Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.
Baixe:
Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]
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