Win Wenders inspirou-se inteiramente na música da banda Madredeus para conceber o excelente filme “O céu de Lisboa”, uma ode à beleza do cinema e da capital portuguesa. A parceria não foi frutífera tão somente para o diretor alemão, já que Ainda é, na minha opinião, o melhor disco da banda portuguesa.
Tranbordando sensibilidade e lirismo, composto por uma sonoridade sofisticada e melancólica, o disco é um pequeno esboço da alma portuguesa, faixa a faixa. Em “Guitarra”, que abre o disco, somos remetidos aos primórdios do cantar português – as cantigas medievais -, em uma letra que declara o amor daquele povo à música popular e uma melodia que faz uso delicioso do instrumento que dá nome a canção – conhecido aqui no Brasil como “violão”. As músicas “Milagre” e “Alfama” cantam as alegrias e tristezas afetivas – a primeira bela introdução instrumental e sonoridade triste, complementada pelo canto fenomenal de Teresa Salgueiro; a segunda apresentando belíssima melodia que explora soberbamente os instrumentos de câmara e acordeão, que constroem a sonoridade básica das músicas de Madredeus. Já nas faixas “Céu da Mouraria” – com melodia delicada ornada pelo vocal nostálgico – e “O Tejo” – que inicia-se com harmonia triste, para logo iluminar-se com sutil alegria em seu refrão – constatamos o orgulho do povo português com relação à história de seu país, além da celebração das belezas lusitanas. “A cidade e os campos” versa sobre a tristeza do camponês, ao ver-se abandonado da vida rústica do campo e inserido na frieza cotidiana da metrópole – nesta faixa, enormemente melancólica, a voz de Teresa exibe dor e arrependimento ainda mais intensos. Mesmo nas faixas instrumentais, em que não temos a presença da voz exuberante da vocalista, a banda mostra conseguir cativar o ouvinte – é o que sentimos ao ouvir “Miradouro de Santa Catarina”, que consegue mesmo inspirar a visão plácida do lugar cujo nome lembra, e em “Viagens Interditas”, que guarda em sua melodia a saudade despertada pela partida.
Ao constatar a beleza da música da banda em “Ainda”, não há como não desejar conhecer o povo e a terra que inspira tamanha sensibilidade musical. Em especial para nós, brasileiros, o sentimento é ainda mais verdadeiro, já que herdamos algo desse bucolismo, placidez e nostalgia lusitanas. Mesmo para àqueles que não tem a oportunidade de fazer esta viagem literalmente, ouvir a música da banda portuguesa já confere muito das sensações que tal jornada despertaria. No entanto, muito além do sensorial, a capacidade da música de Madredeus de despertar a reflexão do ouvinte sobre o preconceito com relação à cultura portuguesa, e superá-lo, é o maior ganho de todos – e fazer isso ouvindo composições de qualidade é um prazer inegável. Baixe já o disco pelo link que segue depois da lista de faixas.
http://rapidshare.de/files/8290566/MADREDEUS_-_CD-_Ainda.rar.html
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O curta composto para divulgar o primeiro single de Black Holes and Revelations ganha bizarros ares neurastênicos: gente com a pele completamente coberta por malhas que lembram animais ou que simplesmente camuflam a humanidade de quem está ali embaixo, espelhos e projeções no lugar de rostos, coreografia ao mesmo tempo sexy e esquizofrênica. A atmosfera do vídeo tem algo de tão agonizante que lembra aqueles sonhos desconexos e claustrofóbicos que só servem para te acordar no meio da noite, absolutamente incomodado. Não isso não é uma crítica, é um elogio: é a concepção visual ideal paa o ritmo acelerado e dançante de “Supermassive Black Hole”. E para agradar os fãs, claro, o vídeo conta com a participação da banda. Baixe já o vídeo por um dos links a seguir e confira você mesmo.
A energia genuinamente rock da banda The White Stripes revela-se como nunca no poder da melodia do hit “Seven Nation Army”, formada apenas pela bateria minimalista de Meg, a guitarra estrondosa de Jack e a própria voz do cantor, estranha, urgente e com uma charmosa desafinação eventual. A ambientação visual do vídeo da canção consegue, com simplicidade e maestria, transformar em imagem o vigor sonoro da banda. O curta é simplesmente isto: apresenta os dois únicos membros da banda, contidos em formar geométricas, que se aproximam e se sobrepõem sucessivamente, em tons de vermelho, branco e preto – o resultado da técnica tem muito de hipnótico, predendo a atenção do expectador nas imagens recorrentes e na sonoridade viciante. Comprove você mesmo o efeito do vídeo baixando agora pelo link a seguir.
É certo que nem todo mundo está preparado para mudanças – alguns chegam mesmo a odiar qualquer tipo de investida do tipo. Atualmente, o melhor lugar para constatar isto como fato é o Orkut e suas inúmeras comunidades – basta que você escolha, por exemplo, algum artista, de qualquer meio, que tenha decidido mudar os ramos de sua carreira e suas obras. Pronto: com certeza você vai se deparar, nos fóruns das comunidades dedicadas à figura de sua escolha, com tópicos furiosos, iniciados por fãs revoltados com as mudanças. Essas, geralmente, são as postagens com as discussões que mais se prolongam, repletas de discursos contra e a favor da atitude tomada pelo ídolo da comunidade.
Depois de um hiato de quatro anos, Fiona entrou em estúdio para gravar, junto com o então parceiro Jon Brion, o álbum que planejava lançar em 2003 – mas percalços mudaram a estória de seu terceiro disco. Reza a lenda que a gravadora apresentou boa dose de má vontade em lançar o disco na versão que se apresentou primeiramente e “sugeriu” mudanças. Com toda a problemática que surgia, a artista acabou se desestimulando – e abandonou o projeto por algum tempo. No entanto, como o disco foi produzido sob a égide da era digital, o inevitável aconteceu: o disco vazou inteiro na internet. Os fãs da cantora ensadeceram, deliraram, gritaram, protestaram. A gravadora, observando o interesse gerado pelo acontecimento, chamou Fiona e decidiu por não tolher sua liberdade de criação. E a cantora, surpreendentemente, decidiu reconstruir praticamente todo o disco, contando com nova produção de Mike Elizondo e Brian Kehew, e compor uma nova canção que integraria a forma da segunda versão do álbum.