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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [download: mp3]

alexander wolfe - the toughening / the softening (single) [2025]

Depois de lançar “Talk” (comentado por aqui em agosto), que traz nuances pop/rock e liricamente defende que os homens devem falar sobre seus conflitos internos para que preservem a saúde mental, o novo single do britânico Alexander Wolfe traz duas canções que fazem um recorte do início e fim da história do personagem cuja jornada aparenta ser o tema condutor de Everythinglessness, seu novo disco que será lançado em 2026. Em ambas o violão pinçado conduz as melodias construindo o melancólico alicerce emocional que aflora fortemente nas faixas em conjunto com o vocal de Wolfe, embebido em sentimento, mas enquanto na primeira camadas de vocal de apoio, bateria e guitarra pontuam a música com tensão e mágoa, na segunda estes unem-se de modo homogêneo para um sereno crescendo rítmico que eleva-se em ascensão magnífica no seu final. A atmosfera das faixas não diverge por pura arbitrariedade: talentoso e perspicaz, Wolfe compôs as melodias como um retrato perfeito do conteúdo lírico de ambas, pois em “The Toughening”, ao visitar o pai para expor sua desorientação ao descobrir que a mãe sofre de uma doença grave, o jovem personagem é inundado por reprimendas para que contenha as emoções e mantenha-se forte para dar suporte a ela, enquanto em “The Softening”, já depois de um longo tempo da morte da mãe, o rapaz revê o pai e extravasa furiosamente toda sua dor em uma confissão sobre como ele nunca o escutou e que a repressão de seus sentimentos quase o levou ao suicídio. Ainda que pareça ter marcado a trajetória deste homem com uma série de martírios, o cantor britânico aquece os últimos versos de “The Softening” com uma centelha de esperança, cantando com delicadeza, “ele, com sua raiva ardendo, vira-se para seu pai, que não havia falado todo esse tempo, e ele se dá conta: ele estava escutando”.

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Alexander Wolfe – “The Toughening/The Softening” (single) [mp3]

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Luckless (2012) [download: mp3]

luckless (album) 2012

Há projetos musicais promissores que duram alguns anos, lançam um par de discos interessantes, e por motivos desconhecidos se desfazem, de modo que seus componentes trilham diferentes rumos em suas vidas. Luckless, projeto da artista neozelandesa Ivy Rossiter, é um desses casos: hoje uma DJ e produtora musical radicada na Alemanha que acabou vinculando-se com um público pelo qual, digamos, não tenho muita simpatia, a cantora e compositora formou, em companhia do conterrâneo Will Wood, um duo musical que lançou não mais que dois discos na primeira metade da década passada. No primeiro deles, a dupla muniu-se apenas de guitarra e bateria para compor uma dezena de músicas excepcionais que transpiram a essência do mais primoroso rock alternativo e exibem traços de gêneros adjacentes, como o grunge, o que fica evidente nas canções “Hawks” e “Fermina Daza”, ambas baseadas em harmonias cíclicas da guitarra Silverstone de Ivy Rossiter. Na primeira, a cantora apossa-se do instrumento introduzindo uma sequência minimalista de riffs graves que faz par com o seu registro vocal baixo, escoltados com comedição pela bateria de Will Wood, mas no refrão a sonoridade dos instrumentos é encorpada para acompanhar o vocal mais emotivo da dupla, onde Ivy canta “quando eu acordar a noite, você vai me confortar e me abraçar, como corações expostos?”. Já na segunda, a palavra “home” é sussurrada continuamente por Will Wood como um mantra na qual a Silverstone distorcida de Ivy e a própria bateria de Will sobrepõem-se em um tropejo marcial premente, que retrai em um breve interlúdio lírico, apenas para retornar com mais urgência e transmutar-se em uma fabulosa apoteose sonora.
Porém, a proximidade com o grunge não fica apenas na dualidade complementar da dinâmica de retração/explosão sonora destas duas faixas, mas também na carga emocional do vocal juntamente com uma melancolia prevalecente nas melodias. São exemplos “Sound I See” (que inicia com certa serenidade, mas encorpa-se no refrão em um crescendo onde brilham tanto o vocal de Ivy quanto o instrumental denso e enérgico do duo) e “Skin & Bones” (que alterna introspecção e intensidade na cadência consternada de bateria e guitarra para servir de apoio ao vocal que também intercala-se entre súplica frágil e demanda imperiosa).
Ainda nessa estréia a dupla também conseguiu exibir sua habilidade na confecção de canções com arranjos mais trabalhados, como nas místicas “Cold In Our House” e “Let It Leak Out”, que guardam algo de dream rock nas guitarras etéreas e seus ruídos luminescentes que permeiam ambas as faixas, e “Bring This To An End”, uma power ballad que fecha o disco trazendo ternura e assertividade emotivas tanto no vocal quanto na música que avoluma-se à medida que avança.
Mas é a segunda faixa, “Hummingbird Heart”, que resume todo o talento da dupla na composição de melodias marcantes que tomam de assalto os ouvidos: conduzida inicialmente por uma guitarra e bateria hesitantes, em um compasso contínuo e controlado, a melodia intensifica-se em uma escalada rítmica brilhante, que sem usurpar sua graciosidade etérea e sua delicadeza emocional, culmina em um clímax melódico onde os instrumentos encadeiam-se em um pulso ligeiro como o coração do colibri que dá título a canção.
É verdade que o processo de popularização tanto do acesso quanto da produção cultural proporcionado pelas inovações tecnológicas teve impacto negativo na qualidade do que é produzido, mas penso que os longos anos ouvindo música e resenhando-a neste blog também contribuem para tornar cada vez mais incomum a possibilidade de ser arrebatado por um disco de algum artista ou banda na atualidade. Felizmente, a mesma popularização ofertada pela internet, aliada a uma boa dose de obstinação de um blogueiro já veterano, também possibilita você se deparar com o disco impecável de mais de dez anos atrás de uma banda obscura do Nova Zelândia que não existe mais – é como dizem: sou brasileiro e não desisto nunca.

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David Gilmour – “Between Two Points” [feat. Romany Gilmour] (single) [download: mp3]

david gilmour with romany gilmour - between two points (single)

Não posso ser exatamente definido com um fã de Pink Floyd (ou mesmo de rock progressivo), porém tenho um vínculo nostálgico com o que é na prática o último disco lançado pela banda, The Division Bell: eu não lembro de me interessar em saber de onde raios surgiu aquela fita cassete no carro do meu pai, na época do seu lançamento em 1994, provavelmente comprada por ele, mas o fato é que movido desde cedo pela minha obsessão em consumir música e induzido por aquela foto de capa enigmática, enfiei a fita em meu walkman e me vi inundado por uma musicalidade estranha, etérea, contemplativa que sedimentou-se como uma fotografia daquela época da minha juventude – é por conta desse disco e do fato de que David Gilmour foi instrumental no lançamento da carreira de Kate Bush que nutro uma admiração pelo músico, cujo talento não precisa ser fruto de qualquer discussão. Seu talento, aliás, mostra-se intacto na regravação que fez ano passado da canção “Between Two Points”, faixa de 1999 do disco de estréia do The Montgolfier Brothers, uma obscura dupla britânica que lançou apenas 3 discos, o último deles em 2005: sobre percussão, baixo e violão de matizes pastorais, e contando com orquestração delicada e um solo de guitarra irremediável do pai, Romany Gilmour (filha de David) introduz sua harpa onírica acompanhada do vocal sereno que serve perfeitamente as letras que tratam de alguém que opta pela resignação diante de um mundo que lhe parece hostil e intransigente: “deixe que eles pisem em você, ria dos socos e da dor, deixe o sangue da vida drenar-se de você, eles estão certos, você está errado” – uma pequena amostra do quanto Gilmour, mesmo depois de tantos anos, ainda consegue construir paisagens sonoras perenes que não se escoram em um excesso de pirotecnia nostálgica espalhafatosa…oi, Roger Waters, tudo bem com você?

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David Gilmour – “Between Two Points” [feat. Romany Gilmour] (single) [mp3]

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Keaton Henson – “Insomnia” (single) [download: mp3]

keaton henson - insomnia (single)

O que me chama a atenção no segundo single de Keaton Henson, liberado na quarta passada, é o quanto ele contrasta tanto com o single anterior quanto com o conjunto musical do artista britânico: apesar de que “Lazy Magician” (também incluído neste lançamento e já comentado no blog) já exibia sinais de divergir das composições anteriores por incorporar guitarras e baterias mais intensas no refrão, trazendo até um solo de guitarra que soa como uma tremenda ousadia se comparado ao trabalho mais introspectivo de Henson até aquele momento, “Insomnia” é grunge rock de pai e mãe, com fartura de camadas de riffs distorcidos nas guitarras, uma bateria densa e um vocal levemente rouco, seguro e confiante, ao contrário da fragilidade emocional costumeira do canto de Henson. É visivelmente uma melodia bem mais polida que “Lazy Magician” e mais desinibida do que o Keaton anterior, que se despe da indumentária folk para cobrir-se com uma malha inequivocamente grunge, intencional segundo o artista, pois as canções do disco Parader, que será lançado em novembro, é fruto da aceitação tanto de suas influências e sua juventude musical (onde tocou em bandas hardcore e emo), quanto do avanço da idade e do tempo, uma constatação que se reflete nos versos “todos programas de TV que amo estão fora do ar, então vou só assistir os anos arrancarem meus cabelos” – é, amigo, a idade chega para todos.

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Keaton Henson – “Insomnia” (single) [mp3]

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White Lies – “Keep Up” (single) [download: mp3]

white lies - keep-up (single)

A pulso acentuado do baixo é a energia condutora de “Keep Up”, novo single de “Night Light”, álbum que será lançado em novembro pela banda britânica White Lies. Apesar de bem menos acelerada e frenética que “Nothing On Me” (também já incluída neste single e já comentada em maio aqui no blog), a faixa conta com uma bateria bem encadeada, guitarras farfalhantes e cadeias de sintetizações que impulsionam a música para o crescendo melódico final onde reina a emoção no vocal de Harry McVeigh, que canta em tom de protesto “eu não quero levar a noite inteira pra ficar sóbrio, e ouvir você insistindo, ouvir você insistindo, eu não quero fingir, mas isso está acabado”.
“In the Middle”, a segunda faixa anteriormente liberada pelo grupo, também acompanha o novo single. Contando com sintetizações cintilantes, bateria palpitante e guitarras melódicas e utilizando-se em suas letras de cartas de baralho como metáfora para expressar os insucessos, incertezas e inseguranças de um relacionamento, é a mais experimental das três, reservando mais da metade de seus seis minutos para uma longa sequência instrumental onde os membros da banda alternam-se e complementam-se com desenvoltura em uma jam session idílica e hipnótica.

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [download: mp3]

jack ladder and the dreamlanders - cold feet (single)

Lançado como single no agora distante ano de 2011 pelo australiano Jack Ladder com sua banda “The Dreamlanders” para promover o seu álbum Hurtsville, “Cold Feet” é uma canção que suscita sonoridades que encontraram popularidade pelo início e parte dos anos 2000, similar a atmosfera das faixas menos aceleradas do Interpol e The National e as composições enxutas com padrões minimalistas de Cat Power, artistas e bandas que por sua vez conceberam sua música bebendo em fontes diversas do post-punk, rock alternativo e indie. Para dar ainda mais peso a gravidade que a sua voz de barítono concede para as letras onde versa sobre alguém que se divide entre entregar-se definitivamente ao amor que buscou por tanto tempo ou abandoná-lo por constatar que não é perfeito como até então idealizava, o cantor australiano e sua banda constroem uma harmonia cíclica, pulsante e de notas esparsas, visível no beat firme de cadência imutável da bateria, e na sequência harmônica bem espaçada da guitarra e do baixo. As sintetizações discretas que preenchem o segundo plano da canção finalizam o conjunto adensando a melodia com uma textura dark e melancólica que amplifica o plano emocional da música com precisão.

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Jack Ladder & The Dreamlanders – “Cold Feet” (single) [mp3]

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O tema Ritorna v. 1.6.5 foi adaptado deste tema. Seteventos™ - 2005