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Tag: franca

Camille – Music Hole (+ 1 faixa bônus). [download: mp3]

Camille - Music HoleCom o que fez no álbum Le Fil, seu segundo disco solo, Camille Dalmais chamou tanto a atenção de crítica e público do mundinho da música alternativa que, não é exagero afirmar, alavancou para si o posto de maior sensação da música francesa nos últimos anos. Por esse motivo, o seu álbum subsequente vinha sendo aguardado ansiosamente pelos fãs que não sabiam o que esperar da francesa depois do experimentalismo pop de Le Fil. Com o lançamento de Music Hole nesta segunda-feira a curiosidade foi saciada: no seu novo projeto, Camille dá continuidade à exploração da musicalidade desenvolvida no disco anterior, que esquadrinhou, com temperança, as possibilidades da voz humana como instrumento melódico. Na canção “Cats and Dogs”, Camille mostra isso de forma deliciosa, povoando a segunda metade da faixa, até então constituída apenas de um piano de acordes doces e uma “tuba vocal”, com um almanaque de vozes que mimetizam festivamente toda uma variedade de grunhidos, gritos e urros do mundo animal: pássaros, porcos, elefantes, macacos, cabras, sem esquecer, claro, dos personagens que são a tônica da música – cães e gatos. Mas, além de retomar a pesquisa musical produzida até Le Fil, a cantora e compositora francesa adiciona ao seu repertório experimental a percussão corporal, um novo elemento melódico que incrementa ainda mais a experimentação desenvolvida por ela em suas composições. A utilização deste novo elemento na construção das melodias pode ser conferida em toda sua glória na faixa “Canards Sauvages”: para emular um samba frenético, Camille contou com a ajuda de participantes do grupo brasileiro Barbatuques, que tamborilaram no próprio corpo para produzir a sonoridade percussiva acelerada que faz a base da melodia, composta ainda de ruídos de água nervosamente agitada e de múltiplas camadas da voz de Camille – capaz até de simular uma impagável cuíca vocal.
E já que estamos falando de voz – e como não falar disso, quando tratamos de Camille? -, vamos falar de uma consequência sua: a língua. Ao contrário dos discos anteriores, Music Hole privilegia o inglês. Porém, as letras contam sempre com algumas boas rajadas da língua pátria da cantora quando a idéia é imprimir uma fluidez ao ritmo – algo fácil de notar no vocal de suporte que introduz a faixa de abertura “Gospel With No Lord”, cheia da já conhecida vitalidade sonora da francesa, que joga jovialidade na música com boas doses de estalar de dedos, palmas e, na sequência final, um piano discreto e uma percussão seca encorpando a melodia.
No entanto, quem conhece Camille sabe que a garota não sabe fazer só festa: sua capacidade de emocionar com composições tristes é também algo notável. Neste caráter, destacam-se a faixa “Winter’s Child” – que explora vocais melancólicos em trama algo arábica, sustentada na base por um vocal grave a la Le Fil, e no primeiro plano por uma combinação de versos em inglês e francês, com os quais a cantora abusa da sensibilidade espetacular de sua voz – e as baladas “Waves” – com um piano de acordes esparsamente dramáticos acompanhado por um arranjo vocal encantador que simula em sua rítmica a ondulação oceânica – e “Home Is Where It Hurts” – que é introduzida com um conjunto cativante de acordes de piano e baixo beat-box, que logo ganha a companhia de uma programação com cadência densa e vocais de apoio envolventes.
Ao invés de mudar de curso sem respeitar a coerência do que já produziu, tentando reinventar a si própria, em Music Hole, Camille mostra porque é considerada uma das artistas mais importantes da música pop contemporênea mundial ao, de modo perspicaz, dar um passo a frente com prudência, brincando com o seu vibrante vanguardismo pop ao mesmo tempo que cuida não ultrapassar os limites que estabeleceu para tornar seu trabalho sempre deliciosamente acessível. Deste modo, Music Hole é, ao mesmo tempo, um disco arrojado e simples, cujas texturas melódicas soam inovadoras sem nunca perder a sensatez e bom gosto – um bálsamo pop para ouvidos cansados das agressões deselegantes que, infelizmente, são comuns à muito do que é feito no gênero atualmente.

E aproveite para baixar “I Will Never Grow Up”, a faixa bônus de Music Hole que o seteventos.org está disponibilizando com exclusidade na web. Comentários de agradecimento serão muito apreciados, viu? Agradeçam, em particular, ao meu cartão de crédito internacional – sem anuidade!

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Keren Ann. [download: mp3]

Keren AnnKeren Ann, jovem pertencente aquela seara de artistas europeus multi-étnicos que está cada vez se tornando mais comum, tem já uma discografia considerável, mesmo tendo iniciado sua carreira apenas neste novo século. Seu mais recente álbum é um trabalho onde a elegância e simplicidade são sugeridas já no contato mais imediato e superficial com o disco: tanto a ausência de título para o trabalho, que se contenta em levar o nome da artista, quanto a fotografia escolhida para ser a capa do álbum, uma bela mas discreta imagem da cantora e compositora em tons predominantemente claros, conseguem transmitir a idéia de um disco despido de quaisquer ambições que ultrapassem seu objetivo mais visível, a sinceridade das emoções. E é justamente nelas que a linda morena, de olhar sedutor, altivo e misterioso, conquista o ouvinte. Faixas como a balada “In Your Back” – onde o violão de leve pesar, a orquestração de cordas de inspirada ternura na ponte da canção, e a programação suavemente cintilante abrem caminho para que a voz cheia de mágoa de Keren materialize-se com maciez imediata -, a sutil “The Harder Ships Of The World” – que, ornada por violão, guitarra, piano e programação serenas, compara as turbulências e o destino de um romance à uma jornada àrdua que parece sem rumo e fadada ao fracasso – e a plácida “Where No Endings End” – onde o arranjo delicado e cuidadoso composto de violão, flauta, piano, guitarra e orquestração de sopros e cordas breves e eventuais ambientam a letra que fala sobre um amor que fatalmente encontra seu fim – sucedem em cativar os ouvidos ao expor sentimentos sem muitos volteios, de modo franco. Músicas de cunho pop mais animado também ganham seu posto no disco da artista de origem indo-européia que nasceu em Israel mas que cresceu na França – como “Lay Your Head Down”, uma canção que fala sobre a entrega completa ao amor e que traz um arranjo farto feito de guitarra, baixo, bateria, gaita, orquestração de cordas e sampler de palmas que entra parar intensificar a vibração positiva da canção, principalmente na sua metade final -, assim como há espaço na ambiência mais reflexiva do disco para um momento ácido e lânguido – caso de “It Ain’t A Crime” que, com vocal sensual de Keren, traz as impressões do que parecer ser uma garota de programa sobre o comércio da luxúria em meio à toques firmes na bateria e nas guitarras rascantes. De brinde ainda temos “Liberty”, canção que tanto em sua melodia – feita de toques tépidos no piano, acordes adocicados no violão, orquestração suavemente reluzente de cordas e algum sopro e o backing vocal etéreo posto sobre sussurros indistintos e brandos -, quanto em sua letra “emula” a atmosfera das composições de Björk para o seu disco Vespertine. Esse é sem dúvidas um disco para se ouvir refastelado no sofá, saboreando de modo tranquilo e preguiçoso o inabálavel gosto de Keren pelas melodias pacatas e pelos romances bem ou mal-aventurados.
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AaRON – Artificial Animals Riding On Neverland. [download: mp3]

AaRON - Artificial Animals Riding On NeverlandVocês não vão estar errados se disserem que ando numa meio-febre francofônico-musical. Depois de Ben Ricour, o francês que faz um pop/folk charmosinho, andei escutando uma dupla que se lançou na música há pouco, batizada de AaRON, uma sigla que, expandida, deu nome ao disco de estréia deles, Artificial Animals Riding On Neverland. Porém, diferentemente de Ricour, esta dupla prioriza a língua inglesa, dando chance à língua materna apenas na faixa “Le Tunnel d’Or”, uma balada irremediavelmente linda, com piano que começa em acordes agudos e encorpa em sentimento ao longo da canção, assim como encorpa igualmente a programação eletrônica, que além de adicionar densidade à melodia com alguns samplers, substitui a bateria acústica sem perda alguma do vigor desta.
Apesar de que o vocal de Simon Buret, a voz da dupla, lembre vagamente algo de Michael Stipe ou tenha uns espasmos de Chris Martin, as comparações param bem por aí. Mesmo que a sonoridade de AaRON lembre muita coisa que já tenhamos escutado por aí – como é possível notar em “Lost Highway”, que além da sua introdução doce e triste ao piano remete às tonalidades obscuras e nostálgicas das composições de Akira Yamaoka para a série de games “Silent Hill”, os loops e samplers ao longo da melodia, bem como o lirismo sutilmente etéreo do coro ao fundo, também deixa no ouvido os tilintares da parceria Matmos/Björk -, não é a identificação de um estilo musical no qual possa ser enquadrado que interessa aqui, mas sim o fato de que seu pop alternativo, hora afeito a eletronismos – como em “Endless Song”, cuja melodia de loops, reverberações e reversões de acordes de piano, guitarra e percussão lembra algo da música “These Good People”, da banda The Gathering -, hora com um amor pelo acústico – perceptível nos violões de acordes rápidos, curtos, cíclicos e lúgubres de “Mister K.”, cujas letras lidão de forma esplendidamente metafórica com o sentimento de traição -, preserva sempre uma sensação despertada no ouvinte que percorre e incide em todas as canções: uma tristeza inerente, um sofrimento contínuo, algo possível de ser identificado mesmo na agitação de canções como “O-Song”, crivada de guitarra e pianos dramáticos, curtos, sôfregos, programação em ritmo acelerado e vocal tenso. Claro que nada disso impede a dupla de dar uma folga na tristeza e amargura e criar letras onde a vida é encarada de forma mais positiva, como nas confissões de apoio e amor incondicional de “Little Love”, balada de piano, programação e sintetização de cordas doces e delicadas.
Além da servir ao indispensável propósito de deliciar os ouvidos com um punhado de músicas bem escritas e arranjadas, os rapazes do AaRON de quebra ainda sacodem o estereótipo das duplas de música francesa, muito mais famosas por coisas como o pop-pornô de “Je t’aime moi non plus” e a house babinha do Daft Punk.
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Ben Ricour – L’aventure. [download: mp3]

Ben Ricour - L'aventureBen Ricour, da chamada nova geração de cantores franceses, tem um carisma musical enorme: difícil não ficar com a melodia de um bom punhado das canções do seu álbum de estréia, L’aventure, tilintando carinhosamente na cabeça, ouvindo sua voz algo infantil e imaginando o que aqueles seus versos de amor, entoados em um francês delicioso, devem exatamente significar em português. Excetuando-se algumas faixas mais monótonas, Ricour conquista o ouvinte, sem muito esforço, já nas primeiras audições do seu pop/folk bem construído. A faixa que abre o disco, “Vivre À Même L’amour”, com seus violões e baixo lépidos, bateria de síncope rápida e saltitante e refrão seguro e certeiro, tem a tonalidade pop-grudenta de primeira de um gritante single. Algumas músicas depois e novamente os ouvidos são raptados pela melodia solar de “Je Me Réveille”, com violões e vocais doces e fulgurantes de esperança, sintetizações de cordas repletas de uma luz calma e aconchegante e bateria ligeira, mas gentil. Na faixa seguinte, “Le Risque”, Ben aposta em um dueto com uma voz feminina para ressaltar as letras sensuais, mesmo que os violões habilidosos, a bateria e percussão escandidas e a guitarra de acordes salpicados no trecho final deixem a melodia mais inequivocamente lúdica e faceira do que sensual. Logo em seguida somos apresentados a uma balada delicada, “Ami D’enfance”, onde o dedilhamento nas cordas do violão, os toques na bateria, os acordes no piano, a tonalidade da voz de Ricour, todos exibem uma soltura, leveza e suavidade aconchegante e carinhosa. “L’aventure”, a faixa seguinte, tem melodia encorpada por violões vistosos e maciços, que sobrepujam mesmo todo o instrumental restante – a guitarra eventual de acordes levemente rascantes e a bateria complementar e submissa à rítmica dos violões. E o disco fecha com a brincalhona “Pas Stressé”: além da tecitura aveludada do violão, da percussão, e dos acordes de harpa eventuais, o cantor brinca com seu vocal, produzindo um solfejo que lembra o ruído de mola dos cartoons que tanto assistiamos na infância.
As composições de Ben Ricour, por mais engraçado que possa parecer, guardam muita semelhança com as feições do próprio artista: sua música exibe aquele ar charmoso, inteligente e elegante que os franceses tão bem conseguem exprimir daquilo que tem a aparência mais convencional e comum. E bem sabemos que tanto são atraentes aquelas notas simples e tradicionais, nada surpreendentes, de uma canção bem feitinha quanto o pode ser aquele moço que mora no prédio ao lado, não?

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Yael Naim. [download: mp3]

Yael NaimFrancesa de nascença, mas israelense de origem e criação, Yael Naim é mais uma novata procurando seus caminhos no mundo da música. Depois de se dispor alguns anos a fazer o seu ganha pão em musicais franceses, Naim conheceu o produtor e instrumentista David Donatien, logo criando um imenso senso de identificação com ele. Foi ao desenvolver esta relação tão cheia de compreensão e cooperativadade artística que Yael superou seus temores e seus limites, concebendo com ele o seu primeiro álbum. Não se trata de uma obra excepcional, que chame a atenção pela originalidade e arroubo, mas por duas outras coisas: pela delicadeza que contém e por algumas escolhas ousadas. A delicadeza está implícita nos arranjos, como na melodia bem apurada dos violões, guitarras, bateria e percussão de “Too Long”, que possui ainda vocais de fundo graciosos, embebidos em um lirismo sutil, está contida nos vocais, piano, bateria, percussão e arranjo de metais de puro júbilo e graça em “New Soul”, ou reside na simplicidade triste do piano e tradicional arranjo de cordas de “Lonely”, na qual Yael, com vocal intensamente emotivo, fala apoiar incondicionalmente alguém que sofre estar confuso com sua falta de rumo. Já a ousadia da estreante fica por conta de um grande número de faixas em que ela canta em hebraico – como em “Levater”, cuja melodia exibe um violão quieto, sobrepujado pela borbulhância dos vocais, tanto o principal quanto os de fundo, e pelas cordas exuberantemente orientais – e por causa de sua brilhante recriação do hit “Toxic”, de Britney Spears, em cuja versão toda a reminiscência “popteen” é desprezada, dando lugar à um arranjo fabuloso ao cargo de um xilofone desmedidamente doce, guitarras agudas e sensuais, bateria escandida e flautas quase infantis, além de mini-ruídos indistintos.
Nesta estréia, Yael Naim e David Donatien conseguiram um disco com sonoridade bastante sólida e um razoável número de belas composições que enveredam ouvido adentro já na primeira escuta. Faltou um tantinho de sensatez ao selecionar uma quantidade um pouco acima do suficiente de músicas cantadas em hebraico, assim como faltou o mesmo apuro e perspicácia sonora dos arranjos das canções citadas nas que restam no disco, mas tudo isso se obtêm com a experiência no correr do tempo que, certamente, ambos terão daqui em diante.
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“Day Night Day Night”, de Julia Loktev. [download: filme]

Day Night Day NightGarota chega a New York e é preparada para executar um atentado suicida com uma bomba na famosa e movimentada Times Square.
No currículo da diretora de origem russa Julia Loktev, além de “Day Night Day Night”, há apenas o documentário que fez, em 1998, sobre o acidente que arremessou seu pai em um estado de quase-morte. Com base nesta informação, pode-se tomar a liberdade de fazer algumas conjecturas e deduções: talvez Loktev nem seja uma diretora profissional – é possível que nem mesmo ela se veja desta forma – ou, para ser menos agressivo, não é difícil enquadrá-la como cineasta de ocasião, que só assume tal perfil quando encontra uma idéia que considere relevante e instigante. Porém, de concreto a dizer só mesmo que a diretora prefere a abordagem mais realista possível, já que seu primeiro filme é um documentário e a estrutura do longa-metragem mais recente, mesmo sendo uma obra de ficção, assemelha-o ao gênero do primeiro filme devido à trilha sonora inexistente, a captação direta do som e iluminação, a cenografia natural, a câmera sem uso de tripe ou trilho e aos atores – até prova em contrário – amadores. O roteiro, se é que existiu algum, também ajuda a promover este caráter do longa, já que, excluindo-se os parâmetros gerais da história, que podem ser resumidos à algumas poucas linhas, todo o resto pode ter sido perfeitamente obtido através da improvisação dos atores. E este é o seu grande problema: falta história. Mesmo nos movimentos mais radicais do cinema mundial, como o famoso “Dogma 95”, ainda que estes pregassem a exclusão de tudo o que se considerasse supérfluo e artificial na realização do longa, o esforço em cima da composição de um bom argumento, de um roteiro com apelo, era preservado em toda sua importância. Ainda que a secura quase nordestina do argumento tenha o objetivo de preservar o feitio naturalista da história e demonstrar como seria fácil perpretar um plano como o descrito no filme, Loktev pecou pela falta de conflitos, por ignorar produzir um plot com um mínimo de obstáculos e desventuras, que sempre são passíveis de acontecer, todos sabemos. De interessante fica a tensão desenvolvida pela possibilidade concreta de que a protagonista concretize o seu objetivo, assim como o conflito simples, mas sincero, que passa a viver quase no final do longa-metragem, potencializado pela aparência quase infantil da atriz, pela expressão sempre melancólica de seu rosto e pela forma como conseguiu imprimir sua falta de rumo na conclusão da história.
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legendas (português):
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“A Dama de Honra”, de Claude Chabrol.

La Demoiselle d'honneurPhilipe, jovem cortez e centrado, conhece Senta, garota impulsiva e fantasiosa, no casamento da irmã e acaba fascinado pelo desprendimento da garota. Mas, a medida que seu envolvimento afetivo aumenta ele descobre que, talvez, as fantasias que Senta tanto gosta de criar sejam um tanto perigosas.
É bastante notório que Chabrol nutre um interesse pela maldade – basta lembrar de “A Teia de Chocolate”. Mas em “A Dama de Honra” o diretor, além de o entrelaçar com o amor, procura sua relação com a loucura, fazendo uso da veloz relação de amor entre Philipe e Senta para tematizar sobre o assunto: Philipe, apesar de logo achar as fantasias violentas de Senta incomôdas, vê-se tão dependente do seu amor que acaba entrando no que supõe ser apenas um jogo afetivo, alimentando as histórias e desejos morbidamente fantasiosos da garota. Infelizmente, não demora muito e ele vê que sua atitude pode ter sido um erro, já que ele começa a perder a noção do que é real e o que é fantasia na vida e nas histórias de Senta, bem como não consegue determinar o quanto Senta tem consciência de que promove esta confusão entre real e imaginário. É neste ponto que, percebe-se, reside o grande charme do roteiro adaptado do próprio diretor e de Pierre Leccia: junto com Philipe, o espectador perde a noção de falso e verdadeiro, confundido sobre Senta e o quanto de real há em suas intenções e no seu comportamento instável e temperamental. A atuação do elenco auxilia o trabalho do diretor e do roteirista, particularmente o trabalho de Laura Smet, que consegue criar uma relação de empatia com o público mesmo desenhando uma personagem que, as vezes, beira as raias da irritação, e o de Benoit Magimel, que desvencilha o seu Philipe Tardieu do esteriótipos cinematográficos do homem que releva as responsabilidades que sempre carregou na sua vida em detrimento de uma paixão tempestuosa. Chabrol, desta vez, não filmou uma obra-prima, mas mesmo assim não deixou de mostrar sua importância, adentrando na seara do maltratado e batido filão dos longas sobre paixões obsessivas e substituindo suas obviedades por soluções inteligentes e intrigantes – e acaba colecionando mais um ponto para o cinema francês e europeu.

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“Inferno”, de Danis Tanovic. [download: filme]

L'EnferSophie, que sofre com a infidelidade e o desinteresse de seu marido, Anne, jovem universitária que nutre um amor obssessivo por um homem que não está mais interessado por ela, e Céline, uma mulher solitária que vive viajando para cuidar da mãe enferma, são irmãs mas não se vêem a muitos e muitos anos. A medida que seus problemas vão se agravando vamos perceber que talvez eles tenham um denominador comum, e que seus dramas só serão sanados quando o passado for devidamente resolvido.
Li algumas poucas coisas sobre este que é o segundo filme a ser feito baseado na trilogia esboçada pelo magnífico diretor polônes Krzysztof Kieslowski antes de sua morte, em 1996, e cujo argumento foi finalizado por Krzysztof Piesiewicz, fiel colaborador do falecido diretor polonês. O comentário mais comum é o de que é inevitável assistir ao filme sem, de quando em quando, perguntar a si mesmo como teria sido se Kieslowski tivesse o dirigido. Isso faz tanto sentido que não apenas eu fiquei me fazendo essa pergunta enquanto assistia, mas cheguei mesmo a imaginar que o próprio diretor acabou fazendo isso enquanto rodava o longa-metragem. Não se trata de uma impressão vaga, pois além de uma referência assumida à uma sequência que Kieslowski repetiu em seus filmes mais famosos – quem conhece o cinema do diretor polonês vai reconhecer instantaneamente -, o diretor Danis Tanovic – celebrado pelo filme “Terra de Ninguém”, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – desenha, em alguns momentos, enquadramentos, movimentos de câmera e cortes nas sequências que remetem aos comumente empregados por Krzysztof em seus filmes mais consagrados. A fotografia do longa-metragem, em especial a utilizada em espaços internos, razoavelmente saturada, reforça igualmente esta idéia de “emular” o estilo kieslowskiano. Apesar do correr o risco de prejudicar o senso de naturalidade do filme ao utilizar, deliberadamente, aspectos pertencentes ao cinema de Kieslowski, Danis Tanovic o faz de forma cautelosa e bem dosada, mantendo sua identidade como diretor preservada pela direção muito consistente. Nisso ele também é auxiliado pelo ótimo elenco, particularmente pela bela trinca de atrizes que incorpora as três protagonistas do longa, e pelo roteiro sempre muito bem composto de Krzysztof Piesiewicz que, a partir da idéia original de Krzysztof Kieslowski, inspirou-se nos três cantos da obra mais famosa de Dante Alighieri“A Divina Comédia” – para, sem nunca soar piegas, criar a história de três mulheres que tiveram suas vidas e seu comportamento influenciados por um trauma de infância e para escrever uma sequência final elegantemente pungente que, com imensa crueldade e ironia, despe o filme inteiro de todo e qualquer traço de moralismo e mostra o quanto o sofrimento humano é desperdiçado diante da incapacidade de arrependimento – brilhante.
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OBS: links funcionais mas não testados.

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legendas (português) [via legendas.tv]
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“Paradise Now”, de Hany Abu-Assad. [download: filme]

Paradise NowOs palestinos Said e Khaled, amigos de longa data que vivem em Nablus, são recrutados para executar um atentado suicida em TelAviv. Ainda que um tanto surpresos e algo desprevenidos pela urgência da notícia, ambos aceitam e concordam com a missão e com seu destino. Mas, no momento que ambos tentam entrar clandestinamente em território israelense, o policiamento da região fronteira intervem e, enquanto Khaled retorna ao lado Palestino e é levado de volta, Said acaba se escondendo e se perde de seu amigo, passando a vagar pela cidade de Nablus com um artefato explosivo atrelado ao seu corpo.
Por ser o diretor Hany Abu-Assad de origem palestina, “Paradise Now” ganhou vida da maneira mais ideal possível. Primeiro, porque o diretor não extirpa do argumento toda a subjetividade inevitável e necessária para trazer à realidade um filme sobre os atentados com homens-bomba, uma das características mais polêmicas do conflito entre Israel e o povo palestino: Abu-Assad se permite discutir e questionar em “Paradise Now” apenas a validade do mais simbólico método de contra-defesa do povo palestino e nunca o papel que cada uma das partes tem no conflito, sem temer ser parcial ao afirmar que, por mais questionáveis que sejam os métodos praticados pelos palestinos neste conflito, são eles as verdadeiras vítimas, subjugadas pelo poderio da nação de Israel. Segundo, porque o roteiro humaniza a figura do homem-bomba, desmistificando o estigma de mercenários frios e lunáticos, quase mecânicos. E aí é que reside o grande trunfo e a beleza maior do filme: o roteiro desenha Said e Khaled como homens que sujeitam-se a morrer – e matar – por uma causa porque sentem-se incentivados por toda uma vida de miséria, de humilhação, de falta de oportunidades, de sofrimento e de perdas sendo, ainda assim, capazes de temer a morte, de duvidar da eficácia e efeito de suas ações e até de questionar, mesmo que por um breve instante, sua fé e sua crença. E na concepção destes dois personagens, os atores Kais Nashif e Ali Suliman tiveram papel fundamental com seus desempenhos inspirados de Said e Khaled, respectivamente, conseguindo trazer do roteiro, em detalhes, a maneira tão distinta como esses dois homens encaram seus conflitos: o primeiro com uma interpretação minimalista e contida, o segundo compondo um homem extrovertido, transbordando em ansiedade, agitação e emotividade. O elenco de apoio é igualmente notável, incrementando ainda mais as cenas ao contracenar com os dois atores – especialmente Lubna Azabal, como Suha, e a impecável Hiam Abbass, que emociona mesmo na pequena participação que tem como a mãe de Said.
Com “Paradise Now”, o diretor Hany Abu-Assad, além de destrinchar os bastidores de um atentado com uma abordagem realista e enorme sinceridade, revelando o que há de humano em que os perpreta, preenche também uma lacuna há muito existente no cinema mundial: a do cinema palestino. Mesmo que antes existissem outros filmes da chamada “autoridade palestina”, nenhum deles tinha, até então, conseguido notoriedade suficiente para expor além de suas fronteiras as histórias destas pessoas. “Paradise Now” merece ser sucedido por tantos outros filmes que revelem o drama de uma nação castigada e perseguida pela fé que tem e pelas expectativas que nutre há tanto tempo, e que só se materializam em frustrações.
Baixe o filme utilizando os links a seguir.

OBS: links funcionais mas não testados.

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legendas disponíveis (português) [via legendas.tv]
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“Maria”, de Abel Ferrara. [download: filme]

MaryDepois de interpretar Maria Madalena em um filme polêmico sobre Jesus, uma atriz sente sua vida alterada pela experiência e abandona tudo, partindo para o Oriente Médio em busca de refúgio e reflexão. Dois anos depois o diretor do filme está prestes a lançar sua obra e obtém contato com um apresentador que está se aprofundando na vida de Jesus através de seu programa televisivo.
Abel Ferrara, diretor do circuito alternativo americano, tem uma carreira repleta de filmes escorados sobre o submundo do crime, com a presença constante de personagens desajustados e envolvidos com violência e drogas. Quando qualquer pessoa que conhece sua filmografia descobre que ele resolveu se aventurar em um projeto como “Maria”, não há como evitar a expressão de estranheza. Não que o diretor não tenha competência para tanto – não se trata disso -, mas há de se considerar isto como um sinal de que algo em sua vida o levou a filmar uma história que tematiza quase inteiramente sobre a religião, sem economizar nos questionamentos existencialistas – uma vontade de demonstrar maturidade ou flexibilidade, talvez. Mas esse deslocamento de um espaço tão conhecido, o do underground, para um outro, mais intimista e sutil acaba gerando algumas falhas, que são sinalizadas pela sensação, ao longo de todo o filme e tão logo terminamos de assistí-lo, de que se perdeu ou não se notou algo durante toda a expectação do longa. Ferrara tem preocupações genuínas ali, tratando da eterna culpa que nos leva a questionar se os males que sofremos na vida são penas impostas por deus por pecados e erros cometidos, além de questionar as desavenças religiosas que tentam justificar sua violência como defesa da vontade e da verdade divina, trafegando também pela propensão do ser humano em, a certa altura da vida, questionar a conduta da humanidade, bem como a sua própria, e mergulhar em uma jornada de reflexão e auto-conhecimento, mas em todos os planos discutidos o diretor perde o foco por conta do roteiro fraco, que deixa de dar a profundidade necessária ao tema, o que concede à todas as sequências e acontecimentos ali desenhados um certo ar de ingenuidade. Isso aconteceu, ao que parece, porque o diretor não compreendeu que um filme que tematiza sobre eventos que redefinem a experiência de vida dos personagens, primeiramente, não deve deixar apenas para os atores o trabalho de exteriorizar a complexidade e densidade de seus personagens e seus dramas, pois eles devem sempre contar com o auxílio do roteiro e de diretrizes suficientes do diretor para tanto, e em segundo, que um filme destes pode ser tão pesado e radical quanto os que se escoram na violência mais material, física. Talvez o grande defeito de Abel Ferrara ao se aventurar em uma terra que até então não havia visitado seja seu excesso de singeleza e simplicidade. Faltou à ele transmutar a sua habitual ousadia nos domínios do undreground para os campos do metafísico, psicólogico e espiritual. É realmente uma pena, pois um filme com Juliette Binoche, em uma atuação excepcional, poderia render bem mais.
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legenda (português) [via legendas.tv – necessário registro]:
http://legendas.tv/info.php?d=6072b3812ab8805c61ac1adff5f76229&c=1

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