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Tag: estados unidos

“Cloverfield”, de Matt Reeves. [download: filme]

CloverfieldNova-iorquinos que participam de uma festa de despedida são repentinamente surpreendidos por um estrondo gigantesco. O que inicialmente é cogitado como um acidente ou atentado terrorista na cidade, logo mostra-se como algo muito mais estranho e aterrador através da lente da câmera digital amadora que registrava a festa de despedida.
“Cloverfield” é mais um fruto da atual seara de produções de ficção que exploram o pressuposto documental, cujo representante mais popular é o longa “A Bruxa de Blair”. Considerando-se este aspecto, o filme acaba tendo sucesso na empreitada ao expôr um evento catastrófico, bem como o pânico e caos por ele desencado, sob a abordagem de um registro amador, incluindo aí a exploração dos reveses do material utilizado para a gravação assim como da falta de habilidade ao manipulá-lo – como se pode conferir nas cenas que simulam o vídeo que havia sido gravado anteriormente na fita e que “vaza” em alguns momentos em que ele estava sendo sobreescrito pela gravação mais recente, interrompendo a trama do filme -, e fundindo-o com a inserção de efeitos especiais em uma materialidade que está ainda sendo descoberta no cinema – a do filme digital. Mas os méritos de “Cloverfield” ficam mesmo por aí, resumidos aos aspectos técnicos. Naqueles responsáveis pela verdadeira qualidade de um longa-metragem, “Cloverfield” capenga na referência algo assumida e naquela que inivetavelmente, a meu ver, soa mais como apropriação do que referência. Aquilo que se assume como tal pode ser visto poucos minutos logo que se inicia o evento catastrófico que é a razão de ser da película: a cabeça da estátua da liberdade, arrancada e arremessada contra um edifício e que acaba aterrissando em uma rua da cidade é uma referência à cena que estampa o cartaz do filme “Fuga de Nova York”, do diretor John Carpenter. Ate aí, tudo bem. O problema é que praticamente o filme todo acaba sendo uma cópia dissimulada, um remake um tanto cara-de-pau de “Godzilla”, de Roland Emmerich, com uma pitada do clássico absoluto “Alien”, quando em uma sequência do filme vislumbra-se uma idéia que se aproxima muito de um dos elementos mais simbólicos do universo da franquia iniciada pelo filme de Ridley Scott. Para entornar ainda mais o caldo, os personagens do longa-metragem, um bando de homens e mulheres beirando os 20 ou 30 anos, tem personalidades e comportamentos consideravelmente irritantes e infantis, em particular aquele responsável pelo registro em vídeo – é certo que este personagem, ao assumir o trabalho que seria equivalente ao de um narrador, deve ser inevitavelmente inoportuno, mas ao somar-se à isto uma boa dose de imbecilidade do câmera-personagem-narrador, que muitas vezes não entende algo que já está patente para a platéia, o filme beira, em alguns momentos, as raias da irritação.
É por conta disto que “Cloverfield” é apenas mais um filme que privilegia a forma sobre o conteúdo, organizado sobre uma pirotecnia efusiva que tem como objetivo encher os olhos suficientemente para desviar atenção de um conteúdo raso, um pastiche barato do filão americano do monstro na metrópole – seja ele, de fato, uma criatura colossal e sanguinária ou uma constelação de naves espaciais sedentas por destruição. A única coisa que fez valer a pena essa sessão diante de meu televisor foi a curtíssima cena, logo no início do filme, em que o ator Michael Stahl-David é flagrado sentado em uma cama, vestindo apenas uma cueca samba-canção: nem uma horda de bestas genocidas gigantescas é páreo para toda a formosura deliciosamente perfeitinha do garoto loiro – ele chega a fazer você até esboçar um sorriso ao fim dos 85 minutos desta pura perda de tempo.
Baixe o filme utilizando uma das fontes de links a seguir.

legenda (português):
http://legendas.tv/info.php?d=16e4615ac70f12eb5058f271badc980d&c=1

Fonte 1 [AVI]:
OBS: junte os arquivos rodando o programa HJSplit.
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http://rapidshare.com/files/104861496/J-Cloverfield.avi.008

Fonte 2 [AVI]:
http://www.megaupload.com/?d=LFC2B4FP
http://www.megaupload.com/?d=SM36AJLB
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Fonte 3 – RMVB [297 MB]:
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Joan As Police Woman – To Survive (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

Joan As Police Woman - To SurviveO segundo disco da banda de Joan Wasser não encanta tão prontamente quanto o primeiro, principalmente porque algumas poucas canções, como “Magpies”, um pop-soul setentista com direito inclusive aos vocais de apoio e arranjo de metais que remetem ao estilo da época, ensaiam conquistar o gosto do ouvinte mas se perdem tanto em descaminhos melódicos tão inócuos e aborrecedores, quando não absolutamente irritantes, que acabam interferindo na apreciação adequada das demais faixas do disco. No entanto, superada a irritação que essas canções causam por algum tempo, as outras faixas revelam logo os seus enormes predicados, algumas de modo lento e crescente, liberando paulatinamente sua beleza à cada apreciação – é o que acontece com “To Be Loved”, faixa que envereda de modo mais sutil no mesmo pop-soul nostálgico de “Magpies”, mas que é mais feliz ao ser balanceada com um teclado de cores quentes e um piano de notas graves, ambos dedilhados de modo suave e apoiados por uma guitarra e bateria que aquecem discretamente a melodia tanto quanto o próprio vocal macio de Joan -, outras de modo mais imediato e impactante – como “Holiday”, que une acordes deliciosos no violão, no piano, e na bateria para compor uma melodia ao mesmo tempo ágil e graciosa, que cede bastante espaço para a voz encantadora da cantora americana. Sempre inspirada por referências musicais de décadas passadas, Joan é capaz de compor faixas que lembram desde a romântica melancolia da “new wave” do final dos anos 80 e início dos 90 – falo aqui da esplêndida “Start of My Heart”, cuja música é guiada por uma bateria e baixo de cadência lenta, salpicada por uma guitarra de acordes extensos e serenos e preenchida por uma sintetização que cria ondulações ao ser continuamente sobre e sobposta à instrumentação restante – até ao glamour do pop americano que sonorizou bares, discotecas e qualquer festa que se prezasse há cerca de 40 anos – claro que me refiro à faixa “Furious”, marcada por um compasso ligeiro de bateria e teclado, reforçado por piano de acordes dramáticos e prodigiosos e um coro de palmas que recheia o fundo da melodia, além dos vocais adicionais que adensam ainda mais o nostalgia sonora – tudo, porém, com um senso de naturalidade e graça que torna esse caldo saudosista algo de muito bom gosto. No final do disco ainda sobra ânimo para um dueto delicioso com Rufus Wainwright em “To America”, que é introduzida por um piano algo desolado e logo subvertida por um arranjo fabuloso que toma de assalto a música com saxofones, guitarras e sintetizações enormemente melódicas e verborrágicas, fechando de modo brilhante este disco que, a esta altura, faz esquecer qualquer possível menção de tropeço que inicialmente o marcasse.
Baixe o disco utilizando o link a seguir e a senha para descompactar os arquivos – e não esqueça de baixar logo depois a faixa bônus “Take Me”, liberada com exclusividade na web aqui pelo seteventos.org.

senha: seteventos.org

http://rapidshare.com/files/125219782/joan_-_survive.zip

Faixa bônus “Take Me” (do single “To Be Loved”):
http://rapidshare.com/files/125247013/02_Take_Me.mp3

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“Lost”: 4ª temporada (ciclo final) [sem spoilers].

Lost - Quarta Temporada: Ciclo FinalMais uma temporada de Lost chega à sua conclusão, com a exibição de um eletrizante episódio final duplo. Desde que a série foi retomada, com a exibição do nono episódio, Lost entrou em uma espécie de conclusão de um ciclo, eliminando personagens secundários e mesmo alguns do primeiro escalão do elenco, talvez em caráter temporário, para, de modo muito astucioso, criar novas tramas para os personagens com eles diretamente ligados, dar mais espaço ao aprofundamento da mitologia cada vez mais extensa da ilha e possibilitar, a partir da próxima temporada, o desenvolvimento de uma mudança do espaço físico explorado na série. Parte disso já era do conhecimento do público através do uso dos flashforwards, o que fez desta a conclusão de temporada menos surpreendente da série até hoje. No entanto, a metade do impacto perdido no quesito surpresa foi devidamente compensado pela fabulosa composição da narrativa deste episódio final da temporada, que envolveu passado, presente e futuro da ilha e do mundo exterior à ela – só para citar como registro de exemplo, logo no início do episódio, foi engendrada uma fusão brilhante do fim da “recapitulação” dos acontecimentos anteriores com o início do episódio que, diga-se, remonta ao igualmente fenomenal fim da terceira temporada. Além disso, flashforwards de cada um dos personagens que tiveram especial destaque este ano – quem a assistiu, sabe bem de quem estou falando – pontuaram toda a duração do episódio, respondendo dúvidas que foram lançadas pela exposição de outros flashforwards durante toda a temporada, bem como lançando ainda outras sobre ocorrências na passado/presente/futuro da ilha e daqueles que a habitam – sem falar na aparição mais uma vez meteórica de dois velhos conhecidos do fim da segunda ano que ninguém imaginava que fossem novamente apresentados no seriado.
Mas o que pode nos aguardar para o quinto e penúltimo ano da série? Acho que o mais provável é que, como aposto desde a consequente implementação dos flashforwards, no fim do terceiro ano, há uma tendência em concentrar o foco da Lost no desenvolvimento de uma narrativa fora da ilha – o que, há poucos dias, foi citado pelos produtores como uma possibilidade para a quinto ano do programa. A meu ver, o melhor efeito ao adotar esta idéia seria obtido com a exploração de tramas no mundo exterior durante uma temporada – a penúltima seria ideal – para retornar à ilha como cenário para fechar a trama da série no seu último ano. Claro, isso é só uma aposta ingênua, pois certamente que os produtores devem ter tudo planejado desde já, e há chances de nada ter a ver com apostas e previsões que possamos elaborar. Confundir o espectador sobre a teoria que fundamentaria toda a explicação do que é testemunhado em Lost é uma diversão que os produtores cultivam há muito tempo e ela não foi abandonada nesta temporada – há pelos menos três sequências que retomam a idéia de tudo não passa de uma espécie de jogo, enquanto pelo menos uma lembra o espectador sobre a possibilidade de que os personagens enfrentam algum tipo de purgação espiritual. Contudo, ao menos um dado de certeza foi lançado nos momentos finais do episódio: a idéia de que a presença dos sobreviventes do vôo 815 na ilha não é mero acaso e acidente. Essa suposição, há muito mencionada nos episódios e perscrutada pelos fãs, foi agora abertamente reforçada como um dos fios condutores de todo o sentido da trama da série. Mas e o por quê dessa relação necessária da ilha com o seus ocupantes, capaz de desencadear eventos catastróficos quando da possibilidade que estes ocupantes abandonem a ilha? Bem, a resposta para tanto só deve vir depois de uns bons meses sofridos sem Lost – se é que teremos mesmo a resposta para isso na próxima temporada.

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Prévia: “The X-Files: I Want To Believe”.

Previa: The X-Files: I Want To BelieveFãs da saudosa série de TV “Arquivo X” estão em estado de ansiedade absoluta: no dia 25 de julho deste ano será lançado o segundo e aguardadíssimo filme que reúne a espetacular dupla de agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully. Como já é de costume, a produção está cercada de segredos que, aparentemente, continuam tão bem guardados quanto antes eram, o que acabou limitando, até o momento, o vazamento de informações não-oficias: somente o teaser pôster – espetacular, em tons de branco e preto, mostrando os agentes caminhando e com suas respectivas sombras formando o famoso “X” -, dois trailers ligeiramente diferentes, feitos especialmente para exibição em convenções de ficção-científica e similares e uma sinopse breve, que muito pouco revela, chegaram a ser divulgados na web antes de serem revelados por fontes oficiais da produção. O que de mais concreto e relevante se sabe sobre o argumento do filme foi mesmo divulgado pela produção já há algum tempo: a história, que é cronologicamente atualizada, refletindo o tempo decorrido desde o fim do seriado, não seguirá a chamada mitologia da série, diferentemente do primeiro longa produzido, optando então por adotar uma história independente, que sempre foi a segunda opção temática dos episódios de “Arquivo X”, comumente chamados de episódios do “monstro da semana”. E foi só neste fim de semana passado, após decorridas algumas semanas da revelação do título oficial da trama – “I Want To Believe”, famoso slogan do seriado que, é preciso admitir, soa um tanto brega como título do filme -, que foi liberado, depois de uma sádica contagem regressiva, o trailer oficial do filme. Apesar de satisfazer e atiçar a curiosidade dos fãs da série, o vídeo foi feito com a inserção de apenas algumas poucas cenas diferentes das que foram utilizadas nos trailers feitos para divulgação nas convenções, além de apresentar uma edição sutilmente modificada. Porém, um único dado novo pode ser extraído do pouco que é apresentado: aparentemente, o personagem de Billy Connolly tem o mesmo perfil do saudoso Frank Black de “Millennium”, sendo configurado como uma espécide de investigador – ou algo desta monta – com dotes psíquicos que lhe permitem “ver” fatos relacionados à um crime cometido anteriormente.
Alguns, certemente, estão torcendo o nariz para o advento deste novo longa-metragem baseado na série por considerar isto um tanto oportunista. Obviamente que o incentivo do retorno financeiro conta para a existência da produção, mas as razões são outras para os fãs de “Arquivo X”, e mesmo para seus idealizadores: primeiro porque mesmo com o fim do seriado, e com a ruína que foi a finalização da mitologia da conspiração alienígena que perpassou toda a vida deste, a dinâmica temática da série era bem mais ampla que isso, o que dá toda a liberdade aos produtores para a concepção de novas histórias e, segundo, e a mais importante razão, é o fato inquestionável de que Mulder e Scully são a essência e a razão de ser de “Arquivo X”, o que faz de qualquer história que os envolva mais um episódio genuíno de uma das mais fabulosas criações da televisão americana, que fez história e faz escola até hoje – seria mesmo um desperdício não retomar dois personagens tão geniais apenas porque o principal veículo que os trazia para o público chegou ao seu fim. Por isso, por pior que que possa vir a ser “The X-Files: I Want To Believe”, o simples fato de o público que tanto os admira tem novamente a chance de ter contato com estes dois personagens já vai se configurar para os fãs como um prazer imenso. Porém, a declaração dada pelos realizadores do projeto de que esta história foi especialmente escrita para o local de sua filmagem, os arredores de Vancouver, no Canadá, me dá a clara impressão de que este longa tem muitas chances de ser até melhor do que o primeiro – digo isso porque é notório que os melhores anos de “Arquivo X” foram mesmo aqueles nos quais Vancouver serviu como set de filmagem e principal inspiração para suas mirabolantes histórias.
Agora, para conferir a nova empreitada dos agentes do FBI mais idossincráticos que a ficção já teve a sorte de criar, só resta esperar a estréia do filme. E, segundo informação constante no site oficial do longa-metragem, mesmo nisto os fãs brasileiros de “The X-Files” parecem ter sido agraciados com uma boa amostra de consideração pelo estúdio 20th Century-Fox: ao que tudo indica, o lançamento do filme no Brasil será simultâneo com a estréia nos Estados Unidos. Então, se você tiver a oportunidade de dar uma passada nos cinemas brasileiros no dia 25 de Julho, prepare-se para se deparar com cenas de absoluta estupefação e delírio coletivos como esta – e se tudo der certo, todos nós, fãs de “Arquivo X”, teremos a oportunidade de repetir esta cena por muitos e muitos anos ainda.
Clique aqui para assistir o primeiro trailer oficial diretamente no site da produção.
Se preferir, clique aqui e assista o vídeo no YouTube.
Se você for mais um fã da série e dos dois personagens, pode preferir fazer download do trailer nos links abaixo:
Pequeno (7 MB)
Médio (18,2 MB).
Grande (46, 3 MB).

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“Lost”: 4ª temporada (1° ciclo) [sem spoilers].

Lost - Quarta Temporada: Primeiro CicloE encerrou-se nesta quinta-feira, com a exibição do oitavo episódio, o primeiro ciclo do quarta temporada do seriado americano Lost. Os indícios sobre a temática das histórias e o novo artifício utilizado nos episódios derradeiros do terceiro ano tomaram forma e se estabeleceram na nova temporarada: o flashforward, recurso que, de forma inversa ao flashback, revela como se apresenta um personagem específico em um ponto no futuro, foi ostensivamente utilizado em três dos episódios e parcialmente utilizado, dividindo espaço com o já consagrado flashback, em mais um deles. As revelações feitas nos flashfowards tem implicação direta tanto sobre o “momento presente” dos personagens, antecipando eventos e mesmo o destino de alguns deles dentro de um futuro próximo na realidade presente da ilha, quanto sobre um futuro mais distante, revelando conflitos de alguns personagens com relação à fatos ocorridos e seu desejo de fazer algo para solucionar tais conflitos.
E por falar em flashback, eles não foram descartados, mas seu conteúdo e sua razão de ser – como eu já previ no texto sobre minhas impressões da terceira temporada -, foram reformulados: muito mais do que revelar eventos do passado dos personagens antes de seu contato com a ilha, servindo ao propósito de esclarecer ou deixar mais nítidos traços da personalidade e comportamento destes, agora o flashback serve mais ao propósito de trazer esclarecimentos sobre histórias que tem direta relação com a realidade da ilha e das quais já temos conhecimento, conectando ou elucidando suas implicações nos eventos presentes – presente este que, de certa forma, pelo advento dos flashforwards e sua antecipação do futuro dos personagens dentro e fora da ilha, passou a tomar também a forma de um passado.
Quanto ao desenrolar dos eventos em si, os produtores e roteiristas resolveram começar a por em prática suas idéias sobre fatos que intrigam os fãs até hoje, como a relação da ilha e de seus ocupantes com o mundo exterior à ela, explorando consideravelmente dados sobre seus efeitos tanto em quem a deixa quanto em quem tenta entrar nela, efeitos estes que interferem na concepção de tempo e no livre arbítrio dos indivíduos. No entanto, apesar de que algumas das revelações tenham sido confirmadas como verdadeiras, o velho prazer de ludibriar os personagens, e por consequência confundir o espectador, não foi abandonado: a equipe de roteiristas, apesar de mostrar o contato da tripulação da misteriosa expedição que se aproximou da ilha no fim da última temporada, faz com que este contato traga informações desencontradas e dúbias sobre quem enviou tal expedição e sobre quais seriam seus principais objetivos.
Mas sempre há a possibilidade de um resvalo no desenvolvimento do argumento, não? O maior deles – talvez o único até o momento – tem sido a solução encontrada para explicar e levar à frente a informação dada na última temporada sobre o “outro” vôo Oceanic 815 encontrado no fundo do mar, que pode vir a ser um problema difícil de ser driblado no futuro da série – ainda há chances de atenuar seus efeitos, mas há sempre, também, o risco de que os produtores reforcem e “alimentem” o equívoco, o que simplificaria e descredibilizaria sensivelmente o argumento do seriado.
Com relação aos personagens, ainda é cedo para dizer se algum dos “novos” participantes da trama vai realmente ser “promovido” ao elenco fixo da história, mas meu palpite é que, até o momento, nenhum deles tem, na sua essência e desenho, importância para tanto. Já alguns dos personagens mais veteranos de Lost, apesar de prosseguirem firmes no destino do seriado, cederam lugar no desenvolvimente das histórias principalmente para aqueles que surgiram a partir do fim da primeira temporada – em particular para Desmond, graças a mais um episódio de dinâmica sensacional, e Benjamis Linus, que mesmo não tendo um episódio próprio, seja com flashback ou flashfoward, marcou presença demonstrando sua importância e influência, bem como suas astuciosas táticas, em um bom número deles. A exceção entre os veteranos fica com Michael, que foi reinserido na série de modo extremamente eficiente, ganhando um episódio que elucidou seu rumo depois de ter abandonado a ilha, no fim da segunda temporada.
Agora é aguardar até o dia 24 de Abril, quando a série retoma a história do ponto em que parou e promete, inclusive, segundo boatos, abordar o passado de um dos personagens que permanece ainda como um dos mais misteriosos e intrigantes. A espera é dura, mas se serve de consolo, vamos lembrar que este ano ela vai ser bem menor do que na terceira temporada – minhas unhas agradecem.

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“Onde os Fracos Não Tem Vez”, de Joel e Ethan Coen. [download: filme]

No Country For Old MenUm homem, praticando caça no deserto, se depara com uma série de carros e pickups abandonadas em meio a desolação. Ao aproximar-se encontra diversos cadáveres e descobre uma enorme quantidade de heroína. Após questionar, sem muito sucesso, um moribundo que sobreviveu ao tiroteio, ele acha, não muito longe, uma valise com 2 milhões de dólares – parte da transação mal-sucedida.
Sem ter muito medo de parecer estar desmerecendo o trabalho de Joel e Ethan Coen, pode-se afirmar que a grande “sacada” do longa-metragem “Onde os Fracos Não Tem Vez” é, na verdade, obra do escritor Cormac McCarthy, e algo previamente idealizado por ele já nas linhas, por ele compostas, no seu livro homônimo: muito além da competência tanto na construção do realismo palpável da história, perpassada de ironia e humor muito sutis, quanto na composição da idiossincrasia do taciturno assassino Anton Chigurh – que orienta sua conduta e a sorte de suas vítimas na noção de que toda e qualquer circunstância é determinação inquestionavelmente necessária do destino – a grande idéia está na relação de contraste existente entre a abordagem realista dada a trama e a essência insólita da personalidade de Anton Chigurh, o único personagem que realmente se destaca nesta trama feita praticamente apenas de personagens periféricos – é no contraponto existente entre as abordagens destes dois componentes, um deles interno ao outro, que torna a trama do livro, e consequemente do filme, realmente interessante. Mas, se por um lado esse mérito é fruto de idéias de autoria de Cormac McCarthy, por outro a sua narrativa guarda razoável similaridade com o cinema que fez Joel e Ethan Coen tão famosos, tornando o trabalho de adaptação para o dupla de diretores, roteiristas e produtores um passeio em um parque de diversões cujos brinquedos eles já experimentaram tanto – como muito do que compõe o estilo dos diretores já estava presente na história, arrisco supor que bastou aos irmãos manter o foco da adaptação fiel à atmosfera da trama criada por McCarthy para que o roteiro estivesse apto à ser encenado. Porém, um filme não se resume ao seu roteiro, e no que tange aos seus outros aspectos, a competência também se fez presente: com relação a direção de fotografia, Roger Deakins potencializa a aridez do deserto tanto na sua escura gravidade noturna quanto na sua ofuscante luz diurna; no campo da trilha sonora, o compositor Carter Burwell dá espaço à crueza das situações com sua trilha surda e quase inexistente; e no trabalho de direção propriamente dito, os Coen mantém as mãos bastante seguras, coordenando os elementos que dispunham de modo firme o suficiente para transpor fielmente a narrativa para as telas – o que deve ter incluído as diretrizes certeiras para Deakins e Burwell na condução de suas respectivas tarefas.
Mas e quanto ao elenco?
Bem, como eu disse acima, a trama de “Onde os Fracos Não Tem Vez” foi construída de forma que praticamente não há protagonistas a conduzindo solenemente, mas apenas um punhado de coadjuvantes que a guiam de forma algo colaborativa, quase nunca dividindo a mesma cena. Desse modo, o equilíbrio entre os atores, com boas atuações, mantem-se constante, porém, Javier Bardem, ganhando o papel de Anton Chigurh, ganha nítido destaque frente aos outros, em grande parte devido à própria natureza do personagem, em outra devido ao seu trabalho que é sim competente ao compor um homem de aspecto opressivo e grave que, ao mesmo tempo, transparece à sua afeição ao sarcasmo sutil, mas que pertence àquela gama de atuações que, não é difícil perceber, não exigem muito do ator.
“Onde os Fracos Não Tem Vez”, muito mais do que um filme de personagens é um filme que põe seu foco nas consequências dos atos perpretados por estes, ilustrando de modo argucioso como a ação mais corriqueira pode mudar o rumo pensado por estes personagens para as suas vidas. Mesmo com “Fargo” e “Ajuste Final” ainda ocupando o posto de momentos mais brilhantes de suas carreiras, este novo filme reaproxima os irmãos Coen do cinema cheio de sagacidade e de discreta morbidez do qual tinham se afastado tanto depois de seguidas incursões cinematográficas reprováveis e sofríveis – e não foi tarde para que os Coen percebessem que os fracos realmente não tem vez no cinema.
Baixe o filme, já legendado em português, utilizando os links a seguir.

Link Um
Link Dois
Link Três
Link Quatro
Link Cinco
Link Seis

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005