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Tag: cinema

“Superman – O Retorno”, de Bryan Singer.

Superman ReturnsDepois de uma ausência de cinco anos à procura de reminescências de seu planeta natal, Superman/Clark Kent retorna à Terra, encontrando um planeta que rapidamente se adaptou à esta situação. Para sua maior surpresa, Lois Lane, seu grande amor, casou-se e teve um filho durante este tempo, sendo ainda premiada por um artigo que questiona a importância de Superman na Terra. Não bastasse estar sofrendo com isto, Superman vai logo descobrir que seu arquinimigo, Lex Luthor, está livre da prisão – por sua culpa – e tramando, em segredo, um plano para destruir o continente americano e construir um novo, tudo com a ajuda dos cristais kryptonianos.
Bryan Singer capitulou a produção do terceiro episódio da cinesérie “X-Men”, em detrimento da criação do ambicioso e quase desacreditado projeto do retorno do Homem de Aço, que passou anos na “geladeira”. Ao ser divulgada a entrada do diretor na produção, os fãs dos herói dos quadrinhos e do cinema tiveram a certeza de que, desta vez, o “novo” filme se tornaria realidade, mas tiveram uma pequena ponta de desconfiança pelo que sairia dali, visto que a produção se arrastava há anos e vários roteiros foram escritos, somente para serem descartados pelo texto de outro roteirista. Essa espera, por sinal, deve ter sido a maior contribuição para composição deste roteiro um pouco confuso, que não se decide entre ser uma readaptação do primeiro filme ou uma recriação da estória do super-herói. Essa característica é o mote maior dos críticos mais ferrenhos, que declaram que esta estória não passa de um “maquiamento” do roteiro da primeira aventura do herói no cinema. De fato, a crítica faz algum sentido, já que a obsessão de Luthor continua sendo a construção de um novo continente, e os meios para tanto acabam sendo semelhantes aos adotados pelos personagem no filme de 1978. Isso acaba sendo, de alguma forma, repetitivo, claro. Porém, apesar deste fato acabar prejudicando um pouco a originalidade da estória, deve-se também reconhecer que este roteiro tem como suas maiores qualidades justamente a simplicidade, descartando um argumento voltado para a ação ininterrupta e com intermináveis cenas de batalha, sem deixar de apresentar sequências repletas de tensão e com excelentes efeitos especiais, e dando ênfase ao lado mais emocional do roteiro, conseguindo cativar e emocionar o expectador justamente ao apresentar os conflitos pessoais do herói – é este, sem dúvidas, o mote maior do filme. Talvez por isso mesmo o personagem que mais cative neste novo longa – novo ou como queira classifica-lo – seja o próprio Superman, além do garoto que faz o filho de Lois, que tem pequena mais importante participação. E já que falamos nos personagens, é bom informar que os atores tem boas atuações, sem nenhum grande arroubo, justamente porque este não é um filme onde as atuações tenham a obrigação de serem excepcionais ou arrebatadoras, mas apenas de serem feitas de maneira calculada à se encaixarem no perfil dos personagens: Brandon Routh encarna tão bem o super-herói quanto o seu interprete mais famoso, Christopher Reeve; Kate Bosworth faz a sua Lois Lane da maneira certa, bem como James Marsden fazendo um marido obrigatoriamente apagado e sem sal e o filho do casal, cujo ator consigue obter a simpatia do público e não apresenta o artificialismo corriqueiro dos atores mirins. O maior defeito do longa-metragem, na minha opinião é o Lex Luthor de Kevin Spacey: é certo que a presença do vilão na tela é bem menor do que a do protagonista – mesmo porque, como eu já disse, isso é consequência da ênfase nos conflitos pessoais do Superman/Clark Kent -, mas também é verdade que este Luthor não chega próximo da graça, ironia e charme do intepretado por Gene Hackman em 1978, acabando como um vilão meio apático. Contudo, não posso deixar de frisar um aspecto importante relacionado à este problema: é fácil competir com Christopher Reeve, mas não é uma tarefa das mais traquilas fazê-lo contra Gene Hackman – justiça seja feita.
Sendo assim, “Superman – o Retorno” traz algumas surpresas e novidades para o desenvolvimento futuro da estória do herói nos cinemas, mas chega bastante calcado na segurança e na cautela de não alterar radicalmente a mitologia do personagem, o que me leva à discordar da maior parte das críticas, resenhas e comentários formulados até agora, que afirmam que parte do público pode não gostar das consequências da estória no rumo do personagem ou da falta de ação no filme. Isso é bobagem, não há nada ali que vá descontentar efetivamente mesmo os fãs mais ferrenhos: não há nenhuma audácia que vá ofender os mais puristas e, para os desinformados, Superman sempre foi um herói mais emotivo e humano – apesar de, a rigor, não sê-lo -, sendo seus filmes muito mais voltados para este aspecto do que para a pancadaria pura e simples. O diretor Bryan Singer cumpriu o seu papel, trazendo um belo longa-metragem que, certamente, vai emocionar o público com o sofrimento de um dos heróis mais famosos do mundo. Não cometa o deslize de perder a oportunidade de ver este longa nos cinemas e vá aguardando desde já a sequência desta retomada do Homem de Aço, prometida para 2009.

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“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, de Michel Gondry.

Eternal Sunshine Of The Spotless MindHomem pacato rompe relacionamento com jovem impulsiva e inconsequente, desconbrindo logo depois que ela passou por processo para apagar, efetivamente, qualquer lembrança que tivesse do relacionamento que tiveram. Mesmo inconformado, mas para evitar que sofra ainda mais, ele resolve passar pelo mesmo processo para esquecê-la de uma vez por todas. No entanto, enquanto sofre o “apagamento”, ele acaba mudando de idéia e luta para preservar suas lembranças.
Eu tinha uma enorme implicância com esse filme, evitando por muito tempo assisti-lo por dois únicos motivos: 1) o roteiro do filme é de Charlie Kaufman; 2) o longa conta com a protagonização de Jim Carrey, em mais uma tentativa de mostrar sua competência em um papel dramático. Porém, eu não tinha me dado conta da direção, à cargo de Michel Gondry.
Michel Gondry é mais conhecido pelo seu trabalho na direção de videoclipes, mas resolveu expandir as suas habilidades ao aventurar-se neste longa. Genial, inventivo, mas bastante comedido, Gondry tomou as rédeas da produção e, aparentemente, impôs o seu estilo, polindo, controlando e limitando a personalidade caótica e megalômana tanto do co-roteirista Kaufman quanto do protagonista Carrey. Para o bem de seu filme, a contribuição de Gondry no roteiro do longa potencializa as qualidades do trabalho de Kaufman, e sua direção cuidadosa consegue fazer o que nenhum diretor conseguiu fazer adequadamente até hoje: uma atuação dramática convicente e sensível do comediante Jim Carrey. E a maneira como os personagens conseguem tocar o público não é apenas graças ao excelente desempenho dos atores, mas à atenção do diretor à esse aspecto do filme. Mesmo concebendo seu filme como um exercício de loucura e surrealismo, com excelentes soluções visuais e sequências concebidas para exteriorizar a mente e as lembranças do personagem, Michel Gondry não se deixa vencer pelas suas próprias artimanhas, deixando espaço para que os atores façam o seu serviço e conquistem a simpatia do público. Desta forma, os atores conseguem fazer com que a estória dos seus personagens, bem como a paixão que o casal de protagonistas tem um pelo outro, nunca seja eclipsada pelo argumento idiossincrático do longa-metragem.
“Brilho Eterno de uma mente sem lembranças” surpreende, mostrando que além de um excelente filme que aventura-se por extravagâncias pós-modernas também é um longa-metragem, equilibrado, sensível e tocante, à imagem das melhores comédias românticas americanas. Vamos aguardar pelo próximo trabalho de Gondry, “The Science of Sleep”, que conta com a participação de Gael Garcia Bernal, torcendo para que ele mantenha o equilíbrio de seu trabalho e não se perca como a dupla Jonze/Kaufman fez no irritante “Adaptação”.

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“Poseidon”, de Wolfgang Petersen.

PoseidonTransatlântico luxuoso, qu navega mar adentro na véspera de ano novo, é atingido por onda gigante, que o vira de cabeça para baixo. Um grupo de pessoas decide arriscar-se rumo ao topo da embarcação (ou seja, ao seu casco), em meio à inúmeros obstáculos, buscando chegar ao exterior pelo orifício das hélices propulsoras.
Wolfgang Petersen, diretor de produções cujas ambições são puramente comerciais, teve seus maiores méritos com os filmes “Na linha de fogo” e “Mar em Fúria”, resvalando com certas deficiências em thrillers como “Epidemia”. Ao nos apresentar mais uma das inúmeras regravações que Hollywood nos enfia garganta abaixo, Petersen mantém o argumento básico da estória, tendo apenas o trabalho de rechear a tela de sequências com efeitos visuais que bombardeiam o espectador frequentemente. É bem verdade que o filme explora muito bem a tensão do expectador, é necessário que se admita isto, mas o espetáculo ali acaba sendo apenas o desastre em si. E isso é potencializado ainda mais pela decisão do diretor de desprezar todo o elenco de personagens do filme original, concebendo aqui novos sobreviventes do desastre. O problema é que nenhum dos novos personagens tem o charme, a força e a empatia daqueles que se apresentavam na versão original, perdendo o filme, desta forma, grande parte do interesse e riqueza que “O destino de Poseidon” retinha, com seus conflitos de personalidade e ousadia temática, já que o reverendo, personagem do longa original, revelava uma visão e relação muito peculiar com deus.
Essa priorização do impacto visual sobre o impacto psicológico acaba revelando, inadvertidamente, uma faceta da personalidade de Petersen como diretor que não se mostrava tão evidente até hoje – a sua tendência, à revelia de qualquer outra coisa, de transformar suas estórias em filmes “B” hiperproduzidos. E o fato de contar com um elenco de atores sem grande popularidade aumenta o efeito, mas não é sua causa determinante, já que “Epidemia”, já citado aqui por mim, contava com elenco estelar mas detém a mesma característica “B”. Isso acaba sendo consequência de como a estória é conduzida, e não de seu conteúdo: me parece que o diretor alemão tem certa pressa na condução das sequências que integram seus longas, o que intensifica o suspense mas acaba tornando o filme algo artificial e inverossímil.
Desta forma, recomendo que se despreze inteiramente a nova produção, já que a totalidade da obra acabou vazia e fugaz. O longa-metrahem de Petersen mostrou-se apenas e tão somente como injeção de adrenalina numa “Sessão da tarde” sem opção melhor, onde você costuma esquecer o que viu tão logo siga-se a próxima atração televisiva.

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“Quanto vale ou é por quilo?”, de Sérgio Bianchi.

Quanto Vale Ou É Por_Quilo?Estórias de vários personagens se entrelaçam na sua relação com ONGs beneficentes e as falcatruas resultantes destas.
Não há muito como fazer um resumo de um filme do diretor brasileiro Sérgio Bianchi: seus filmes lembram a estrutura de alguns longas de Robert Altman e, no conteúdo, suscitam a ousadia de tratamento do tema que Lars Von Trier costuma ter. A diferença é que Bianchi enxerga o mundo – mais espeficamente o Brasil – de uma maneira ainda mais caótica e pessimista – alguns poderiam chama-lo de “porra louca”, e não estariam muito errados. No filme anterior, “Cronicamente Inviável”, Bianchi já fazia um ensaio sobre este seu novo longa, mostrando a miséria social e a inobservância governamental sobre os males que afligem o povo. Quando retratava as classes mais altas, ou mesmo aqueles que não eram ricos mas que não poderiam ser classificados como “miseráveis”, foi apenas para mostrar que na sua relacão com os párias da sociedade só poderia haver desprezo ou cinismo predatório travestido de caridade. No entanto, o filme não se concentrava em um único tema, discutindo de maneira caleidoscópica várias questões ao mesmo tempo.
Talvez por isso Bianchi tenha decido que em “Quanto vale ou é por quilo?” iria aprofundar sua investigação sobre esta relação e as suas consequências. Toda a crítica fundamentada neste seu último filme tem as organizações não-governamentais e seus inúmeros projetos socias como fio condutor e relacional: todos os personagens se encontram de alguma forma relacionados com estas entidades e suas ações. ONGs, para o diretor brasileiro, são apenas o mais novo mecanismo de exploraração social e econômica, a maneira legalizada daqueles que não pertencem a classe política de agir de maneira tão condenável quanto estes no exercício de suas funções.
Os personagens criados por Bianchi sempre agem movidos por intenções excusas, com o objetivo de lucrar – quaisquer que sejam os lucros – a todo custo. Todos acabam sendo corrompidos ou coniventes em algum momento por uma razão qualquer, e se causam algum benefício para o outro, isto acaba sendo puramente acidental, uma vez que a motivação sempre é o benefício próprio. Para Bianchi, as pessoas não costumam ter mais nenhuma ingenuidade ou inocência e, se por um acaso mostrem ter, eles a perdem tão logo o filme chegue ao seu final, independentemente de classe social ou raça ao qual pertençam: pobres, ricos, brancos, negros, qualquer pessoa acaba contribuindo para o conservação do estado de pobreza e violência em que se encontra a sociedade brasileira.
É bem verdade que isso acaba cansando, para não dizer ser bastante discutível, pois seu pessimismo e descrença no ser humano acaba sendo por demais radical e anárquico. No entanto, mesmo que você discorde da maneira como a gênese da inter-relação do problemas é pelo diretor vista, ninguém pode negar que Bianchi é dos únicos diretores que tem a coragem de realizar obras que devassam, de maneira tão sincera e crua, a realidade social brasileira – e por que não dizer, mundial? Tendo assistido apenas dois de seus filmes, posso ter alguma segurança em declarar que o diretor basicamente quer mostrar que muita coisa melhoraria se extinguíssemos duas coisas em nosso comportamento social/pessoal: o cinismo e a demagogia. São apenas duas atitudes com os quais podemos desenvolver nossa relação com o mundo, mas se livrar delas não é tão fácil quanto parece, como pode-se observar em “Quanto vale ou é por quilo?”. Infelizmente, sou obrigado a concordar pelo menos em um ponto com o diretor brasileiro: não há uma solução fácil para o caso. Isto se realmente existir alguma solução.

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“O Exorcismo de Emily Rose”, de Scott Derrickson.

The Exorcism Of Emily RoseGarota é submetida a exorcismo e nao sobrevive. Em pouco tempo, o padre que efetuou o ritual é julgado pela possibilidade de ter impedido o tratamento médico de um possível quadro de distúrbio psicológico, o que teria resultado na morte da garota. No julgamento, ele conta com o apoio da familia da jovem e de uma advogada que volta de um caso vitorioso.
Scott Derrickson disse que sua intenção era construir um longa-metragem híbrido, uma mistura incomum de drama de tribunal com filme de terror, sem o uso abusivo de efeitos especiais. Para sua felicidade, o seu objetivo foi realmente alcançado – o problema é que tal realização tem seus efeitos negativos. Diante da sobriedade e frieza intrínsecas à narrativa cinematográfica ambientada em tribunais, a modalidade de terror/supense do filme perde seu impacto, deixando de exercer o seu traço mais importante: o apelo às emoções do espectador. E isso não é consequência tão somente do uso escasso de efeitos. Na verdade, foi a intenção confessa de construir uma película que diferisse enormemente do maior clássico do gênero, o filme “O Exorcista”, que acabou contribuindo para a concepção fraca das sequências de horror do filme, tanto na construção do roteiro como na materialização das cenas, que são plasticamente bonitas – com bela fotografia e cenografia muito bem planejada – mas terror mesmo, elas não tem nenhum. O desempenho pouco animador dos atores também colabora para o fracasso do filme enquanto thriller de horror: suas interpretações são até convincentes, mas não conseguem atingir o público e estimular os seus medos.
Apesar do fracasso como filme de terror, o longa-metragem tem o seu maior e único êxito na sequência que explica a estranha decisão da jovem Emily em submeter-se à uma segunda sessão de exorcismo, no seu suposto e breve contato com forças divinas – é ali o único momento em que o filme consegue alcançar o expectador e mexer com suas emoções e temores.
Ao fim, resta apenas lamentar o planejamento tão equívoco de um filme que anunciava ser tão promissor. A ambição desmedida de diretores estreantes, muitas vezes, acaba mais atrapalhando do que ajudando a realizar obras que renovem o cinema mais comercial. É preferível limitar suas intenções e propor uma obra mais coincidente com a tradição do que falhar na esmeros de inovação e acabar com uma obra incoerente e débil nas mãos.

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“A Profecia”, de John Moore.

The OmenDiplomata americano radicado em Roma, afilhado do presidente americano, descobre que seu filho morreu ao nascer, e decide aceitar a proposta de adotar um bebê que nasceu no mesmo instante que o seu, fazendo-o sem, no entanto, revelar o fato á sua esposa. É quando a criança atinge os cinco anos de idade que o então embaixadaro americano em Londres descobre que seu filho é destinado a mudar o mundo radicalmente, e para pior.
Ninguém segura a sede insana de regravações de Hollywwod, sendo o clássico “A Profecia” de Richard Donner, a mais recente vítima. Se limitarmos a análiser ao filme de John Moore o desastre não chega a se revelar em sua plenitude. Trata-se de um longa que investe no terror tradicional, procurando construir o horror e suspense a partir de seu argumento, e não através dos efeitos especiais pontuais que utiliza. O elenco é não consegue despertar a empatia necessária e a trilha sonora resume-se ao lugar comum das músicas de filmes de suspense, sem demonstrar vida própria. Ao fim, temos um filme de suspense baseado em idéia primorosa, mas que realiza-se como filme de terror fraco, sem nem mesmo despertar qualquer sensação próxima do medo ou ansiedade.
Porém, se basearmos a crítica comparando as versões, a tentativa de contemporaneizar a estória se mostra ridícula. O competente elenco do filme clássico foi substituído por equivalentes sem qualquer peso – e digo isso mesmo nutrindo alguma simpatia por Liev Schreiber e Mia Farrow. O garoto que interpreta o Anticristo infante tem realmente um bom desempenho no seu papel, conseguindo demonstrar algo de demoníaco na sua expressão. No entanto, este que seria o maior trunfo do filme, acaba revelando-se um grande equívoco, se comparado ao desempenho ingênuo e naturalmente infantil do menino que ganhou este papel no clássico de 1976. A razão é muito clara para qualquer um que acompanhou a série original: faz todo o sentido que, aos cinco anos de idade, o antiscristo se mostre uma criança ingênua como outra qualquer – ainda que algo estranha -, já que, na excelente sequência de 1978, o então adolescente Damien passa por um momento de conflito e não-aceitação de seu destino, ao descobrir que é o enviado de Satanás. Desta forma, se os produtores do Hollywood seguirem a péssima idéia de regravar toda a série, o comportamento do jovem anticristo no segundo filme já não fará sentido, diante do comportamento que apresentou quando criança, nesta nova versão de 2006. Isto configurou-se como seu maior defeito, ao lado do traço mais medíocre do longa-metragem: a trilha sonora. Diante do esplendor demoníaco da melodia de Jerry Goldsmith – veja o post abaixo – e sua bacanal de corais gregorianos diabólicos, acompanhados de orquestração usurpante, a trilha criada por Marco Beltrami para o “novo” filme parece brincadeira de mau gosto: é uma música tacanha, tímida e atrofiada, que não consegue, nem de longe, despertar o medo e ansiedade que a trilha original explorava no público, em conjunto com as cenas que acompanhava. A readaptação do roteiro, feita pelo próprio David Seltzer, mentor da idéia original, mostrou-se bastante fiel ao tomar algumas liberdades sutis, modificando levemente algumas sequências ou criando outras, o que não contribui em absolutamente nada para um maior clima de suspense, visto que os outros aspectos negativos do filme já o compremetem.
“A Profecia” de 1976 é verdadeiramente profano, com uma atmosfera de terror e suspense densa que atinge os temores da platéia. “A Profecia” de 2006 é pueril, com uma direção que se esmerou tanto em não querer repetir o filme original que acabou também, assim, desprezando tudo aquilo que, em conjunto, fazia a qualidade do longa-metragem clássico, resultando em um filme inofensivo e desatento. Concluindo, o filme de John Moore comporta-se da maneira que todos imaginavam, ensaiando ousadias na adaptação que só servem para lembrar o quanto o longa original, idealizado por Richard Donner, é charmoso e deslumbrante. Foi uma tentativa inútil, já que nada que fosse feito diante de referências tão fortes, como as do filme de 1976, teria qualquer possibilidade de superá-las.

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005