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Tag: eletronico

Onuka – “Zenit” (Single) [download: mp3]

Single lançado em 2019 pela banda ucraniana Onuka, e que mais tarde seria incluído no álbum Kolir, de 2021, “Zenit” ficou conhecida pelo público gamer em 2023 na cerimônia do (infame) Game Awards ao ser usada como trilha para o teaser de anúncio do game Kemuri, o primeiro projeto da carismática desenvolvedora japonesa Ikumi Nakamura no estúdio que fundou depois de abandonar o posto de diretora criativa do jogo Ghostwire: Tokyo, game do estúdio japonês Tango Gameworks, que por sua vez também teve mudança repentina de curso – toda essa longa história, por si só, é digna de um artigo só seu. Por mais bizarro que possa parecer, a faixa da banda do leste europeu caiu como uma luva para sonorizar o dinamismo e arrojo visual e artístico do videoclipe desse game totalmente oriental – talvez porque a icônica harmonia frenética que introduz a canção, apesar de produzida em uma solpika, flauta tradicional da cultura ucraniana, soa inequivocamente asiática. A percussão encorpada e a orquestração de metais densa, onde se sobressaem trompas, trompetes e especialmente o retumbante ressoar da trembita, outro tradicional instrumento ucraniano de sopro, compõe a melodia incontestavelmente cinematográfica cuja letra idealiza uma relação quase transcendental com o mundo natural.

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Karen O & Danger Mouse – Lux Prima [download: mp3]

Karen O, vocalista da banda Yeah Yeah Yeahs é uma daquelas artistas inquietas que necessita de vez em quando colocar seu barco a navegar por oceanos que não o seu, e entre um álbum ou outro de sua banda, Karen já lançou um disco solo e compôs músicas para filmes e até mesmo um game (Rise of the Tomb Raider). No recém-lançado Lux Prima, Karen tem companhia para guiar seu barco nesta nova empreitada: o produtor musical Danger Mouse. O álbum que é resultado da parceria está permeado por nostalgia e mistério e uma névoa de coloração cinematográfica suspensa na atmosfera das suas nove canções que navegam no pop, no rock e no trip-hop. A faixa título que abre o disco exibe estas matizes, ilustrando bem a fusão da personalidade musical de ambos os artistas: durante seus mais de nove minutos, uma intro com teclado e vocalizações que vertem psicodelias sobre uma bateria narcotizada encerra-se, dá lugar à uma melodia de bateria, baixo e teclado com gingado elegante sobre a qual Karen desfila seu vocal, e por sua vez é também encerrada e sucedida por um amálgama sonoro de ambas, numa música que não soaria estranha tocando em um cabaret – ou até mesmo em um motel. “Ministry” e “Turn the Light” prosseguem com suavidade, a primeira com vocais e sintetizações etéreas sobre um violão de acordes radiantes, numa ambiência de delírio e fantasia, enquanto a última investe na requebrado sensual do baixo como base para o vocal e sintetizações charmosas e românticas. “Woman” e “Redeemer”, as duas faixas seguintes, optam por se desfazer das sutilezas em troca de uma sonoridade que suscita as trilhas sonoras selecionadas a dedo por Quentin Tarantino para seus longas-metragens: “Woman” com bateria, guitarra e vocal acelerados e ferinos, “Redeemer” com bateria bem compassada e guitarra e teclado cheios de malícia musical. Tirando o pé do acelerador, “Drown” insere ocasionais orquestrações de cordas e metais e um teclado adocicado em meio ao andamento manso da bateria enquanto o vocal de Karen é submerso em um filtro aquoso – referência clara ao título da faixa. Quase no fim do disco, surge algo de genuinamente Yeah Yeah Yeahs em “Leopard’s Tongue”, e isso se deve muito provavelmente ao refrão da canção, que cairia bem em algum canto de Show Your Bones ou It’s Blitz, e mesmo a cadência firme e ligeira da bateria e baixo não soaria completamente estranha na acervo melódico da banda de Karen O. A penúltima faixa do disco, “Reveries”, parece continuar aproveitando referências ao trabalho da cantora, já que a crueza sonora da base de vocal e violão descende diretamente de “Crush Songs”, disco solo de Karen, mas a sobreposição desta base por uma sequência de nuances celestiais, com direito a coro e orquestração de cordas, faria certamente a faixa destoar muito do conjunto daquele álbum. Última faixa do disco, a idiossincrática, “Nox Lumina” parece pairar no ar com suas reminiscências à trilhas antigas de western clássicos italianos compostas por Ennio Morricone, recedendo ao fim para recuperar a intro psicodélica que abriu o álbum, ao mesmo tempo encerrando e retornando ao início da lisérgica jornada sonora dos dois músicos norte-americanos, cuja idéia surgiu lá em 2008, quando Karen, em plena embriaguez, fez um telefonema para Danger Mouse. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas tendo ouvido o disco já diversas vezes, tenho a impressão que a artista jamais tenha se refeito daquele porre.

Baixe: Karen O & Danger Mouse – Lux Prima [mp3]

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My Brightest Diamond – A Million and One [download: mp3]

Shara Nova, também conhecida como My Brightest Diamond, vem desde o seu primeiro disco flertando com matizes eletrônicas: seus dois primeiros álbuns foram completamente remixados, faixa a faixa, por vários DJs bastante conhecidos (Tear It Down e Shark Remixes, respectivamente). Por essa razão, não é nenhuma surpresa que Shara tenha finalmente decidido inserir as referências mais diretamente em suas composições. Em A Million and One, seu mais recente lançamento, Shara não tem temores de meter a mão nas sonoridades mais vibrantes para dar à luz faixas bastante cintilantes, como o single “Champagne”, com uma programação hipnótica e recheado de vocalizações que “pegam” nos ouvidos na primeira audição, contando também com uma breve aparição de alguns arfantes acordes da guitarra característica de Shara. Em “Supernova” a artista também se refestela no eletronismo, abusando do vocal “sampleado”, beats encadeados e vocais de fundo adocicados. E “White Noise”, que fecha o disco, alterna uma cadência mais sintética e “suja”, com beat e ruídos concebidos na mesa de programação, com outra baseada em um baixo insinuantemente gingado e floreios vocais perpassados por diferentes filtros.
Apesar da forte carga eletrônica destas faixas, porém, não é possível dizer que com A Million and One a cantora pisa com ambos os pés firmemente na pista de dança, como o fazem pensar os títulos das duas primeiras faixas, “It’s Me on the Dance Floor”, onde guitarras, baixos e percussão malemolentes acolchoam o vocal aveludado e quente da cantora norte-americana, e “Rising Star”, concebida sobre uma harmonia de vocais de fundo contínua e bateria e base eletrônica de andamento moderado que suscitam uma atmosfera com algo do hip-hop levemente temperado com rock industrial. Para o bem e para o mal, este é um disco que ainda carrega a personalidade musical da cantora, particularmente de suas últimas produções, onde Shara flertou não só com sonoridades sintéticas, mas com o experimental, a ponto de algumas vezes soar quase cacofônica e atonal. Assim é “Sway”, uma “jam session” cansativa com percussão e vocal soturnos que só é iluminada pela interferência eventual da guitarra, e em menor grau “You Wanna See My Teeth”, menos apática com sua música elaborada, onde camadas de vocais cascateantes serpenteiam sobre a ansiedade sonora de sintetizações, guitarras, percussão e bateria que em grande parte silenciam-se ao final, dando lugar à uma sonoridade etérea e reflexiva. Porém, é com a simplicidade da contemplativa faixa seguinte que a artista atinge o balanceamento ideal do experimento a que se propôs neste disco: com vocal amargurado e melancólico selando o espaço entre ruídos e silêncios do órgão, Shara capta aquela singularidade sonora única de Björk no clássico Homogenic, fabricando uma sutil e elegante balada que rola facilmente ouvidos adentro. E é o contraste desta com outras faixas do disco que faz notar que, assim como a artista islandesa hoje, é por Shara optar muito mais pela forma do que pelo conteúdo melódico que A Million and One acaba perdendo grande parte do seu impacto sonoro – tivesse Shara abraçado com mais ardor e sem hesitação a sua faceta pop em todo o álbum e este certamente figuraria entre os melhores de sua carreira.

Baixe: https://drive.google.com/file/d/1Mhi9Ugxs6uxVO3QkjTmgMR3_n1xlJ_6C/view?usp=sharing

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Sevdaliza – The Calling (EP) [download: mp3]

Sevda Alizadeh, uma bela morena iraniana radicada na Holanda, é uma jovem do seu tempo, tendo já lançado uma música de protesto, cantada em persa, contra as iniciativas anti-imigratórias do atual presidente americano, entre outras iniciativas do gênero. Isso é louvável, no entanto, para mim, que depois desse tempo todo continuo sendo um sujeito que não tem muito apreço pela correção política, o que interessa de fato é a qualidade artística. E isso, Sevdaliza – sua persona musical – tem o suficiente.
A cantora e compositora, que é formada em Ciências da Comunicação e durante a adolescência fez parte da seleção holandesa feminina de basquete, é descrita por críticos como sendo uma mistura de FKA Twigs com Björk e Portishead. As três referências são compreensíveis, mas discordo da primeira: apesar da familiaridade ser grande, FKA Twigs é por demais contemporânea da própria Sevdaliza, o que permitiria a afirmação continuar sendo válida mesmo ao ser invertida. Mas então, qual seriam as demais referências que se pode apreender ao ouvir algo da artista iraniana?
Bem, para qualquer canção que você escolha ouvir, certamente a primeira coisa que virá à cabeça é Sade: tanto o empostamento vocal quanto a tessitura da voz da cantora iraniana trazem aos ouvidos vibrações do cantar suave e sofisticado da veterana cantora nigeriana – é a sensação inequívoca que se tem ao ouvir “Observer”, por exemplo, que com sua pegada pop mais tradicional, num beat ritmado sem quaisquer volteios melódicos ou ousadias, seria certamente a canção do disco com o DNA natural de um single. Isso porém, coube à outras duas faixas do EP que apresentam mais honestamente o estilo da cantora iraniana, “Soul Syncable”, a faixa que abre o disco, e “Human Nature”. A primeira já de início apresenta aquela que é sua melhor e mais salutar característica, as orquestrações de cordas embebidas em orientalismo, que acompanham todo o andamento da melodia baseada em um beat que lembra muito bandas de verve electro-chic como Supreme Beings of Leisure e Morcheeba, além da cantora em alguns momentos fazer uso de filtros que alteram brevemente o seu vocal. Já “Human Nature” tem uma atmosfera bem mais contemplativa e melancólica, onde o sutilíssimo beat eletrônico apenas dá base para que as orquestrações e as iluminuras ao piano joguem todo o foco para o vocal algo triste, porém elegantíssimo de Sevdaliza, que ao cantar sobre as agruras de um amor despedaçado, lança ao fim uma ode à individualidade da alma humana. “Voodoov”, a faixa seguinte, com seus eletronismos algo óbvios, talvez seja a canção menos inspirada do disco que nem mesmo as orquestrações e os toques esparsos ao piano conseguem salvar. Algo que não acontece em “5d”, que com sua ambiência graciosamente dark consegue balancear muito bem a base eletrônica levemente dançante com as orquestrações tristes e o vocal bem apurado da cantora. É porém em “Soothsayer”, faixa onde a cantora mais faz uso de um falsete de registro baixo, que sobressai entre semi-silêncios, orquestrações pontuais e uma batida bem marcada, que temos a maior semelhança com Portishead, já que em muito este vocal se assemelha ao da sempre sorumbática Beth Gibbons. Por fim, a faixa “Energ1” é provavelmente a que melhor sintetiza a música de Sevdaliza, iniciando com um arranjo de vocais e orquestrações crescentes que se seguem à toques suaves no piano para introduzir o beat bem cadenciado que avança e retrocede durante toda a melodia, salpicada de distorções vocais.
Ao fim, The Calling consegue alcançar nas suas sete faixas aquilo que muitos lançamentos nem sempre conseguem: uniformidade. Com a exceção de “Observer”, em todas as outras faixas Sevdaliza consegue construir uma identidade musical consistente, com melodias refinadas, apesar das letras não exatamente acompanharem estas características. É verdade que nesta identidade carecem vigor e singularidade para lhe tornar uma artista mais do que somente competente e interessante, mas estamos falando de alguém em início de carreira – tempo para aprimorar a amadurecer seu trabalho não vão lhe faltar, certamente.

Baixe: http://www.mediafire.com/file/9bzuw4h4cwh6ced/sevda-calling.zip

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Vitalic – “Fade Away” (dir. Romain Chassaing) [vídeo, download: mp3]

Há muito tempo que eu não assistia um vídeo feito para o francês Pascal Arbez, mais conhecido como Vitalic. Seu nome ficou conhecido em 2006 com o lançamento do vídeo “Birds”, produzido pelo coletivo Pleix e que era estrelado por um bando de cachorrinhos fofos capturados em câmera lenta em suas estilosas e alegres estripulias esvoaçantes. Alguns podem nunca ter visto ou ouvido falar, mas o vídeo consagrou-se e virou um clássico absoluto da internet que passou a ser copiado em muitas outras produções – caseiras e profissionais, diga-se. Porém, o mais recente vídeo feito para uma música do artista não tem nada de fofo – embora também não seja algo polêmico ou ultrajante. Dirigido por Romain Chassaing, a canção “Fade Away”, que tem pitadas nostálgicas do synthpop dos anos 80, ganhou um vídeo muito bem fotografado, editado e encenado que joga com os clichês do cinema policial, trazendo uma série de meliantes que se matam sucessivamente para colocar as mãos em uma valise cujo conteúdo não é revelado. Preste atenção no final, porque este é mais uma referência à algo que já virou clichê no cinema alternativo contemporâneo.
Baixe o mp3 da canção através do link abaixo.

http://www.mediafire.com/file/l8ce66soy1mmxa8/vitalic-fade.zip

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Woodkid – “I Love You” (Quintet Version – Live Acoustic) [vídeo, download: mp3]

Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente devido o lançamento do seu debut The Golden Age, o talentoso artista francês Woodkid disse que seu disco de estréia não é um album pop, já que não há nas canções instrumentos comumente utulizados em composições do tipo, como guitarras, baixo e bateria, mas que qualquer destas músicas poderia muito bem ser convertida em algo do gênero em versões alternativas. E no dia de hoje, em uma participação na rádio France Inter, o cantor francês provou que está certo ao apresentar uma versão acústica de “I Love You” a qual utiliza-se apenas de piano e cordas – e apesar da simplicidade, devo dizer que esta versão, que conta com um andamento mais lento e melancólico, rivaliza em emoção com a original de estúdio.
Clique no link para fazer o download da canção em mp3.

http://www.mediafire.com/file/fq79j1tato4yrca/wood-i-love-you-live-acoustic-quintet-version.zip

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005