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Sete Ventos Posts

“O Jardineiro Fiel”, de Fernando Meirelles.

The Constant GardenerDiplomata acomodado desconfia das circunstâncias da morte de sua esposa, uma ativista que lutava contra a exploração da miséria, e resolve investigar por conta própria o acontecido. Logo descobre que a versão oficial para a morte de sua mulher está longe de ser a verdade.
Meirelles quis, em seu primeiro filme de produção estrangeira, não pisar em falso em momento algum, equilibrando a produção de maneira que despertasse a atenção de público e crítica sem chamar muita responsibilidade para si. O ponto de equilíbrio é bastante claro: enquanto vê-se uma produção financeiramente generosa, bastante requintada visualmente e com locações na Europa e na África, percebe-se que o diretor decidiu que iria conseguir controlar os rumos de seu longa na escolha da atriz para o papel de Tessa. Foi recusando atrizes da maginitude pública de Nicole Kidman e Kate Winslet – com a desculpa de não terem a idade apropriada -, e escolhendo uma atriz competente mas sem notoriedade pública excessiva, que o diretor garantiu para si as rédeas do controle autoral de seu longa-metragem, evitando tanto que sua produção fosse eclipsada pela fome de auto-promoção de atrizes como estas quanto que a presença de uma destas mulheres gerasse expectativas em excesso com relação ao seu filme. Foi assim que Rachel Weisz acabou sendo a escolhida para o papel, e o filme ganhou os contornos pleanejados pelo diretor brasileiro.
Fernando Meirelles consegue manter o conhecido nível de qualidade de suas produções em sua primeira incursão pelo mercado internacional. Os atores estão muito bem em seus papéis, limitando de forma inteligente suas atuações para não prejudicar a atenção do público com relação à estória do longa. O roteiro adaptado consegue organizar a fragmentação de sua estória de modo que o conceito não atrapalhe a compreensão do seu conteúdo. A fotografia, a montagem e a edição tem algo de saturação, imediatismo e imersão, sensações que potencializam o envolvimento do público com o desenvolvimento dos acontecimentos do filme. E a direção de Meirelles sabe deixar o registro de seu estilo sem prejudicar a unidade de cada uma das características já citadas. A palavra que melhor define o mais recente filme do diretor brasileiro é, sem dúvidas, “equilíbrio”.
Desta forma, “O jardineiro fiel” é realmente um filme muito bom, mas não se configura como uma obra-prima. Primeiro, pelo obra em si, que mostra ser um filme acima da média, mesmo entre as produções estrangeiras, mas não se torna referência imediata. Segundo, porque o filme é menos um marco na estória de diretores brasileiros que arriscam carreira internacional e muito mais um degrau acima no caminho percorrido há anos pelo trabalho competente dos cineastas brasileiros – ou seja, não se trata de que ganhamos respeito e reconhecimento internacional agora, mas sim de que já o estamos fazendo há um bom tempo, e este filme representa um avanço ainda maior neste caminho.
Por tudo isso, deve-se assitir à “O Jardineiro Fiel” com o nível de exigência no ponto certo. Nem todo artista nasceu para fazer história: a grande maioria está aí para contribuir na medida certa para o engradecimento da cultura e da arte.

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Adicolor – “Pink” (dir. Charlie White). [download: vídeo]

Adicolor - PinkA Adidas concebeu uma campanha bastante inspirada para promover o lançamento de seu tênis altamente costumizavel, o Adicolor. A empresa convidou sete diferentes diretores para criar, com toda a liberdade, sete curtas cada um, cuja única exigência é que utilizassem tematicamente uma das 7 cores que o consumidor poderá utilizar para personalizar o tênis. Me reservo o direito de expor aqui o filme mais interessante até o momento. Curtíssimo – tem cerca de 2 minutos e meio de duração, incluindo créditos -, o diretor abusa de uma evidente inspiração björkiana em seu curta chamado “Pink” – tanto na trilha quanto no visual deste. O filme mostra uma adolescente em seu quarto com decoração típica, vivendo um momento nada raro de bate-papo telefônico. Tudo parece muito bem, até que uma orgia rosa devassa esse cotidiano tão pasmaceiro. Idílico e surreal, o visual e a trilha são caprichadíssimos, e revelam um diretor que pode ter um futuro bastante promissor. Chega a dar pena que o filme e a música sejam realmente bem curtinhos. Não perca a oportunidade de ser invadido pelo delírio pink: basta escolher o tamanho do arquivo que mais lhe agrade e fazer download para o seu computador.

pequeno: http://www.r243g197b208.net/video/pink_adicolor_small.mov

médio: http://www.r243g197b208.net/video/pink_adicolor_medium.mov

grande: http://www.r243g197b208.net/video/pink_adicolor_large.mov

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Fiona Apple – Tidal. [download: mp3]

Fiona Apple - TidalA cantora e compositora Fiona Apple tinha apenas 18 anos quando lançou seu álbum de estréia, Tidal. Para alguém que tem constante contato com os adolescentes de hoje, ainda causa surpresa tal lembrança – já que mais da metade destes jovens, hoje, estão insuflados por um imenso vazio cultural. o trabalho da garota é de uma profundidade e complexidade inimaginável para alguém de sua idade. Melodias sofisticadas e repletas de sutilezas jazzisticas, letras que tratam de temas como amor e culpa com elegante ironia e um vocal em estilizadíssimo tom grave são coisas que fazem este disco soar estranhamente atraente para qualquer ouvido disposto a iniciar uma imensa evolução sonora em sua cultura musical.
Fiona não é uma artista de meios-termos: suas composições são intensas – até barrocas – na sua maneira desmedida de expressar emoções e atitudes. Assim é “Criminal”, que fala de uma mulher cheia de culpa que implora perdão ao seu amante, enquanto os acordes do piano assumem um belíssimo duelo com ons tons charmosamente graves da voz de Fiona e a bateria assume o papel de impor ritmo forte à canção. Em suas “baladas”, por sua vez, Fiona consegue compor melodias esplêndidas, sendo uma das únicas compositoras que conheci até hoje que emoldura letras cheias de rancor e sofrimento amoroso em harmonias que são um híbrido de melancolia e sensualidade. É o caso das canções “Sullen Girl” – que revela, com ironia, uma mulher melancólica e afetivamente amargurada que aguarda, com certo desespero, que algo a tire de sua criogenia – e “Slow Like Honey” – delírio irresístivel que transforma o flerte em uma verdadeira ode à arte da sedução. Em “The First Taste”, Fiona mostra ainda que uma música pop pode ser enriquecida com harmonias finas e elegantes, sem perder seu apelo imediato. “Carrion”, canção que fecha o CD, tem em suas letras um misto de desejo de resgate e fuga de uma relação amorosa, tudo embebido em uma melodia que inicia-se silenciosa e sutil, para arrebentar em uma harmonia luminosa e fulgurante. No entanto, é mesmo “Sleep to dream, faixa que abre o disco que resume o tom da composição lírica da cantora. Nos vocais desta canção, vemos uma mulher que se dispõe a abandonar uma relação, muito segura de si e completamente enfastiada com a fato de que aquele que amava não estava à sua altura. É justo. Não é qualquer um mesmo que pode com essa mulher. Baixe o disco utilizando os links a seguir.

http://rapidshare.de/files/15457981/Xile-Tidal-Apple.part1.rar

http://rapidshare.de/files/15459457/Xile-Tidal-Apple.part2.rar

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Coca-Cola – “Love Is The Truth” (dir. Nagi Noda). [download: vídeo]

Coca Cola - Love Is The TruthJack White, integrante da dupla The White Stripes, recusou-se há alguns tempo atrás, junto com Meg White, a ser filmado para um comercial. Sabendo disso, a Coca-Cola, ao mostrar interesse em ter um trabalho do artista para um comercial seu, teve o cuidado de mostrar-lhe que suas ideías não iriam ferir a imagem do cantor e compositor. E assim Jack cedeu ao convite da multinacional de refrigerantes, e resolveu compor uma canção exclusivamente para a campanha. Segundo o artista, a temática sugerida pela empresa lhe interessou bastante, já que ele não costuma compor algo que aborde o amor em uma linguagem mais universal. O curta abandona a abordagem apelativa que infesta o mercado publicitário nos últimos anos, que tem a mania de transformar o cotidiano numa orgia adolescente de verão, e aposta em um imaginário mais nostálgico e singelo. A produção utiliza uma mistura de manipulação digital com trabalho mais tradicional, como se vê no final do filme. O frescor desta peça publictária, em conjunto com a qualidade da música de Jack White, torna-o de expectação obrigatória para qualquer um que goste de música, comerciais, curtas e Coca-Cola, não necessariamente todos juntos ou nesta ordem. Escolha o tamanho preferido do arquivo e baixe já utilzando os links abaixo.

pequeno: http://www.shots.net/qt/0/35840a_56K.mov

médio: http://www.shots.net/qt/0/35840a_ISDN.mov

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Lightning Bolt – “The Faire Folk” (dir. E. Casey Leydon). [download: vídeo]

Lightning Bolt - The Faire FolkAlgumas vezes, os vídeos mais alternativos e feitos à toque de caixa são os mais autênticos. É o caso deste vídeo feito para a música “The Faire Folk”, cujo trabalho restante dos autores da canção não faço muita questão de conhecer – o conjunto de imagem nonsense e música cíclica é que interessa mesmo. O curta foi filmado usando o recurso de stop-motion para simular o movimento acelerado ao fundo contrastando com a lentidão do personagem no primeiro plano – e o personagem em questão é alguém trajado com uma fantasia de monstro dentuço muito divertida. O filminho é um desatino pop-urbano com idéia simples, ainda que bem trabalhada, e com senso de humor discreto ao retratar – na minha avaliação – alguém frustrado por não se adaptar à vida cosmopolita e que resolve abandoná-la e retornar à um cotidiano menos urbanamente selvagem. Baixe o vídeo pelo link a seguir.

http://www.laserbeast.com/mp3s/the-monsters-choice.mov

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Paparazzo: todo Rafael Calomeni [fotos]

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O moço, que estreou na TV em uma novela de Manoel Carlos, faz o tipo “galã maduro”. No entanto, ele é um pouco mais bonito do que os homens que assumem este papel na televisão brasileira. Isso é perfeitamente compreensível, uma vez que o rapaz é muito mais um modelo – sua profissão por excelência – do que um ator de fato. Um rosto lindo, sorriso absolutamente encantador, olhar de homem experiente, corpo natural: Rafael faz mesma a linha cama, mesa e banho. Porém, para não abandonar o hábito de ser o chato exigente de plantão, não está entre meus preferidos. Ele consegue sim ter mais apelo sexual do que Reinaldo Gianecchini, por exemplo – que é lindo, mas tem uma beleza por demais fria -, mas não consegue me fascinar no nível adequado. Está ausente um apelo mais imediato, uma beleza mais misteriosa. Pode também ser simplesmente falta de carisma do modelão. Ou talvez eu esteja mesmo, como disse meu amigo do estreante Monostrematas.blogspot.com, um pouco obsessivo pelo Matthew Fox. Mas quem tem um Foxy como muso não consegue resumir-se à qualquer galã mesmo. Atendendo à pedidos, está disponível agora o álbum com as fotos de Rafael Calomeni para o Paparazzo.

Acesse: Fotos de Rafael Calomeni: Paparazzo

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005