Retornando ao país natal depois de anos nos Estados Unidos, a irlandesa Sorcha Richardson iniciou formalmente sua carreira musical em 2019, com o lançamento do seu primeiro disco. Em grande parte desconhecida fora da Irlanda, no seu mais recente single a jovem cantora demonstra potencial para atingir um público maior, ao menos dentro dos domínios do gênero onde vem se inserindo, o indie-folk.
Na faixa “Illinois Again”, o violão e a bateria compõem a base folk da música sobre a qual a irlandesa elenca imagens e cenas da vida com saudosismo utilizando o timbre quente e macio de seu vocal, enquanto a guitarra distorcida pontua a canção apenas o suficiente para salpicá-la com uma aspereza sutil, trazendo ao ouvinte os ares de um “road movie” em pleno sol primaveril de uma vasta planície verdejante. A outra faixa do lançamento, “Granadine”, ainda se enquadra no contexto indie-folk da primeira, mas aqui violão e bateria produzem uma atmosfera mais contemplativa que permite a cantora divagar sobre como a paisagem que a cerca alimenta a melancolia que sente, inspirando-a no processo de composição da música.
Embora as composições dos discos anteriores de Sorcha não difiram tanto, residindo dentro dos domínios do indie pop e folk, as duas novas canções sugerem um maior polimento que, se bem aproveitado para o terceiro disco que prepara, pode auxiliá-la a chegar aos ouvidos de mais admiradores do gênero.
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Damien Rice, o cantor e compositor irlandês, tem auxílio constante da mesma equipe de músicos desde a sua estréia, o que fez seu trabalho ser, não-oficialmente, resultado do empenho de uma banda, e não de um artista solo. A participação crucial e ininterrupta de Lisa Hannigan no vocal e da violoncelista Vyvienne Long dedilhando o violoncelo, por exemplo, corroboram esta caracteristica de Rice. Ainda assim, todo o esforço e comando criativo é dele, e é exatamente isto que nos impede de nomear este grupo como uma banda. Isso chega mesmo a ser palpável ao escutar suas canções: sente-se com facilidade que a unidade algo melancólica e irascível delas é resultado da personalidade arredia e meio porra-louca de Damien Rice. 9, seu segundo álbum, não fica atrás de O no paralelismo das sensações de vigor e tristeza. “Me, My Yoke And I”, é a música do disco que retrata com mais clareza esse aspecto: os vocais bradam continuamente versos abstratos, uma imagem pujante da revolta, melancolia e fúria afetiva, onde guitarras e bateria trabalham em uma melodia de digressões e distorções robustas de volume intenso. Semelhante em estrutura melódica também é “Rootless Tree”, que utiliza violão, violoncelo, baixo, bateria e guitarra, sendo que estes dois últimos avolumam-se ainda mais no refrão, assim como o vocal maciço de Rice. Na letra, o cantor exige que os erros antes cometidos sejam esquecidos por sua amada, e que ela permaneça junto à ele, mesmo que o fator que os una seja o ódio.