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Tag: cinema

“E Sua Mãe Também”, de Alfonso Cuarón [download: filme]

y tu mama tambien (2001)

Tenoch e Julio, dois adolescentes em férias escolares, o primeiro pertencente à uma família abastada, o outro de classe média, decidem aproveitar as férias ao máximo depois da viagem de suas namoradas para a Itália, mas frustram-se logo pelos insucessos em sua investidas. É em uma festa de casamento, no entanto, que encontram Luísa, mulher casada com um primo de Tenoch e que decide, depois da descoberta de fato que muda completamente o seu futuro, embarcar em uma viagem México adentro rumo à uma praia fictícia.
Foi depois de ter assistido o fabuloso “Filhos da Esperança” que minha vontade de conhecer melhor o cinema de Alfonso Cuarón realmente ganhou impulso. Elogiadíssimo mundo afora, “E Sua Mãe Também” me causava certo temor justamente pelo consenso de sua qualidade – parecia ser bom demais pra ser verdade. Felizmente, se trata de uma daquelas excessões raríssimas, que conseguem agradar a gregos e troianos a despeito de não cometer concessões – ao menos não de forma gratuita. Talvez seu sucesso seja fruto de sua camada mais aparente, o “road-movie” em ebulição contínua onde dois garotos, ajudados por uma mulher com quase o dobro de sua experiência e idade, começam realmente a conhecer a si mesmos, à um ao outro e as complexidades da vida – coisa que tanto o conforto da adolescência quanto o de suas condições financeiras não os permitia conhecer. A fartura de cenas de nudez e sexo, com certeza, agradou boa parte do público menos reflexivo – e isso deve ter lhes bastado como atestado de qualidade.

y tu mama tambien (2001) movie stills 01
Ardiloso, Cuarón embute reflexões difícies sobre a sociedade a vida em seu “road movie” que a primeira vista parace apenas uma aventura divertida e sensual

Mas Cuarón não é trouxa e sabe cobrar em dobro aquilo que oferece: assim como Tenoch e Julio, em troca de um pouco de diversão e sexo, foram obrigados a finalmente encarar verdades e fatos da vida que o conforto de sua rotina camuflava, o diretor oferece ao público a diversão mais pueril e lhes obriga a testemunhar ou, se possível, refletir sobre um sem número de coisas, que são salpicadas pelo narrador ou reveladas aos próprios protagonistas (como a verdadeira condição de Luisa), tornando este um rito de passagem da adolescência para a vida adulta. Histórias que deflagram a fugacidade de nossa existência, fatalidades repentinas, a condição miserável de grande parte do povo, o êxodo em busca de novas oportunidades de emprego, o rolo compressor da indústria do turismo contemporâneo, a natureza sórdida de fatos políticos, tudo é colocado diante de Tenoch, Julio e até mesmo da experiente Luisa, para que atestassem que uma vida de prazeres inconsequentes não duraria tanto e fossem obrigados a confessar que mesmo a fraternidade e cumplicidade que imaginavam ter, imagine, não era tão real e sincera assim. Depois de tamanha jornada pelo que era, até então, conhecido mas ignorado – ignorado até na relação que desfrutavam entre si – as coisas, mudam, claro. E tudo o que parecia menos provável, se não completamente inaceitável, se mostra como o rumo a ser tomado – não é de se estranhar, dado que na essência eles sempre tiverem uma atitude compassiva e conformista quando se deparavam com qualquer situação que lhes exigia uma reflexão mais cuidadosa. Calar-se e não pensar sempre é mais conveniente.
Na construção da dinâmica do filme, em cujo engendramento o narrador tem papel principal ao exibir consciência plena não só sobre o passado, presente e futuro de quem quer que apareça na tela, nos detalhes mais sutis, passageiros e reveladores do comportamento dos protagonistas, e na técnica, cuja fotografia, cenografia e montagem exibe a mesma prerrogativa por preservar um senso mais natural – que Cuarón apuraria ainda mais em “Filhos da Esperança” -, tudo serve para dar apoio à malha temática complexa do longa-metragem, que entrelaça crítica política e social com a investigação de distúrbios relacionais e dramas pessoais e universais. “E Sua Mãe Também” é um armadilha saborosa e necessária: pintando seu cinema de picardias estudantis, o diretor mexicano agarra o público e o expõe ao que objetiva de fato – a reflexão sobre como nossas menores atitudes podem ter efeitos decisivos sobre a nossa vida e a alheia.

Baixe: “E Sua Mãe Também”, de Alfonso Cuarón (Y Tu Namá También, 2001)
[áudio original, 1080p, mp4]

Baixe: legendas (português)

Download: subtitles (english)

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“Arquitetura da Destruição”, de Peter Cohen.

Undergangens ArkitekturDocumentário de 1989 que apresenta como valores, idéias, conceitos e teorias foram encadeados e tomados de forma cada vez mais radical até resultar no movimento Nazista e no sonho de dominação, purificação e embelezamento do mundo pelo Império Alemão.
Peter Cohen expôs em 1989, no seu documentário “Arquitetura da Destruição”, o resultado de uma pesquisa que tomou 7 anos de sua vida: diferentemente da abordagem dada ao tema até então, que se resumia em buscar o impacto e estupefação fáceis nas platéias ao estampar a tela com cenas de extermínio e desgraça promovidas pelo regime Nazista, Cohen estava mais interessado em promover o seu alerta de forma mais inteligente, sutil e profunda, revelando todo o arcabouço de idéias e suposições sobre o mundo, o seu estado de então e o seu futuro, bem como os artifícios utilizados pelo governo alemão para propagar sua idéias e angariar todo o apoio de sua população para torná-las realidade. A epifania de Hitler diante de “Rienzi” de Wagner, sua obssessão com a estética perfeita das artes greco-romanas, sua admiração pelo regime de governo do Império Romano, a sua predileção pela arquitetura faraônica são todos expostos como fontes de inspiração para a formulação e desenvolvimento do regime e ideais nazistas, bem como serviram de instrumentos para sua sustentação e contínua manutenção – sim, porque a arte, a propaganda e a ciência foram utilizadas, cada uma em seus mecanismos mais dinâmicos – exposições em galerias, exibições de filmes, comícios e reuniões – como veículos de propagação dos ideais nazistas, afim de, ao mesmo tempo, legitimar o pensamento Nazista e difamar tudo o que não se enquadrava em seus ideais utópicos. Esse enraizamento do Nazismo com certos preceitos estéticos-artísticos não foi por um mero acaso: segundo o documentário, muitos dos maiores artífices do movimento tinham inclinações artísticas, ou mesmo eram artistas frustrados. O próprio Hitler, que fora recusado na Academia de Viena como pintor, dava vazão à suas ilusões artísticas ao desenhar, planejar e arquitetar – ou ao menos delinear as bases – de grande parte da estética do movimento, de seus eventos colossais, de sua arquitetura megalômana e de sua propaganda.
Assim, o longa-metragem documental de Peter Cohen não causa impacto pelo sensacionalismo mais preguiçoso, pela exploração óbvia e previsível de um episódio histórico envergonhante, mas sim por esclarecer sua gênese de forma profunda, jogando luz sobre aspectos obscuros e muito pouco discutidos, divulgados e escrutinados. É através de sua investigação detalhada, tanto sobre ilusões, conceitos e métodos de Hitler e seus homens de confiança quanto do próprio movimento Nazista e o seu “corpo do povo” – o ariano, claro – que Peter Cohen consegue nos alertar para o perigo que representam conceitos radicais do que é esteticamente aceitável, ideais de beleza levados ao extremo, subversão de discursos integrados em movimentos artísticos e a abordagem pinçada de afirmações científicas. Hitler era realmente um homem inteligente, mas a sua inteligência era, talvez, uma das mais burras que pode ter existido: uma inteligência dissociada de qualquer noção de humanidade e de entendimento das diferenças em detrimento do sonho de evolução para um mundo estático, preso em moldes idealizados de beleza e assepsia – uma idéia tão doentia que a contradição mais básica, a de que a evolução sem a existência da diferença não é evolução, mas meramente um engessamento do desenvolvimento humano, foi completamente ignorada.

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“Últimos Dias”, de Gus Van Sant. [download: filme]

Last DaysJovem músico sai de clínica de tratamento e ruma, através de uma floresta, até sua mansão mal-conservada. Lá chegando ele tenta isolar-se dos amigos que ocupam a casa e evita contato com seu agente, sua gravadora e até um detetive, que o procuram para que dê continuidade as turnês de sua banda. Livremente baseado nos últimos acontecimentos da vida de Kurt Cobain, vocalista do grupo Nirvana.
Desde 2002, Gus Van Sant redirecionou sua carreira para o rumo independente e alternativo que teve no início, voltando também o seu olhar para as atribulações juvenis urbanas. Por isso, não é surpresa alguma o seu interesse em biografar os últimos momentos de vida do rockeiro Kurt Cobain, ícone do rock grunge dos anos 90 que encerrou ele mesmo sua vida com um tiro na cabeça – sem considerar, claro, as inevitáveis teorias de homicídio dissimulado.
Por ser substancialmente uma biografia, assim como também o era “Elefante” – mas que o era muito mais de um evento em si do que de personagens -, o diretor decidiu manter a abordagem adotada no filme anterior, ficcionalizando a superfície mais aparente de sua história, através da modificação de alguns personagens e acontecimentos, mas mantendo intacta, na essência do evento e de seus protagonistas, a fidelidade com os acontecimentos reais. Desta forma, se os afazeres, o comportamento e as atitudes modorrentas de Blake no filme reproduzem com algum apuro as de Kurt Cobain, então a pergunta feita na filme por Kim Gordon para ele deixa de ser uma dúvida e passa a ter um caráter incontestável de afirmação: Blake/Cobain era um cliché do rock. Para piorar, ao importar, junto com o modo de compor a história, a técnica narrativa singular do filme anterior – que guarda semelhanças com a tradição documental – Gus Van Sant transforma o estigma da juventude transviada em algo ainda mais pueril do que já é: ao contrário do que aconteceu em “Elefante”, onde esta técnica ajudou a trazer ainda mais a superfície a natureza e a multiplicidade do evento narrado, o encadeamento improvisado de ações cotidianas, que tomam o lugar do roteiro, a edição que prolonga as sequências, evitando ao máximo os cortes nas cenas, a câmera que quase não produz closes, preferindo perseguir os passos do protagonista da sequência de maneira distante, e o silêncio que tem maior preponderância do que as falas – quase sempre irrelevantes – só faz tornar ainda mais visíveis e intensos o vazio, a ausência de sentido e a obviedade presentes no evento e no personagem que são a razão de ser de “Últimos Dias”.
Penso que o desnudamento do lado mais pessoal e íntimo de um ídolo, via de regra, não traz qualquer benefício: não apenas lhe destitui esse caráter sempre interessante mas acaba também revelando que, na realidade, eles podem ser o tipo de pessoa para quem não dispensaríamos a menor atenção e apreço. Infelizmente, para os fãs de Kurt Cobain, esse é o único mérito do filme de Gus Van Sant.

OBS: links funcionais mas não testados.

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legendas disponíveis (português):
http://www.legendas.tv/info.php?d=41026cdf3eebe2767a87c0c53955f24b&c=1
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/3093676
http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/103521

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“Transformers”, de Michael Bay. [download: filme]

TransformersEnquanto no Oriente Médio uma base americana é atacada por um helicóptero que se transforma em um imenso robô desconhecido, o jovem americano Sam, depois de algum esforço e com a ajuda de seu pai, compra um velho e estranho carro esportivo. Na verdade o carro é outro destes estranhos robôs, designado para estabelecer contato com Sam para obter um artefato que está em sua posse e é o mote de uma guerra entre duas diferentes facções destes imensos robôs alienígenas: os Autobots, que tentam defender o universo – e a Terra – dos planos perigosos da outra facção, os Decepticons.
Michael Bay é um dos diretores mais desprezados pelos críticos de cinema americanos pela sua capacidade de conceber sequências de ação esquizofrênicas e pífias e seu tratamento muito além do superficial com todos os outros aspectos de um longa-metragem. Ao ser designado como diretor da versão live-action de “Transformers”, adorado desenho animado dos anos 80, os fãs destes personagens ficaram um tanto temerosos e os críticos vislumbraram um desastre eminente. E Michael Bay foi fiel à seu estilo e não decepcionou – no sentido de que as péssimas expectativas acabaram mesmo se concretizando.
O argumento e a trama do filme que acabaram sendo adotados foram concebidos graças a uma idéia básica do produtor executivo, Steven Spielberg: “tudo é sobre um garoto e seu carro”. Junte à esta “brilhante” abordagem a pretensão cômica rasa e o descaso de Michael Bay com tudo o que possa tornar seu longa mais denso e sério e a desgraça está feita. Como se um filme que se ocupa em seu roteiro em empilhar por duas horas e vinte minutos as aspirações adolescentes americanas mais cretinas já não fosse ruim o suficiente, ainda temos o elenco do longa-metragem, que consegue fazer com que os personagens já caricaturais e rasos se tornem uma afronta à qualquer noção de complexidade e inteligência da raça humana: o jovem protagonista irrita até quando está parado e não abre a boca, seu pretenso par romântico, a gostosa da escola que não entende porque se sente atraída pelos lindos e imbecis atletas estudantis (hã? sexo, talvez?), torna seus irreais conhecimentos de mecânica automotiva ainda menos intoleráveis do que sua presença, a hacker de plantão, loira e linda, dá tanto embasamento à sua artificialidade que é deixada de lado no meio do filme e a platéia sequer se dá conta disso, e o protagonista do núcleo militar da trama, o lindo loiro Josh Duhamel, torna ainda menos natural os seus inacreditáveis conhecimentos em anatomia bio-mecânica extraterrestre – não sabia que os militares americanos aprendiam esse tipo de coisa no seu treinamento…
Diante disso tudo só nos restam as máquinas, certo? Tirando-se o fato de que estes personagens foram concebidos pelos mesmos roteiristas responsáveis pelos protagonistas terráqueos, e dessa forma eles reproduzem nas maquinas uma parte razoável da estupidez dos personagens humanos, ainda há algo que se salvou, graças aos senhores detentores da engenharia digital. Ao contrário do que vem se tornando cada vez mais frequente no cinema, o tratamento digital utilizado no filme materializa como real algo que jamais poderia o ser: os Autobots e os Decepticons não apenas foram caracterizados em cada minucioso e ardiloso detalhe, tanto no que se refere ao menor movimento quanto nos mais engenhosos e elaborados, como também toda a interação destes personagens com o ambiente e com os atores torna-se altamente convincente desde o primeiro segundo de animação – os esforços em efeitos visuais mais impressionantes que já conferi no cinema americano em muitos anos.
Se tivesse lido o perfil do filme no Wikipedia, teria refletido melhor sobre a noção do perigo que eu estaria enfrentando e não teria ido ao cinema. O único feito de Bay, que foi tornar mais interessante a transposição visual das máquinas do que a existência da humanidade, não é forte o bastante pra evitar você se sentir um idiota por estar vendo aquilo. No fim, você acaba achando até compreensível o desejo dos Decepticons de aniquilar a humanidade – se eles fizessem isso com uma parte razoável dos cineastas americanos, seria até um favor.
Baixe o filme utilizando os links a seguir e tente uma das legendas disponíveis.

OBS: links funcionais mas não testados.

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legendas disponíveis (português) [via legendas.tv – necessário registro]:

http://www.legendas.tv/info.php?d=1a2a54e3431092ea0257d7ffc2d08e78&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=e3900ef87dd6887e4a73dc55605e5700&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=f5ed78f3c474fd0cffe46724ab5f644d&c=1
http://www.legendas.tv/info.php?d=0d1145a5560bcda9d6b8ed856ccd55bc&c=1

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“O Retorno”, de Andrei Zvyagintsev. [download: filme]

VozvrashcheniyeDois garotos russos se deparam, repentinamente, com a presença do pai que nunca viram, a não ser por uma velha foto. Sem qualquer informação sobre onde ele esteve por tanto tempo, os garotos são autorizados pela mãe a acompanha-lo por alguns dias em uma viagem. Apesar de Andrey, o filho mais velho, procurar ser o mais solícito e simpático possível ao homem que seu mãe declarou ser seu pai, Ivan, o caçula, não consegue aceitar seus modos rudes e a sua presença, depois de tanto tempo de ausência, e promove conflitos constantes com ele. Essa relação problemática vai modificar a vida dos garotos para sempre.
Andrei Zvyagintsev faz um filme russo por natureza, compondo um longa-metragem com uma atmosfera silenciosa, sisuda e pesada, fotografia irretocável e imagens cuidadosamente planejadas – qualquer dúvida das ambições “tarkoviskianas” de Zvyagintsev seria pura ingenuidade ou falta de conhecimento sobre o cinema não-americano. É certo que entre os dois “Andreis”, o diretor estreante e o cineasta genial, há toda uma filmografia de distância, e o sincretismo e simbolismo do cinema deste último dificilmente ganha paridade com algum cineasta contemporâneo, mas Zvyagintsev consegue constituir seus próprios méritos, mesmo que sua técnica, algumas vezes, irrite um pouco por parecer colada demais ao estilo de Tarkovsky, a ponto de nos questionarmos se ele tem realmente qualquer intenção de assumir-se como legítimo herdeiro da tradição de um dos maiores cineastas da história.
Não quero dizer com isto que o filme seja ruim, pois ele possui qualidades inquestionáveis. Uma das coisas que mais se destacam no longa-metragem é o fato de que, ao utilizar-se de um argumento extremamente seco, Zvyagintsev mostra que este não precisa ir mesmo muito além de dar base à interpretação do atores que, ao retratar o embate entre dois garotos que aprenderam a conviver sem seu pai e a vontade deste de impor sua presença de forma tão repentina, sem nenhum afeto e com modos excessivamente rudes, autoritários e alguns rompantes de violência, conseguem de forma excelente compor nas cenas conflitos tão genuínos que causam incômodo sincero no espectador – metade do interesse possível por este filme reside no que estes atores e o diretor conseguem criar a partir do roteiro árido. É notável também a estética apurada do cineasta que, apoiado no diretor de fotografia de sua confiança, consegue compor imagens de beleza inquestionável e que suscitam uma poética e simbologia que tem seu valor e efeito. No entanto, é nessa altura mesmo que Zvyagintsev começa a incomodar pela natureza de suas ambições. O diretor decidiu preservar no argumento – a cargo de Vladimir Moiseyenko e Aleksandr Novototsky – as questões em aberto e, apesar da desnecessidade mesmo de qualquer resposta para elas, visto não serem essencias para a apreciação de um filme mais baseado em sentimentos e conflitos humanos, me pergunto sobre a verdadeira necessidade de sua existência. Além disso, as imagens de forte teor estético e ainda maiores ambições simbólicas, como as sequências que retratam as duas torres vistas durante o filme, funcionam bem, mas ao mesmo tempo, e novamente, parecem por demais criteriosas em sua existência dentro do filme – talvez eu esteja sendo excessivamente implicante ao querer achar defeitos, mas a verdade é que essas duas características me soam um tanto intencionais demais, como a querer que estas ajudem a atestar uma genuína atmosfera de filme de arte europeu ao longa-metragem. O mais simples, talvez, fosse não recorrer muito a elas, visto que o trabalho conjunto do argumento e dos atores satisfaz plenamente ao espectador.
Apesar de eu terminar implicando um pouco com esta estréia de Andrei Zvyagintsev, não há como negar que o diretor é dos mais apurados tanto na sua abordagem estética quanto no concepção do tema que aborda no longa-metragem, conduzindo muito bem os atores e deixando o espaço necessário para que eles mesmos explorem as emoções da natureza desta história. Vamos aguardar os próximos projetos deste cineasta e atestar se ele realmente ambiciona adotar um cinema de composição nada trivial ou se prefere, com o tempo, concentrar-se em dissecar emoções e conflitos humanos sem, necessariamente, apoiar-se na estética e na simbologia mais sincrética, como fez tão bem Thomas Vinterberg em seu soberbo “Festa de Família”.
Baixe o filme utilizando os links de uma das fontes a seguir.

OBS: links funcionais mas não verificados.

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legendas disponíveis (português):
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http://www.opensubtitles.org/pb/download/sub/88891

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“Guardiões da Noite”, de Timur Bekmambetov. [download: filme]

Nochnoy DozorAo tentar obter os serviços de ocultismo de uma senhora para que sua esposa volte, Anton acaba descobrindo que não é um humano normal e integra um mundo dividido em duas partes: os guardiões da noite, seres da luz, e os guardiões do dia, seres da escuridão. Ambos os lados trabalham, cada qual em seus turnos, para evitar excessos e preservar uma trégua que foi estabelecida pelos líderes de ambos os lados há séculos atrás. Mas os atos de Anton estão prestes a desfazer esse equilíbrio.
Definitivamente, o cinema comercial do século XXI não tem mais fronteiras definidas. “Guardiões da Noite” só é russo por ser falado, primordialmente, na língua desta terra, já que todo o resto passaria muitíssimo bem por cinema americano: o uso constante de efeitos especiais, as tomadas esvoaçantes, a fartura de câmeras lenta e acelerada, a estilização da fotografia e da edição, o ritmo frenético e esquizofrênico e o roteiro adaptado, cuja mirabolância catastrófico-messiânica urbana está tão dentro do que já foi padronizado no gênero fantástico que a trama poderia ser ambientada em qualquer grande espaço urbano do mundo, tornando sua origem russa apenas acessória para agregar-lhe quase obrigatoriamente um status cult. Copiada a fórmula do cinema americano, consequentemente, seus problemas também tendem a ser carregados junto: os efeitos especiais, particularmente os digitais, surgem um tanto desnecessários e gratuitos um bocado de vezes – eu chamaria isso de síndrome CSI, ou seria síndrome dos irmãos Wachowski? -; as sequências de ação constantemente tomam espaço do aprofundamento da trama e do desenvolvimento dos personagens e o frenetismo da edição faz uma simulação um tanto excessiva do universo videoclípico. Ainda assim, a trama básica do filme, que ao modo americano, não poupa as possibilidades de extender-se por mais um ou dois capítulos (como de fato aconteceu com o livro em que é baseado o filme), é razoavelmente mais interessante do que boa parte do que é lançado anualmente pelos americanos nos domínios do gênero fantasia. Como diversão e passatempo, “Guardiões da Noite” cumpre o seu papel tão bem quanto qualquer arrasa-quarteirão americano abastado mas, como também acontece com a maior parte deles, o esquecemos de modo tão automático quanto qualquer afazer mais trivial, logo que finde o seu último minuto.
Baixe o longa-metragem utilizando o link a seguir.

http://www.megarotic.com/pt/?d=T2W5DJQ4

OBS: infelizmente, só encontrei link para o filme em cópia dublada. Se encontrar outra posto por aqui.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005