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Tag: colin firth

“O Espião que Sabia Demais”, de Tomas Alfredson [download: filme]

tinker tailor soldier spy (2011)

A morte de um espião inglês em uma operação na Hungria leva a uma mudança no gerenciamento da agência de espionagem britânica. A partir daí, um dos agentes dispensados passa a investigar se o ocorrido foi ou não um sinal de que a integridade da agência está em risco.
“O Espião que Sabia Demais” teve excelente recepção da crítica e público quando lançado em 2011, algo que se reflete até hoje nas notas recebidas nos principais sites e redes sociais especializadas em cinema. Ao mesmo tempo, nos comentários de redes como a brasileira Filmow, também é possível verificar que a adaptação do romance do veterano escritor John Le Carré tem frustrado uma parcela considerável dos espectadores da atualidade – e acho que entendo a razão.

tinker tailor soldier spy (2011) post 01
O filme britânico encabeçado pelo sublime Gary Oldman traz uma história de espiões mais densa e sistemática

Apesar de dirigido pelo sueco Tomas Alfredson e de ser financiado pela francesa StudioCanal, o longa-metragem de 2011 é repleto de profissionais ingleses em funções-chave: a produtora de destaque é a inglesa Working Title; os roteiristas, Bridget O’Connor e Peter Straughan (ganhador do Oscar de melhor adaptação por “Conclave”), são britânicos; boa parte do ilustre elenco é de ingleses, como Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Mark Strong, John Hurt e, claro, Gary Oldman em uma interpretação minimalista impecável como o astuto espião que tenta desvendar quem é o traidor infiltrado em seu grupo. Em consequência, “O Espião que Sabia Demais” é uma produção britânica de corpo e espírito, apresentando atmosfera austera, andamento lento, montagem e argumento sem concessões narrativas. A obra do diretor sueco não é um filme de espião como os de James Bond, concebido como um thriller de ação capitaneado por vilões idiossincráticos com planos mirabolantes de dominação global, e sim uma história de espiões lidando com conflitos políticos, intrigas e interesses pessoais mais realistas, ao ponto de até mesmo a burocracia inerente aos aparatos estatais eventualmente se fazer presente. É, em resumo, um filme mais denso e sistemático, e provavelmente é este o motivo de não agradar parte do público atual, cada vez mais condicionado aos longa-metragens feitos a partir de uma receita onde meticulosidade e densidade são vistos como ingredientes não muito palatáveis para o público.
Assim, por integrar uma tradição de cinema que não está mais em voga, o filme de Alfredson acaba exigindo espectadores mais concentrados e receptivos que, a bem da verdade, têm apenas que estar dispostos a parar para assisti-lo de modo atento. Infelizmente, a realidade de hoje, com estúdios concebendo filmes a partir da coleta de métricas dos hábitos de visualização do espectador, ao passo que este o consome como ruído de fundo enquanto dedica boa parte da atenção ao celular, não favorece “O Espião que Sabia Demais”.

Baixe: “O Espião que Sabia Demais”, de Tomas Alfredson (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português español english

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“Direito de Amar”, de Tom Ford [download: filme]

a single man (2009)

George, professor universitário que tenta lidar com a perda do namorado com quem conviveu longos 16 anos, encontra o caminho para dissolver a rotina dolorosa que enfrenta há 8 meses.
Se ao observar os créditos iniciais do primeiro projeto cinematográfico de Tom Ford, que o celebrado estilista dirigiu e teve participação na produção e no roteiro, não se tem sinais suficientes de que este quis estabelecer absoluto controle sobre os rumos de “Direito de Amar”, não há como não perceber isso ao iniciar-se o longa-metragem: a fidelidade com que a cenografia, figurino e direção de arte remontam a atmosfera elegante dos personagens de classes abastadas dos anos 60 e a fotografia esplêndida e cristalina que ressalta ainda mais a perfeita caracterização de época demonstram o quanto o agora cineasta americano, quando não foi direto responsável por algum aspecto de sua produção, teve certeza de cercar-se apenas de quem o fizesse com o apuro que certamente trouxe de sua ocupação principal até antes de aventurar-se no cinema. E apesar de dedicar-se com tanto afinco para garantir a excelência técnica que enche os olhos em cada mínimo detalhe de seu filme, Ford não deixou de dar a atenção necessária à esfera artística de sua produção. O roteiro, composto por ele e David Scearce a partir do livro homônimo de Christopher Isherwood, cadencia com muito cuidado e enorme inteligência as experiências simples do cotidiano que ganham nova e singular importância neste dia crucial da vida de George com as lembranças de momentos importantes e felizes que ele viveu ao lado do homem que tantou amou e com quem partilhou grande parte de sua vida. Isso, claro, foi de enorme auxílio à caracterização segura, precisa e enormemente emocionante dos atores ao desempenhar seus personagens – em especial Colin Firth que, em atuação escandalosamente irretocável apoiada em uma caracterização econômica e comedida, consegue expor em gestos mínimos toda a carga de sofrimento que o personagem carrega desde que perdeu aquele que dava sentido à sua existência, expressando também de modo delicado toda a intensidade de sensações que experimenta neste dia.

a single man (2009) movie stills 01
A emoção contida do personagem de Firth resume esta excelente estréia do estilita Tom Ford como diretor

O único senão, talvez, esteja justamente nos artifícios cinematográficos aos quais Tom Ford recorreu para retratar o vigor sensório que George experimenta neste dia de sua vida que o filme retrata: os enquadramentos – closes, em particular – e a utilização desnecessária de câmera lenta em conjunto com a aplicação da trilha sonora – que diga-se, é de uma beleza ímpar – em algumas sequências do filme acabam por fazer o oposto do que objetivava o cineasta, reduzindo tais experiências à sua mera superfície – ou seja, por conta deste maneirismo estético, a atenção do espectador acaba desviada do sentido para a imagem em si. Não é difícil supor que nestes momentos falou alto a alma de estilista do novo diretor. Isso, porém, é mero detalhe, talvez até uma implicância gratuita. Diante da abismal delicadeza que a história ganhou nas mãos de Tom Ford, que conseguiu explorar toda a enorme carga de emoções da narrariva de um homem cansado do amargor e sofrimento trazidos pela perda de seu amor sem acometer a história um instante sequer com pieguices e emoções baratas, as pequenas obsessões estéticas do diretor não são nem de longe suficientes para desmerecer os imensos méritos de Ford e deste seu esplêndido filme de estréia – é a alvorada de um cineasta extremamente promissor que, sem dúvidas, já ganha a sensibilidade como a sua mais valorosa e representativa marca.

Baixe: “Direito de Amar”, de Tom Ford (A Single Man, 2009)
[áudio original, 1080p, mp4]

Legendas/Subtítulos/Subtitles:
português english

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005