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Tag: cinema europeu

“Intacto”, de Juan Carlos Fresnadillo.

Intacto, de Juan Carlos Fresnadillo

Intacto, de Juan Carlos FresnadilloÉ fato que o cinema feito fora do eixo norte-americano está já em um patamar bastante evoluído. Não vou cometer o erro de dizer aqui que “está cada vez melhor”. O cinema não-americano já é excelente, apenas carece de uma maior quantidade de lançamentos, o que, talvez, seja sua maior qualidade: menos filmes, menores as chances de nos depararmos com muito lixo, como acontece com o cinema produzido pelos Estado Unidos. E o cinema mundial está tão bom que consegue se apoderar da qualidade técnica típica dos filems americanos e superá-los no conteúdo: os argumentos e roteiros são muito mais originais do que os produzidos pelos americanos.
Um exemplo é o filme Intacto, de Juan Carlos Fresnadillo, que tem como protagonista o ultra-sexy (em minha singela opinião) ator argentino Leonardo Sbaraglia (quer ver como ele pode ser um poço de sensualidade? Confira no excelente filme argentino Plata Quemada).
No filme, Federico, ex-aliado de um um velho magnata de um cassino (este último interpretado por Max Von Sydow) encontra um Tomás (Sbaraglia) um ladrão de bancos que é o único sobrevivente de um desastre aéreo cujas proporções jamais pouparia uma viva alma sequer. Devido ao fato, Federico supõe que Tomás seja alguém que possua um dom que poucos possuem: sorte. Treinado para controlar esta “capacidade”, Federico ajuda Tomás na fuga do hospital onde se encontrava sob vigilância e o introduz num mundo onde se joga com a própria sorte e a de pessoas alheias, que são chamadas pelos que possuem o dom de “cativos”. Mas Tomás e Federico não terão tranquilidade em suas empreitadas, já que Sara, uma agente da polícia, está os perseguindo.
As atuações, roteiro (muito bem amarrado), e todo o aspecto técnico do filme são impecáveis. O filme faz bom uso até mesmo dos eventuais clichés de uma trama tipicamente policial. Um clima soturno e melancólico inteligentemente sutil atravessa todo o filme, o que ajuda a causar uma certa claustrofobia, apesar de o filme estar ambientado, em grande parte, em ambientes externos e bastante abertos. Confira este filme espanhol que é mais uma excelente opção para curtir a qualquer momento, no lugar daquele arrasa-quarteirão super produzido que nada de novo traz.

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“Os Edukadores”, de Hans Weingartner.

Die Fetten Jahre Sind Vorbei, de Hans Weingartner

Die Fetten Jahre Sind Vorbei, de Hans WeingartnerTudo o que parte de princípios político-ideológicos, engajamento, não é exatamente o que me apetece. No entanto, apesar de que o mote da sua estória seja justamente este, o filme alemão Os Edukadores me cativou. Parece que com o recente Adeus Lênin! (que é um bom filme, mas não chega a ser a obra-prima que foi pintada no comentário de muitos), o cinema alemão começou a contar com cineastas bastante inventivos e muito promissores. Tomara que continue assim.
No filme, Jan e Pete são os Edukadores, ativistas políticos que entram na residência das famílias das classes mais bastadas da Alemanha, quando ninguém se encontra em casa, e saem sem levar sequer um copo. Seu intuito é causar desconforto, quando não temor, através de sua técnica de atuação: uma vez dentro da residência, eles rearranjam (ou melhor, bagunçam) toda a mobília, deixando apenas um bilhete com os dizeres “seus dias de fartura estão contados” ou “você tem dinheiro demais”. Tudo corre muito bem até que a namorada de Pete, devido aos seus problemas financeiros, vai morar com os dois amigos. A partir daí o relacionamento dos três muda de figura e tudo, inclusive o ativismo político, começa a se desestabilizar, para o bem ou para o mau.
Apesar de trazer personagens altamente engajados e cheios de ideologismo (independente de que engajamento e ideologismo estamos falando), o filme me agradou muito por ter sido muito bem realizado, dirigido, contar com elenco que tem ótimo desempenho (Daniel Brühl, o jovem que é a grande revelação de Adeus Lênin!, e possivelmente atual fetiche do cinema alemão, está aqui) e, principalmente, um roteiro que não resvala nos convencionalismos, soluções fáceis e inverossimilhanças que infesta a maior parte dos filmes atualmente, particularmente o cinema americano. a personalidade e comportamento dos personagens sofrem sim com os rumos de seus atos, mas na conclusão da estória você se dá conta de que na verdade não há mudança, e sim uma evolução, uma reafirmação do caráter dos personagens. Belo filme, que surpreende até um sujeito irritado com a banalização político-ideológica como eu. Recomendadíssimo!

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“Swimming Pool”, de François Ozon.

Até ver este filme não tinha qualquer contato com seu cinema. No entanto, para alguém informado e que goste realmente de cinema, não é difícil ficar sabendo da existência dele. Egocêntrico, metido, presunçoso. Não sei se tudo acaba sucedendo em um bom filme no caso dos outros filmes, mas em Swimming Poll – A beira da piscina tanta pretensão procede, assim como costuma acontecer com Lars Von Trier. O filme versa sobre Sarah Morton, uma escritora inglesa à moda de Aghata Christie, que tem uma crise criativa, pois pretende mudar o rumo de sua carreira, ao menos no que toca seu próximo livro. Sabendo disso, seu editor oferece sua casa de veraneio em uma pequena e agradabilíssima vila da França para que Sarah possa ter o relaxamento e renovação necessários para seu trabalho. Depois de pouco tempo lá, e já tendo iniciado um novo livro, ela acaba por ter que dividir a casa (e seu cotidiano), com a pouco ortodoxa e libertina filha francesa, e bastarda, de seu editor. As personalidades de ambas, como era de se prever, não tem qualquer afinidade, e está então lançado o conflito. Nada mais deve ser dito sobre o filme já que tudo são ambiguidades, e essa é a graça do filme, com um roteiro muito bem costurado. Apenas fica aqui o registro: nada é o que parece ser e tudo é o que parece ser. Ao menos, esse deve ter sido o desejo de Ozon: refletir sobre as várias leituras possíveis de uma obra artística. Visitas a foruns como os do mega portal de cinema imdb.com são divertidíssimas, tão logo se conclua a apreciação do filme.

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“11 de Setembro”, de Alain Brigand

september 11 (2002)

Onze curtas de onze minutos e nove segundos. Os números aqui remetem aos acontecimentos ocorridos na New York de 11 de Setembro de 2001. Mas esta seria uma das únicas regras estabelecidas aos onze diretores convidados para colaborar cada um com um curta que integrasse ao projeto do francês Alain Brigand. Afora o fato de que a inspiração para os curtas partisse do atentado de 2001 e a duração dos mesmos foi dada total liberdade aos diretores dos mais distantes recantos do mundo. Os resultados são, geralmente, bastante interessantes e, por vezes, insatisfatórios. O diretor mais criativo foi mesmo Sean Penn, que causa espanto e risos com seu uso das sombras das torres gêmeas. As tentativas mais humanitárias foram do mexicano Iñarrítu e da indiana Mira Nair, infelizmente seus episódios suspenderam juntos, e cada um a sua maneira, uma pieguice que incomoda. O curta mais equivocado é o do egípcio Youssef Chahine: encerram-se seus onze minutos e você acaba perguntando pra si próprio se Kika foi mesmo a pior coisa que já viu. No mínimo merece estar ao lado do filme de Almodóvar. Por último, temos o curta mais sem relação com o fatídico 11 de Setembro, no qual um soldado japonês volta da guerra exibindo comportamento idêntico ao de uma cobra. O curta de Shohei Imamura só poderia mesmo ter vindo daquela parte do oriente, responsável por algumas das invenções mais idílicas do planeta. O que não necessariamente é sinônimo de qualidade…

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005