No segundo volume de seu projeto Want, Rufus Wainwright deixou os ares barrocos da primeira parte, no qual compôs canções mais operísticas e rebuscadas, para trabalhar a complexidade de suas músicas de uma forma mais contida e concisa. Tanto é assim que nota-se facilmente que a maior parte dos cantos de Want Two são mais acústicos, reflexivos e equilibrados.
A faixa que abre o disco, “Agnus Dei”, possui toda a pompa e circunstância já conhecidas em Rufus – é uma versão em latim da prace “Cordeiro de deus” -, mas desenvolve sua melodia com sutil inspiração oriental, e baseada em instrumentação de cordas, com delicadeza e lentidão. “The One You Love” tem uma levada pop/rock irresistívelmente sincopada, e letras que retratam um amante arrependido tentando reaver a confiança perdida. A belíssima “Little Sister”, que já era conhecida em apresentações ao vivo do cantor, emociona o ouvinte com sua melodia com algo de renascentismo e versos que mostram a rivalidade e os pequenos desentendimentos típicos entre dois irmãos que, no final das contas, se amam muito. “The Art teacher”, grava ao vivo, tem melodia simples, baseada apenas em piano, e revela a paixão de uma jovem por seu professor de Arte ao fazer uma visita com sua turma ao Museu Metropolitano de New York – e mostra que esta paixão adolescente lhe deixou marcas para o resto da vida. “This Love Affair” é uma balada de melodia belissimamente simples e absolutamente desesperançada sobre um homem que abandona uma relação amorosa, sem qualquer rumo e completamente desnorteado – é uma das canções mais tristes já compostas por Rufus. No entanto, a canção mais polêmica do disco é mesmo “Gay Messiah”. Nesta música Rufus despe-se de quaisquer tabus ao construir uma ironia pesada sobre a figura maior do cristianismo – sim, Jesus – e o estilo de vida dos gays mais despojados e materialistas – no sentido sexual: o messias aqui é um verdadeiro adônis gay que renasce de uma das famosas revistas pornôs dos anos 70. A canção choca um pouco no início, mas entende-se a crítica do cantor à vida desregrada de alguns homossexuais mais levianos. A única canção que reverbera a concepção melódica mais ostensiva de Want One é “Old Whore’s Diet”, que apresenta o cantor Antony junto com Rufus. Com letras que só podem ser entendidas como um mantra ensandecido repetidas “ad eternum”, a longa melodia repleta de cordas e violões é vívida, apresentando mudanças feitas suavemente e também de maneira brusca e repentina. Depois da orgia sonora apresentada em Want One é surpreendente que o cantor nos traga em sua segunda parte um álbum cheio de sonoridades plácidas e contemplativas, ainda que em boa parte continue sendo um retrato do sofrimento amoroso. Faz sentido: me parece que em Want One temos um homem que sofre sem saber, já que esta mergulhado na euforia de vícios e prazeres momentâneos. Em Want Two esta euforia se foi, e resta agora aprender a conviver e superar o inevitável sofrimento posterior.
Baixe: http://www.mediafire.com/file/jgvo3c4rbjqb5iv/rufus-wtwo.zip
Ouça:
Sem dúvidas a belíssima música que foi lançada para promover a coletânea Once more with feeling, da banda Placebo, ganhou um curta repleto de lindas imagens: nelas alguns acrobatas, entre outros personagens, movimentam-se com energia enquanto a banda entoa, impávida, os versos tristes da música. Imagens idílicas não poderiam deixar de ser mostradas, bem ao gosto do estilo musical da banda: uma mulher que cai em uma cama elástica e é arremessada por ela para o alto para não mais voltar e uma trupe de senhoras que dança o “cancan”, vestidas à carater e com um certo amargor no olhar. Não se trata de um vídeo inovador mas, com certeza, ilustra muito bem a poderosa canção da banda britânica. Download do vídeo no formato .WMV através do link abaixo.
Em Los Angeles, a vida de várias pessoas se interelaciona através de eventos que devassam seus posicionamentos e comportamentos com relação às diferencas raciais.
Neste comercial feito para a “Children’s Foundation” do Japão, uma jovem professora descobre, ao iniciar uma atividade de desenho livre, que um dos seus alunos só faz preencher as folhas de papel com imensos breus incompreensíveis. Corre-se a típica investigação pedagógico-médica e é então que, ao sentir a ausência de seu aluno, a professora tem uma iluminação sobre o significado dos rabiscos, e que supreende a todos. Comercial brilhante que mostra, com enorme impacto, como aquilo que não se encaixa em nossas noções de sentido e normalidade nem sempre pode ser avaliado como anormal e alienado. Baixe já o pequeno vídeo no formato .WMV.
Neste vídeo para a maravilhosa canção do novo disco da banda britânica Placebo os papéis de protagonização foram intencionalmente invertidos: um garoto tenta conviver com quem parece ser seu pai, que aparentemente tem problemas mentais, já que vive completamente desligado do mundo. Segue-se a rotina de uma pessoa que tenta desesperadamente enfrentar as adversidades naturais da deficiência até que, descobrindo-se impotente diante dos problemas, o garoto chega conclusão de que isto está além de sua capacidade. Belíssimo clipe que reveste de novo significado o primeiro single do disco Meds. Realmente imperdível. Baixe o vídeo no formato .MOV pelo link abaixo.