Em 2001, antes de sua banda, o The Cardigans, embarcar na mistura de rock com uma pitada de country que resultou no emocionante disco Long Gone Before Daylight, Nina Persson já ensaiava em seu único – até hoje – projeto independente cujo estilo influenciaria a brusca mudança na sonoridade da banda sueca. Junto com a produção de Mark Linkous, do Sparklehorse, Nina compôs as canções do que foi simplesmente chamado de A Camp, um apanhado de canções por vezes agitadas, em outras melancólicas e sensíveis. O maior exemplo deste último estilo, presente no disco, é “Algebra”, em cujos vocais Nina atinge seu ápice emocional, cantando cada verso com imensa doçura e paixão. Com letras em que uma mulher conta como um homem, apesar da aparência contida e centrada, tinha seu coração “fora do peito” – tamanha era a maneira como não conseguia conter seu amor -, o violão dedilhado com suavidade e a bateria ao mesmo tempo forte e terna incrementam a docilidade da canção. “Frequente Flyer”, sobre uma mulher que não lamenta nunca conseguir ter um paradeiro devido à sua volubilidade afetiva, é igualmente grandiosa em sensibilidade e ternura, apresentando mais vocais delicados de Nina trabalhando perfeitamente com a melodia de bateria suavemente cadenciada e guitarras e teclados lentos e sôfregos. “Elephant”, que fecha o disco, prossegue remando nos infortúnios amorosos, já que em suas letras Nina reclama ter desperdiçado tanto amor com um homem que termina uma relação de uma forma tão sardônica. A bateria continua em uma cadência forte e lenta e os pianos e riffs de guitarra graves e dramáticos ganham mais importância à medida que a canção chega à sua apoteótica sequência final.
Como primeira representante do lado mais melodicamente agitado do disco, “Hard As Stone” surpreende com sua base de guitarras dissonantes e sua bateria agitada, forte e ligeira, tudo devidamente acompanhado pelo vocal algo irônico de Nina ao cantar versos que revelam o comportamento leviano e insensível de um conquistador barato. Os versos de “The Oddness Of The Lord” comentam brevemente a crença em algo superior, utilizando como melodia uma camada de ruídos de programação eletrônica e distorcões de guitarras, bateria e baixo.
Este ensaio delicioso para o que se sucederia na carreira do The Cardigans, infelizmente, não rendeu uma sequência até hoje – Nina voltou sua atenção para a banda, realizando com seus companheiros dois excelente discos. Ao contrário de muitos vocalistas e compositores, que sonham o tempo todo com vôos solitários, longe da proteção e segurança de seus conjuntos, Nina mostra encontrar satisfação dentro de sua banda de origem. Contudo, devido à qualidade do seu trabalho solo, não há entre os fãs quem não torça para que a artista sueca volte a arranjar um tempinho para compor preciosidades como “Algebra” e “Elephant”.
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