Koishi, um aviador japonês designado como kamikaze no fim da segunda guerra, desiste de levar a cabo sua missão fatal e pousa em uma ilha habitada apenas por mecânicos da frota japonesa. Pouco depois de sua chegada, eles são surpreendidos pelo surgimento de um monstro colossal.
Em sua reimaginação da primeira aparição do lendário Godzilla, o cineasta Takashi Yamazaki preserva o contexto original das primeiras versões da criatura, situando a história do seu longa-metragem em meados dos anos 40, nos momentos finais da segunda guerra mundial. Além de uma demonstração de seu respeito às origens deste símbolo da cultura pop japonesa, a atitude foi crucial para o cineasta concretizar seu projeto tanto no aspecto técnico quanto artístico.
Fazendo uso de pouco mais de 15 milhões de dólares, Yamazaki obtém sucesso na reconstrução verossímil do Japão derrotado no pós guerra, com os distritos urbanos em reconstrução e o subúrbio entregue à miséria e ao caos, na composição convincente da fisicalidade ameaçadora e imponente da criatura, fundindo design clássico e moderno, e na criação de efeitos especiais (a cargo dele próprio) grandiosos e impactantes – tudo isso com um orçamento que, embora vistoso para os padrões japoneses, é medíocre no contexto do cinema americano onde seu filme se encaixa.

Todavia, os maiores proveitos obtidos pelo cineasta ao ambientar sua história no pós-guerra se encontram na narrativa de “Godzilla Minus One”, que foi composta pelo próprio Yamazaki. Ao explorar na sua história o cenário da nação japonesa debilitada pelo conflito internacional, o diretor japonês situa sim sua censura aos conflitos bélicos, mas o faz especialmente ao contexto de sua nação, tecendo críticas a falta de atenção à população pelo governo da época, tanto no desamparo de boa parte dos habitantes do país em meio a aniquilação das cidades quanto no modo frio e desumano como foram tratados os combatentes japoneses – cujo maior exemplo é a criação dos pilotos “kamikazes” -, estabelecendo a iniciativa coletiva independente como alternativa possível ao estado burocrático e deficiente. Além disso, o diretor asiático também ocupa-se do drama humano no plano mais pessoal: ainda que se possa dizer que os personagens de apoio sejam em boa medida planos, ou até caricatos, seus dois protagonistas são desenhados com densidade suficiente para que Yamazaki aborde honra, culpa, remorso, o desejo de vingança, a fraternidade e a redenção – trabalho que conta com o apoio imprescindível dos atores Ryûnosuke Kamiki (como Koshi) e Minami Hamabe (como Noriko), assim como o suporte de Naoki Satô com sua trilha esplêndida que pontua o filme apenas quando se faz necessário potencializar seus eventos, seja em uma cena mais intimista ou na sequência mais épica.
Já encarregado de uma sequência para seu grande êxito cinematográfico – e até o momento dispensando os sedutores convites de uma Hollywood que atualmente precisa mais dele do que o inverso – Takashi Yamazaki surge como um artista talentoso e sensível, capaz de conceber espetáculos visuais impactantes que não soam superficiais por contarem com um subtexto humano suficientemente rico que toca o espectador por percebê-lo genuíno e universal – uma honrosa exceção em meio a grande parte das produções do cinema mundial atual, que ao se intoxicar pela militância ideológica e política em detrimento de enredo e personagens bem construídos, tornou-se datada e irrelevante.
Baixe: “Godzilla Minus One”, de Takashi Yamazaki (Gojira Mainasu Wan, 2023)
[áudio original, 1080p, mp4]
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