenco estelar mas detém a mesma característica “B”. Isso acaba sendo consequência de como a estória é conduzida, e não de seu conteúdo: me parece que o diretor alemão tem certa pressa na condução das sequências que integram seus longas, o que intensifica o suspense mas acaba tornando o filme algo artificial e inverossímil.
Desta forma, recomendo que se despreze inteiramente a nova produção, já que a totalidade da obra acabou vazia e fugaz. O longa-metrahem de Petersen mostrou-se apenas e tão somente como injeção de adrenalina numa “Sessão da tarde” sem opção melhor, onde você costuma esquecer o que viu tão logo siga-se a próxima atração televisiva.

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Sigur Rós – “Hoppipolla” (dir. Stefan Arni e Siggi Kinski). [download: mp3]

Sigur Rós - HoppipollaA banda islandesa lançou mais um vídeo emocionante para outro single do álbum Takk. “Hoppipolla” tematiza novamente o ludicismo da infância, no entanto, ao contrário do que se poderia esperar, os personagens não são crianças, mas senhores e senhoras que vivem um surto tardio de picardias juvenis: brincar em poças de chuva, comer coisas sem pagar, jogar pedras em vidraças, apertar campainhas e sair correndo, pichar paredes, jogar rojões em desatentos – esses velhinhos aprontam de um tudo, até briga entre “gangues”. Na conclusão do curta, as ações tomam lugar em um local que remete à verdadeira idade dos protagonistas – um cemitário. Brilhante, tocante e impiedoso ao mesmo tempo. Definitivamente imperdível. Baixe o vídeo usando o link abaixo.

http://www.hsiproductions.com/vid/qt/hsi/arni_kinski/SigurRosHoppiPolla.mov

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“Quanto vale ou é por quilo?”, de Sérgio Bianchi.

Quanto Vale Ou É Por_Quilo?Estórias de vários personagens se entrelaçam na sua relação com ONGs beneficentes e as falcatruas resultantes destas.
Não há muito como fazer um resumo de um filme do diretor brasileiro Sérgio Bianchi: seus filmes lembram a estrutura de alguns longas de Robert Altman e, no conteúdo, suscitam a ousadia de tratamento do tema que Lars Von Trier costuma ter. A diferença é que Bianchi enxerga o mundo – mais espeficamente o Brasil – de uma maneira ainda mais caótica e pessimista – alguns poderiam chama-lo de “porra louca”, e não estariam muito errados. No filme anterior, “Cronicamente Inviável”, Bianchi já fazia um ensaio sobre este seu novo longa, mostrando a miséria social e a inobservância governamental sobre os males que afligem o povo. Quando retratava as classes mais altas, ou mesmo aqueles que não eram ricos mas que não poderiam ser classificados como “miseráveis”, foi apenas para mostrar que na sua relacão com os párias da sociedade só poderia haver desprezo ou cinismo predatório travestido de caridade. No entanto, o filme não se concentrava em um único tema, discutindo de maneira caleidoscópica várias questões ao mesmo tempo.
Talvez por isso Bianchi tenha decido que em “Quanto vale ou é por quilo?” iria aprofundar sua investigação sobre esta relação e as suas consequências. Toda a crítica fundamentada neste seu último filme tem as organizações não-governamentais e seus inúmeros projetos socias como fio condutor e relacional: todos os personagens se encontram de alguma forma relacionados com estas entidades e suas ações. ONGs, para o diretor brasileiro, são apenas o mais novo mecanismo de exploraração social e econômica, a maneira legalizada daqueles que não pertencem a classe política de agir de maneira tão condenável quanto estes no exercício de suas funções.
Os personagens criados por Bianchi sempre agem movidos por intenções excusas, com o objetivo de lucrar – quaisquer que sejam os lucros – a todo custo. Todos acabam sendo corrompidos ou coniventes em algum momento por uma razão qualquer, e se causam algum benefício para o outro, isto acaba sendo puramente acidental, uma vez que a motivação sempre é o benefício próprio. Para Bianchi, as pessoas não costumam ter mais nenhuma ingenuidade ou inocência e, se por um acaso mostrem ter, eles a perdem tão logo o filme chegue ao seu final, independentemente de classe social ou raça ao qual pertençam: pobres, ricos, brancos, negros, qualquer pessoa acaba contribuindo para o conservação do estado de pobreza e violência em que se encontra a sociedade brasileira.
É bem verdade que isso acaba cansando, para não dizer ser bastante discutível, pois seu pessimismo e descrença no ser humano acaba sendo por demais radical e anárquico. No entanto, mesmo que você discorde da maneira como a gênese da inter-relação do problemas é pelo diretor vista, ninguém pode negar que Bianchi é dos únicos diretores que tem a coragem de realizar obras que devassam, de maneira tão sincera e crua, a realidade social brasileira – e por que não dizer, mundial? Tendo assistido apenas dois de seus filmes, posso ter alguma segurança em declarar que o diretor basicamente quer mostrar que muita coisa melhoraria se extinguíssemos duas coisas em nosso comportamento social/pessoal: o cinismo e a demagogia. São apenas duas atitudes com os quais podemos desenvolver nossa relação com o mundo, mas se livrar delas não é tão fácil quanto parece, como pode-se observar em “Quanto vale ou é por quilo?”. Infelizmente, sou obrigado a concordar pelo menos em um ponto com o diretor brasileiro: não há uma solução fácil para o caso. Isto se realmente existir alguma solução.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005