Apesar da mesmice e irrelevância artística da maior parte daquile que é produzido em termos culturais hoje em dia, seria leviandade afirmar que nada mais interessa. Há sempre artistas que surgem e surpreendem, ainda que em número reduzido. O trabalho por eles apresentado pode talvez não se apresentar como um mundo de inovação mas como uma retomada vigorosa daquilo que já conhecemos – o que não é pouco. A banda americana The Killers é a mais nova representante deste fenômeno, e já conseguiu chamar a atenção com apenas um álbum lançado na praça. Em Hot Fuss, a banda espalha uma sonoridade que não soa estranha ao ouvido de alguem com mais de 25 anos, pois a voz e empostação cool/cult do vocalista, bem como as melodias que dosam guitarras harmônicas e teclados esquematizados suscitam os melhores momentos do pop que foi chamado de “New Wave” nos anos 80 e ainda início dos 90. Porém, não se trata puramente de uma retomada, já que a banda consegue ressuscitar a alma do pop do fim do século passado sem soar nostálgica, incorporando pós-modernidade em suas canções ao mesclar de forma competente diferentes gêneros musicais. Pelo menos em seu álbum de estréia, The Killers mostra que é muito boa em compor músicas que se mostram candidatas à hits imediatos. Seus B-sides também são tão bons quanto as músicas que ganharam o direito de configurar o álbum, algo não tão fácil de acontecer quanto se pode pensar. Como não poderia deixar de ser, algumas faixas são destaques absolutos no álbum, como é o caso da faixa de abertura, “Jenny was a friend of mine”, um rock de com simetria melódica perfeita que fala sobre um amante que perde a sensatez e a noção de limites. “I’ll the things that I’ve done” e “Andy you’re Star”, com refrões acompanhados por backing vocal de inspiração clara em coros gospel, sintetizam muito bem rock e blues. “Everyting will be alright”, e em menor grau “Somebody told me”, surgem na descendência do pop eletrônico que varreu a Europa no fim do século passado, sem deixar de sobrepor na sua melodia a contemporaneidade da banda. E para fazer jus ao comentário que fiz sobre os B-sides, “Glamorous Indie Rock and Roll” simultaneamente é uma ode extravagante ao amor e ao gênero musical que cita. Ao fim de sua audição, Hot Fuss é o atestado sonoro do encantamento que sempre irá possuir o gênero musical que nasceu sob a aura da rebeldia e trangressão, amadurecendo e sobrevivendo a sucessivas gerações sem nunca perder o seu vigor juvenil. Link para download depois da lista de faixas.
Baixe: The Killers – Hot Fuss [mp3]
Ouça:
Depois de arriscar em BeautifulGarbage com uma sonoridade mestiça, compondo um disco tão sem identidade que não levou a banda a lugar algum, o Garbage mostra que aprendeu com o resvalo e retorna com o elogiado álbum Bleeed Like Me. Faixas como “Bad Boyfriend” e “Why do you love me” tem sonoridade rock forte, com generosos riffs de guitarra e bateria marcante, e letras que contrastam entre si: enquanto na primeira faixa Shirley Manson declama aos brados versos de um amor passivo, declarando sujeitar-se à tudo para obter um pouco daquele que ama, na outra canção surge uma mulher que confessa-se não ser o ideal feminino, mas que afirma ter o direito de cobrar amor e honestidade. Condizente com a concepção vigorosa do disco, a banda compõe na faixa “Sex Is Not The Enemy” um hino ao amor livre – um tema que já está batido mas que nunca deixou de ter seus adeptos.
Bruce Wayne, após o assassinato de seus pais, sai pelo mundo tentando entender o universo do violência. No oriente ele recebe treinamento na Liga das Sombras, grupo de mercenários assassinos que julgam ser a única solução contra o crime. Ao ser colocado em xeque sobre sua fidelidade à causa da liga, Bruce a destrói e volta para Gotham City, inundada pelo crime e corrupção. Lá ele decide disfarçar-se como Batman para enfrentar o maior mafioso da cidade e seus comparsas.
Sucedendo a 4ª temporada de “24 horas”, “Lost” estréia na Rede Globo no mesmo horário infame de sua antecessora. Tratadas como simples solução para ocupar o horário do apresentador Jô Soares durante suas férias, a mais popular televisão do país não sabe fazer uso do que tem em mãos: tanto a série produzida pela Fox quanto pelo canal americano ABC são sucesso absoluto em seu país e são exibidas, com justiça, em horário nobre. Porém, seriados estão para os americanos como as novelas estão para os brasileiros. E enquanto aqui as TVs tentam enfiar garganta abaixo produtos que se repetem uns aos outros sucessivamente e que tem exibição inédita diária – daí a impossibilidade de qualidade -, nos Estados Unidos o produto tem exibição semanal e ideías que se não são absolutamente inovadoras tem, ao menos, a virtude de as reciclar muito bem. É o caso de “Lost”: depois de um desastre aéreo, os sobreviventes, perdidos numa ilha oceânica, tentam levar em frente à vida tendo que lidar uns com os outros – até então meros desconhecidos entre si -, enfrentando a possibilidade de que talvez nunca sejam resgatados e, aí está o pulo do gato da série, convivendo num ambiente sinistro, que é palco de eventos inexplicáveis.
Kathy arrasta-se em seu cotidiano absorta em um longo surto de autocomiseração: abandonada pelo marido há dois anos, cria desculpas para evitar que sua mãe descubra que sua vida parou no tempo. Porém, ela é despejada pela prefeitura da casa em que mora, e que pertence à sua família, sendo informada de que a residência irá à leilão para pagar os impostos comerciais nãO quitados. Kathy, apesar de não dar qualquer valor para o imóvel, decide tentar reaver a casa antes de que sua mãe chegue à cidade para visitá-la e, desta forma, descubra como a filha está. Mas o imóvel é vendido já no dia seguinte em que ela foi despejada para uma família de iranianos, cujo pratiarca, ex-militar em seu país, trabalha em empregos de baixa qualificação e sustenta uma vida luxuosa com o lucro que obtem da revenda dos imóveis que compra. E esse é o motivo pelo qual ele decide não sucumbir à interferência de Kathy.
Não dou qualquer crédito à esta geraçãozinha de músicos “cool” da música internacional. Estou falando destes artistas que cantam com uma voz empostadamente sussurrante – estilo Vera Fischer mesmo – e que se assemelha muita à uma pessoa com a cabeça no travesseiro, acabando de acordar. Para você ter uma idéia mais precisa de qual estilo muscial eu estou me referindo, saiba que os maiores representantes desta geração – que se acha a cereja do sorvete, o último pacote do biscoito, ou seja, o maior acontecimento musical dos últimos tempos – são o asmático John Mayer e a anêmica Norah Jones.