Bruno é um executivo desempregado, já há dois anos, que trabalhava em empresa de produção de papel. Depois de tanto tempo fora do mercado, e de inúmeras tentativas frustradas em entrevistas, ele vê uma oportunidade do emprego que tanto deseja em um grande indústria papeleira. Contudo, há dois problemas: primeiro, o cargo não está vago; segundo, apesar de não existirem tantos candidatos aptos na ventura de alguém preencher a vaga, há alguns que são tão bons ou ainda melhores do que ele. Bruno decide então tomar medidas extremas: vai eliminar um por um, deixando por último o homem que ocupa atualmente o cargo, até que não reste outra opção se não ele próprio.
Costa-Gravas tem amor à polêmica, abordando assuntos bem espinhosos de maneira geralmente heterodoxa. Ele já havia ilustrado brevemente o quanto o desemprego desvirtua um homem em 1997, no filme “O Quarto Poder”, mas ali ele tratava mesmo da capacidade da mídia de formar opiniões e modificar a realidade ao seu bel-prazer, segundo seus interesses. A primeira vista, neste longa-metragem mais recente, o diretor parece aprofundar-se no efeito mais nocivo da globalização e da busca de eficiência e economia da iniciativa privada: o desemprego crescente e cada vez mais constante que se uniformiza por todo o mundo, sem exceção. Ao menos é isso o que nos indica o argumento básico e a construção dele em cima de personagens que partilham da mesma frustração, ansiedade e sensação de fracasso desencadeados pelo falta de trabalho. Contudo, se dedicarmos um tanto mais de atenção vamos perceber que, apesar de surgir em primeiro plano na trama do filme, o desemprego, suas causas e seus efeitos não são, na verdade, a cerne do filme, configurando-se novamente, como na película de 1997, em uma espécie de ignição da trama e fio condutor do argumento. O grosso da estória trata mesmo do quanto um homem pode afogar-se em sua ambição, ilusões e desejos, e de como a frustração destes pode radicalizar sua conduta,
Assim é o personagem de Bruno que, ao levar ao cabo seu plano de eliminar a concorrência, se vê apenas eventualmente assombrado por questões éticas e morais, encontrando mesmo, na maior parte do tempo, conforto, alegria e orgulho na forma como consegue fazer tudo sem ser descoberto. A medida que seu objetivo encontra-se cada vez mais próximo de ser realizado, sua relação com a vida, dramas e alegrias alheias, mesmo os de sua família, torna-se cada vez mais displicente, quando não aborrecida, enquanto sua cobiça, seu egocentrismo e sua vaidade, inversamente, se revelam cada vez mais. Não há como negar isto, devido à apenas um fato: durante todo o filme, Bruno cogita apenas uma vez um posto que não é exatamente aquele que almeja, rechaçando prontamente qualquer chance de aceitar um emprego de menor status, enquanto todos ao redor, incluindo sua esposa e seus “rivais”, conseguem encontrar a humildade necessária para aceitá-los.
É com uma abordagem menos pesada e pessimista, utilizando-se de humor-negro, ironia e alguma tensão, que Costa-Gravas consegue fazer com que o publico não torça contra o seu personagem principal, bem como considere consistente a maneira como, quase acidentalmente, os acontecimentos auxiliam os objetivos e o anonimato das ações do personagem. Não é, a meu ver, um filme superior ao excelente “Amén”, nem, como fizeram crêr os críticos, uma película que se debruça em dissecar um dos grandes males da vida pós-moderna – o desemprego – e tudo que, de alguma forma ou de outra, ele acaba gerando. “O Corte” é sim um filme acima da média – um bom thriller, muito bem conduzido, roteirizado e com excelentes atuaçõe -, mas a expectativa era maior do que a realidade da obra em si.
Baixe: “O Corte”, de Costa-Gavras (Le Couperet, 2005)
[áudio original, 1080p, mp4]Baixe: legendas (português)
Download: subtitles (english)
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Noiva pertencente a família drusa prepara-se para abandonar sua família, para que possa unir-se ao seu futuro esposo na Síria. Na celebração do casamento, com presença apenas da noiva, vemos a reunião de uma família cheia de desentendimentos ocasionados diretamente pela realidade deste povo.
Este filme fez imenso sucesso de crítica, chamando atenção para as colaborações anteriores de Agnès Jaoui, como atriz e roteirista. Ao assistir ao longa, nota-se pelo filme em si e pela ficha técnica que esta foi uma produção pequena, feita colaborativamente entre amigos, já que dois dos maiores responsáveis pelo projeto atuam no filme. Há que se reconhecer alguns dos méritos do longa-metragem, todos relacionados ao argumento. A maneira como este foi tratado é um deles, pois desenvolve uma temática já tão explorada – o processo de transformação, para melhor, da personalidade de alguém – pelo cinema mundial sem cair na pieguice e sentimentalismo barato – o oposto do que aconteceu com o celebrado filme argentino “O Filho da Noiva”, dos piores que já vi com este argumento. Talvez isto ocorra por ser uma produção francesa, país que sabe lidar de maneira inteligente com as emoções dos personagens e com situações algo emotivas, podando os excessos causados por estes. Outro mérito, ainda relativo à esta temática do argumento, é mostrar com muito realismo a maneira como algumas pessoas conseguem modificar sua conduta e personalidade enquanto outras nunca conseguem fazê-lo – ou nem mesmo se dão ao trabalho de tentar fazê-lo. Um último aspecto positivo foi mostrar com precisão como, muitas vezes, superestimamos a maneira como o gosto pessoal determina o círculo de nossas relações humanas, nos fazendo menosprezar alguém apenas por ter menor conhecimento ou apuro artístico que nós. O conjunto destes aspectos deram ao longa de Agnès Jaoui a fama que mereceu. Porém, deve-se entender que trata-se de um bom filme, que consegue, por conta de um bom roteiro, chamar a atenção mesmo sem grandes atuações ou arroubos técnicos – em outras palavras, um bom filme a ser visto. Não se trata, de maneira nenhuma, de uma obra-prima ou um filme imperdível e arrebatador, como alguns críticos e fãs de cinema alardearam tanto.
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