Pular para o conteúdo

Tag: america do norte

“2010: O Ano em que faremos contato”, de Peter Hyams. [download: filme]

2010 - The Year We Make ContactDepois de nove anos sem saber exatamente o que levou a interrupção da missão da Discovery à Júpiter, uma missão conjunta de russos e americanos, em meio à iminência de um conflito entre as duas nações, parte em direção ao planeta para tentar desvendar o verdadeiro destino da nave e de sua tripulação.
Arthur C. Clarke resolveu dar continuidade à história criada por ele e pelo diretor Stanley Kubrick sem a participação deste e, de certa forma, mesmo sabendo que as chances de um filme que pelo menos se equivalesse à qualidade do primeiro eram pequenas. Com essa decisão, Clarke acabou por retirar uma pequena porção da beleza da saga que criou: ao dar ocorrência à continuidade dos eventos, o escritor interfere, de certo modo, na status absolutamente provocador da história que ganhou forma e poder no longa-metragem que elaborou junto com Kubrick e, por mais que este filme permaneça uma obra-prima, cuja aura artística jamais será impugnada por coisa alguma, um dos mentores de sua história, inegavelmente, revela alguns do mistérios e enigmas que faziam da saga original algo atemporal. Com os detalhes criados – e revelados – para a sequência do filme e da história, a força dos personagens não chega a ser atingida, mas fica levemente empalidecida pelos deslizes do filme e do argumento. E eles, diga-se, são facilmente perceptíveis: os “sobrenaturalismos” algo transcendentais, nas mãos de Peter Hyams, soam baratos e até um tanto piegas – observe uma das “interferências” terrenas de Dave Bowman, escovando o cabelo da mãe quase moribunda, e você vai poder entender o quanto isso era desnecessário -, ao invés de colorirem o filme de modo espetacular, como aconteceu anteriormente; a iconografia criada por Kubrick, e reciclada neste filme – como as transformações físico-cronológicas de Dave Bowman, incluindo o feto que fecha o filme original, assim como boa parte do que foi HAL 9000 – são reduzidas ao pastiche, perdendo o seu magnetismo espectral, e por fim, a trilha sonora soberba pinçada por Kubrick, que conseguiu compor grande parte da identidade sombria do filme anterior ao misturar o erudito mais clássico (Johann e Richard Strauss) ao mais contemporâneo e experimental (os macabrismos de György Ligeti) é parcial e timidamente retomada – parecendo com isso mais uma obrigação que o diretor se impôs, como a querer criar uma relação de parentesco direto com “2001” – e acompanhada por uma trilha original medonhamente convencional, composta por David Shire, que em nada auxilia o filme, bem pelo contrário. Porém, como algo positivo neste longa-metragem, deve-se reconhecer que, mesmo deixando o filme datado, a decisão de Arthur C. Clarke de explorar uma animosidade que se intensifica entre Estados Unidos e Rússia, enquanto a missão conjunta é executada espaço adentro, cria um conflito interessante entre os personagens que, de certa forma, sentem-se divididos entre o companheirismo inevitável e o orgulho patriótico.
Que já era sabido de pronto que as chances de “2010” fazer jus ao status magistral de “2001” eram ínfimas, por conta de o primeiro ter se tornado um ícone inquestionável do cinema de arte, isso é inegável. Mas é por, possivelmente, a idéia de sua existência ter nascido por questões afetivas de Clarke – relativas ao seu desejo de retomar os personagens que lhe deram prestígio e notoriedade – é que o filme e sua história enterraram as chances de vislumbrar algo muito maior do que ser um mais uma ficção-científica que explora, de forma linear e convencional, a eterna e inevitável esperança de que a humanidade não é a única coisa viva perdida no cosmo.
Baixe o filme utilizando uma das opções de links a seguir e verifique qual das legendas seria a adequada.

Opção 1:
http://rapidshare.com/files/43280988/2010.part1.rar
http://rapidshare.com/files/43287529/2010.part2.rar
http://rapidshare.com/files/43294032/2010.part3.rar
http://rapidshare.com/files/43300658/2010.part4.rar
http://rapidshare.com/files/43306390/2010.part5.rar
http://rapidshare.com/files/43312193/2010.part6.rar
http://rapidshare.com/files/43317781/2010.part7.rar
http://rapidshare.com/files/43274381/2010.part8.rar

Opção 2:
senha: Slimbo
http://rapidshare.com/files/74060501/Slimbo.2010.z01
http://rapidshare.com/files/74076955/Slimbo.2010.z02
http://rapidshare.com/files/74091919/Slimbo.2010.z03
http://rapidshare.com/files/74107377/Slimbo.2010.z04
http://rapidshare.com/files/74119848/Slimbo.2010.z05
http://rapidshare.com/files/74129697/Slimbo.2010.z06
http://rapidshare.com/files/74047666/Slimbo.2010.zip

legendas disponíveis:
http://legendas.tv/info.php?d=9152cc4f548bc8a424062e6db0d48b42&c=1 [via legendas.tv]
http://www.opensubtitles.com/pb/download/sub/3108215 [via opensubtitles.org]
http://www.opensubtitles.com/pb/download/sub/3098204 [via opensubtitles.org]

Deixe um comentário

Sheryl Crow – The Globe Sessions. [download: mp3]

Sheryl Crow - The Globe SessionsDepois do sucesso atingido com o seu segundo disco, Sheryl deu prosseguimento às suas composições mais voltadas para uma sonoridade pop/rock com o álbum The Globe Sessions, fazendo da discreta tecitura country apenas uma mera citação, como na faixa “Members Only”, com violões, baixos, guitarras e vocal formando uma mesma massa sonora cheia de calor country-rock, orgão ocasional de toques gracejantes e bateria e percussão de cadência leve, que so inicia trotejante e logo acompanha a ritmo alegremente comedido do instrumental restante. Apesar do período de depressão de Sheryl, anterior a gravação do disco, estar refletido nas guitarras sobejantes e na sorumbática mas reluzente orquestração de cordas de coloração oriental de “Riverwide” e no clima quase improvisado das guitarras, órgãos e bateria sofridos, hora conformados, hora transbordando em sentimento em “Crash And Burn”, que fala sobre alguém que, mesmo sabendo que seria em vão, disse adeus à tudo e todos que conhecia na tentativa de esquecer um amor que não deu certo, não se pode exatamente dizer que este é um disco triste. “My Favorite Mistake” – em que Sheryl fala sobre um romance que viveu por alguém que, no fim, descobre que não a amava -, através do seu vocal ao mesmo tempo sutilmente triste e marcado de alegria saudosista e nas suas muitas guitarras, baixos e orgãos de acordes sensuais sobre uma bateria de intensidade suficiente apenas para dar ritmo aos instrumentos restantes, assim como “It Don’t Hurt” – que fala sobre alguém que tenta superar o fim de uma relação redecorando a casa e flertando com o primeiro desavisado que aparece na sua frente -, com o gingado animado de seus violões, guitarras e bateria e seu gaita entusiasmada, dão uma boa idéia desse álbum que fala sobre amarguras, tropeços e tristezas com uma sonoridade mais “pra cima”. Mas a surpresa fica mesmo por conta da faixa “There Goes The Neighborhood”, tanto pelo caráter sonoramente dançante que a percussão e a bateria dão à canção, bastante auxiliadas pelos metais borbulhantemente gritantes e por guitarras de enorme malemolência, quanto pela temática de suas letras, que pinta um painel das bizarrices underground e da marginália dos arredores do Globe Studios, onde Sheryl gravou este disco – e que, claro, acabou dando nome à ele. Pela dificuldade de definir e nomear a mistura de sons e sentimentos, ao mesmo tempo tristes e alegres, amargurados e exultantes, é que pode-se dizer que The Globe Sessions é o retrato do período em que a artista procurava uma saída em meio a uma crise pessoal, vivendo uma instabilidade de estados emotivos que refletiu-se inevitavelmente nas suas composições.

senha: seteventos.org

http://rapidshare.com/files/76560805/crow_-_globe.zip

Deixe um comentário

“Contraponto”, de Terry Gilliam. [download: filme]

TidelandJeliza-Rose é uma garotinha tão estranha que, sem o menor pudor, auxilio o seu pai no consumo de drogas. Tão logo sua mãe, igualmente viciada, morre por conta de uma overdose, ela acompanha seu pai na viajem à “Jutilândia”, tão prometida por ele diversas vezes, tendo como primeira parada a casa abandonada de seu avó, jogada em meio à uma paisagem vasta e rústica que alimenta ainda mais a já fantasiosa mente de Jeliza.
“Contraponto”, baseado no livro de Mitch Cullin, tem o mérito de figurar como um dos piores, se não o pior, longa-metragem de toda a filmografia do diretor Terry Gilliam. Seus problemas são unicamente dois, e um derivado do outro – personagens e roteiro -, mas a intensidade deles é tamanha que mais nada dentro da concepção do filme consegue cativar suficientemente o espectador para que uma avaliação minimanente positiva dele seja feita. A lógica da problemática é bem simples de se entender: se os protagonistas do filme – um rockeiro fracassado e viciado cujo momento de maior proximidade com sua filha é quando pede para esta que a ajude a preparar sua dose diária do heroína; uma taxidermista com fobia de abelhas tanto quanto de pessoas, e que só vê como possível estabelecer relações com estas depois de mortas e devidamente empalhadas; seu irmão com problemas mentais, perdido em ilusões marítimas e ambições um tanto quando destrutivas e, finalmente, a gatorinha Jeliza-Rose, que passa seus dias inundando-se em fantasias com as quais cresceu sempre acostumada a confundir com a realidade – falham em despertar a menor dose de simpatia no público, a estória que os envolve, se já não parece interessante – pois apenas retrata as ilusões da garotinha, sozinha na casa abandonada de sua vó e em contato com gente desprovida de qualquer interesse em estabelecer comunicação com a realidade -, tem essa feição ampliada ainda mais pela falta de empatia dos personagens, tornando-se um verdadeiro teste de paciência cinematrográfico. Visto que estes dois aspectos são a base da formação de qualquer bom filme de ficção, fica difícil elogiar qualquer outro componente ou característica de “Contraponto” – mesmo que eles tenham algum vago caráter de qualidade, sua importância frente à dos personagens e do roteiro é consideravelmente menor.
Mas Terry Gilliam é assim mesmo, um homem de extremos: quando o diretor britânico, ex-integrante do grupo Monty Python, acerta a mão, geralmente ele o faz de maneira sublime – como em “O Pescador de Ilusões” e “12 Macacos” -, mas quando ele erra, ele o faz em igual medida, cavando fundo a cova do seu próprio filme. Se ele continuar acertando uma vez a cada dois equívocos, já vale o serviço prestado ao cinema – e como “Contraponto” é o seu segundo equívoco seguido, vamos torcer para que o próximo seja um acerto realmente compensador.

http://rapidshare.com/files/933822/Tideland.part1.rar
http://rapidshare.com/files/937044/Tideland.part2.rar
http://rapidshare.com/files/940653/Tideland.part3.rar
http://rapidshare.com/files/943475/Tideland.part4.rar
http://rapidshare.com/files/946827/Tideland.part5.rar
http://rapidshare.com/files/949863/Tideland.part6.rar
http://rapidshare.com/files/951965/Tideland.part7.rar

senha: contempt

legendas disponíveis (português) [via legendas.tv]:
http://legendas.tv/info.php?d=efac97a6de1656fd4613016b773b5be1&c=1

Deixe um comentário

Vienna Teng – Dreaming Through the Noise. [download: mp3]

Vienna Teng - Dreaming Through The NoiseApesar da americana de traços orientais Vienna Teng já dispor de três discos na praça, resolvi, como geralmente faço, ter o primeiro contato com suas canções ouvindo seu mais recente lançamento, Dreaming Through the Noise. E, se você se permitir uma avaliação apressada e sem muita atenção deste disco de Vienna, vai encontrar em faixas como “Transcontinental, 1: 30 A.M.”, devido à sua percussão, piano e vocais brandos, as marcas para classificar a artista como pertencente aquele jazz silencioso, meditativo e um tanto esnobe que faz a alegria de muitos críticos. Mas isso seria realmente um erro: a verdadeira identidade das composições desta americana emerge depois de algum tempo dispensando atenção cuidadosa às suas melodias. Só então percebe-se a sutil variedade musical da cantora e compositora americana: há algumas passagens de inspiração um tanto country – como no modo rústico, levemente campestre, do piano, da viola e do bandolim, de “City Hall”, bem como na presença dos vocais de fundo, bem à moda do gênero – outras de sutil calor pop – como acontece nas faixas “Love Turns 40”, na sua sequência final, aquecida pelo bandolim ligeiro, pelo piano adocicado, pela orquestração grandiosa de cordas e metais e pela bateria mais encorpada, e em “Whatever You Want”, com piano, percussão, cordas e vocais que tocam com carinho e maciez os ouvidos, da mesma forma que a areia fina da praia toca nossos pés -, além de melodias que bebem em influências eruditas – como acontece em “Now Three”, cujo conjunto piano, violino e violoncelo dá vazão à uma música de beleza inominável, que só consigo descrever como imensamente delicada, terna e afetuosa, assim como o são seus versos, que retratam o estado de encantamento de uma mulher pela vida que está gerando dentro de si. E apesar do manso fascínio que estas faixas tecem nos ouvidos de quem as escuta, Vienna guarda o melhor de seu trabalho neste disco para o fim, arrebatando o ouvinte com a poética dos versos e das melodias de “Pontchartrain” e “Recessional”: enquanto nos versos da primeira Teng descreve o cenário de desolação e desgraça deixado em New Orleans pelo furacão Kathrina, recheando a percussão e arranjo de cordas de mistério e drama e desenhando na ponte melódica uma referência à música sacra com o uso de acordes do piano e vocais etéreos, na última faixa ela nos entrega um delicado rito de despedida que relata, de forma impecável, as impressões e sensações de alguém que observa a partida para muito longe de alguém que tanto ama, sonorizando-o com piano, percussão e contrabaixo amenos, além da guitarra e metais pontuais que laceiam a melodia impecavelmente.
Mesmo que ainda possa, de certa forma, ser alinhada entre as inúmeras compositoras que bebem nos mais variados gêneros, como pop, jazz e folk, e que compõe melodias de atmosfera serena com técnica bem aparada, creio que Vienna diferencia-se destas por conseguir construir melodias e letras que estão sempre cobertas de sofisticação e elegância sem prejuízo de sentimento e emoção. O resultado final é sensivelmente diferente do usualmente alcançado por suas colegas, pois Vienna acaba, com todo esse cuidado, carregando suas composições para outra direção e aprofundando o efeito da música no ouvinte.
Baixe o disco utilizando o link e senha a seguir.

senha: seteventos.org

http://www.badongo.com/file/5059177

3 Comentários

“Day Night Day Night”, de Julia Loktev. [download: filme]

Day Night Day NightGarota chega a New York e é preparada para executar um atentado suicida com uma bomba na famosa e movimentada Times Square.
No currículo da diretora de origem russa Julia Loktev, além de “Day Night Day Night”, há apenas o documentário que fez, em 1998, sobre o acidente que arremessou seu pai em um estado de quase-morte. Com base nesta informação, pode-se tomar a liberdade de fazer algumas conjecturas e deduções: talvez Loktev nem seja uma diretora profissional – é possível que nem mesmo ela se veja desta forma – ou, para ser menos agressivo, não é difícil enquadrá-la como cineasta de ocasião, que só assume tal perfil quando encontra uma idéia que considere relevante e instigante. Porém, de concreto a dizer só mesmo que a diretora prefere a abordagem mais realista possível, já que seu primeiro filme é um documentário e a estrutura do longa-metragem mais recente, mesmo sendo uma obra de ficção, assemelha-o ao gênero do primeiro filme devido à trilha sonora inexistente, a captação direta do som e iluminação, a cenografia natural, a câmera sem uso de tripe ou trilho e aos atores – até prova em contrário – amadores. O roteiro, se é que existiu algum, também ajuda a promover este caráter do longa, já que, excluindo-se os parâmetros gerais da história, que podem ser resumidos à algumas poucas linhas, todo o resto pode ter sido perfeitamente obtido através da improvisação dos atores. E este é o seu grande problema: falta história. Mesmo nos movimentos mais radicais do cinema mundial, como o famoso “Dogma 95”, ainda que estes pregassem a exclusão de tudo o que se considerasse supérfluo e artificial na realização do longa, o esforço em cima da composição de um bom argumento, de um roteiro com apelo, era preservado em toda sua importância. Ainda que a secura quase nordestina do argumento tenha o objetivo de preservar o feitio naturalista da história e demonstrar como seria fácil perpretar um plano como o descrito no filme, Loktev pecou pela falta de conflitos, por ignorar produzir um plot com um mínimo de obstáculos e desventuras, que sempre são passíveis de acontecer, todos sabemos. De interessante fica a tensão desenvolvida pela possibilidade concreta de que a protagonista concretize o seu objetivo, assim como o conflito simples, mas sincero, que passa a viver quase no final do longa-metragem, potencializado pela aparência quase infantil da atriz, pela expressão sempre melancólica de seu rosto e pela forma como conseguiu imprimir sua falta de rumo na conclusão da história.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

http://rapidshare.com/files/59435615/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.001
http://rapidshare.com/files/59435638/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.002
http://rapidshare.com/files/59435635/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.003
http://rapidshare.com/files/59435646/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.004
http://rapidshare.com/files/59435642/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.005
http://rapidshare.com/files/59435626/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.006
http://rapidshare.com/files/59435640/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.007
http://rapidshare.com/files/59435617/bestdivx-dndnrp-xvid.avi.008

legendas (português):
http://legendas.tv/info.php?d=e5b05c36cbb9716d027ddd020557cdc2&c=1

Junte as partes em um único arquivo utilizando um programa como o HJSplit.

1 comentário

Menomena – Friend And Foe. [download: mp3]

Menomena - Friend And FoeMenomena é uma banda composta por apenas três rapazes de Portland, no estado do Oregon, e já é considerada das mais criativas e originais do cenário indie americano. E isso não é exagero: apesar de serem capazes de compor algumas faixas aborrecidas e obtusas, quandos eles acertam a mão eles criam melodias que, fazendo uso de blocos de harmonias cíclicas ou explorando o crescendo melódico, conseguem soar majestosas sem perder o traço idiossincrático indie que a banda adora preservar. Friend And Foe, o segundo disco destes rapazes tão inventivos, está repleto de incomparáveis gemas sonoras, com instrumentação e arranjos ainda mais afinados que no disco anterior. O disco começa com a faixa “Muscle’n Flo”, feita de versos que pregam o levante sobre uma vida desprovida de sentido, e melodia com vocal que se equilibra entre o cantar mais suave e o brado mais jubiloso, bateria e pratos de cadência energizante, piano de acordes agudos e cíclicos e orgão de tonalidades gospel. Já em seguida a desconcertante “The Pelican” – que utiliza este pássaro como metáfora para o egoísmo e o parasitismo social e afetivo -, que lembra muito o Supergrass, principalmente pela sua metade introdutória, com um vocal encolerizado sobre o piano de de acordes contínuos e graves, logo usurpados por uma intensa torrente de guitarras e loops de bateria que se sobrepõem de modo oscilante em pausas e fulgores melódicos suntuosos. Depois de “Wet and Rusting”, uma faixa um tanto regular, que poderia soar bem melhor com algum esforço, temos “Air Aid”, um brado anti-belicista em que o loop da bateria e percussão concede o andamento, supenso em pequenas pausas, para que piano, metais, guitarra e o baixo minimalistas construam e ganhem seus espaços pouco a pouco sobre esta base, resultando em um módulo melódico que sucede a si mesmo continuamente. Mais à frente no disco podem ser destacadas as faixas “Boyscout’n”, com letras que possivelmente referenciam à Judas e a traição de Cristo e que conta com coro de assobios ultra-jovial, arranjo de metais digno dos melhores trabalhos de Michael Nyman e guitarra, bateria, pratos, baixo e piano em exultante agitação conjunta, e “Evil Bee”, talvez a melhor faixa do disco, com um trabalho verdadeiramente impecável na programação dos loops vibrantes da bateria, da percussão e dos metais, além dos violões, guitarras e xilofones que pontuam de forma luxuosa a melodia que é construída em um crescendo absurdamente exuberante.
Mesmo soando áspero em alguns momentos, Menomena é uma banda a ser apreciada com atenção devido à perícia que esses três rapazes tem ao arranjar suas músicas, ao talento ao lidar com instrumental tão farto e ao poderio de suas composições que, quer sejam demasiadamente experimentais ou não, sempre resultam em melodias fabulosas, grandiloquentes e catárticas como poucas bandas. É o risco que se corre quando se tenta achar um caminho próprio, uma identidade única: as vezes o resultado são tropeços e tombos homéricos e em outras vezes acertos e vôos espetaculares.

senha: seteventos.org

rapidshare.com/files/390428348/menomena_-_foe.zip

Deixe um comentário
O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005