Enquanto os amantes do rock observam o cenário da música mainstream com pesar há longos anos, tendo a impressão inefável de que o gênero está morrendo, o inquieto Jack White parece nunca se ocupar de tais preocupações e continua lançando seus discos do mais puro rock, seja em carreira solo ou projetos paralelos ocasionais. Foi o que fez esta semana o ex-The White Stripes ao liberar duas faixas que demonstram uma energia e um improviso que poucos artistas conseguem ou mesmo se permitem levar para o estúdio. Em “G.O.D. And The Broken Ribs”, a primeira faixa, Jack usa o mito bíblico de Adão e Eva para guiar sua base de guitarra e bateria em um galope robusto sobre o qual destila imperativos vocais e breves interstícios instrumentais envenenados de uma espontaneidade vibrante.

Em “Derecho Demonico”, também preenchida pela parceria entre guitarra e bateria, aqui mais gingadas, Jack investe ainda mais na jam session, pontuando a melodia insinuante com solos delirantes de guitarra e teclado que soam saídos diretamente de um palco. E assim podemos dormir tranquilos: no que depender do apetite musical do cantor americano, o rock não morre tão cedo.
Ouça (Spotify):
Ouça (Deezer):
Jack White, integrante da dupla The White Stripes, recusou-se há alguns tempo atrás, junto com Meg White, a ser filmado para um comercial. Sabendo disso, a Coca-Cola, ao mostrar interesse em ter um trabalho do artista para um comercial seu, teve o cuidado de mostrar-lhe que suas ideías não iriam ferir a imagem do cantor e compositor. E assim Jack cedeu ao convite da multinacional de refrigerantes, e resolveu compor uma canção exclusivamente para a campanha. Segundo o artista, a temática sugerida pela empresa lhe interessou bastante, já que ele não costuma compor algo que aborde o amor em uma linguagem mais universal. O curta abandona a abordagem apelativa que infesta o mercado publicitário nos últimos anos, que tem a mania de transformar o cotidiano numa orgia adolescente de verão, e aposta em um imaginário mais nostálgico e singelo. A produção utiliza uma mistura de manipulação digital com trabalho mais tradicional, como se vê no final do filme. O frescor desta peça publictária, em conjunto com a qualidade da música de Jack White, torna-o de expectação obrigatória para qualquer um que goste de música, comerciais, curtas e Coca-Cola, não necessariamente todos juntos ou nesta ordem. Escolha o tamanho preferido do arquivo e baixe já utilzando os links abaixo.